Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 281

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Kane, preso em sonhos eternos, não mostrou reação às palavras de Neo.

Sua expressão serena era um lembrete doloroso dos erros que Neo havia cometido no passado.

Neo apertou os punhos.

Seu maxilar se tensionou enquanto encarava a figura imóvel de Kane.

"Se ao menos eu tivesse criado meu Conceito mais rápido, poderia ter colocado você num sono profundo—não nessa 'sonho' do qual nunca se consegue despertar."

O arrependimento em sua voz permanecia no ar.

Depois de mais algumas palavras para Kane, que permanecia em silêncio, Neo sentiu seu coração aliviar-se um pouco.

Ele virou-se e saiu do cômodo.

A névoa suave se enroscou ao redor enquanto a porta se fechava.

Neo entrou nas sombras e desapareceu, escondendo sua presença.

O Feitiço de Movimento das Sombras permitia que ele vagasse pelos Quartéis Gerais da Associação sem impedimentos.

A escala da sede cresceu imensamente ao longo dos anos.

Pináculos imponentes se erguiam altos acima, conectados por pontes que brilhavam com luz própria.

Dentro, inúmeras pessoas se moviam com propósito, suas vozes se fundindo em um zumbido constante de urgência.

[Tempo Restante até o Fim do Mundo: 8 horas, 17 minutos, 59 segundos]

Ares e Atena retornaram com a sua equipe.

Sua chegada foi celebrada com exultantes comemorações.

Conseguiram derrotar os Cinco Imperadores.

Uma atmosfera festiva tomou conta da Associação ao se espalhar que três das quatro calamidades tinham sido desviadas com sucesso.

Typhaon, Triângulo das Bermudas, os Cinco Imperadores e a Lua.

Essas eram as Quatro Calamidades que poderiam levar ao fim do mundo—ou, pior ainda, convocar o Anjo dos Externos para a Terra.

Neo observava das sombras, com uma expressão indizível, antes de se virar e partir.

[Tempo Restante até o Fim do Mundo: 2 horas, 38 minutos, 19 segundos]

Neo ficou sozinho no terraço.

O céu estrelado se estendia infinitamente acima dele.

As estrelas brilhavam como memórias distantes, e uma brisa gelada carregava sons suaves de comemoração lá de baixo.

A porta rangeu ao abrir, e Gaia entrou, com passos cambaleantes.

Ela carregava uma garrafa meio vazia de álcool e se apoiou pesadamente no ombro de Neo, suas bochechas avermelhadas pelo efeito da bebida.

"Tenho boas notícias", disse com um sorriso torto. "Zeus conseguiu negociar com a Lua."

Neo levantou uma sobrancelha, mas não respondeu.

Gaia relaxou mais ainda, quase desabando contra ele.

Seu estado de embriaguez fazia suas palavras saírem arrastadas, e sua habitual argúcia estava turva.

"Conseguimos," ela murmurou, soltando um soluço suave. "Paramos as quatro calamidades."

Ela tentou erguer a garrafa em um brinde de brincadeira, mas Neo suspirou e invocou monstros das sombras para agir como uma cadeira para ela.

As formas escuras se aglutinaram sob ela, segurando-a com delicadeza.

"O que você está fazendo? Venha, beba comigo~" ela provocou, balançando a garrafa na direção dele.

Neo ignorou e pegou os papéis que ela segurava na outra mão.

Seus olhos percorriam as páginas, que detalhavam o acordo de Zeus com a Lua.

A Lua exigira colonos humanos—80% deles mulheres—para povoar sua superfície.

A solicitação era bizarra, quase risível, mas fazia parte do acordo.

"Neo, Neo." Gaia puxou a camisa dele, tentando fazer uma expressão de sério, mas não conseguiu esconder a riso que se formava. "Vamos festejar~"

"Gaia." A voz de Neo era fria, mas seus olhos trêmulos traíam as emoções que tentava esconder. "Você também vai desistir?"

Gaia congelou, sua alegria embriagada diminuindo um pouco enquanto olhava nos olhos dele.

Para Neo, era dolorosamente claro—o fim do mundo não tinha sido evitado.

O cronômetro ainda marcava o tempo.

[Tempo Restante até o Fim do Mundo: 2 horas, 37 minutos, 42 segundos]

"Está claro agora que as Quatro Calamidades não serão responsáveis por convocar o Anjo dos Externos," Neo disse. "Precisamos mudar o foco para—"

"Eu sei."

A voz de Gaia era clara, sem a embriaguez que apresentara poucos instantes antes.

