
Capítulo 197
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Sem outra escolha, Neo passou o tempo observando Morrigan.
Para sua surpresa, ela lhe deu um prato poucos minutos depois.
"...?"
"...Não gosto do jeito como você fica me encarando. Aqui, fique com isso. Não diga que não compartilhei nada."
Os lábios de Neo roeram quando viu o prato meio consumido.
Ele balançou a cabeça e pegou-o.
Exatamente quando ia começar a comer, seu aparelho tocou.
"Uma chamada?"
Percebeu que era de Amelia e atendeu.
"N-Neo?"
A voz de Amelia tremeria enquanto ela soluçava.
"Mãe, ela… ela… venha rapidamente, Neo… por favor…"
O rosto de Neo se fechou.
Levantou-se rapidamente.
"Estou indo."
A mente de Elizabeth estava nublada.
A última coisa que conseguia recordar era ter derrotado o Corrompido pelo Abismo.
Ela tinha arrancado muita informação dele.
Depois de deixar a dimensão do Sonho, atacou outros ramos do Templo do Abismo que descobriu.
Estava ferida, com metade do corpo na cadeira de rodas após a batalha contra o Corrompido, mas não havia tempo para descansar.
Os membros do Templo do Abismo escapariam.
Elizabeth precisava lidar com eles antes que descobrissem que o Corrompido tinha sido derrotado.
Ela não se lembrava de mais nada após isso.
Sua cabeça doía intensamente.
"N-não me bata, por favor…"
A voz a tirou do transe.
Ela olhou ao redor e notou uma garotinha.
A garota tinha cabelo branco-prateado e olhos vermelhos como sangue.
"Dói… para…."
A menina encolheu-se enquanto o homem de cabelo azul a chutava repetidamente.
"Porra! Perdi a maldita aposta!"
"P-pare…"
"Cala a boca! Porra! Dei permissão pra você falar?! Agora até você está me ignorando?!"
O homem saiu depois de descarregar sua raiva nela.
A menina continuou a chorar.
"Dói…"
Lágrimas escorriam de seus olhos inchados e se misturavam ao sangue que saia de seus lábios machucados.
Marcas negras e roxas pulsavam nos braços e torso após as porradas do homem—seu marido.
Ela jazia, quebrada, no chão, sangrando.
Memórias dolorosas surgiram na mente de Elizabeth.
A cena diante de seus olhos mudou.
A menina tinha crescido.
Ela alcançou a maioridade, e seus traços femininos começaram a se mostrar, revelando uma aparência sedutora.
No entanto, seu olhar permanecia vazio.
A garota encarava a tela.
Assistia ao drama que retratava a vida amorosa de uma princesa e seu príncipe, com olhos sombrios.
"Uma princesa… Eu—também sou princesa. Quando eu crescer, serei tratada assim?"
O sorriso de felicidade em seu rosto desapareceu quando a porta foi derrubada e seu marido entrou, bêbado.
Elizabeth, que assistia tudo de lado, apertou o peito.
"Isso é um sonho… Só um pesadelo…"
Inspirou fundo para se acalmar.
As memórias dolorosas da infância pareciam um passado distante. Ela repetia isso para si mesma.
Elizabeth respirava com dificuldade.
Seus olhos tremiam.
A cena mudou novamente.
Ela viu uma mulher olhando para baixo, da janela do castelo.
A mulher tinha um rosto semelhante ao da garotinha.
No entanto, sua expressão fria era bem diferente.
Ao contrário da garota que passou a vida esperando ajuda, vivendo de acordo com os outros, a mulher tomou o controle de sua vida nas próprias mãos e eliminou quem se opunha a ela.
"Está na hora," a mulher murmurou. "Devo ascender?"
Elizabeth lembrou daquele momento.
Era muito antes de aparecerem os sintomas da maldição.
Naquela época, ela tinha atingido o auge de sua força.
Estava a um passo de se tornar uma deusa.
A mulher mergulhada em pensamentos profundos foi surpreendida por uma batida na porta.
"Mãe, está na hora do jantar. Paul e a irmã Clara estão te esperando. Vamos?"
A expressão fria da mulher se quebrou.
Ela esboçou um sorriso pequeno, porém acolhedor.
"Estou indo."
A mulher abriu a porta e foi jantar com sua família.
Ela tinha decidido não alcançar a divindade.
Para se tornar uma deusa, teria que ascender e deixar o mundo—deixar a família—para trás.
'Depois daqueles anos infernais, finalmente consegui o que queria. Não quero mais nada.'
Sua família era suficiente para ela.
'Não preciso de poder nem de divindade.'
Elizabeth, que assistia à cena, começou a chorar.
Ela rapidamente enxugou as lágrimas ao perceber que elas escorriam.
….
"Droga…"
Neo sentou ao lado de Elizabeth.
Ela estava na maca do hospital, envolta em bandagens e com ferimentos.
O ambiente era fraco de luz, estéril, com monitores reproduzindo sons suaves de bip.
Tubes e fios cercavam seu corpo frágil e envolto em bandagens, enquanto ela descansava, machucada e imóvel na cama do hospital.
'Foi minha culpa.'
Neo segurou sua mão e mordeu o lábio.
'Deveria ter sido mais cuidadoso.'
'Subestimei a força do Templo do Abismo, que na época era uma organização nascente.'
Seu coração apertou ao ver lágrimas escorrerem dos olhos de Elizabeth.
'Ela está tendo um pesadelo.'
Ele enxugou suas lágrimas.
Porta do quarto do hospital se abriu.
Amelia entrou.
Seus olhos estavam vermelhos e inchados, e seu cabelo bagunçado.
Por algum motivo, ela encarava Neo com intensidade.
Ela segurou seu braço antes que ele pudesse falar algo e o puxou para fora do quarto.
Depois de se afastarem, Amelia agarrou seu colar e o empurrou contra a parede.
"Por que a mãe estava lutando contra aquelas pessoas?"
"Como você está, Amelia? Não te vi desde que cheguei, e estou preocupado—"
"Não mude de assunto!"
Amelia segurou seu colar com tanta força que começou a rasgar.
Lágrimas se acumularam em seus olhos.
"Acabei de verificar o celular dela. Você foi a última pessoa com quem ela falou antes de desaparecer, e…."
"…"
Ao ver Elizabeth na UTI, lembrou-se do momento em que ela quase morreu por causa da maldição de Clara—a irmã dela—.
"Neo, me diga. Por favor. Por que a mãe está machucada? Os médicos dizem que ela… ela pode não sobreviver."
"Por favor, diga que não é sua culpa."
Amelia chorava, quase implorando.
Na esperança de que ele não as tivesse traído.
Que ele não fosse a razão pela qual Elizabeth poderia morrer.
"Neo. Diga algo. Por favor… diga algo!"
Ela o empurrou com força contra a parede.
Neo desviou o olhar.
"Eu mandei ela lá."
"…!?"
Amelia ficou rígida.
Lágrimas rolaram pelo rosto ao confirmar seus medos.
Ela soltou seu colar.
"Por quê?"
Foi everything que conseguiu dizer.
"Queria que ela cuidasse de uma organização."
"O Templo do Abismo…?"
Neo assentiu.
A esperança voltou aos olhos de Amelia.
'Y-verdade, Neo não colocaria a mãe em perigo.'
'Ele deve ter pedido para ela explorar o local, e ela acabou encontrando o Templo do Abismo por acaso.'