
Capítulo 328
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Nota do Autor: Para os que não sabem, o preço de um capítulo é determinado pelo seu comprimento, e não pelo autor.
…
Daniel endureceu sua determinação.
Ele não ia desistir.
"Como posso colocar o conhecimento nisso?"
As sobrancelhas de Daniel se franziram.
Ele precisava inserir informações sobre o presente e o futuro na cubo.
Os Registros que ele criaria seriam diferentes dos Registros que já existiam e eram utilizados pelos Filhos de Mana.
Ou talvez fossem os mesmos.
Daniel não se importava com qual das duas opções fosse.
Depois de criar seus Registros, ele planejava conectá-los aos Registros existentes e trazer Selene através deles.
"O plano é bom, mas como posso encontrar todas as informações sobre o presente e o futuro para colocar na cubo?"
Daniel tinha uma resposta e um plano.
Só que eram arriscados.
Sua característica.
Ele podia ver o futuro por meio dela.
Daniel se encontrou com Athena e olhou para o seu futuro.
A sensação de estar no futuro, em sua forma de alma, era tanto impressionante quanto assustadora.
Quando sua alma retornou ao seu corpo, usou a técnica de transferência que recebeu do sistema.
Fagulhas de energia branca percorriam suas pontas dos dedos.
Ele retirou as lembranças do futuro que adquiriu com Athena e as colocou cuidadosamente dentro do cubo.
A estrutura cristalina as absorveu, brilhando com mais intensidade.
Fez o mesmo com Emma, Zeus, Apolo, Cronos, Reia, Perses, Poseidon, Ares, Atlas.
Não apenas os despertadores.
Ele olhava para o futuro de qualquer pessoa com quem pudesse se encontrar e vertia o conhecimento do futuro que obtinha através delas dentro do cubo.
O processo era excruciante.
Repetidamente rasgar suas memórias começava a deixar buracos na sua consciência.
Daniel ignorava a dor.
Um sorriso torto apareceu em seu rosto enquanto o brilho do cubo se intensificava.
Sua estratégia estava funcionando.
"Só preciso de mais informações..."
"Se eu conseguir colocar todas as informações de um período específico, as memórias se tornarão auto-suficientes e elas deverão começar a gerar memórias futuras."
Obter todas as informações de um período específico é como montar um carro completo.
Se Daniel conseguisse fazer isso, então seu carro começaria a funcionar.
Ou seja, as memórias começariam a interagir umas com as outras e avançariam, formando um mundo simulado dentro do cubo.
Para explicar de forma simples, Daniel precisava obter todas as informações sobre o mundo às—digamos—16h30.
Às 16h30, ele precisava saber o que estava acontecendo com tudo.
Sobre as flores do lado de fora do jardim, balançando suavemente com a brisa.
Sobre a vizinha ao lado, assobiando enquanto regava as plantas.
Sobre os monstros debaixo d'água, espreitando nas profundezas do oceano.
Ele precisava ter conhecimento de cada objeto presente no mundo às 16h30.
Depois, colocaria toda essa informação dentro do cubo.
O mundo de memórias dentro do cubo não seria diferente do mundo real naquele momento das 16h30.
Depois disso, só precisaria fundir essas memórias fragmentadas.
Quando as memórias se unissem, começariam a interagir entre si.
Era como colocar dois robôs programados previamente e deixá-los conversarem.
Como as memórias eram uma cópia exata do mundo real, as interações entre elas mostrariam o que aconteceria na realidade.
Se tudo saísse conforme o planejado, um mundo simulado seria criado dentro do cubo.
Com o passar do tempo, Daniel começou a perceber as falhas do seu plano.
Primeiro, ele tinha que fazer uma pausa cada vez que usava sua característica.
Segundo, ele não conseguia ver o futuro de um período específico de forma controlada.
Até onde sabia, a sua capacidade de ver no futuro não tinha limites controláveis.
Mas, para que as memórias dentro do cubo fossem autossuficientes, ele tinha que colocar todas as informações de pelo menos um momento no tempo.
Havia apenas uma maneira de fazer isso.
Ele precisava olhar para o futuro o máximo de vezes possível e continuar fazendo isso até obter todas as informações de um ponto no tempo específico.
"No final, o problema sou eu, minha capacidade de mana."
