
Capítulo 267
O Mundo Depois do Final Ruim
[Tradutor - Night]
[Revisor - Gun]
Capítulo 267
Academia Zerion.
Um lugar sempre transbordando vitalidade e iluminado pela paixão de seus estudantes parecia estranhamente sem vida hoje.
A razão não era outra senão o recente incidente que ocorreu dentro da Família Real Imperial.
Atualmente, a Família Real Imperial está sob o controle do Soberano Demônio.
Graça Celestial, outrora o pilar do império, traiu a humanidade e se tornou um servo do Soberano Demônio.
E isso não é tudo.
Enquanto a capital imperial caía sob as mãos inimigas, os militares do império foram tomados por forças de pesadelo.
Sob a influência do pesadelo, cavaleiros, soldados e até cidadãos comuns se tornaram parte do exército.
Até pessoas comuns foram transformadas em entidades desumanas através do batismo do Soberano Demônio.
Assim nasceu o exército de pesadelos — uma força que ameaçava mergulhar o mundo no caos.
Em resposta, o império mobilizou todas as forças regionais em uma tentativa desesperada de retomar o palácio real.
Outros reinos também se juntaram à causa.
Em tempos de turbulência global, geralmente, há aqueles que tentam tomar o poder em meio ao caos.
Mas não desta vez.
Figuras-chave de todo o mundo pegaram em armas voluntariamente para lutar contra o Soberano Demônio.
“Ouvi dizer que o melhor homem que conheço sacrificou sua vida para salvar a 3ª Princesa Imperial. Eu não posso ser menos do que isso.”
Ergo Parazon, o único príncipe do Reino do Céu de Parazon, esmagou os protestos de seus nobres e declarou guerra contra as forças do Soberano Demônio.
“O Soberano Demônio é o inimigo da humanidade! Certamente o Sagrado Rei não vai ignorar isso!”
“Com jovens heróis fazendo tais esforços, como o Sagrado Rei poderia se afastar?”
No Sagrado Reino de Rium, tanto o Santo quanto a Santa se manifestaram.
Escolhidos pelos próprios deuses, quando tanto o Santo quanto a Santa fazem uma declaração, nem mesmo o Sagrado Rei pode fechar os olhos.
Mais importante, o Soberano Demônio é o maior inimigo da humanidade.
Naturalmente, a igreja tinha que estar ao lado daqueles que resistiam a ele.
Enquanto isso, naquele exato momento, a guerra civil dentro do Reino das Ilusões, Panisys, chegou ao fim.
A facção nobre que iniciou a rebelião entrou em colapso quando seu misticismo desmoronou.
Já em desordem devido à guerra moralmente injusta, a discórdia interna era inevitável uma vez que foi revelado que Graça Celestial, que estava secretamente apoiando os rebeldes, havia se aliado ao Soberano Demônio.
Aquele que tomou o controle do reino em ruínas foi o Príncipe Maron, há muito tempo ridicularizado como o príncipe mais incompetente do mundo.
Vivendo sua vida sempre afastado, ignorando tudo ao seu redor — o Príncipe Maron havia mudado completamente.
“Eu costumava pensar que era melhor viver como um tolo do que constantemente me preocupar com o que os outros pensavam de mim. Mas eu estava errado. Se eu não agir, nada nunca mudará. Aprendi isso com um certo homem.”
O Príncipe Maron estava impotente.
Ele vivia com os olhos fechados e os ouvidos tapados.
Mas mesmo com os olhos fechados e os ouvidos tampados, algumas coisas ainda chegam até você — algumas coisas ainda ressoam.
A visão de uma única decisão revertendo a situação em um reino devastado pela guerra — Maron não podia ignorar.
Ele não podia desver ou desouvir.
O Príncipe Maron ficou comovido.
E, ao mesmo tempo, ele se sentiu desiludido.
Por que ele não tinha sido capaz de agir assim?
Em vez de lamentar sua falta de força ou autoridade, uma pessoa não deveria se esforçar para obter o que lhe falta?
Ele se arrependeu da maneira como havia vivido.
「O Príncipe Maron ainda é jovem. E isso significa que ele ainda tem oportunidades.」
Seu leal retentor, o filho da Sombra, Solvas Umbra, deu-lhe o conselho que o ajudou a se levantar novamente.
