Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 198

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Eliabeth tinha destruído várias cidades — todas pertencentes ao Templo do Vazio — em sua fúria destrutiva.

As notícias já se espalhavam entre as altas esferas.

"Você sabia que a mãe encontraria as pessoas do Templo do Vazio?" perguntou Amelia com a voz trêmula.

Ela não deveria ter feito uma pergunta dessas para Neo.

Ele foi quem salvou a mãe dela da maldição.

Ele era o seu salvador.

Mas, depois de ser traída pelos irmãos, ela começou a desconfiar de todos.

"…"

Neo expirou fundo.

"Sim."

"Por que você não pediu para a mãe trazer mais pessoas consigo...?"

…"

A verdade estava à sua vista, mas ela permanecia desesperada.

Ela queria ouvir qualquer coisa — mesmo que fosse uma desculpa — para confiar em Neo.

"Neo… Responde pra mim…"

"Mais pessoas poderiam comprometer o sigilo da missão. Além disso, elas se tornariam um peso para Elizabeth quando a batalha começasse."

"Então, por que você não pediu ao Sir Sebastian que fosse com a mãe? Ele é um Semideus Exaltado."

Amelia não sabia por que questionava Neo.

Ela queria saber se ele tinha colocado Elizabeth deliberadamente em perigo.

Ela tinha medo da resposta.

Medo que ele dissesse sim.

As respostas dele até agora já eram suficientes.

Elas deveriam ter sido suficientes, mesmo que parecessem desculpas.

Mas ela continuava a questioná-lo, mesmo sem querer ouvir a resposta.

Neo permaneceu em silêncio.

Foi uma resposta suficiente.

Um eco nítido ressoou, e uma dor aguda surgiu em sua bochecha.

Amelia saiu andando de raiva, chorando.

Sozinho, Neo suspirou.

"Droga."

Ele desceu pelo corredor e saiu do prédio.

Após chegar ao parque fora do local, sentou-se em um banco.

Olhou para o céu azul claro, com um olhar confuso.

"Minha escolha foi errada?"

Neo balançou a cabeça.

"Não foi—"

"Não foi errado. Se você tivesse enviado mais pessoas, talvez a Elizabeth realmente tivesse morrido."

Ele virou a cabeça na direção da voz.

Charlotte, a diretora, estava sentada ao lado dele no banco.

Seu cajado descansava ao lado dela, enquanto ela fixava o olhar no céu.

"É engraçado, não é? Quanto mais você tenta mudar o futuro, mais o Destino resiste."

Ela manteve os olhos fixos no céu.

"Existe uma história famosa entre os usuários do Tempo. Você conhece, garotinho?"

"Não."

Neo respondeu, mesmo confuso.

Ele não entendia o que Charlotte tentava dizer.

"Novecentos anos atrás, nasceu um gênio. Ele se tornou um dos melhores mágicos do tempo."

"Ele era capaz de viajar até oito anos ao passado."

Charlotte continuou.

"Ele era orgulhoso e arrogante, por razões óbvias."

"Um dia, foi designado para proteger uma vila."

"Resumindo, a vila foi destruída por 'eles'."

A expressão de Neo se fechou ao ouvir o termo 'eles'.

Ele ouviu atentamente a história de Charlotte.

"Arrogante como era, o homem também era gentil."

"Ele regressou no tempo para salvar a vila."

"Falhou, e então regressou de novo, falhou, e voltou a tentar, falhou, e tentou de novo…"

"Ele continuou por décadas."

Charlotte parou por um momento.

Ela olhou para Neo antes de voltar seus olhos ao céu.

"Ele não tinha uma vontade extraordinária. Nem era gentil o bastante para desperdicar décadas de sua vida em uma tentativa inútil."

"A única razão pela qual continuou a regressar foi porque se apaixonou por uma mulher da vila."

Ela deu uma risada abafada.

"Por que não fugir com a mulher?"

"Ele tentou isso, mas nunca funcionou. Ela se suicidava assim que a vila era destruída."

Charlotte sorriu amargamente.

"O homem ficou depressivo e quase perdeu a sanidade após centenas de fracassos."

"Ele foi até o canto e…"

"Acabou quebrando o tabu dos regressores."

"Compartilhou sua dor — suas tentativas passadas e o conhecimento do futuro — com outros e pediu ajuda."

Neo fechou os olhos.

Ela disse a última frase, suficiente para ele entender o fim da história.

"O homem salvou a vila e a mulher que amava."

"Em troca, aqueles a quem ele revelou o futuro morreram de forma brutal alguns meses depois."

Charlotte suspirou.

"O destino da morte permaneceu. As pessoas que ajudaram o homem pagaram o preço no lugar dele."

Ela balançou a cabeça e baixou o olhar.

Olhou para o parque, às árvores balançando ao vento.

"Mesmo após 900 anos, ainda não temos uma explicação concreta do porquê dessas pessoas pagarem o preço, e o homem não."

"Há muitos regressores que revelam o futuro."

Pegue alguns estudantes na academia, por exemplo. Eles regressem após uma prova e compartilham a questão com os amigos.

"O Destino não interfere em casos pequenos assim."

"Porém, se for algo grande — como o incidente que colocou a vida de uma vila inteira em risco — o Destino garante que a linha do tempo não mude, mesmo que alguém regresse."

"Quanto maior o risco, mais difícil fazer alterações."

"O Destino não permite que você aja como quiser."

Charlotte se levantou.

Ela caminhou até a frente e virou-se para encarar Neo.

"Neo Hargraves, por que você arriscou a vida da minha discípula? Que destino você queria mudar?"

"Ela confiava em você. É por isso que lutou até estar à beira da morte."

"Não se preocupe."

Neo expirou.

"Ela vai sobreviver."

Seus lábios se abriram.

"Não contei nada a ela. Ela não tinha ideia do que estava acontecendo."

"Nem a levei diretamente ao Templo do Vazio, nem ajudei ela a capturar 'eles'."

Falou sem rodeios.

"Na essência, ela foi apenas uma peça na queda do Templo do Vazio, e eu fui o cérebro por trás."

"Claro, mudei bastante o futuro."

"O Destino cobrará o preço por isso, é claro."

"Mas deixarei Elizabeth ser deixada em paz."

Neo nunca revelou o futuro para Elizabeth.

Ela foi poupada da ira do Destino.

O destino atacaria Neo, e só Neo.

Porque ele era o único que sabia que o futuro estava sendo alterado.

A expressão de Charlotte mudou, cheia de pena.

"Eles eram sacerdotes do Vazio. Matar assim é uma mudança grande. Você consegue pagar o preço por isso?"

"Não sei."

Neo se levantou.

"Mas farei o meu melhor."

Ele passou a mão para tirar a poeira da roupa.

"Por que você especificamente atacou o Templo do Vazio?"

"Eu queria atrasar o inevitável."

Ele virou para sair do parque.

Quando deu um passo, Charlotte o questionou:

"O fim inevitável do mundo," ela murmurou. "Então você sabe dele."

"Todo mundo sabe."

A resposta de Neo a deixou paralisada.

Ela assistiu as costas de Neo ficarem menores ao longe.

"Todo mundo sabe do fim do mundo."

Replicou as palavras com uma expressão amarga no rosto.

"Claro, todo mundo conhece o fim inevitável."

"Afinal, o mundo deveria ter acabado há 500 anos."

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