Daniel decidiu pedir ajuda à Lua.
"Claro, eu ajudaria um amigo em necessidade," a consciência da Lua concordou prontamente.
Ela prometeu fornecer a energia necessária para que Daniel ativasse sua característica continuamente.
Seu ritmo de inserir informações na cubo acelerou.
O brilho fraco do cubo iluminava o cômodo escuro enquanto Daniel trabalhava incansavelmente.
Prateleiras cheias de livros e papéis dispersos enchia as paredes, repletos de diagramas e anotações de seu trabalho.
Ele começou a experimentar perda de memória ao rasgar suas próprias lembranças para colocá-las no cubo.
Era doloroso.
Várias vezes, Daniel acordava sem saber quem era ou o que estava fazendo.
Ele começava a esquecer os rostos das pessoas que importavam para ele.
Por quê estava fazendo isso?
O que ele tentava criar?
Daniel estava esquecendo tudo.
Ele continuava a olhar para o futuro, a retirar essas lembranças de sua cabeça e a colocá-las no cubo.
Mesmo com suas memórias desaparecendo, uma voz permanecia dentro de sua cabeça:
Você não pode parar.
Você tem que salvá-lo.
Você prometeu.
Daniel começou a temer o que estava acontecendo com ele.
Logo, esqueceria quem era e por que tentava criar os Registros.
Se isso acontecesse, talvez não conseguisse salvar aquele homem.
A riqueza de memórias dentro do cubo havia crescido, mas Daniel não estava feliz.
As memórias estavam longe de serem autossuficientes.
Na sua velocidade atual, levaria milhares de anos—se é que não mais—para criar um mundo simulado dentro do cubo.
Ele tinha que fazer melhor.
Ele tinha que fazer rápido.
Antes que esquecesse por que estava criando os Registros.
"Essa é a única maneira."
Daniel decidiu correr risco.
Ele estava na forma de alma, e sua alma estava no futuro de sua vizinha.
Naquele futuro, Daniel foi até outra pessoa e usou sua característica nela.
Ele tentou olhar para o futuro de uma pessoa que conheceu dentro do futuro.
Isso permitiu que ele coletasse informações do futuro de forma rápida.
Sua velocidade de coletar memórias aumentou exponencialmente.
Os riscos que ele assumiu sobrecarregaram sua mente.
Ele resistiu ao peso com pura força de vontade.
Daniel tinha vivido mais de mil regressões.
Sua mente não era tão fraca a ponto de quebrar assim que recebia pressão.
No entanto, nem tudo podia ser suportado pela força de vontade.
Daniel estava exagerando na sua característica.
Características eram como músculos.
Treiná-las as tornaria mais fortes, mas exagerar no treino danificaria os músculos (Características).
Daniel começou a perder força.
Ele ficava mais fraco a cada ativação de sua característica.
De forma irônica, o Tempo não permitia que sua força aumentasse; ao contrário, fazia sua força regredir.
Era a maldição do Tempo por desafiar sua vontade.
Séculos passaram rapidamente.
Daniel permaneceu em seu quarto, olhando para o futuro.
Desde que começou a usar sua característica enquanto estava no "futuro", ele não precisou mais procurar por mais pessoas no "presente" para usar sua característica nelas.
As paredes, antes vibrantes, agora estavam apagadas pelo desgaste.
Comida, água e lazer—Daniel deixava tudo de lado.
Mofo começou a subir pelas paredes.
A mesa no canto do quarto começou a apodrecer.
Ele nunca notou essas coisas.
Tudo o que importava para ele era uma coisa: completar o Registro.
Dias, semanas, talvez meses se passaram.
Daniel já tinha esquecido quantas memórias de pessoas tinha explorado.
Por que ele fazia isso?
Ele não conseguia mais se lembrar.
A única razão para usar sua característica todos os dias era a compulsão interna que lhe dizia para terminar os Registros.
Peça por peça.
Daniel rasgava suas próprias memórias.
A dor tornava-se uma companhia constante.
Ela permanecia no seu peito como uma dor surda que nunca desapareceria.
Ele começou a perder a própria identidade.
Quem ele era?
Agora, mal conseguia se lembrar de quem eram as pessoas.
Os únicos lembretes de sua vida eram as notas que deixou em seu quarto, espalhadas pela velha mesa de madeira.
