O Mundo Depois do Final Ruim

Capítulo 266

O Mundo Depois do Final Ruim

[Tradutor - Night]

[Revisor - Gun]

Capítulo 266

Um quarto terrivelmente familiar.

Entrei naquele quarto e sentei-me mais uma vez em frente ao computador.

Texto continuava a rolar infinitamente pela tela.

A tela em si não estava visível.

Mesmo assim, não conseguia desviar os olhos das palavras que apareciam ali.

[‘Seron Parmia’ grita com o grupo.]

[‘Isabel Luna’ inclina a cabeça.]

[‘Sharin Sararis’ parece querer dizer algo.]

[‘Nikita Cynthia’ se vira em silêncio.]

[‘Eve’ tenta impedir Seron Parmia.]

[‘Card Velique’ engole um suspiro.]

[‘Seron Parmia’ desaba, chorando.]

[‘Xenia Niflheim’ parte em busca de alguém.]

[‘Iris Hysirion’ permanece em silêncio.]

[‘Lukraizen Hysirion’ se move ao lado do ‘Duque de Whitewood’.]

[‘Hania Rapidedia’ anseia por alguém.]

[‘Isabel Luna’ começa seu treinamento de despertar final.]

[‘Ban’ se junta ao treinamento.]

[‘Rina’ se junta ao treinamento.]

[‘Foara Silin’ se junta ao treinamento.]

[‘Beaquirin Monem’ se junta ao treinamento.]

[‘Aisha Bizvel’ se junta ao treinamento.]

As ações de cada personagem do Arco da Borboleta Flamejante estavam listadas.

Essa era a história de um mundo que não me incluía mais.

Meu olhar caiu sobre minhas mãos.

Os calos que eu havia desenvolvido há muito tempo agora estavam rompidos, substituídos por uma pele macia e inchada.

Devido a exercícios intensos e alimentação excessiva para compensar a perda de calorias, seguido por uma parada repentina nos treinos sem corrigir meus hábitos alimentares — essa era a consequência.

Minha mão se estendeu em direção à tela.

Meu nome não aparecia mais.

Não — talvez mesmo que aparecesse, eu não o reconheceria.

Porque eu havia esquecido meu próprio nome.

Creaaak—

Inclinando-me para trás na cadeira, passei os dedos pela borda do meu olho.

As coisas não estavam nada boas.

Pelo que pude deduzir do texto rolando, o Soberano Demônio havia assumido o controle do meu corpo.

Essa constatação me lançou em confusão.

A linha que havia aparecido antes sobre o Duque Celestial:

[‘Duque Celestial’ cumpre o destino.]

Destino.

No momento em que li essa palavra, lembrei-me de uma conversa que tive há muito tempo com Midra.

Sempre desconfiado, sempre envolvido com Xenia — Midra.

As coisas que ele disse ainda ecoavam na minha cabeça, obscurecendo meus pensamentos.

Por que eu havia possuído Vikamon.

Por que meu nome havia desaparecido.

Por que a possessão do meu corpo pelo Soberano Demônio era chamada de "destino".

Tudo parecia estar conectado.

‘Então... minha possessão foi orquestrada por alguém o tempo todo?’

E se descobrisse que o Soberano Demônio havia planejado isso?

Então, por que ele me possuiu?

Ou, se não foi o Soberano Demônio, então quem foi — e com que propósito — quem escreveu esse "destino"?

E por que... por que eu voltei para este quarto?

Empurrei a cadeira para trás e me levantei.

Meu corpo mais pesado parecia incômodo.

Eu vivi por tanto tempo na estrutura poderosa e musculosa de Vikamon, então é claro que este corpo parecia fraco em comparação.

Ryu — meu nome original, ou pseudônimo.

Essa versão de mim era quando eu ainda estava treinando duro, em meio à transformação.

Eu mal me olhava no espelho ultimamente.

Porque eu odiava este corpo.

Eu não queria colocar os olhos em um corpo que havia perdido seus sonhos.

Talvez por causa dessa sensação de peso, minha mente também parecia mais lenta.

Meu olhar se voltou para a porta.

Uma porta que eu não atravessava há muito tempo.

Porque para alguém que havia perdido seus sonhos, o mundo além daquela porta era uma realidade cruel e brutal.

Então eu corri — para o escapismo.

Eu acreditava que dentro do jogo, eu poderia viver ignorando essa realidade cruel.

Mas agora, até mesmo minha fuga está em perigo.

