O Mundo Depois do Final Ruim

Capítulo 40

O Mundo Depois do Final Ruim

[Tradutora - Clara]

[Revisora - Gun]

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Capítulo 40: O Devastador de Raios

Na sala de aula escura,

Grantoni estava ocupado preparando um ritual necromântico para invocar o Chamador de Trovões.

Ele pintou um círculo mágico enorme usando sangue de bode e espalhou pó de ossos de origem indeterminada por cima.

Depois de um tempo de preparativos agitados, Grantoni finalmente sorriu com satisfação.

“Isso cria o clima.”

“Grantoni, tudo isso parece desnecessário, não acha?”

O que ele estava tentando fazer era um ritual de invocação — nada do que ele já tinha lido indicava que tal teatralidade era necessária.

“Hehe, essas coisas são sobre a atmosfera.”

Fiel à sua natureza excêntrica, era claro que ele estava fazendo isso simplesmente porque queria.

“Então, quem estamos invocando de novo?”

Já tinha esquecido?

“Chamador de Trovões.”

“Não o apelido — o nome verdadeiro.”

Ah, certo.

Chamar alguém por um apelido via necromancia não iria exatamente invocá-lo.

“Barcavaran.”

Um nome do império do norte, derivado das tribos selvagens que viviam entre as cordilheiras mais altas do mundo.

“Hehe, anotado.”

Grantoni bateu os dentes e entrou no centro do círculo mágico que havia desenhado.

Ele colocou uma cadeira ao contrário e sentou-se com o encosto pressionado contra o peito.

“Vou começar a invocação agora. Fique quieto por um momento.”

Grantoni era um espiritualista, e não apenas um qualquer.

Ele estava entre os mais talentosos, uma pessoa que estava mais perto dos mortos do que dos vivos — um mausoléu ambulante.

Ele não era chamado por um apelido tão arrepiante à toa.

À medida que suas órbitas oculares esqueléticas perdiam seu brilho sinistro, a atmosfera na sala de aula começou a mudar.

Este lugar estava se transformando em um domínio que dava as boas-vindas à morte.

Até mesmo minha pele de aço começou a tremer em resposta à aura de morte que se aproximava.

Uma sensação inquietante e arrepiante percorreu todo o meu corpo.

As cores da paisagem começaram a desaparecer, deixando tudo banhado em um tom acinzentado desaturado.

Isso significava uma coisa: a sala de aula era agora um ponto de entrada para o Outro Mundo, o reino dos espíritos.

Era por isso que Grantoni era considerado um espiritualista incomparável — sua habilidade única permitia que ele atravessasse a fronteira entre a vida e a morte à vontade.

No entanto, até ele sabia.

Permanecer no Outro Mundo por muito tempo significava arriscar a incapacidade de retornar.

E ainda assim, ele se aventurava repetidamente aqui, sem dúvida procurando por alguém.

‘Aquele alguém…’

Um dia, porém, ele teria que deixar ir.

Durante o quarto ato da “Saga do Mago Louco”, em sua batalha final contra Vinesha, Grantoni enfrentou uma encruzilhada.

Ele permaneceria no Outro Mundo?

Ou escolheria ficar no reino mortal?

Se ele permanecesse no Outro Mundo, encontraria a felicidade — seu maior desejo realizado.

Mas também traria um dos 38 finais ruins da história: A Descida do Outro Mundo.

Se ele permanecesse no reino mortal, no entanto, significaria uma separação eterna do que ele prezava — uma tristeza sem fim que o assombraria para sempre.

Felicidade no Outro Mundo ou desespero na realidade — a escolha era só dele.

‘Quanto a mim…’

Apesar de conhecer sua história, devo garantir que ele permaneça no reino mortal.

‘Mas isso ainda está longe.’

Ao observar os tons opacos e sem vida do Outro Mundo, não pude deixar de rir amargamente.

Este mundo sombrio e sem alegria era o lugar que Grantoni considerava seu refúgio mais feliz.

A realidade deve ter parecido ainda mais cinzenta para ele.

“Barcavaran.”

Grantoni começou sua invocação e, imediatamente, as janelas da sala de aula se abriram de repente.

Cortinas pesadas de blecaute batiam violentamente no vento norte que entrava correndo.

O frio cortante picava minha pele de aço, e quase soltei um som involuntário.

Embora eu tivesse me acostumado com o calor intenso, o frio congelante era outra história.

Minha pele semelhante a aço amplificava o frio, fazendo meus dentes baterem incontrolavelmente.

‘Preciso trabalhar na minha resistência ao frio. Definitivamente algo para conseguir em breve.’

