O Mundo Depois do Final Ruim

Capítulo 77

O Mundo Depois do Final Ruim

[Tradutor - Night]

[Revisor - Gun]

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Capítulo 77: O Estranho

Um garoto cujo nome era desconhecido.

Ele era mais desenvolvido do que seus colegas, possuindo um charme maduro apesar de sua juventude.

A visão do garoto brilhando sob o luar era encantadora, até mesmo para Seron, que nunca havia conhecido o amor.

“Sim, sim… você é lindo.”

Era a estreia de Seron na sociedade, e ela nunca havia interagido com um garoto de sua idade antes.

Então, sua personalidade habitual recuou, deixando para trás apenas uma Seron reservada e tímida.

O garoto sorriu calorosamente enquanto observava Seron lutar com a conversa.

“Por que você não está dentro da festa?”

O garoto naturalmente conduziu a conversa para um tópico comum.

Com isso, o rosto de Seron de repente se desfez, e lágrimas começaram a brotar em seus olhos.

O garoto ficou um pouco surpreso, mas tirou um lenço do bolso.

Ele gentilmente enxugou as lágrimas da jovem Seron.

O garoto tinha um irmão dois anos mais novo, que era chorão, então ele estava acostumado a enxugar lágrimas.

Talvez devido à sua gentileza, Seron soluçou ainda mais, tomada pela emoção.

O garoto esperou pacientemente para que Seron chorasse tudo o que tinha para chorar.

Depois de um longo tempo, Seron finalmente se acalmou.

“Você está se sentindo melhor agora?”

“Sim… Obrigada.”

Envergonhada por ter chorado na frente de alguém, Seron manteve a cabeça baixa.

Ela inadvertidamente se apoiou na gentileza do garoto.

“Então, por que você estava chorando tanto? Alguém te chateou?”

Seron balançou a cabeça.

Em vez disso, ela começou a relatar seu dia em uma voz suave e contida.

Falar sobre isso aliviou um pouco seu coração, embora ela ainda se sentisse injustiçada.

“Eu acho que os céus devem me odiar. Coisas assim sempre acontecem comigo.”

Olhando para cada incidente individualmente, não era uma grande tragédia.

Mas quando pequenas desgraças se acumularam, tornou-se opressor.

Especialmente para alguém que pode começar a acreditar que nada nunca dá certo para ela.

“E porque eu estou assim, se eu entrar na festa, todos vão rir de mim.”

Seron mostrou ao garoto as manchas de lama ainda visíveis, apesar dos esforços da criada para limpá-las.

A menos que ela trocasse de roupa, não havia nada que ela pudesse fazer.

“É mesmo? Eu acho que o vestido parece bem bonito, na verdade.”

O garoto olhou para o salão de festas.

“Todos lá dentro estão vestidos com roupas brilhantes, mas nenhum deles está mostrando seu verdadeiro eu.”

O garoto puxou ligeiramente sua gravata, como se estivesse sentindo-se constrito.

“Quem sabe se seus corações são sombrios ou puros? Vê-los rindo assim parece ainda mais engraçado para mim.”

Quando o garoto procurou a concordância de Seron, ela piscou surpresa.

O garoto riu sem querer.

“Desculpe, eu não queria dizer algo complicado.”

O garoto, mais maduro do que seus colegas, olhou para o vestido de Seron, ainda manchado de lama.

“Para mim, sua honestidade a torna muito mais bonita do que qualquer uma dessas pessoas lá dentro.”

Suas palavras carregavam muitas camadas de significado, mas Seron, ainda jovem, as interpretou simplesmente.

Ela parecia mais bonita do que as jovens nobres no salão de festas.

Só isso já fez seu coração disparar.

“Mesmo assim, desse jeito, eu não posso dançar. Eu pratiquei tanto…”

Seron hesitou, agarrando a bainha de seu vestido.

O garoto, observando-a silenciosamente, estendeu a mão para ela.

“Então, você gostaria de dançar comigo?”

Os olhos de Seron se arregalaram.

“Embora não haja música…”

Em vez da melodia elegante de uma orquestra, o som áspero e natural dos grilos preenchia o ar.

“E sem luzes deslumbrantes…”

Em vez de lustres brilhantes, o luar suave iluminava o véu da noite.

“Mas podemos dançar em qualquer lugar, não podemos?”

Acima de tudo, havia o garoto.

De pé sob o luar, o garoto parecia uma pintura.