「Eu também só consegui agarrar a vida que tenho agora porque nunca desisti.」
Solvas tinha visto um homem que nunca desistiu.
Uma pequena faísca que havia passado para aquele homem agora passava para Maron.
Mesmo que ele parecesse patético, mesmo que estivesse atrasado — estava tudo bem.
O Príncipe Maron se levantou e seguiu para o Reino de Panisys.
Sua primeira decisão após tomar o poder foi agir para a proteção da humanidade.
O Reino de Zebra, sobrecarregado pela culpa por ter dado à luz Vulcan, o antigo líder da ordem mística, buscou a redenção.
Para escapar da condenação global, eles se juntaram apressadamente ao esforço de guerra.
Assim, quatro reinos agora haviam se juntado à aliança.
Apenas um permanecia: o Reino caído de Frelliz.
Após uma série de políticas fracassadas, Frelliz havia perdido a vontade de seu povo e permanecido passivo.
No entanto, mesmo dentro de Frelliz, uma faísca ainda queimava.
“Eu não quero mais viver assim.”
Um estudante que frequentava a Academia Ordo em Frelliz rejeitou a vida que estava vivendo.
“Não merecemos uma vida melhor?”
“Por que não podemos ser heróis também? Devemos simplesmente aceitar o destino do nosso reino e perecer com ele?”
O mundo é governado por adultos no poder.
Mas são as crianças — aquelas subestimadas pelos adultos — que mudam esse mundo.
Essas crianças, antes descartadas como ingênuas e imaturas, tinham visto com seus próprios olhos seus colegas de outros reinos brilharem intensamente.
E agora, elas também avançaram para se tornarem heróis mais uma vez, para enfrentar o Soberano Demônio.
Todos ansiavam por ser um herói brilhante e almejavam esse tipo de vida.
Isso não era diferente para as crianças de um reino caído.
Diante dos gritos sinceros da juventude, os adultos não podiam mais ignorá-los.
Porque é responsabilidade dos adultos guiá-los para o futuro.
Porque os adultos também, uma vez, sonharam com a glória radiante.
E assim, os adultos decidiram pavimentar o caminho para as crianças — para se tornarem anciãos dignos de respeito, não governantes a serem temidos.
A faísca pega fogo.
Aqueles que não conseguem queimar com ela se transformarão em cinzas e desaparecerão.
O mundo se move.
Um mundo onde parecia que ninguém podia se mover —
Agora, estava se movendo com um único propósito.
No entanto, ninguém percebeu que tudo havia começado a partir de uma faísca tão pequena, que parecia que poderia ser extinta com um sopro.
Mas havia uma coisa que todos sabiam:
O mundo estava queimando mais brilhantemente do que nunca.
Não tem problema falhar.
[Tradutor - Night]
[Revisor - Gun]
Não tem problema desesperar.
Contanto que você não desista —
O fim brilhará gloriosamente.
E dentro deste mundo em constante transformação,
uma garota estava avançando na Academia Zerion.
Uma garota com cabelos brancos deu um passo à frente.
Ela parou em frente à porta de uma sala de aula.
Click—
A porta deslizou para abrir, e um homem lá dentro se virou para olhá-la.
“Bem, se não é a júnior Xenia.”
Seu tom era casual, quase atrevido.
Ao mesmo tempo, um forte cheiro de mirtilos encheu o ar por algum motivo.
Xenia sentiu nostalgia por aquele cheiro de mirtilo.
E quando ela olhou para ele, ela não conseguiu se livrar da sensação de que havia esquecido algo importante.
“Sênior Midra.”
Xenia parou na frente dele.
O olhar de Midra pousou no livro que ela segurava em seus braços.
Era um grimório de magia celestial, pessoalmente escrito por Zerion para o futuro distante.
Apertando o livro com força, Xenia abriu os lábios.
“Foi você quem escondeu este grimório, não foi, Sênior Midra?”
Midra olhou para ela em silêncio ao ouvir aquelas palavras.
O grimório havia sido escondido sob a Academia Zerion.
Mesmo que tivesse sido mantido em segredo todo esse tempo, era difícil acreditar que havia permanecido intacto por milhares de anos após a morte de Zerion.
Xenia inspecionou o subterrâneo e percebeu que a magia ali colocada era de origem recente.