Com tais pensamentos passando pela minha mente, Grantoni levantou a mão em direção ao teto.

“Barcavaran.”

Um estrondo de trovão ecoou através do vento rugindo.

Estava chegando.

Essa percepção atingiu todo o meu corpo de uma vez.

“Barcavaran!”

KRAK-A-BOOM!

Um relâmpago ofuscante iluminou a sala quando o som do trovão rachou o ar.

O flash momentâneo me deixou piscando para recuperar a visão.

Lentamente, minha visão clareou, revelando uma silhueta na fumaça dissipando.

A figura carecia de pernas visíveis, e todo o seu corpo estava marcado com cicatrizes irregulares em forma de raio.

O homem examinou seus arredores com uma expressão sombria, como se estivesse procurando por algo.

Quando seu olhar encontrou o meu, ele fez uma pausa brevemente, então franziu a testa antes de bufar com desinteresse.

[Impossível.]

Senti como se tivesse acabado de ouvir um absurdo ridículo.

“Olá, amigo!”

Grantoni de repente colocou sua cabeça semelhante a um crânio para fora de trás do homem, assustando-o.

O homem balançou um soco reflexivamente, mas passou direto pela cabeça de Grantoni.

Claro, aconteceu — Grantoni já estava morto.

Este homem era Barcavaran, aquele que chamavam de Chamador de Trovões.

“Bom soco! Meu amigo aqui precisa falar com você.”

[Irritante. Me mande de volta.]

“Ah, vamos! Dê-nos um momento. Ele é um cara divertido, prometo.”

Grantoni trabalhou duro para persuadir Barcavaran.

Aquele pingente que eu dei a ele estava provando seu valor.

Personalidade irritante à parte, Barcavaran era alguém que retribuía suas dívidas.

[Tanto faz. Fale rápido.]

Barcavaran sentou-se de pernas cruzadas no chão, exalando bruscamente.

[O que você quer?]

Eu sorri.

“Você se importaria de explicar como ganhou o apelido de ‘Devastador de Raios’?”

Barcavaran ficou em silêncio.

KRAK-BOOM!

Outro estrondo de trovão rugiu através do Outro Mundo.

Barcavaran estremeceu, seus ombros tremendo enquanto ele se curvava.

As memórias daqueles 108 raios devem ter sido gravadas em sua alma.

“Vamos lá, não precisa desviar da pergunta. Sua esposa claramente ainda está brava — olhe para o tempo.”

[Ahem.]

Barcavaran soltou uma série de tosses.

Como mencionado anteriormente, ele havia profanado a estátua da Deusa dos Raios.

E ele tinha sido atingido por um raio por isso.

Mas não era necessariamente porque a Deusa dos Raios o desprezava.

Para ser preciso,

era ciúme.

‘Um mulherengo lendário.’

Um filantropo louco que, sob o disfarce de um bárbaro, tentava a sorte onde podia.

Depois que este lunático profanou a estátua da Deusa dos Raios,

por razões além da compreensão, a Deusa dos Raios começou a gostar dele.

Por mais absurdo que pareça,

cada um dos 108 raios que ele suportou veio depois que ele tinha estado na cama com alguém.

E todos com parceiros diferentes, nada menos.

“Uau, isso é impressionante!”

Grantoni bateu palmas, rindo alegremente ao aprender isso.

“Mas não foi o 108º raio depois que ele já estava enterrado?”

Grantoni perguntou de repente, como se uma pergunta o tivesse atingido.

[Tradutora - Clara]

[Revisora - Gun]

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Eu não respondi.

Nem Barcavaran.

A única resposta foi o som de um raio atingindo do lado de fora da janela mais uma vez.

['...Você está se intrometendo demais na minha vida pessoal.']

“Vida pessoal ou não, não é difícil de encontrar. Está registrado na história, afinal.”

[‘Deve ter sido um registro extraordinário, então.’]

Bem, extraordinário de muitas maneiras.

“De qualquer forma, vamos direto ao ponto.”

Não era por isso que eu tinha invocado Barcavaran.

Eu tinha algo completamente diferente para discutir.

“O artefato divino que você adquiriu quando profanou a estátua da Deusa dos Raios.”

Um artefato divino—

um item imbuído com o poder direto de um deus.

No entanto, além de algumas exceções, a maioria dos artefatos divinos são considerados amaldiçoados ou perigosos.

Alguns artefatos divinos liberam água do mar sem fim.

Outros derramam perpetuamente doenças.

A maioria dos artefatos divinos são, de fato, calamidades disfarçadas.

Assim, os artefatos divinos, apesar de seu nome, são frequentemente selados.

Entre eles está o artefato de Barcavaran.