O som dos grilos começou a parecer a música mais bonita que Seron já tinha ouvido.

Sem perceber, ela estendeu a mão para ele.

O garoto pegou sua mão, usando um sorriso gentil.

“Minha lady, posso ter esta dança?”

“Ah… s-sim!”

Seron tropeçou nas palavras, quase mordendo a língua.

Mas quando o garoto esperou pacientemente, ela respirou fundo e tentou novamente.

“Com prazer.”

E assim, o garoto e a garota começaram a dançar.

Sob a cortina de luar da noite,

Seron experimentou o momento mais bonito de sua vida.

Seron Parmia, doze anos de idade.

Foi o dia em que ela percebeu seu primeiro amor.

E agora, no presente,

Seron encontrou seu primeiro amor mais uma vez.

Ela fechou os olhos com força, seu coração em turbilhão.

“Naquela época, eu nem sequer pude perguntar seu nome.”

Ela era jovem demais, confiando apenas na gentileza do garoto, nunca perguntando seu nome.

Seron se arrependeu daquele dia repetidas vezes.

“Mesmo depois de comparecer a muitas reuniões sociais, eu nunca mais te vi.”

Seron tinha azar.

Não importa o quanto ela tentasse encontrá-lo, eles sempre se desencontravam.

Foi realmente lamentável.

Mas agora, Seron encontrou seu primeiro amor mais uma vez,

em um lugar completamente inesperado.

No entanto.

Eu devo dizer novamente.

Seron era azarada.

Com uma expressão endurecida, eu olhei para Seron.

Seron havia se reunido com seu primeiro amor.

Mas seu primeiro amor não estava mais aqui.

Aquele que havia mostrado gentileza a ela, Vikamon, não existia mais neste mundo.

De pé diante dela não estava Vikamon, mas eu, que havia tomado seu lugar.

Eu não era o primeiro amor de Seron.

Eu era meramente um ladrão desprezível que o havia roubado.

Caiu a ficha mais uma vez.

Eu não era nada além de um estranho que havia tropeçado nesta história da Chama da Borboleta.

A realidade que eu tanto evitei agora pairava sobre mim.

Seron lentamente abriu seus olhos.

Seu olhar apaixonado caiu sobre mim.

Não.

Aquele olhar não deveria ser dirigido a mim.

Mas Vikamon não estava mais aqui.

E eu não tinha como saber como ele teria tratado Seron.

Eu não estava lá naquela noite.

“Posso perguntar seu nome?”

Seron fez a pergunta que ela não pôde fazer naquele dia.

Meu nome.

Ouvindo a pergunta dela, meus lábios tremeram.

Eu sou Hannon Irey?

Vikamon Niflheim?

Ou algo mais inteiramente?

[Tradutor - Night]

[Revisor - Gun]

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Sem perceber, eu dei um passo para trás.

O movimento foi muito abrupto, e minhas roupas ficaram desarrumadas.

Naquele momento, um pingente em forma de espada escorregou para fora da minha roupa.

Seron, vendo isso, arregalou os olhos levemente.

“Aquele…”

Oh não.

Foi um erro causado pelo meu estado confuso.

Quando eu tentei esconder o pingente apressadamente, Seron olhou para ele silenciosamente e então riu incrédula.

“…Batata Doce, aquele idiota deve ter sido quem te chamou.”

Parecia que Seron tinha juntado as peças sozinha.

Ela assumiu que Vikamon tinha vindo aqui porque eu tinha entregado o pingente e feito um pedido.

Felizmente, não havia necessidade de esclarecer nenhum mal-entendido sobre isso.

Enquanto isso, eu lutei para reunir meus pensamentos dispersos.

“…Desculpe, o garoto que você conheceu não está mais aqui.”

[T/N: Ai!!!]

Então eu vi o rosto de Seron.

Sua expressão estava profundamente ferida.

O que eu tinha acabado de dizer não era diferente de declarar um término para ela.

Quando eu tentei me corrigir, Seron mordeu o lábio levemente, então sorriu através de seus olhos lacrimejantes.

“Está tudo bem. A garota daquele dia ainda está aqui.”

Suas palavras despertaram emoções indescritíveis dentro de mim.

“…Eu sinto muito.”

Incapaz de continuar a conversa com Seron, eu saí correndo da sala.

Enquanto eu corria pelo corredor, eu apertei apressadamente as bandagens ao redor do meu pescoço.