Ele as lia todos os dias.
[Sou Daniel Caelum.]
[Um regressor que passou por incontáveis ciclos.]
[Também sou Ceifador.]
[Gosto de jazz…]
[Eu…]
Diariamente, ele aprendia quem era pelas notas.
A cada noite, ele esquecia quem era.
Então, o dia começava de novo, e ele lia as notas novamente.
Às vezes, dava uma risada das ações do seu eu do passado.
Outras vezes, ficava enojado.
Peça por peça.
Ele arrancou sua própria existência para construir os Registros.
E finalmente, eles ficaram completos.
As memórias inseridas no cubo se conectaram.
Começaram a fundir-se, tornando-se uma máquina perfeitamente ajustada, uma cópia exata, que não diferia do mundo real.
Um mundo menor, exatamente igual ao mundo real, nasceu dentro da caixa de Pandora.
Ele criou o Registro Akáshico.
No entanto, havia algo mais que ele precisava fazer antes que o Registro Akáshico pudesse ser considerado "completo".
"Meu amigo, já se passaram séculos desde que nos encontramos. Achei que você tivesse me esquecido," disse Typhaon com um sorriso.
Suas feições em forma de casca de árvore se distorceram suavemente, feliz por Daniel finalmente ter entrado em contato.
"Ah… olá," respondeu Daniel.
A sala, antes sombria, parecia mais fria ao observar o monstro humanóide parecido com uma árvore.
Ele não sabia quem Typhaon era.
A razão de ter chamado Typhaon eram as notas na sala.
Pedir ajuda a Typhaon após concluir a criação de um mundo simulado, dizia uma nota.
O rosto de Typhaon congelou ao notar a expressão de Daniel.
Suas feições se contorceram, a pele de madeira se tencionou, e seu sorriso desapareceu.
Ele odiava ver um amigo sofrendo.
O peso da culpa lhe sobrecarregava.
Se ao menos não tivesse perguntado sobre o espadachim de olhos vermelhos, Daniel não teria ido para a linha do tempo apagada, e não começaria sua busca para salvar aquele 'homem.'
Sem entender a causa da fúria de Typhaon, Daniel explicou por que o chamou.
"Você está dizendo que preciso conectar este Registro Akáshico com o Núcleo do Mundo?" perguntou Typhaon.
"Sim, os Registros existentes que os Filhos de Mana podem acessar estão guardados dentro do Mundo.
"Por isso, os Filhos de Mana acham que as informações lhes são dadas pelo Mundo.
"Precisamos armazenar o Registro Akáshico que criei dentro do Núcleo do Mundo.
"Lá, ambos os Registros se conectarão, e eu terei acesso aos Registros originais, onde está 'Selena'—a Criança de Mana que estamos tentando salvar—por meio dos meus Registros," explicou Daniel.
Conectar os Registros não era simples.
Os Registros originais eram existências transcendentes.
Elas existiam no passado, presente e futuro.
Mas não existiam ao mesmo tempo, afinal ainda não tinham sido criados.
Agora, Daniel entendeu que era o criador dos Registros originais.
Seus Registros evoluiriam no futuro e se tornariam verdadeiramente Eternos.
Por enquanto, conectar ambos os Registros fundiria-los-ia, permitindo que os Registros originais se manifestassem no 'presente', ao invés de apenas existirem como conceitos abstratos.
Os Registros originais só 'existiam' no presente e, por isso, só poderiam ser acessados por quem fosse os Filhos de Mana.
Após a 'manifestação', todos poderiam se conectar aos Registros.
Typhaon continuou a encarar Daniel em vez de fazer algo.
Daniel interpretou mal seu olhar e esclareceu.
"Não se preocupe. Li as notas e sei que tinha um acordo com os Despertadores para que eles tivessem acesso aos Registros."
"Fiz os arranjos para isso," disse Daniel.
Ele tinha concedido diferentes níveis de acesso, dependendo das qualificações dos Despertadores.
"Mas ninguém pode editar ou criar os Registros, ok?" explicou Daniel. "O mundo simulado é delicado.
"Se uma existência externa fizer mudanças nele, o mundo simulado começará a prever um futuro errado."
"É como injetar objetos estranhos em um sistema controlado."
"Quando isso acontece, os Registros se tornam inúteis e não nos fornecem informações corretas."
