O Mundo Depois do Final Ruim

Capítulo 162

O Mundo Depois do Final Ruim

[Tradutor - Night]

[Revisor - Gun]

Capítulo 162: Uma Única Ameaça

A Igreja do Misticismo.

Xenia Niflheim sequer conseguia abrir a boca devido à pressão sufocante.

Suor escorria de sua testa.

Era natural.

Ela nunca havia experimentado uma pressão tão esmagadora antes em sua vida.

E não era só isso.

Indubitavelmente, havia uma força especial em ação, restringindo seu corpo.

Mistério, o Guerreiro da Petrificação.

Até mesmo o paladino Centriol havia sido restringido, incapaz de se mover, por esse poder místico.

Vulcan possuía uma característica especial.

Assim como inscrições mágicas amplificam o poder místico quando combinadas,

a constituição única de Vulcan permitia que ele amplificasse a força mística.

[Favorecido pelo Mistério]

Essa era a característica inerente de Vulcan.

Por causa de Vulcan, o Guerreiro da Petrificação havia sido amplificado a ponto de transformar todos em pedra.

‘Mova-se. Mova-se!’

Xenia tentava desesperadamente mover seu corpo manipulando sua mana.

No entanto, por mais que ela lutasse, seu corpo se recusava a ceder.

Um profundo sentimento de impotência a invadiu.

Ela havia confiado em sua magia quando entrou neste lugar.

Mas no momento em que ela pôs os olhos naquele homem, não viu nenhuma chance de vitória.

Mesmo como uma perfeccionista, ela teve que admitir a derrota em um instante.

Vulcan Zebra.

Um descendente oculto do Reino Zebra.

Um homem que suportou inúmeras dificuldades na vida, cuspindo ódio e fúria no mundo.

Vulcan não era muito mais velho do que os presentes ali.

As reencarnações dos heróis haviam nascido dentro de um período relativamente curto.

No entanto, sua aparência era totalmente diferente.

Seu rosto, rachado como uma árvore velha, carregava rugas profundas que lembravam um homem de meia-idade.

Sua fisionomia se assemelhava à de um feiticeiro das trevas que havia sacrificado sua própria força vital.

Um vento negro surgiu, fazendo com que seu cabelo único, cinza e preto, balançasse.

Abaixo dele, uma cicatriz espessa estava gravada em sua testa.

Era uma lembrança horripilante de uma tentativa, há muito tempo, de abrir seu crânio.

De repente, a cicatriz se abriu, revelando um terceiro olho.

Com o surgimento do terceiro olho, a aura opressiva se intensificou.

Xenia, sem perceber, esqueceu de respirar.

“Você entrou aqui por sua própria vontade.”

Vulcan curvou seus lábios em um sorriso grotesco.

“Que atitude atenciosa.”

Seu terceiro olho, de um tom carmesim profundo, mirou Xenia.

Um terror sufocante caiu sobre ela.

Ao redor dele, as Mãos da Abominação desceram.

Elas se estenderam em direção àqueles que não podiam se mover.

“Aquiline.”

Vulcan foi quem vendeu Musika para a Abominação.

Aquiline, o eu passado de Musika, era uma pedra no sapato de Vulcan.

“Você nunca deveria ter retornado.”

Musika havia voltado, mesmo que apenas em espírito.

Assim, Grantoni não tinha razão para selar o Outro Mundo.

E isso se tornou o catalisador para o desastre.

A Abominação decidiu não parar por nada para reaver Aquiline.

E como resultado, fez um pacto com Vulcan, compartilhando seu poder.

Boom—

Naquele momento, a escada abaixo deles desabou.

A escuridão surgiu, engolindo o espaço abaixo.

No momento em que alguém pisasse naquela escuridão, seria consumido pelo abismo.

No entanto, apesar do caos, ninguém conseguia se mover.

Vulcan não apenas devorou a alma de Ordo, o Herói.

Ele queimou inúmeras almas para acumular poder.

Como prova, uma força além até mesmo de seu próprio controle estava agora surgindo de dentro dele.