Minha aparência lentamente começou a se transformar na de Hannon.

No reflexo da janela, minha forma começou a emergir.

Mas eu não estava lá.

Eu mal consegui parar minha mão, que inconscientemente tinha alcançado a janela.

‘Acalme-se.’

Eu não esperava vacilar em um momento como este.

Eu percebi que minha mente estava sendo gradualmente corroída—

Pela pressão e tensão de impedir um final ruim.

E pelo fato de que eu era, afinal, um estranho aqui.

Essas duas verdades pesavam em meu coração, quer eu reconhecesse ou não.

“Você!”

Naquele instante, uma voz familiar alcançou meus ouvidos.

Eu avistei cabelo loiro-mel.

Ela correu até mim, seu rosto cheio de preocupação, examinando minha expressão.

“O que aconteceu? Você está bem?”

Suor frio escorria pelo meu rosto pálido.

Vendo isso, Isabel estendeu a mão para enxugar o suor do meu rosto.

Tapa!

Sem pensar, eu bati na mão dela.

Isabel também era uma personagem ligada à Borboleta de Chamas.

Além disso, ela me via se sobrepondo a Lucas.

Eu não queria que a mão dela me tocasse.

Hesitação—

Eu tardiamente percebi que eu tinha agido muito duramente.

Mas o ato já estava feito.

Isabel lentamente abaixou sua mão rejeitada e ficou silenciosamente ao meu lado.

Ela não disse mais uma palavra.

“…Eu só estou me sentindo um pouco mal. Me deixe em paz.”

“Tudo bem, eu vou esperar até você se sentir melhor.”

“Não há necessidade—”

“Você fez o mesmo, não fez?”

Isabel me interrompeu.

“Você me seguiu imprudentemente naquele dia.”

Aquele dia, quando Isabel tinha ido ao muro da Academia Zerion.

Eu a tinha seguido sem permissão.

“E mesmo antes disso…”

Isabel murmurou palavras que nem ela mesma parecia ter totalmente descoberto ainda.

Então, balançando a cabeça, ela me disse:

“Então eu tenho o direito de agir por conta própria também.”

Eu não tinha mais nada a dizer.

Mas eu entendi uma coisa.

Através da janela, os olhos de Isabel encontraram os meus.

Ela estava olhando para mim, sem dúvida.

O girassol estava olhando para a lua em vez do sol.

Por alguma razão, esse fato pareceu restaurar um pouco do calor que eu tinha perdido.

* * *

Graças ao tempo gasto com Isabel, eu consegui recuperar um pouco da compostura.

Eu percebi hoje que estar sozinho quando meu estado mental está instável é a coisa mais perigosa.

Quando eu disse a Isabel que eu estava bem agora, ela sorriu brilhantemente e caminhou ao meu lado.

Seu sorriso parecia genuinamente feliz.

O verão tinha começado a diminuir, e a estação do outono estava gradualmente se aproximando.

Vendo as folhas mudando para cores vibrantes, eu senti por alguma razão que elas se pareciam comigo.

Afinal, eu também estava sendo colorido por este mundo.

“Isabel.”

“Sim?”

Ouvindo seu nome, Isabel se virou para olhar para mim.

“Obrigado.”

Apesar de quão friamente eu a tinha tratado, ela ficou ao meu lado, e eu consegui me sentir melhor por causa dela.

Quando eu dei a ela minha gratidão honesta, Isabel sorriu timidamente.

Então ela de repente inclinou a cabeça para frente.

“Então, chega de boicotes, ok?”

“Não, isso é uma questão separada.”

Eu respondi com um rosto sério.

Essa heroína principal não iria patinar pelo cenário sem esforço.

“Você é tão mesquinho!”

“Ser grato é uma coisa, e fazer o que eu devo é outra.”

“Uau, isso é injusto!”

Isabel bufou e protestou ao meu lado, mas eu simplesmente bufei.

Como se esse nível de protesto fosse me quebrar.

Comparado aos insultos que eu tinha suportado de outras mulheres, isso era brincadeira de criança.

Meu olhar retornou para a janela.

A estação dos boicotes estava finalmente se aproximando.

‘Agora, a única coisa que resta…’

…era garantir que Iris se envolvesse no boicote.

Muito bem, eu preparei a mesa.

Agora tudo o que resta é servir a colher.

Eu vou derrubar completamente o conselho estudantil.

[Tradutor - Night]

[Revisor - Gun]

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