“O Chamador de Raios.”

O Chamador de Raios não recebeu o nome do apelido de Barcavaran.

Era o nome real do artefato que ele havia tirado da estátua da Deusa dos Raios.

“Eu gostaria que você me desse.”

E então, eu vim aqui para obter o Chamador de Raios de Barcavaran.

Artefatos divinos permanecem ligados ao seu proprietário, a menos que eles os transmitam voluntariamente ou sua alma se dissipe após a morte.

Sabendo disso, eu tinha invocado Barcavaran diretamente.

[‘...Não há nada de bom que possa vir de possuir o Chamador de Raios.’]

Barcavaran olhou para mim como se eu fosse insano.

O Chamador de Raios literalmente invoca raios.

Quem em sua sã consciência assumiria voluntariamente tal fardo?

Mas eu precisava dele.

Para mim, o Chamador de Raios era uma carta trunfo crucial.

“Tudo tem seus usos.”

[‘Então, você quer ser atingido por um raio? Planejando morrer jovem, eu vejo.’]

“Na verdade, estou tentando evitar morrer, e é por isso que eu preciso dele.”

Eu não estava fazendo isso porque eu queria ser atingido por um raio.

Percebendo que eu estava falando sério, Barcavaran esfregou o queixo pensativamente.

[‘Se eu te der este artefato divino, o que você vai me dar em troca?’]

Mesmo na morte, este cara era ganancioso.

Eu suspirei e peguei um livro que eu tinha trazido.

“Grantoni, você poderia apresentar isso como uma oferta?”

“Claro, é só colocar aqui embaixo.”

Grantoni gesticulou casualmente para o espaço embaixo de sua cadeira.

Eu cuidadosamente coloquei o livro lá.

Momentos depois, o livro apareceu nas mãos de Barcavaran.

Ele abriu, folheando algumas páginas, e seus olhos se arregalaram em surpresa.

“É uma coleção de gravuras.”

Onde quer que as pessoas vivam, tais coisas existem.

Mas na vida após a morte, onde os vivos não residem, eles eram impossíveis de encontrar.

“Eu tenho mais se você quiser.”

Eu levantei a bolsa que eu tinha trazido, mostrando-lhe seu conteúdo.

Um leve choque de estática correu por mim, e de repente, algo estava na minha mão.

Era um pequeno anel feito para um dedo.

Um anel de ouro com um motivo de raio esculpido nele.

O artefato divino — o Chamador de Raios.

[‘O negócio está feito.’]

Barcavaran parecia imensamente satisfeito.

Eu entreguei a ele o resto dos livros de gravura como uma oferta.

‘Inacreditável.’

Trocar alguns livros de gravura por um artefato divino — era absurdo não importa como você olhasse para isso.

Eu coloquei o anel no meu dedo indicador.

A pedra preciosa no Chamador de Raios brilhou brevemente.

[‘Um conselho.’]

Sem olhar para cima de seu livro, Barcavaran falou.

[‘O Chamador de Raios deixa cicatrizes indeléveis no corpo de seu usuário.’]

Ele gesticulou para as cicatrizes de raio cobrindo seu corpo.

[‘Quando essas cicatrizes cobrirem você completamente, seu coração vai parar.’]

Essencialmente, o Chamador de Raios carregava uma maldição.

Usar o poder divino de um deus exigia um pedágio no corpo humano,

inevitavelmente levando à morte.

[‘Eu não sei por que você está tão determinado a usá-lo…’]

Ele juntou os livros e caminhou em direção à janela.

[‘Uma vez que você usa o Chamador de Raios, você está entrando na roda do destino.

E seu coração parar por causa disso se tornará seu destino.’]

“Está tudo bem.”

Com minha resposta calma, Barcavaran me deu um olhar curioso.

“O destino sempre pode ser torcido por uma força maior, não pode?”

Citando Sharin, eu encontrei seu olhar.

Depois de um momento de silêncio, ele falou novamente.

[‘Eu espero que nós não nos encontremos novamente na vida após a morte.’]

Com isso, ele pulou pela janela.

BOOM!

O trovão rugiu mais uma vez do lado de fora.

Enquanto o reino de outro mundo começava a se dissolver, retornando gradualmente ao mundo original,

Grantoni olhou silenciosamente para fora da janela, como se estivesse esperando algo.

Observando suas costas, eu apertei meu aperto no Chamador de Raios.

‘Destino ou não destino.’

Eu não estava em posição de me preocupar com tais coisas com um final ruim pairando sobre mim.

Com isso, eu estava pronto.

‘Batalha em equipe.’

Vamos ver quem é varrido.

[Tradutora - Clara]

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