Os Registros continham um mundo simulado.
O mundo simulado permitia a qualquer um ver o que aconteceria no futuro por meio da simulação contínua dentro do cubo.
No entanto, os Registros se corromperiam se uma mudança mínima fosse feita.
Contanto que nada fosse alterado, eles espelhariam o mundo real, mostrando o presente e o futuro.
"Não estou perguntando sobre isso. Quero saber se você está feliz," disse Typhaon suavemente.
"…"
Daniel não conseguiu responder.
Ele finalmente criou o Registro.
Mas já não se lembrava mais por que fazia isso.
As notas que escreveu diziam que era para salvar um homem.
No entanto, Daniel não sentia mais nada.
Ou assim pensava.
"Esqueça que disse algo. Vamos concluir o Registro," falou Typhaon, com uma voz mais suave desta vez.
Ele pegou o cubo e fechou os olhos.
A Energia Divina começou a oscilar ao seu redor.
Enquanto Daniel se dedicava a criar os Registros, o mundo tinha ascendido, e alguns Despertadores tornaram-se deuses.
A Mana transformou-se em Energia Divina.
Typhaon concentrou-se em fundir o Registro Akáshico ao Núcleo do Mundo.
O coração de Daniel começou a acelerar sem perceber.
E se todas as teorias que construiu estivessem erradas?
E se seus Registros não fossem um mundo perfeitamente simulado e previam o futuro errado?
Cada pensamento fazia o medo entrar mais fundo em seu coração.
Era frio e devorador.
Sua característica não podia enxergar perfeitamente linhas do tempo paradoxais.
Isso tornava as linhas paradoxais difíceis de integrar ao mundo simulado.
E se existissem algumas linhas do tempo paradoxais que ele não tinha considerado?
Isso estragaria seu mundo simulado.
Sua respiração ficou pesada de medo.
O cômodo escuro parecia se fechar ao seu redor.
Para os outros, Daniel tinha criado os Registros por séculos.
Mas só ele sabia que tinha feito isso há muito mais tempo.
Ele tinha visto milhões, talvez bilhões de anos de futuro.
Mesmo que não se lembrasse desses futuros depois de colocar as memórias no cubo, o cansaço e a dor de construir o Registro eram cristalinos para ele.
Só o pensamento de falhar já o fazia tremer descontroladamente.
Se ele falhasse—
Ding!
Um som ecoou no silêncio.
Palavras surgiram diante dele, brilhando suavemente no ar.
[Sincronização concluída]
[Registrando usuário…]
[Usuário, Daniel Caelum, registrado no Registro Akáshico]
Daniel encarou a tela, chocado.
Ele não conseguia descrever o que sentia.
"Esta tela é a prova de que os Registros se fundiram e estão dando acesso a todos," murmurou, atônito.
O esforço de anos incontáveis tinha dado frutos.
Foi então que ouviu uma voz que pensava ter esquecido há muito tempo.
"Irmão?"
Typhaon e Daniel ouviram a voz de Selene ao mesmo tempo.
A sala parecia mais iluminada enquanto o cubo pulsava com um ritmo calmante.
"Funcionou..." disse Typhaon. "Você conseguiu, meu amigo!"
O sorriso no rosto de Typhaon só se abriu mais ao notar a expressão de Daniel.
Lágrimas escapavam dos olhos de Daniel, refletindo a luz suave do cubo.
"H-hum, por que estou chorando?"
"Porque você salvou eles dois!"
Typhaon abraçou Daniel enquanto ria alto.
Aquele calor da abraço contrastava com a sala fria e escura.
O cubo nas mãos de Daniel pulsava suavemente com um brilho etéreo, quase celestial.
Daniel não conseguiu segurar as lágrimas.
Elas escorriam pelo rosto, quentes e incessantes.
Typhaon tinha razão.
Ele tinha salvado ambos.
Sua irmã e o homem cujo nome e rosto ele já não se lembrava mais.
"Eu… Eu consegui..."
Mesmo sem se recordar por que iniciou essa jornada, apesar de anos de luta.
Daniel sentiu que tudo valeu a pena.
O ar ao seu redor parecia mais leve, como se um grande peso tivesse finalmente se levantado.
Seu coração encheu-se de felicidade e alívio.
"Eu… os salvei."