
Capítulo 123
O Mundo Depois do Final Ruim
[Tradutor - Night]
[Revisor - Gun]
Capítulo 123: Chegada com Relâmpagos
Barcavaran assobiou quando nos viu, os três.
[Nada mal. Você conseguiu encantar umas beldades extraordinárias. Quer compartilhar umas dicas?]
"Quem é você para dizer isso?"
Vindo de alguém que é praticamente uma manifestação da luxúria, essa é ótima.
[Então, você não morreu, pelo visto. O que te traz aqui? Não tem muita coisa para os vivos num lugar como este.]
Barcavaran deve ter sentido a presença da Portadora dos Relâmpagos e resolveu dar uma olhada.
"Marido."
Nesse instante, Vinesha sussurrou para mim.
"Não existem muitos espíritos no mundo inferior que conseguem manter a razão. Seria prudente pedir informações para ele."
É uma boa observação.
Eu não tinha pensado nisso.
Naquele momento, senti um puxão de Sharin.
Ela estava puxando meu braço.
"Muito perto."
Sinceramente, comecei a me perguntar se Sharin estava ali só para me arrumar confusão.
"Barcavaran, você sabe onde está a Abominação?"
A testa dele se contraiu.
[Essa é uma pergunta muito perigosa. Você não está planejando ir ao domínio da Abominação, está?]
"Sim. Um tolo foi procurar a Abominação. Eu tenho que encontrá-lo antes que ele chegue lá."
[Então é por isso que a Deusa dos Relâmpagos te empurrou nessa direção.]
Barcavaran resmungou, suspirando.
Não demorou muito para perceber que a Deusa dos Relâmpagos o havia mandado para cá através da Portadora dos Relâmpagos.
"Ela tem me ajudado o tempo todo."
Devo me lembrar de agradecê-la mais tarde.
[Eu não posso garantir a segurança de vocês.]
"Eu vim preparado para isso."
Barcavaran não disse mais nada e simplesmente se virou.
Se a Deusa dos Relâmpagos interveio, significava que algo sério estava acontecendo.
"Vinesha, Sharin."
As duas ainda estavam travadas em uma batalha silenciosa de nervos.
Soltei um suspiro forte e dei a elas um olhar significativo.
"Não temos tempo para isso. É urgente."
Este não era o mundo real.
Este era o mundo inferior.
Éramos forasteiros aqui.
Não importa o que acontecesse, não podíamos nos dar ao luxo de ser descuidados.
"Vinesha, você sabe melhor do que ninguém o quão perigoso este lugar é. Eu confio em você, mas se continuar agindo assim, não vou conseguir."
"M-Marido, você está bravo… Me desculpe! Por favor, não fique bravo. A culpa foi minha!"
Eu não estava realmente bravo.
As ataduras do Véu já tinham atenuado minha capacidade de sentir raiva há muito tempo.
Mas Vinesha, que faria qualquer coisa por mim, entrava em pânico até com o menor sinal de descontentamento.
Ela tinha tanto medo de ser abandonada que faria qualquer coisa para me agradar.
Era de partir o coração, na verdade.
"Sharin, você percebe que não está agindo como você mesma, não é?"
O comportamento dela tinha sido errático.
Ela não estava agindo por razão, mas reagindo emocionalmente ao afeto de Vinesha por mim.
Ela tinha que reconhecer isso e sair dessa.
"Ah… sim."
Com certeza, a ficha caiu para ela.
Ela soltou meu braço, parecendo desconfortável.
"Por que eu fiz isso?"
Ela parecia genuinamente confusa.
Como se não tivesse ideia do porquê estava agindo daquela maneira.
Pelo menos as coisas estavam se acalmando por enquanto.
"Por último, Eve."
Eu a retirei cuidadosamente de minhas costas e segurei sua mão com firmeza.
"Se estiver com medo, apenas mantenha os olhos fechados. Eu chamarei você quando precisar."
"…Me desculpe."
Ela finalmente falou.
Não precisa se desculpar.
Eu fui quem pediu para ela vir.
A segurança dela era minha responsabilidade.