Normalmente, um poder tão esmagador entraria em espiral para a loucura, mas a intervenção da Abominação o havia estabilizado.

“Zerion.”

Xenia estremeceu.

Ela foi repentinamente dominada por um desejo de fugir.

Mas sua natureza perfeccionista a manteve enraizada no lugar.

Sua obsessão pela perfeição era a única coisa mantendo seu medo à distância.

“Sua magia não teve sentido no final.”

Sem sentido.

Ele havia falado no passado.

Xenia, que não tinha memória de Zerion, não conseguia entender o que ele queria dizer.

“Narea.”

Vulcan se virou para Acrede com um sorriso sinistro.

“A deusa sempre nos trai no final.”

Após se dirigir a cada um dos heróis presentes, Vulcan levantou suas mãos.

E com esse movimento, as Mãos da Abominação acima dele espelharam seu gesto.

“Chegou a hora da vingança – após mil anos.”

A força esmagadora de Vulcan e da Abominação havia transformado todos em pedra, deixando-os olhando para cima em desespero.

Xenia fechou seus olhos com força enquanto a mão da Abominação se aproximava dela.

Acabou.

“Eu agora declaro, neste exato lugar—”

“Já ouvi esse discurso vezes o suficiente.”

Naquele momento, a voz de um garoto ecoou, interrompendo as palavras de Vulcan.

Lentamente, Vulcan mudou seu olhar.

Um jovem garoto estava ali, levantando uma mão acima de sua cabeça.

Vulcan o reconheceu.

Aquele que havia abalado o império.

Aquele que, por alguma razão, continuamente interferiu em seus planos.

Aquele que havia impedido o sequestro da Santa Acrede Na Narea e resgatado Musika.

Aquele que, estranhamente, empunhava a antiga magia do dragão de Zerion.

Era por isso que Vulcan estava ainda mais perplexo com ele.

Hannon Irey.

Lá estava ele, levantando sua mão direita acima de sua cabeça.

‘Como…?’

Vulcan estreitou seus olhos.

Então, ele percebeu como Hannon havia conseguido se mover.

Poder místico anula outro poder místico.

O Corpo de Aço cercando Hannon era uma força mística superior ao Guerreiro da Petrificação.

Hannon era o único no grupo que podia se mover livremente.

O Padrão de Petrificação.

Hannon já sabia sobre isso há muito tempo.

Então, desde o momento em que ganhou o Corpo de Aço, ele estava preparado.

Enquanto todos os outros estavam sobrecarregados de medo, os olhos de Hannon brilhavam com determinação inabalável.

Quando todos os outros estavam petrificados,

Hannon era o único pensando em seu próximo movimento.

Vulcan havia formado uma aliança com a Abominação.

Mas mesmo nessa situação, Hannon não estava abalado.

Este mundo já havia sido alterado pelo curinga, Lucas.

Ele havia previsto o aparecimento de outra variável.

Foi por isso que ele se preparou e permaneceu vigilante.

[Tradutor - Night]

[Revisor - Gun]

O anel em sua mão direita brilhava.

Se fosse um evento imprevisto, ele poderia ter vacilado.

Mas para um padrão conhecido, não havia nada a temer.

Boom!

A Abominação, percebendo o que estava prestes a acontecer, avançou—mas era tarde demais.

“Salto forçado.”

O anel de Hannon explodiu em luz.

Ao seu chamado, o céu escurecido se abriu, e em seu lugar, um raio azul desceu.

Venha, Chamador de Raios.

O raio da deusa, poderoso o suficiente para perfurar até mesmo a Masmorra Demoníaca, cruzou o espaço e atingiu.

A Abominação, já tendo sido atingida por este raio várias vezes, apressadamente balançou sua mão.

――――――――――――!

O puro brilho da explosão engoliu até mesmo o rugido da explosão.

A luz era tão intensa que Xenia reflexivamente fechou seus olhos.

“Musika!”

Através da luz ofuscante, a voz de Hannon ecoou alta e clara.

A força esmagadora do raio da deusa havia negado à força o Guerreiro da Petrificação.

Um poder mais forte havia neutralizado a força mística.

As mãos da Abominação avançaram furiosamente.

