
Capítulo 199
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Neo vagava sem rumo pelo campus.
— Será que eu deveria ter entregado a Lança a Elizabeth antes da missão? — pensou.
— Talvez eu também devia ter enviado o Sir Sebastian — acrescentou, incerto.
Ele não conseguia decidir se a escolha dele tinha sido a melhor.
— Enviei Elizabeth quando ela estava mais vulnerável para garantir que o Destino não revidasse contra ela.
— Se eu tivesse dado a ela uma vantagem excessiva, o Destino poderia ter interferido.
— Mas será que fiz a escolha certa… — refletiu, mordendo o lábio.
As palavras de Charlotte rodavam dentro de sua cabeça.
'Elizabeth confia em você. Por isso, ela colocou tudo na linha por você.'
Seu rosto se contorceu.
— Maldição… — sussurrou, cerrando os punhos.
Neo fechou a mão com força.
— Maldição!
— Se eu fosse forte o suficiente para não depender dos outros, não precisaria arriscar a vida da Elizabeth assim.
Neo se percebeu patético.
Mesmo depois de tudo que aconteceu, sabia que faria o mesmo se tivesse outra chance.
A Templo do Vazio era perigosa demais para deixá-la crescer.
— Tiveram uma grande parcela na destruição do mundo.
— Mesmo que sobrassem alguns remanescentes, o Templo do Vazio já está oficialmente acabado.
Neo riu amargamente.
Ele prolongou a vida do mundo em uma década, às custas de quase sacrificar a própria vida de alguém que era importante para ele.
— Patético.
Ele era fraco.
Por isso, teve que usar métodos dissimulados.
— Preciso me tornar mais forte.
Seus olhos brilharam com uma determinação renovada.
— Mais forte.
Neo tomou sua decisão.
Ele entraria nas Janelas de Sombra e tentaria encontrar sua Sombra.
Se até o dia da cirurgia para colocar o exoesqueleto ele não encontrasse sua Sombra, pararia de procurar nas Janelas de Sombra.
— É hora de parar de enrolar e entrar no Mundo das Sombras.
Ele precisava correr riscos para obter poder.
Sala de Treinamento Privada de Marte, Residência Marte, Academia dos Semi-Deuses
— Você tem certeza de que quer fazer isso aqui? — questionou Arthur.
— Sim. — respondeu Marte com firmeza.
— Vamos acabar logo com isso e bolar um plano para derrotar o Neo. — completou, firme.
Ele ficava no centro da sala.
Jack, Arthur, Felix, Nathan, Clara e Sean estavam ao redor dele.
Um homem, com cabelo castanho e corpo robusto, estava perto da porta.
— Você deveria fazer isso com o seu clã, — murmurou Nathan nervoso. — Eles poderiam te ajudar se algo der errado.
— Está tranquilo. O Clã enviou o Tio aqui. — respondeu Mars, confiante.
Ele direcionou o olhar para o homem longe dele.
Os demais acompanharam o olhar de Mars e assentiram.
— Vou começar. — anunciou Musk colocando uma caixa preta do tamanho de um punho na frente.
Seus amigos recuaram alguns passos para lhe dar espaço.
Ele abriu a caixa, revelando uma bala dentro dela.
— Uma arma de alma verdadeira. — comentou Jack com expressão complexa.
— É estranho saber que o Neo carregava algo assim como se fosse trivial. — refletiu.
— Bem, ele gasta milhões como se fosse pouco. — Felix deu de ombros.
Jack concordou com um sorriso sem esperança.
Quando Mars pegou a bala e a segurou nas mãos, nada aconteceu.
Alguns minutos se passaram, e Arthur abriu a boca para falar.
— Talvez você devesse pingar um pouco de seu sangue nela para fazer um vínculo—
De repente, Arthur fechou a boca e tampou os ouvidos ao ouvir um zumbido agudo de repente.
O som vinha da bala.
O gritante aumentou de intensidade.
— Parece uma ataque… — disse Arthur, serrando os dentes.
Ele tentou usar sua Afinidade Sonora para parar o som.
Felix, a mais fraca, começou a sangrar pelas orelhas e olhos.