Eu não sei mais o que é destino e o que é inevitável.

A história que compõe "mim" sempre foi cheia de mistérios.

E ainda assim, meu objetivo nunca mudou.

Alcançar o final feliz do Arco da Borboleta Flamejante.

Avançar para o final feliz de todos — incluindo o meu.

Minha mão agarrou a maçaneta.

Uma maçaneta que eu pensei que nunca mais tocaria.

Mas eu não sou mais quem eu era naquela época.

Agora, eu sei exatamente onde preciso estar.

Se o Soberano Demônio estiver além daquela porta — eu o derrotarei.

Mesmo que algo pior esteja esperando — eu o superarei.

Essa firme resolução deu força à minha pegada e, finalmente, eu abri a porta.

Creeeeak—

Através da fenda crescente na porta, a luz lentamente começou a se espalhar.

Com um olhar determinado, levantei minha mão grossa em direção a tudo o que estava à frente.

“Hã?”

E então, um som atordoado escapou de mim.

Diante dos meus olhos—

Estava uma cena que eu nunca poderia ter previsto.

Eu estava em uma colina.

E lá embaixo, as chamas rugiam para cima.

No fogo estava um castelo enorme.

Aqueles dentro lutavam desesperadamente para se defender de um ataque de forças externas.

Mas o inimigo era muito poderoso.

As paredes do castelo finalmente desmoronaram e as pessoas dentro foram massacradas uma a uma.

Que diabos estou vendo?

Enquanto eu olhava em descrença atordoada, passos se aproximaram por trás.

“Isso nunca acaba, não é?”

Do céu, incontáveis espadas choveram.

Em meio às espadas, um homem loiro voou para frente em cima de uma espada.

Seu manejo da espada — era familiar.

A Espada da Espiritualidade do Céu [1].

Uma técnica transmitida através de gerações da família real Parazon.

“Vamos apagar o fogo primeiro.”

“Magia de amplo alcance gasta muita energia. Ugh, isso é cansativo…”

Duas mulheres passaram por mim também.

Um cheiro familiar de mirtilos picou meu nariz.

Uma vestia um vestido branco bordado com renda fina e um véu de noiva.

A outra — uma garotinha, seus cabelos brancos tremulando sob um chapéu pontudo grande demais.

“Não reclame só porque você é o tipo que só lança feitiços de trás.”

“Hehehe, vocês todos parecem tão lentos por falta de descanso. Vamos, animem-se!”

Seguindo-as estavam um lanceiro e uma conjuradora de espíritos.

O lanceiro, com cabelos castanho-escuros e uma lança enorme amarrada às costas, deu um passo à frente.

Ao lado dele caminhava a conjuradora de espíritos alegre, cuja maneira de falar parecia familiar.

[Tradutor - Night]

[Revisor - Gun]

“Tsk, que trabalho cansativo é este.”

Um homem que viveu muito tempo como mercenário, carregado com várias armas e bolsas, soltou um leve resmungo.

E por último—

“Isso vai acabar logo. Aguente firme, só mais um pouco.”

Um homem com cabelos pretos bem cortados começou a caminhar para frente.

Ele era o único sem uma arma, mas a aura que ele exalava era facilmente a mais imponente de todos.

No momento em que os vi, eu sabia exatamente quem eles eram.

O Mestre da Espada Celestial, Parazon.

A Santa Nobre, Narea.

A Sábia Transcendente, Zerion.

O Senhor das Lanças, Ordo.

A Guardiã dos Espíritos, Aquiline.

O Rei Mercenário, Rosli.

E—

O Grande Herói, Wolfram.

Seis heróis e o grande herói.

Eles estavam todos aqui.

Para mim, era uma situação profundamente confusa.

Eu estava me preparando para uma batalha com o Soberano Demônio — então por que eles estavam aqui?

Quando olhei para trás, a porta por onde eu havia passado já havia sumido.

‘Eu não sei o que está acontecendo, mas…’

Um forte desejo surgiu dentro de mim: eu tinha que seguir os heróis.

Eu corri atrás deles.

Parecia que eles não tinham me notado.

O que significava que outros provavelmente também não podiam me perceber.

Com certeza, uma vez que desci mais, ninguém me notou.

Sob a magia de Zerion, a chuva caía do céu.

Narea curava os feridos e Aquiline os protegia.

Ordo e Rosli subjugavam ou derrubavam aqueles enlouquecidos pela batalha.