Ela já havia sido atingida por este raio várias vezes antes.

Desta vez, sua raiva estava fervendo.

Hannon desviou do ataque iminente e gritou:

“Inverta a invocação da Abominação junto com Grantoni!”

Enquanto todos os outros estavam petrificados,

Hannon sozinho estava calculando o próximo passo.

Como parar a Abominação.

A resposta já havia sido decidida com base nos presentes.

Ouvindo o comando de Hannon, Musika levantou ambas as mãos.

O Outro Mundo era diferente da realidade.

Mesmo Grantoni, que estava na academia, poderia intervir nesta situação.

Na verdade, como ele estava na academia, a Abominação não podia suprimi-lo imediatamente.

Foi precisamente por isso que Grantoni não havia sido trazido junto.

Quanto a Musika, era óbvio.

Ela passou uma eternidade no Outro Mundo.

Ela sabia perfeitamente como empunhar o Outro Mundo.

“Sincronismo perfeito!”

Musika esticou seu corpo relaxado, um sorriso sombrio se espalhando por seu rosto.

Seus olhos queimavam com raiva feroz em direção à Abominação.

“É hora do troco!”

O sofrimento que ela suportou nas mãos da Abominação.

Sua vida, junto com sua família, havia sido destruída e roubada.

Até mesmo a consciência de Vinesha, que permanecia dentro de Musika, rugia com a mesma fúria.

Uma corrente negra enfureceu enquanto almas vingativas lamentavam.

Chegou a hora da retribuição.

Como uma feiticeira espiritual, ela revelou seu poder total.

Kwaaaaaang!

A mão da Abominação bateu, reduzindo o altar a escombros.

Musika escorregou para o Outro Mundo.

Ainda não.

Nem mesmo isso foi suficiente para parar a Abominação.

“Acrede, Sir Centriol! Vocês devem fazer o mesmo!”

Enquanto Musika e Grantoni realizavam a invocação reversa, a Abominação, que havia emergido do lado de fora, tinha que ser mantida sob controle.

O poder da Abominação podia ser combatido com o poder divino da deusa.

“S-Sim!”

“Cumpriremos nosso dever!”

A Abominação era uma entidade selada no Outro Mundo—ela não era inteira.

Os dois que estavam contra ela eram uma santa e um paladino.

Juntos, eles podiam empurrar a Abominação para trás.

Se eles pudessem afastá-la, Vulcan seria o próximo.

Naquele instante, feras negras rasgaram a fumaça conjurada pela Abominação.

Feitas de líquido semelhante a tinta, as feras negras mostraram suas presas.

Hannon e Isabel simultaneamente avançaram, golpeando com suas mãos e lâminas.

Kwoooom!

O golpe explosivo de Hannon estilhaçou uma das feras negras em pedaços.

A lâmina de Isabel, imbuída com a bênção da deusa, impiedosamente rasgou outra.

Através da névoa, Vulcan pisoteou o chão.

Em um instante, o chão do altar se transformou em pilares imponentes que dispararam para cima.

Hannon habilmente desviou e gritou,

“Xenia! Vulcan tem um mistério semelhante ao deslocamento espacial!”

Vulcan pretendia prender todos ali como guerreiros de pedra e mandá-los serem massacrados.

Mesmo que ele falhasse em matá-los, ele planejava deixá-los serem devorados pelo dragão da terra.

E ele mesmo usaria sua magia para escapar.

No cenário original, se Xenia não estivesse presente, Vulcan teria conseguido fugir.

Mesmo agora, ele estava pronto para correr no momento em que as coisas piorassem.

Isso não podia ser permitido.

“Sua magia divina pode anulá-lo!”

Mas com Xenia, a situação era diferente.

“Eu consigo!”

Xenia se sentiu abalada.

O poder de Vulcan estava além da imaginação.

E com a Abominação unindo forças, os dois revelaram um poder esmagador.

Vulcan empunhava sua magia com impunidade, negando-lhes até mesmo a menor aproximação.

No entanto, Hannon avançava sem hesitação, conduzindo a situação.