"Vamos. Não podemos perdê-lo."
Acelerei o passo para seguir Barcavaran.
Ele olhou para trás para mim, então riu.
[Lidar com várias mulheres não é fácil, é?]
"Cala a boca."
[Você vai admitir mais cedo ou mais tarde. Apenas tome cuidado—o ciúme pode ser terrível às vezes.]
Então foi assim que ele morreu.
Atingido por um raio por causa de ciúme, hein?
Vindo dele, isso era estranhamente convincente.
A paisagem começou a mudar.
O mundo antes cinzento e estéril gradualmente se encheu de árvores densas e em crescimento.
[Ainda assim, o lugar para onde estamos indo é muito mais perigoso do que uma mulher ciumenta.]
Até mesmo Barcavaran, aquele que ousou profanar a estátua de uma deusa, parecia desconfortável.
Um vento arrepiante soprou pela floresta negra.
Estava tão frio que me fez tremer.
Então, uma risada sinistra ecoou em meus ouvidos.
Por entre as árvores, figuras sombrias passavam rapidamente—
não humanas, mas algo completamente diferente.
No entanto, nenhuma delas ousava se aproximar de nós.
Isso foi graças a Vinesha e Sharin.
Em algum momento, um espectro de braços longos havia aparecido, parado silenciosamente ao lado de Vinesha.
Seus olhos brilhavam sob uma cortina de cabelo escuro, e os outros espíritos recuavam de medo.
O Mirinae de Sharin brilhava intensamente, capturando a luz das estrelas da Via Láctea.
Existiam poucos espíritos que conseguiam encarar aquela intensa luz das estrelas de frente.
Foi por isso que eu trouxe as duas para o mundo inferior.
Com elas ao meu lado, as chances de encontrar perigo aqui eram significativamente menores.
‘O problema é o quão longe Grantoni foi.’
A obsessão de Grantoni com o mundo inferior vinha de Musika.
Musika, a reencarnação de Aquiline, que havia sido devorada pela Abominação.
Para recuperá-la, Grantoni se aventurou no mundo inferior inúmeras vezes.
Se Grantoni tinha entrado completamente no mundo inferior agora, significava que ele tinha encontrado Musika.
‘Mesmo no cenário original, Grantoni foi capturado pela Abominação pelo menos uma vez.’
Cego por seu anseio por Musika, Grantoni tinha sido atraído para o mundo inferior.
Uma vez lá dentro, ele se tornou um mero brinquedo para a Abominação e foi, em última análise, capturado.
Por volta dessa época, Lucas já havia subjugado Vinesha, que havia tentado roubar a magia de Zerion.
Com a relutante cooperação dela, ele entrou no mundo inferior para resgatar Grantoni.
‘Mesmo aqui, a Chama da Determinação de Lucas desempenha um papel crucial.’
A Chama da Determinação cega a Abominação e serve como um farol orientador.
No entanto, não temos mais Lucas.
Porque Lucas está morto.
Meu olhar caiu sobre a floresta.
‘Talvez.’
Lucas ainda pode estar vagando pelo mundo inferior.
‘Não há como saber.’
Nem todos os mortos permanecem no mundo inferior.
Entendendo isso, escolhi não insistir no pensamento.
A prioridade agora era encontrar Grantoni.
Todo o resto—Abominação ou não—poderia esperar até que ele estivesse seguro.
‘Eu só espero que não seja tarde demais.’
Naquele momento, Barcavaran parou abruptamente.
[Este é o máximo que eu vou. Este é o limite de onde eu posso chegar.]
As palavras de Barcavaran confirmaram isso—nós tínhamos entrado no domínio da Abominação.
Até mesmo nos guiar até aqui era algo a ser grato.
Eu imediatamente me virei.
"Vinesha."
Ao meu chamado, Vinesha, que estava esperando ansiosamente, se animou.
Então, ela correu para perto de mim.
"Sim, meu marido!"
Ela sorriu para mim, forçando um sorriso.
No entanto, por trás daquele sorriso, ela não conseguia esconder completamente seu desconforto.