E finalmente, o que Wolfram estava fazendo?

Crash! KRAAANG!

Ele estava mandando os comandantes inimigos voando.

Tanto os invasores quanto os defensores — ele explodiu todos eles.

Era um método ridículo.

No entanto, para mim, parecia estranhamente razoável.

No final, a guerra é algo decidido por aqueles no poder.

Claro, existem cidadãos que clamam por guerra com os países vizinhos.

Mas a maioria deles está proferindo slogans alimentados por seus líderes.

Eles são simplesmente almas infelizes sacrificadas por uma justificativa que nunca escolheram de verdade.

Então, se você eliminar os líderes, a guerra pode terminar surpreendentemente rápido.

Exceto por alguns indivíduos transtornados, ninguém que experimentou a guerra em primeira mão realmente a quer.

É por isso que eu acreditava que o julgamento de Wolfram era bom.

Acima de tudo—

‘Wolfram é um regressor.’

Os outros ainda não sabiam, mas eu estava bem ciente disso.

Uma pessoa estranhamente poderosa, sempre atraindo fortunas milagrosas para si.

Na verdade, ele era apenas alguém que havia suportado inúmeros fracassos e escolhido o melhor resultado possível cada vez para seguir em frente.

Nesse momento, Wolfram exibia uma expressão brilhante e alegre.

Ele era alguém que podia continuar apesar de todos os fracassos.

“Minha reputação já deveria ter se espalhado. Por que eles não acreditam em mim?”

Wolfram estalou os lábios em falsa decepção na frente dos dois comandantes esmagados.

Seus punhos já estavam encharcados de sangue.

“Eu disse a eles que transformaria em polpa sangrenta qualquer um que continuasse esta guerra.”

Wolfram, o Grande Herói que pôs fim à guerra.

Registros históricos não mencionam nada sobre como Wolfram trouxe a Grande Guerra ao fim.

Eles simplesmente afirmam que ele persuadiu figuras-chave de várias nações repetidas vezes — até que a paz fosse finalmente alcançada.

Era só isso que dizia.

Bem, já se passaram alguns milhares de anos desde que esta história aconteceu.

A história é distorcida com frequência suficiente.

Mas agora, eu finalmente poderia aprender como ele realmente terminou a guerra.

“Fram, você terminou?”

Naquele momento, Zerion desceu do céu, chamando-o pelo apelido.

Sua aparência era bem diferente do que eu havia imaginado.

Eu tinha imaginado uma beleza alta e elegante, condizente com uma "Sábia Transcendente", mas ela parecia muito semelhante a Xenia.

Em outras palavras, Zerion era pequena.

“Sim, eu dei a eles uma lição apaixonada sobre fazer as pazes e se tornarem amigos.”

“Se ficasse mais apaixonado, eles estariam todos mortos.”

“As pessoas não morrem tão facilmente. Eu sei bem disso.”

Wolfram sorriu brilhantemente enquanto dava tapinhas nas costas dos comandantes.

Os comandantes, com seus rostos machucados e quebrados, assentiram entusiasticamente.

“Certo?”

Zerion suspirou.

“Todos, juntem-se.”

“Já acabou, hein.”

“Bem, os comandantes estão naquele estado…”

Wolfram deu um passo e ficou ao lado de Zerion.

Zerion estremeceu e olhou nervosamente ao redor antes de levantar ligeiramente a mão.

“Rion?”

“Eu quero dar as mãos.”

“Eles vão zombar de nós.”

“Não temos tempo sozinhos há séculos.”

Por que, oh por que, eu estava aqui assistindo o momento romântico de outra pessoa?

Agora era certo — Zerion e Wolfram eram amantes.

Crash!

“Eek!”

Naquele instante, seus ouvidos atentos captaram uma voz.

Wolfram e Zerion se viraram instantaneamente naquela direção.

Lá, escondido em uma caixa de madeira, estava um jovem.

“Ah… ahaha, olá.”

O garoto coçou a cabeça com um sorriso sem jeito.

Meus olhos se arregalaram.

O rosto daquele garoto era muito familiar para mim.

Midra Fenin.

Um calouro do primeiro ano — e alguém que sabia muito mais do que deveria.

Ele também estava aqui.

[Tradutor - Night]

[Revisor - Gun]


[1] - A Espada da Espiritualidade do Céu (天空精霊剣, Tenkū Seirei-ken): Uma técnica de esgrima passada através de gerações da família real Parazon.

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