O feitiço foi lançado tão sutilmente que apenas alguém como Xenia poderia notá-lo.
Como uma usuária de magia celestial, ela foi capaz de rastrear a magia até seu lançador.
E, finalmente, sua investigação a levou a uma conclusão.
A fonte da magia — era o mana de Midra Fenin.
Midra Fenin.
Ela tinha ouvido alguns fragmentos sobre ele de Vikamon.
“Se houver algo que você não entenda sobre magia celestial, tente perguntar a Midra.”
Ela não tinha entendido o significado naquela época.
Mas agora, estava claro.
Midra era um usuário de magia celestial.
O fato de que alguém além do prodígio Sharin poderia usar magia celestial —
Era uma notícia que poderia abalar o mundo inteiro.
Midra olhou silenciosamente para Xenia.
Em seus olhos havia uma leve nostalgia, como se lembrasse daquele dia de muito tempo atrás.
Seus olhos cor de âmbar não eram exatamente como ela se lembrava,
mas seu olhar firme era exatamente como em suas memórias — trazendo o passado de volta à tona.
“...Então você realmente é a reencarnação do mestre.”
Midra soltou uma breve risada, a luz do luar atrás dele.
Os olhos de Xenia se arregalaram.
Mestre.
Ela soube imediatamente a quem ele se referia.
A Sábia da Transcendência, Zerion.
Aquela que reescreveu todas as fórmulas mágicas e criou um nível inteiramente novo de magia — magia celestial.
Midra era seu discípulo.
[Nota do Revisor: Ela não sabe que Zerion é mulher.]
“Como...”
Zerion havia morrido há milhares de anos.
Era difícil acreditar que seu discípulo ainda estivesse vivo.
“A magia celestial pode enganar até mesmo os deuses.”
O tom de Midra havia se tornado formal, reverente.
“Se pode enganar um deus, então certamente pode enganar minha própria vida, não?”
Enganar a própria vida.
Chocou Xenia, mas ela não podia descartar como impossível.
A magia celestial era ilimitada — algo que Xenia sabia melhor do que ninguém.
“Mas o destino, parece, não pode ser enganado. Talvez... isso também fizesse parte do plano do mestre.”
Midra levantou-se lentamente de seu lugar perto da janela.
“Eu não vou forçar a vida do mestre em você, mesmo que você seja sua reencarnação, Xenia. Mas isso não significa que você deva ignorar o que o mestre desejava também.”
Das vestes de Midra, uma pequena orbe emergiu.
Assim que ela a viu, a expressão de Xenia se endureceu.
Ela podia sentir o imenso poder de mana celestial selado dentro dela.
“Estas são as memórias há muito perdidas do mestre.”
Eram memórias destinadas a serem esquecidas pela Fonte do Esquecimento.
Esta orbe as capturou e preservou.
“Honestamente, eu não acho que estas sejam todas memórias felizes. Certamente haverá coisas aqui que você vai se arrepender de ver.”
Porque as memórias nem sempre são alegres.
Mas Xenia, sem hesitar, aproximou-se dele.
“Eu decidi salvar meu irmão. Mesmo que ele não seja mais a mesma pessoa, ele sempre será meu irmão para mim.”
Midra deu uma pequena risada de sua resolução.
“A ‘família’ de que o mestre sempre falava, hein...”
Ele colocou a orbe em sua mão.
“Há algo que eu sempre quis dizer ao mestre.”
A partir do momento em que ela tocou esta orbe, a vida de Xenia não seria mais sua.
“Você não acha que suas férias duraram tempo demais, Mestre?”
O ar emocional se quebrou quando Midra voltou ao seu eu atrevido de sempre.
E foi então que Xenia percebeu — este era seu verdadeiro eu.
Foi precisamente porque ele era assim
que Zerion poderia confiar a ele um dever tão monumental.
“Eu vou continuar agora.”
Apertando a orbe, Xenia invocou mana celestial.
Não importa quais memórias estivessem escondidas dentro —
Ela enfrentaria todas elas e salvaria Vikamon, não importa o que acontecesse.
E apenas momentos depois,
O rosto de Xenia ficou vermelho como uma beterraba quando ela soltou um grito assustado.
[Tradutor - Night]
[Revisor - Gun]