Seu ato se dissolveu por um instante, revelando uma nitidez aguda.

Então, tão rapidamente quanto voltou, ela retomou sua postura brincalhona e bêbada.

"Mas fizemos o nosso melhor~ Não dá pra fazer mais nada agora, então é melhor aproveitar o momento~"

Ela tomou mais um gole da garrafa e riu suavemente.

[Tempo Restante até o Fim do Mundo: 5 minutos, 23 segundos]

Neo permaneceu imóvel, com um olhar indizível.

Seus olhos estavam fixos no céu estrelado.

Sua luz fria refletia naquele olhar distante.

A brisa gélida tocou sua pele, mas ele manteve-se imóvel, encostado na cerca do terraço.

'Se pelo menos eu pudesse pedir ajuda ao Pai,' pensou amargamente.

Recordou sua tentativa fracassada de alcançar Hades.

Planejava pedir ao Senhor do Submundo que interviesse, caso tudo mais falhasse.

Mas sequer teve chance de solicitar uma audiência.

O Submundo tinha sido selado antes que ele pudesse deixar a Floresta de Tudo Começar e entrar no lugar onde vivem Ceifadores e seu Pai.

[Tempo Restante até o Fim do Mundo: 49 segundos]

"Hehehe, você é bem parecido com Zeus, sabia?" A voz de Gaia quebrou seus pensamentos.

Neo não se virou.

Sua atenção permaneceu no céu noturno.

Usando sua distração, Gaia se aproximou de mansinho, e seus dedos frios tocaram sua face.

Sua torcida brincalhona desapareceu, sabendo que Neo não iria beber, não importava o que ela fizesse.

Ela abandonou toda a encenação, falando com sua voz calma e séria de sempre.

"Zeus acha que o ataque virá do espaço. Por isso, ele ainda está na Lua."

Neo soltou um suspiro resignado.

Sua respiração formou uma névoa tênue no ar frio.

"Como era esperado," murmurou, "Havia uma razão para ele insistir em cuidar da Lua pessoalmente."

Gaia assentiu, ao seu lado.

Sua expressão permaneceu indecifrável.

"Ele não desistiu. Está planejando interceptar o Anjo dos Externos no espaço—antes que chegue à Terra."

"Ele não consegue fazer tudo sozinho." A voz de Neo foi firme.

Zeus achava que o Anjo externo viria do espaço. É por isso que estava lá.

"Disse a mesma coisa a ele," respondeu Gaia. "Mas ele disse que iria fazer, mesmo que custasse a vida dele."

Aquela força nos punhos de Neo aumentou, suas mãos branquearam sob a tensão.

A arrogância de Zeus era incomparável, mas sua determinação também.

Ele era consumido pela culpa—uma culpa que mascarava com bravura e força implacável.

Ele explodia contra qualquer um que ousasse mencionar o papel da irmã no apocalipse.

Mas, embora não mostre, o motivo de sua obsessão em salvar o mundo era garantir que ninguém mais criticasse sua irmã.

E agora, ele estava sozinho na Lua, na primeira e talvez última linha de defesa da Terra.

[Tempo Restante até o Fim do Mundo: 10 segundos]

Neo olhou para a contagem regressiva com uma expressão serena.

[9 segundos]

As estrelas acima permaneciam serenas, alheias ao tumulto na Terra.

[6 segundos]

O vento uivava, trazendo gritos distantes e risadas daqueles que aproveitavam seus momentos finais.

[4 segundos]

Neo exalou lentamente, centrando seus sentidos.

[3 segundos]

Gaia ficou quieta ao seu lado.

Sua expressão era uma mistura de esperança e medo.

[2 segundos]

Sombra de Neo tremulou de forma anormal, como se reagisse à sua crescente tensão.

[1 segundo]

Um único suspiro preencheu o silêncio.

[Contagem regressiva terminou.]

Neo expandiu seus sentidos, vasculhando o ambiente por qualquer mudança, qualquer ondulação no mundo que pudesse indicar o nosso fim.

Sua percepção se espalhou longe e além.

Mas nada aconteceu.

As estrelas continuaram seu baile tranquilo pelo céu. O vento ainda varria seu casaco. Os membros da Associação lá embaixo seguiam suas celebrações.

"Nada mudou," falou Gaia, quebrando o silêncio.

Seus olhares se encontraram, ambos cheios de incerteza cautelosa.

"Talvez... talvez o Dia D realmente tenha parado," ela falou hesitante. "Porque derrotamos as Quatro Calamidades?"

Neo não respondeu imediatamente.

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