"Verifique o pingente."
Ao ouvir minhas palavras, Vinesha pegou o pingente que eu tinha dado a ela.
Um fino feixe de luz vazou do pingente, apontando para uma certa direção.
Percebendo o que estava acontecendo, os olhos de Vinesha se arregalaram.
"Este pingente… está conectado àquela pessoa, Grantoni?"
"Isso mesmo."
Vinesha, sem nenhuma memória de Grantoni, simplesmente observou maravilhada.
No mundo inferior, objetos com fortes laços com alguém em vida muitas vezes mantinham essas conexões.
Assim, o pingente ainda estava ligado a Grantoni.
Eu observei Vinesha em silêncio.
Ela não pareceu questionar por que eu tinha dado a ela tal pingente.
Em vez disso, ela simplesmente o segurou perto, como se o estivesse valorizando.
"Está tão quente…!"
Vinesha olhou para mim, seu rosto se iluminando de alegria.
"Aposto que é porque meu marido me deu!"
Levantei minha mão e coloquei-a sobre o pingente em sua mão.
Ao contrário do que ela tinha dito, a luz em si não era particularmente quente.
Aquele calor era algo que só Vinesha podia sentir.
‘Alguém deve tê-lo imbuído de um desejo—um que esperava que seu calor nunca fosse esquecido.’
Mesmo que aquele calor tivesse, em última análise, se espalhado antes de chegar ao seu destino.
Eu esperava que, de alguma forma, pudesse alcançar Vinesha mais uma vez.
Como uma chefe intermediária, simplesmente encontrar um fim trágico e desaparecer era um destino cruel demais.
"Vinesha, siga a luz. Você deve ser capaz de sentir para onde ela está levando."
"Entendi! Eu vou fazer o meu melhor!"
Com uma expressão confiante, Vinesha avançou.
Então, de repente, ela parou abruptamente.
"Uh, meu marido…"
Ela levantou o olhar.
"A luz… está apontando para cima?"
Meu próprio olhar seguiu lentamente.
Um por um, os olhos de todos se voltaram para o céu.
E lá, se desdobrando acima de nós, estava um abismo negro como breu.
Um enorme buraco tinha se aberto no céu.
Meus olhos se arregalaram.
Abaixo daquele buraco—
Um homem com um rosto de caveira pendia frouxo, sendo puxado para a escuridão.
Ao mesmo tempo, o buraco se alargou, revelando um ser colossal dentro.
Aquele ser estendeu uma mão de osso negro como azeviche através da abertura, estendendo a mão para reivindicá-lo.
"Droga."
Grantoni estava a segundos de ser levado pela Abominação.
"Sharin!"
Eu imediatamente chamei Sharin.
E sem hesitação, Sharin já estava voando em direção ao céu.
Como esperado de uma das pessoas em quem eu mais confiava, Sharin reagiu mais rápido do que ninguém.
Eu acreditava nela.
Se fosse Sharin, ela certamente arrebataria Grantoni a tempo.
[Uh, uhh… Honestamente, eu não acho que subir lá seja uma ótima ideia.]
Barcavaran observou Sharin ascender com visível angústia.
A essa altura, mais da metade da mão da Abominação já havia emergido do buraco no céu.
Nesse ritmo, Sharin também poderia ser pega.
Mas—
"Se não formos agora, as coisas vão piorar muito!"
Levantei minha mão acima da minha cabeça.
Barcavaran piscou, perplexo.
Ele parecia totalmente confuso sobre por que eu estava levantando minha mão neste momento.
Eu cerrei meu punho.
"Os céus nos honraram com sua presença."
Era justo retribuir o favor.
[Ah, infernos—!]
Barcavaran agarrou sua cabeça e imediatamente caiu no chão.
Então, naquele momento, algo sinistro se agitou no céu.
Uma luz azul radiante rodopiou pelas nuvens.
Ao mesmo tempo, Sharin alcançou Grantoni e o agarrou.
Venha, Portadora dos Relâmpagos.
Um raio azul brilhante rasgou os céus.
[Tradutor - Night]
[Revisor - Gun]