Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 283

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Era uma preocupação que ele enfrentaria quando o momento chegasse.

Neo ativou seu Feitiço de Movimento Sombrio sem mais delongas.

Remoeu seu debuff de linhagem sanguínea e ativou sua benção.

Sua velocidade aumentou exponencialmente e, num piscar de olhos, começou sua jornada rumo ao norte, atravessando a paisagem desolada com agilidade.

Meio dia depois, Neo foi obrigado a parar quando todo o mundo tremeu violentamente.

O chão sob seus pés rachou com estrondosos estalos.

Oceanos se agitaram e ferviam, formando densas nuvens de vapor, enquanto o ar gelado se tornava cortante e amargo, congelando tudo ao seu redor.

Um grito ancestral rasgou o céu, ecoando pelo globo.

O som carregava uma força que parecia sacudir as próprias bases dos continentes.

Bem abaixo do Oceano Atlântico, o leito marinho se inclinou e se abriu, formando uma enorme fenda.

De dentro dela surgiu um colossal dragão de ossos, maior que as montanhas.

A forma esquelética do dragão irradiava uma aura opressiva.

Ele nadou para cima, rompendo a superfície do oceano com um estrondo ensurdecedor que gerou ondas de choque que se propagaram pelos mares.

Num movimento rápido, ele subiu ao céu, abrindo suas asas partidas e quebradas.

O bramido da criatura sacudiu o mundo e destruiu montanhas.

Apesar dos ferimentos — asas quebradas, uma perna faltando e um crânio parcialmente esmagado —, exalava uma aura de ameaça e poder esmagadores.

O antigo dragão de ossos, Veldora, expandiu seus sentidos pelo planeta.

Sua percepção era vastíssima e incansável, varrendo tudo que vivia na Terra como uma onda sufocante.

Os despertadores ficaram imóveis, paralisados pelo medo.

Os mais fracos caíram ao chão.

Seus corpos tremeram ao sentirem o olhar do dragão penetrando suas almas.

Então, tão rápido quanto chegou, a sensação opressiva desapareceu quando Veldora retraiu sua aura.

Após localizar seu alvo, Veldora bateu suas asas rasgadas, enviando fortes rajadas de vento que se espalharam pelo ar, e virou direto na direção de Neo.

Neo, que já havia sentido a aproximação de Veldora, permaneceu imóvel.

Ele franziu a testa, não por medo, mas pela presença de Veldora na Terra.

Veldora era o guardião da Floresta de Todos os Começos no Submundo.

Não abandonaria seu local a menos que fosse estritamente necessário, e vir ao mundo dos viventes não era algo que Veldora pudesse fazer livremente.

Não demorou muito para que a criatura surgisse no horizonte.

Neo via Veldora, que parecia cobrir o céu toda vez que abria suas asas.

O dragão gigante voava em direção a Neo quando, de repente, suas asas feridas se partiram completamente e ele caiu em queda livre.

Os olhos de Neo se arregalaram.

Ele correu na direção de Veldora.

"Veldora! O que aconteceu com você?"

Ao se aproximar do gigante, percebeu rachaduras roxas em seus ossos.

"J-jovem mestre…"

A voz de Veldora era como uma árvore antiga. Antiga, mas repleta de sabedoria.

Ele tentou erguer seu corpo quebrado e fazer uma reverência diante de Neo.

"Parem! Não se forcem," disse Neo.

O gigante de ossos deu uma risada baixa.

"Não posso deixar de cumprimentar adequadamente a Criança do Monárquico."

Ele levantou seu corpo superior com a única pata dianteira e abaixou a cabeça.

"Fico feliz em vê-lo com saúde, Ó Grande Filho do Monárquico."

Veldora era um dos poucos no Submundo que sabia que Neo era Thanatos e que vinha do futuro.

Antes que Neo pudesse perguntar por que tinha vindo ao mundo dos vivos, Veldora trouxe uma notícia chocante.

"O Submundo caiu e o Monárquico foi morto."

"…"

A mente de Neo ficou em branco.

Ele não conseguiu assimilar o significado das palavras de Veldora.

O deus do Submundo, o Monárquico que governava o Além desde os tempos antigos, tinha caído…?

Veldora riu com desesperança.

"Sinto muito."

Ele abaixou ainda mais a cabeça.

"Não conseguimos proteger o Monárquico. Vim aqui para avisar sobre o perigo que se aproxima."

Hades havia selado o Submundo para garantir que 'elas' não pudessem vir ao mundo dos viventes.

Não, isso era apenas uma metade da verdade.

A verdadeira razão do selo do Submundo era proteger Neo.

Hades e os Ceifadores não queriam que Neo participasse de uma batalha que pudesse colocá-lo em risco.

Mas...

Perderam.

De forma grotescamente fácil.

"Sinto muito," repetiu Veldora, com a voz embargada. "Minha única missão era te proteger. Mas estou partindo antes de você."

Parecia que Neo via as lágrimas escorrendo pelo rosto do dragão de ossos.

Arrependimento claro em sua voz.

"Por favor, fique vivo, jovem mestre."

Veldora se desfez em poeira diante de Neo.

Não foi apenas seu corpo que foi destruído.

Sua alma e sua Semente da Existência – o núcleo de sua essência – também desapareceram.

Veldora morreu de verdade.

Com a Semente da Existência apagada, ele não poderia ser ressuscitado, nem por Hades.

'Veldora foi completamente apagado,' pensou Neo, com uma expressão vazia e mecânica.

Ele sabia quem era capaz de fazer tal feito.

Como se estivesse previsto, o mundo tremeu novamente.

Pilares gigantes, tão largos quanto cidades, surgiram do solo em várias partes do planeta.

Só eles exalavam uma presença nauseante.

A superfície roxa deles parecia uma trama de carne apodrecida de monstruosidades irreconhecíveis.

Os pilares tremeram.

Emitiam um som agudo que perfurava os ouvidos, e, de repente, centenas de olhos se abriram em suas superfícies.

Os olhos olhavam ao redor de maneira errática.

Neo sentiu como se seus olhos estivessem pegando fogo ao encontrar o olhar de um deles no pilar próximo a ele.

Sangue começou a escorrer de seus olhos, e uma dor aguda lhe cortou a cabeça.

O ar ao seu redor ficou pesado, opressivo, cheio de um odor nauseante que parecia grudar na sua pele.

Os céus, que antes eram vibrantes, transformaram-se numa massa de nuvens roxas escuras, piscando relâmpagos ominosos.

[O Vazio corrompe você.]

Sua pele começou a rachar, e sua Semente da Existência tremia.

O chão sob seus pés se fraturou, deixando escapar uma luz violeta assustadora.

Neo percebeu que as presenças vivas ao seu redor morriam sem esperança.

Gritos de socorro entraram em seus ouvidos.

Mas, antes que pudesse agir, esses seres vivos foram silenciosamente destruídos, sem esperança de recuperação.

Um simples olhar dos pilares era suficiente para matá-los.

Os ataques mentais faziam com que explodissem ou que a corrupção dos olhares os apagasse.

[O Vazio corrompe você.]

Olhos no pilar mais próximo de Neo se voltaram para ele após exterminar todos ao seu redor.

Sob seus olhares concentrados, a dor que atacava sua mente aumentou várias vezes.

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