
Capítulo 327
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Athena franziu o rosto, olhando os textos.
“É fantasia?”
“Sim, tudo é fantasia. Mas, se pensarmos ao contrário, você se inspirou nos sonhos e tudo que viu lá também era fantasia.”
Ele continuou.
“O que eu acho é... Os Registros contêm informações sobre tudo que aconteceu após a Era do Apocalipse.”
“Eles não têm todas as informações, apenas das épocas posteriores ao Apocalipse, não antes dele.”
“Como é que meus romances ficcionais estão relacionados às informações dos Registros?” ela questionou.
“Se seus romances fossem baseados em informações anteriores à Era do Apocalipse, o gênero teria que ser realismo, urbano, guerra militar, romance adolescente.”
“Meu ponto é, o gênero não poderia ser fantasia, pois não existiam elementos de fantasia na época antes do Apocalipse,” explicou Daniel.
“Hum-hum.” Ela assentiu, sinalizando para que ele continuasse.
“A única ideia de história realista que seu diário tem é esta,” ele disse, apontando para o conto de Euphemia escrito com tinta desbotada.
“E ela?” Athena perguntou, a curiosidade misturando-se com a confusão.
“Agora, se todas as informações nos Registros são da Era do Apocalipse e das épocas posteriores, por que a história da Euphemia está aqui? Ela existe numa era que é milhares de anos antes do Apocalipse.”
“Talvez aquela história da Euphemia seja só uma ideia comum e não proveniente do Registro,” ela sugeriu.
“Talvez você esteja certa, mas por ora, vamos apostar que é do próprio Registro,” disse Daniel. “Agora, responda à minha pergunta.
“Por que as informações da Euphemia estão presentes no Registro, mesmo ela não devendo estar lá? O que a torna única?”
“Porque ela é uma Criança de Mana…?”
Seu tom estava cheio de dúvida.
“Sim! E o que há de diferente nas Crianças de Mana?” Daniel pressionou.
“A gente consegue acessar os Registros?”
“Exatamente!”
Daniel falou numa velocidade rápida, sua empolgação quase não contida.
“Acho que acessar os Registros não é algo normal.
“Vamos imaginar que os Registros existem em uma biblioteca que fica em uma dimensão separada.
“Os Registros podem ser acessados apenas uma vez.”
“Para acessá-los várias vezes, as Crianças de Mana precisam deixar uma parte de si mesmas dentro da biblioteca,” ele explicou.
“O quê?”
Athena olhou para Daniel com um olhar estranho.
A teoria era até demais para ela, que era uma escritora.
“Sei o que você está pensando, mas posso provar minha teoria.
“Responda às minhas perguntas e você vai ver,” Daniel disse com uma voz calma.
“Vai lá,” Athena respondeu.
“Você consegue inserir informações nos Registros?” Daniel questionou.
“Não,” Athena respondeu. “Só consigo retirar informações.”
“E os outros Crianças de Mana? Consegue elas inserir informações?”
“Não podem. Tenho certeza disso,” ela falou com firmeza.
“Por quê?”
“É... um sentimento. Eu só sinto que só o criador dos Registros pode editar ou alterar as informações.”
“Bingo!” Daniel sorriu vitorioso.
“As Crianças de Mana não podem inserir informações. Então, como é que a informação da Euphemia apareceu no Registro?”
Daniel continuou:
“Ela não deveria estar lá, já que os Registros contêm informações da Era do Apocalipse e das épocas que vieram depois.”
“...”
Athena ficou em silêncio.
Daniel respondeu a si mesmo.
“Uma parte da Euphemia está lá. Ela te contou suas informações.”
“...Vamos supor que sua teoria seja verdadeira. Por que ela me confiaria essas informações?”
“Eu não sei ao certo. Talvez ela esteja entediada?”
Athena suspirou, encostando-se na cadeira.
A teoria de Daniel parecia convincente.
Mas não tinha uma base sólida.
Por exemplo, o que ele faria se as informações sobre Euphemia fosse apenas uma história que ela escreveu, e não um conhecimento real retirado dos Registros?
Daniel compreendia suas preocupações.
O desconhecido os corroía ambos.
O tempo passou enquanto Daniel continuava sua pesquisa, viajando por ruínas antigas e bibliotecas esquecidas em busca de mais informações.