O garoto, não mais velho do que ela, estava liderando o ataque contra Vulcan.

Por um breve momento, ela questionou sua sanidade.

Mas ele estava completamente sério.

Assim como ele havia estado desde o início, ele estava determinado a derrubar Vulcan.

Em meio ao caos, Xenia engoliu em seco.

As explosões de seu confronto com Vulcan estilhaçaram o altar em ruínas.

Mas Hannon, emergindo da fumaça, atacou com precisão implacável.

Vendo-o, Xenia relembrou as palavras que ele havia usado para se apresentar.

Um estudante da Academia Zerion.

Ela, uma reencarnação de um herói, estava vacilando.

No entanto, estudantes da academia, fundada sob o nome de Zerion, estavam lutando contra Vulcan.

Tapa!

Xenia deu um tapa em ambas as bochechas.

Seus olhos se endureceram com determinação.

Ela era Xenia Niflheim.

A orgulhosa herdeira da família do Conde Niflheim.

Ela afastou sua auto-dúvida e focou apenas na perfeição.

Essa era a única maneira que ela poderia enfrentar esta situação.

A luz das estrelas explodiu ao seu redor.

Ela não podia manchar o nome Niflheim.

Com seu nome em jogo, ela venceria.

Agarrando seu cajado com força, ela gritou com toda a sua força.

“Eu vou anulá-lo!”

Ouvindo o grito resoluto de Xenia, Hannon rolou no chão, recuperando o fôlego.

Eventos inesperados sempre surgiam.

Cabia apenas a Hannon superá-los.

O objetivo permaneceu o mesmo de antes:

Derrotar Vulcan.

“Isabel.”

Chamando um último nome, Hannon estendeu sua mão para frente.

A magia do antigo dragão surgiu descontroladamente de seu corpo.

“Nós vamos derrubar Vulcan.”

“Entendido!”

Isabel respondeu instantaneamente, desdobrando as asas da deusa.

Seus olhos continham uma fé inabalável em Hannon.

Todos estavam prontos para lutar até a morte.

Vendo isso, Vulcan ficou cada vez mais agitado.

Seus olhos fixaram-se em Hannon.

Um único indivíduo havia mudado o rumo da batalha.

A magia divina de Xenia liberou uma torrente de luz das estrelas.

A magia de dobra espacial de Vulcan foi suprimida.

Ele não podia mais escapar.

Vulcan estreitou seus olhos.

Com metade da alma de Narea, Zerion, Aquiline e três heróis reencarnados aparecendo simultaneamente, ele havia invocado a Abominação por ganância para reivindicar suas almas.

Mas sua resistência foi muito mais feroz do que ele esperava.

Ele havia planejado terminar isso rapidamente usando a Abominação e os guerreiros de pedra.

Mas agora a situação havia virado.

E foi por causa de uma pessoa.

Hannon Irey.

Aquele garoto havia mudado toda a situação.

Claro, Vulcan ainda mantinha a vantagem.

Os únicos que podiam se opor adequadamente a ele eram apenas dois:

Isabel Luna e Hannon Irey.

Duas crianças, nem mesmo adultas ainda.

As verdadeiras ameaças – os heróis e o paladino – estavam ocupadas com a Abominação.

Em todos os sentidos, Vulcan permanecia em uma posição favorável.

No entanto, ele estava profundamente perturbado.

Por alguma razão, o garoto o lembrava de outra figura do passado.

Um homem que uma vez liderou inúmeras estrelas, construindo uma galáxia inteira.

Mesmo em uma situação impossível, aquele homem havia mudado o rumo.

Assim, Vulcan sabia exatamente o que precisava ser feito.

‘Ele deve morrer. Não importa o quê.’

Deixar aquele garoto vivo só convidaria a futuros desastres.

Vulcan tinha certeza disso.

O inimigo mais perigoso nesta batalha não era os três heróis reencarnados, nem o Duque de Whitewood lutando contra o dragão da terra do lado de fora.

Era um único estudante da Academia Zerion.

Hannon Irey, ou melhor, Vikamon Niflheim.

Era ele.

[Tradutor - Night]

[Revisor - Gun]

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