Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 282

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

“Talvez você esteja certo”, Neo falou após alguns segundos.

Sua voz carregava uma leve tonalidade de inquietação.

Ele fechou os olhos e tentou perceber alguma mudança ao seu redor.

O telhado estava assustadoramente silencioso, salvo pelo farfalhar distante das folhas e o sutil zumbido do barulho da cidade lá embaixo.

Passaram-se minutos, e nada aconteceu.

Justo quando ele ia soltar um suspiro aliviado, Gaia tossiu.

Suas tosses ficaram violentas.

Ela se dobrou, e sangue escorreu de seus lábios enquanto agarrava a mão de Neo com uma tremedeira no aperto.

“N-Neo….”

Seus olhos estavam vermelhos de sangue.

Ela ficava abrindo e fechando a boca, como se tentasse dizer algo, mas não conseguia devido à tosse.

Antes que Neo pudesse reagir, seus olhos se arregalaram de pânico, e seu corpo caiu para frente, perdendo a consciência.

Não havia tempo para descansar.

O ar ficou pesado, e Neo sentiu uma mudança sobrenatural no mundo ao seu redor.

Um arrepio frio percorreu sua espinha enquanto seus instintos gritavam que algo estava gravemente errado.

“A Energia Divina desapareceu do ar…?” murmurou Neo, sua voz quase inaudível.

As portas do telhado se abriram com um estrondo ensurdecedor, estilhaços de madeira espalhando-se pelo chão.

Kronos entrou de supetão.

“Tem notícia ruim! Nenhum de nós consegue mais usar mana!” exclamou Kronos. “Sem mana, não conseguimos usar nenhuma habilidade—”

Seus gestos vacilaram ao fixarem o olhar em Gaia. Seus olhos se arregalaram em choque enquanto se abaixava ao lado dela.

Suas mãos moveram-se rapidamente para verificar o pulso.

Logo seus sobrancelhas se franziram e seu rosto endureceu.

“É exatamente como eu pensei”, afirmou Kronos seriamente. “Algo aconteceu com o Núcleo do Mundo.”

“O que você quer dizer com isso?” perguntou Neo.

Ele olhou ao redor, sentindo toda a confusão lá embaixo.

Dentro do prédio, os despertadores estavam em pânico.

A perda da mana tinha tornado suas habilidades inúteis, e a confusão se espalhava como fogo em mato seco.

Pelas razões que Neo não conseguia compreender, ele ainda conseguia sentir a Energia Divina dentro de si.

Não tinha perdido sua Energia Divina como os outros.

“O Núcleo do Mundo é responsável por criar a mana ambiental. Como a mana desapareceu, quer dizer que algo aconteceu com o Núcleo do Mundo”, explicou Kronos com um tom pesado. “Gaia está conectada ao mundo de uma forma mais profunda do que qualquer um de nós. O dano ao Núcleo do Mundo deve ter sido transmitido para ela também.”

Enquanto os dois conversavam, fissuras roxas tênues começaram a se espalhar como teias na pele pálida de Gaia, emitindo um brilho silencioso e ameaçador.

'Belzebu', chamou Neo por telepatia, sua voz mental urgente. 'Volte aqui. Rápido!'

O espírito lagarta, surpreso ao ouvir a voz de Neo após anos de silêncio, hesitou brevemente antes de perceber a urgência em sua tonalidade.

Ele abandonou a ideia de protestar e correu na direção de Neo.

“O que é isso….” resmungou Kronos.

Suas sobrancelhas se franziram ao notar as rachaduras se espalhando pelo corpo de Gaia.

Ele cuidadosamente a levantou em seus braços.

“Precisamos levá-la aos curandeiros”, afirmou Kronos.

Sem mana, ele não podia usar sua afinidade com o tempo para parar os ferimentos de Gaia ou retroceder sua condição.

Os dois correram para o interior da sede.

Seus passos ecoavam pelos corredores.

O ar ali dentro carregava uma tensão palpável enquanto os despertadores, embora inicialmente em pânico, começavam a se recompor.

Veteranos de inúmeras batalhas, eles sabiam da importância de manter a calma em uma crise.

Quando viram Kronos e Neo entrarem, murmúrios começaram a circular entre a multidão presente.

“É o Kronos? E… quem é aquele com ele?”

“O que eles estão fazendo dentro da associação?”

Ignorando as conversas curiosas, a dupla entrou na ala médica.

Kronos cuidadosamente colocou Gaia numa cama.

Os médicos trabalharam rapidamente.

Porém, não importava quanto tentassem, não conseguiam determinar a causa do estado de Gaia nem desenvolver um tratamento.

Ares e Athena chegaram logo depois.

Suas expressões ficaram sombrias ao perceberem o estado frágil de Gaia.

A luz fraca da sala de observação refletia a preocupação profunda no interior de seus corações.

Horas depois, os despertadores de maior patente na sede da associação reuniram-se em uma reunião de emergência.

A tensão no ambiente era intensa, tão carregada quanto uma nuvem de tempestade.

Vários deles trocavam olhares tensos ao perceberem a presença de Neo entre eles.

Sua presença era tanto uma surpresa quanto um mistério.

No entanto, eles guardaram suas dúvidas para si, sabendo que não era hora para tais perguntas.

A reunião se estendeu por horas enquanto Kronos explicava a situação à assembleia de rosto severo.

O resumo era curto e direto:

Mana desapareceu da Terra há algumas horas.

Gaia perdeu a consciência exatamente no momento em que isso aconteceu.

O grupo concordou rapidamente em uma evacuação de emergência.

Os cidadãos seriam transferidos para bunkers fortificados, preparados para cenários catastróficos.

'Os bunkers são inúteis. Nenhum lugar é seguro se o mundo estiver sendo destruído.'

Todos na sala compartilhavam o mesmo pensamento sombrio, mas ninguém ousou dizer isso em voz alta.

Exatamente um dia depois, Neo sentiu a chegada de Belzebu.

O ar ao redor da sede ficou pesado de presságio enquanto Neo saía ao ar livre para encontrá-lo.

O céu estava encoberto, um tom cinza pálido que parecia refletir a crescente apreensão do mundo.

Ao longe, o chão começou a tremer violentamente antes de ceder ao colapso. Com um estrondo que abalou a terra, uma enorme minhoca emergiu do solo, seu corpo segmentado brilhando com uma luminescência alheia.

A criatura torceu-se no ar antes de encolher.

Sua forma colossal desabou e se transformou em uma minúscula lagarta, menor que um dedo mindinho.

Belzebu pousou suavemente na palma estendida de Neo.

"Obrigado por voltar tão rápido assim", disse Neo, sua voz suave, mas grata. Ele passou a mão na cabeça de Belzebu em sinal de admiração.

A lagarta soltou um pequeno som de brincadeira, embora inicialmente planejasse parecer irritada. Seu afeto quebrou a farsa, e ela se mexeu felizmente na mão de Neo.

A expressão de Neo ficou séria ao rapidamente mudar o foco para a missão.

"Vamos para o Polo Norte", anunciou.

Kyuu?

Belzebu inclinou sua cabeça minúscula.

"O Feitiço do Tempo Mundial não pode ser ativado porque a mana desapareceu. Mas eu ainda posso usar minha Energia Divina. Então…"

Neo acreditava que poderia ativar o Feitiço do Tempo Mundial. Pelo menos, teoricamente.

Na prática, a energia necessária para lançar um feitiço capaz de enviar dezenas de pessoas 30 a 50 anos ao passado não era algo que ele possuísse.

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