O mundo lá fora era vasto, cheio de vestígios de civilizações perdidas, florestas densas retomando fortalezas de pedra, e ventos sussurrando segredos antigos.
Outros Crianças de Mana apareciam algumas décadas depois.
Daniel encontrou um deles e perguntou suas dúvidas.
As respostas que recebeu consolidaram sua teoria.
Uma parte da existência das Crianças de Mana permanece nos Registros.
Deve haver uma de Selene também.
“Agora preciso encontrar uma forma de trazê-la para fora do Registro,” murmurou Daniel.
Ele tentou ver se Athena e o novo Criança de Mana poderiam encontrar Selene nos Registros.
Falharam.
No fim, ambos não podiam acessar os Registros à vontade.
“Por que Selene não tenta contatar Athena e os outros? Se Euphemia consegue, ela também não conseguiria?” Daniel murmurou.
Não houve resposta para sua pergunta.
Daniel continuou pesquisando.
Quanto mais tempo dedicava à pesquisa, mais convicto ele ficava de que estava certo.
Seus olhos, inchados de anos de estudo intenso, vasculhavam as inúmeras anotações que tinha rabiscado e colado na parede à sua frente.
“Preciso encontrar uma maneira de acessar os Registros e tirar a Selene de lá.”
As orientações de sua pesquisa mudaram, seu foco se aprofundou.
No entanto, ele não encontrou nenhuma pista válida mesmo após cem anos.
O mundo fora do seu estudo mudava — países desmoronando, novas organizações surgindo, e ainda assim, sua busca permanecia infrutífera.
O tempo continuou a passar.
Começou a deixar Daniel nervoso.
“Achava que os Registros continham informações sobre a Era do Apocalipse e depois, porque foram criados na Era do Apocalipse.”
“Mas não vejo nenhuma indicação de alguém criando os Registros agora.”
“Será que estava enganado?”
A maneira mais fácil de trazer Selene de volta era encontrar quem criou os Registros e pedir que ele a trouxesse de dentro deles.
“Não existe mais ninguém criando Registros.”
Daniel tinha certeza de que o criador dos Registros era um ser terrestre.
As pistas eram irrefutáveis — pois todo conhecimento nos Registros tinha relação com a Terra e seu futuro.
Mais cem anos se passaram.
A paciência de Daniel estava no limite.
Sua sala de estudos virou uma fortaleza de conhecimento, com alas inteiras dedicadas a teorias fracassadas e pistas fragmentadas.
Sem outra saída, resolveu tomar para si a tarefa.
“Se ninguém vai fazer os Registros, então eu mesmo vou criar um.”
Era uma ideia quase idiota.
Os Registros eram uma existência que transcendia o tempo.
Daniel criaria um?
Mas havia uma razão pela qual ele achava que conseguia.
“Caixa de Pandora.”
Ele olhou para o cubo prateado nas mãos.
Um de seus lados estava aberto.
O cubo estava vazio por dentro.
A superfície metálica parecia absorver a pouca luz que havia.
Daniel tinha conseguido o cubo de Kronos.
Segundo Kronos, esse cubo era o que continha o Apocalipse.
Ele havia desencadeado o Apocalipse na Terra quando foi aberto.
Zeus confirmou a fala de Kronos, embora estivesse bastante irritado.
Daniel precisou fazer um acordo com Kronos para obter a Caixa de Pandora.
'Se você puder criar os Registros, poderemos acessá-los à vontade,' Kronos dissera a Daniel. 'Pegue. Talvez esse objeto amaldiçoado finalmente se torne um farol de esperança e progresso para o nosso mundo.'
As sobrancelhas de Daniel franziram ao olhar para o cubo vazio.
“Já verifiquei que os objetos colocados dentro do cubo não podem ser corroídos pelo Tempo.
“Não é exatamente Eterno como os Registros — que existem no passado, presente e futuro.
“Mas é ainda Eterno no sentido de que os objetos dentro do cubo não podem ser destruídos pelo Tempo.”
Ele apertou o cubo com mais força.
“Agora, a única coisa que falta para o cubo é o conhecimento do presente e do futuro, e ele será os Registros.”
Após décadas de esforço, Daniel começou a duvidar de si mesmo.
Será que realmente conseguiria salvar Neo?
Selene ainda estaria viva dentro dos Registros?
E se os Registros que criou não fossem os que as Crianças de Mana poderiam acessar?