Arthur ia ajudá-la, mas ela o impediu.
— Ajude o Mars. Você pode me ajudar depois. — pediu Felix, ajoelhada, incapaz de suportar a pressão emanando da bala.
Mars, centralizado no feixe de som, tinha os olhos fechados.
Seu rosto permanecia imóvel.
Como se estivesse dizendo que uma investida de tal nível era coisa fácil para ele.
De repente, o som cessou.
A bala saiu da mão de Mars e voou em direção ao grupo em uma velocidade cegante.
Arthur desviou na última hora.
Ela bateu na parede com força de canhão, deixando uma cratera profunda.
Todos ficaram chocados, incapazes de entender o que tinha acontecido.
— Mars! — gritou Jack repentinamente.
Ele correu em direção a Mars.
— Você está bem? — perguntou, preocupado.
— Q-quase… — exandou Mars, com esforço.
Ele parecia extremamente magro.
As maçãs do rosto vazias e os músculos encolhidos faziam parecer que ele estava passando fome há semanas.
Seu sangue escorria da mão.
Seus dedos estavam destruídos, pois a bala saiu de sua mão.
Jack apoiou Mars, ajudando-o a se sentar.
Ninguém falou nada.
Todos estavam de expressão grave.
Jack fez uma bandagem e aplicou remédios no braço destruído de Mars.
Mars torceu um pouco o rosto ao perceber a atmosfera de desânimo ao seu redor.
— Está tudo bem. Não precisa ficar Shock assim. Eu já esperava que algo assim acontecesse. — afirmou.
Os olhares animados minutos atrás desapareceram por completo.
— Mars… — começou Felix.
— Desculpe. — pediu ela.
— Está tudo bem. Eu sabia que minhas chances de sucesso eram pequenas. — respondeu Mars, tentando manter a calma.
Está claro que ele não conseguiu fazer o vínculo com a Arma de Alma Verdadeira, embora sua expressão permanecesse serena.
Por trás do olhar tranquilo de Mars, Felix podia perceber a angústia e o alívio escondidos.
Enquanto tentavam consolá-lo, o homem do Clã de Ares retirou a bala da parede e a colocou de volta na caixa preta.
Antes que pudesse sair, Mars chamou-o.
— Deixe a arma aqui antes de sair. — pediu.
— … — o homem se virou.
— Você não conseguiu fazer o vínculo com a arma, Mars Everhart. — disse o homem com tom sério.
— Como perdeu a posse, ela agora pertence ao Clã. — completou.
— Quem foi que lhe mandou fazer isso? — perguntou Mars.
— …O Conselho do Clã. — respondeu o homem.
— Sigh. — Mars balançou a cabeça. — O chefe do Clã me deu sua palavra de que a arma me pertencia.
— Você sabe o que acontece se contrariar as ordens do chefe do Clã. — avisou.
— … — o homem endureceu a expressão, com o medo bem visível nos olhos.
— O Conselho não vai poder te proteger, — acrescentou Mars.
Depois de alguns minutos de silêncio, o homem pigarreou, fez uma reverência e saiu do treinamento.
— Deixe a arma aqui, por favor. — pediu Mars.
Arthur pegou a caixa preta com a Arma de Alma Verdadeira e retornou a Mars.
Mars segurou a caixa em mãos.
— Não consigo fazer o vínculo com ela. — lamentou.
Ele levantou o olhar e olhou para Felix.
— Então, é melhor que outra pessoa a tenha. — afirmou, jogando a caixa levemente para ela.
Ela a pegou com as mãos, com os olhos arregalados.
— O que você está fazendo!? Você não pode me dar algo tão precioso—
— Felix, — disse Mars com um sorriso fraco, — agora ela é sua.
Antes que Felix pudesse recusar, a caixa explodiu.
A bala, como se estivesse viva, cravou-se em sua mão ao explodir.
…
Sala B-4, Mansão Hargraves
Neo caminhava pelos corredores brancos com o rosto cansado.
As roupas estavam rasgadas e manchadas de sangue.
Ele vinha limpando as Janelas de Sombra nos últimos dias, sem sucesso.