Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 196

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Negando com a cabeça, ele devolveu o documento para o mordomo.

"Sei que é uma ordem do Conselho do Senado, mas pelo menos retire as propostas da Clã de Afrodite. Por que os nomes deles estão na lista?"

"Entendido, jovem senhor. Na próxima vez, tomarei cuidado."

Neo estava prestes a chegar ao seu quarto quando notou duas pessoas do lado de fora da porta.

Uma tinha cabelos azuis familiares, e a outra era uma mulher desconhecida com cabelos verdes.

"Vocês estão aqui!"

A mulher agarrou o pulso do homem de cabelo azul, Elijah, e o puxou em direção a Neo.

"Prazer, sou Signora Everly, a décima sétima discípula do Senado, Sir Nicolas Montague."

Ela sorriu de forma refrescante enquanto se curvava, puxando Elijah para baixo.

"Este é meu irmão, Elijah, um Templário do Templo do Vento. Tenho certeza de que você já o conhece. Ele foi quem conduziu sua audiência no Senado."

"Desculpe pelo que ele fez na época. Elijah tem tendência a agir fora de hora."

Ela se recompôs após pedir desculpas.

Elijah desviou o olhar, irritado e envergonhado, mas ficou em silêncio.

"Por que vocês estão aqui?" questionou Neo.

"Fomos enviados para supervisionar as reuniões que você terá com suas pretendentes ao casamento."

"Para garantir que você não as rejeite sem uma razão adequada."

Signora sorriu de forma constrangedora.

"Desculpe por isso, Neo. Sei que a decisão do Senado pode parecer um pouco demais. Mas é para o bem maior."

"Eu não me importo com isso."

"…?"

"Podem sair."

Neo passou por eles e estava quase entrando no seu quarto quando Signora o chamou.

"Hum, você vai encontrar as pretendentes mais tarde?" ela perguntou, surpresa com a falta de reação de Neo.

Senadores eram os líderes do continente.

Seus discípulos eram naturalmente tratados com grande respeito.

Até presidentes, primeiros-ministros e grandes organizações se curvavam diante de Signora.

"Não vou encontrar ninguém," declarou Neo.

Ele virou-se para o mordomo.

"Negue as pretendentes que chegaram hoje, Sir Sebastian."

Antes que Neo pudesse entrar na sala, uma mão invisível de Energia Divina o prendeu.

"Agora, isso é algo que não podemos permitir. O Senado ordenou que você as conhecesse hoje, e terá que seguir as ordens deles," sorriu Signora.

"E eu me recuso às ordens."

"Por favor, pense duas vezes antes de decidir, Neo. Ou então, terei que usar força."

Neo soltou um grunhido de irritação.

Ele não tinha intenção de aceitar uma noiva ou esposa.

"Use a força," disse. "Tente se puder."

Signora continuou sorrindo; no entanto, a fúria escondida por trás de seu olhar era evidente para Neo.

Neo era sensível a sinais de violência.

Ele podia perceber que ela queria matá-lo pelo modo como estava agindo.

Porém, ela não agiu.

Neo sorriu de canto.

"Por que você não está usando força?"

Signora voltou o olhar para o mordomo.

"Sir Sebastian, por favor, diga a Neo para seguir as ordens do Conselho do Senado."

"Peço desculpas, jovem senhora, mas não posso recusar as ordens do jovem mestre."

"Se ele não desejar encontrar as pretendentes, então seguirei a sua determinação."

Sebastian estalou os dedos.

A mão invisível que segurava Neo se quebrou.

"Você é nojento, Sir Sebastian," disse Signora com um sorriso. "Você é uma mancha no nome dos Senadores."

"Sabe quanto nós—quanto todos do Conselho do Senado—sofreram quando você decidiu agir como um mordomo de um sujo e pequeno—"

"Jovem senhora, por favor, escolha suas palavras com cuidado. Não tolerarei nenhuma ofensa ao mestre ou ao jovem mestre."

Signora fechou a boca e encarou Sebastian com um sorriso fingido.

Ela se virou.

"Vamos, Elijah. Não podemos fazer nada se Sir Sebastian estiver ajudando ele."

Após os dois partirem, Neo virou o olhar para o mordomo.

"Obrigado."

"Só fiz meu dever como seu mordomo, jovem mestre."

Neo assentiu.

Ele entrou no quarto, tomou banho e chamou o mordomo novamente.

"Onde estão as pretendentes ao casamento?"

"Enviei-as de volta."

"Ótimo." Neo assentiu. "E a Morrigan?"

"A senhorita Morrigan está na sala de jantar."

Neo não precisou perguntar para saber o que Morrigan fazia na sala de jantar.

Ele foi ao encontro dela.

Lá, a mesa estava coberta de diferentes pratos.

Pratos de prata brilhando sob a luz quente do candelabro.

Cada prato cuidadosamente organizado com alimentos vibrantes e cheirosos.

Um pato assado ocupava o centro, com pele dourada e crocante.

Uma travessa de bifes grelhados, com sucos brilhantes e uma leve queima, ao lado de tigelas de purê de batatas, cremoso e liso, decorado com ramos de salsinha.

Uma grande bandeja com frutas frescas, cortadas em fatias perfeitas, junto aos pratos principais.

Suas cores saltavam contra o porcelana branca.

Pãezinhos macios, com crostas quentinhas, empilhados numa bandeja de prata, prontos para serem rasgados e mergulhados em manteiga rica.

Havia também tigelas de sopa, cujo vapor se erguia em delicados espirais, com toques de ervas e especiarias que perfumavam o ar.

Nos cantos da mesa, iguarias como frutos do mar grelhados, cogumelos recheados e saladas vibrantes davam variedade ao banquete.

Neo viu Morrigan devorando a montanha de comida.

"Calma. Ninguém vai te roubar a comida."

Ele se sentou ao lado dela.

Ela o ignorou.

Com um braço apoiado na mesa e o queixo na mão, virou-se para ela.

"Por que não voltou para o seu Clã? Tenho certeza de que Sir Sebastian mandou todas as pretendentes voltarem para casa."

"Não me diga que decidiu ficar aqui só pra comer como uma glutona—"

"Sim."

Ela o interrompeu antes que pudesse continuar brincando.

"Membros de nível baixo como eu não têm permissão para desfrutar de luxos como comer boa comida no Clã."

Neo fechou a boca.

Antes que pudesse dizer algo, Morrigan acrescentou:

"Sabia que poderia comer qualquer coisa se viesse aqui."

"Mas o Clã não me deixou sair sem motivo. Então, quando soube que o Clã estava selecionando pretendentes para você, inscrevi-me assim que pude."

Neo levantou uma sobrancelha.

"Você quer se casar—"

"Não," ela disse. "Vim aqui por comida, não por você."

Neo não sabia se ria ou chorava.

Depois de três meses sendo colegas de equipe, Morrigan se abriu para todo mundo.

Principalmente para Neo.

Ela não hesitou em tratá-lo como uma van de comida.

Neo balançou a cabeça e levantou a mão para pegar algo para comer.

Começava a sentir fome enquanto via Morrigan devorar tudo com felicidade.

Porém, antes que pudesse tocar em qualquer coisa, Morrigan deu um tapa na sua mão.

Ela parou de comer e o encarou com um olhar frio.

"É meu."

Ele ficou exasperado.

'Império da Guerra, minha força.'

'Ela é a Rainha da Gula.'

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