
Capítulo 36
O Mundo Depois do Final Ruim
[Tradutora - Clara]
[Revisora - Gun]
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Capítulo 36: Lenha
O primeiro pensamento que me ocorreu foi simples: Por quê?
Isabel nunca me perdoaria por culpar Lucas.
Portanto, eu presumi que sua raiva nunca diminuiria.
E ainda assim, de alguma forma, sua raiva estava claramente diminuindo.
‘O que estou perdendo?’
Eu não conseguia entender.
O terceiro ato se concentra em Nikita.
Então, eu me concentrei apenas na situação de Nikita, ignorando Isabel completamente.
“Isabel.”
Nesse caso, eu poderia muito bem...
“Não era você quem declarava orgulhosamente que me derrubaria por condenar seu amigo? Onde foi parar todo aquele fogo agora?”
É melhor ser direto.
Ficar rodeando o assunto não levaria a nenhuma resposta.
Encarei Isabel com um olhar severo.
Seu punho se fechou com força, mas relaxou quase imediatamente.
Cerrei os olhos levemente ao ver isso.
“Sim, é verdade,”
Isabel admitiu, sua voz calma enquanto olhava para sua mão agora aberta.
Uma risada oca escapou de seus lábios.
“Mas então, de repente, comecei a pensar.”
A luz nos olhos de Isabel começou a sumir.
“Comecei a me perguntar se eu sequer tenho o direito de te condenar por manchar o nome de Lucas.”
A raiva pode incendiar uma pessoa com intensidade suficiente para viver uma segunda vida.
Mas, às vezes, um fogo queima tão forte que um único gatilho trivial pode extingui-lo completamente.
“Depois que Lucas morreu, eu não fiz nada.”
Isabel olhou para suas mãos vazias e tremeu lentamente.
Seus lábios cerrados tremeram.
Quando ouviu a notícia da morte de Lucas, ela ficou tão profundamente chocada que deixou tudo para trás.
Nem mesmo sua própria vida foi uma exceção.
Como um girassol privado do sol, ela estava definhando.
“Eu só... eu não conseguia aceitar a realidade. Eu não fiz nada além de sentar lá, sem reação. Não, isso não está certo.”
Os olhos vazios de Isabel se levantaram para encontrar os meus.
“É como você disse antes. Eu ia morrer seguindo Lucas.”
Ela havia perdido a pessoa mais querida do mundo.
A separação para sempre de um amigo com quem ela havia crescido durante toda a vida destruiu sua existência.
Ela parou de comer, beber ou dormir.
Ela repetiu dias de vazio.
“Eu só queria morrer assim.”
Mas, com o passar do tempo, ela percebeu algo.
“Esse tipo de pessoa... Eu…”
Isabel realmente desejava a morte.
“Que direito eu tenho…”
Apegando-se à vida apesar de querer morrer,
ela fingiu falar em nome de Lucas.
Só agora ela entendia que erro havia cometido.
Lucas havia morrido enfrentando os apóstolos para salvar os outros.
Ninguém sabia disso melhor do que Isabel.
Lucas havia morrido para salvar os outros.
Mas Isabel, incapaz de aceitar sua morte, tentou segui-lo para o túmulo.
Era a própria escolha que Lucas mais odiaria e lamentaria.
Isabel quase se tornou o pior tipo de amiga para Lucas — uma amiga que o seguiu até a morte.
Ela enterrou o rosto nas mãos, agarrando a própria cabeça como se quisesse despedaçá-la, e soltou um lamento de angústia.
“Como eu pude...?”
Lágrimas escorriam dos olhos de Isabel, caindo pesadamente no chão.
“Eu tentei fazer isso... com Lucas.”
Incapaz de suportar a dor queimando dentro de seu peito, Isabel caiu de joelhos.
Quem mais havia sofrido era Lucas, quem havia morrido.
No entanto, ela estava prestes a acumular ainda mais dor sobre ele.
A constatação a esmagou.
“Como... eu pude?”
Isabel entrou em uma espiral de autoaversão.
Autoaversão é veneno.
Ela corrói uma pessoa, não deixando nem mesmo um traço para trás.
A raiva havia trazido Isabel de volta à realidade.
Através disso, ela reexaminou o erro que quase havia cometido, percebendo o quão vergonhoso era.
Uma vez que essa percepção se instalou,
não havia volta.
‘Enquanto ela estiver queimando de fúria, ela não vai pensar em morrer.’
Ela deve ter repetido minhas palavras inúmeras vezes.
E através desse processo, ela chegou a entender.
A Isabel que vivia se alimentando de raiva por Lucas…
Até isso era apenas uma desculpa para continuar vivendo.
Percebendo o quão patético era viver alimentada apenas pela raiva, ela começou a desmoronar de novo.
“…Então você está dizendo que mesmo que alguém insulte seu amigo morto, você vai simplesmente sentar e não fazer nada?”
Isabel amava Lucas mais do que ninguém.
Eu perguntei a ela: ela deixaria alguém insultar Lucas e não faria nada, simplesmente por causa de sua autoaversão?
Isabel permaneceu em silêncio.
Vendo isso, pressionei meus lábios em uma linha firme e perguntei novamente.
“Isabel Luna.”
Dei um passo mais perto enquanto chamava seu nome completo.
A Isabel que eu conhecia sempre foi como um sol radiante.
Mesmo que ela queimasse brilhantemente com raiva,
ela nunca foi alguém que deixou a autoaversão transformá-la em um mero brilho de vela.
“É só isso que seus sentimentos por seu amigo representam?”
“Então o quê?!”
Isabel gritou, sua voz rouca.
Seu rosto tinha marcas de suas próprias unhas.
“Então, o que você espera que eu faça?! Eu ia morrer seguindo Lucas!
E então fiquei tão furiosa por ele estar sendo insultado que me agarrei ao treinamento, à luta!
Enquanto isso, eu era quem mais estava insultando Lucas, sem nem mesmo perceber!”
Suas mãos pressionaram com força o chão de pedra da fortaleza.
Tão fortemente que suas unhas racharam, sangue escorrendo.
“E ainda assim, você — que eu pensava que menosprezava Lucas — você estava fazendo exatamente o que Lucas teria querido…”
E, finalmente, entendi por que Isabel havia mudado.
No dia em que acordei na Floresta Cinzenta,
Isabel havia sobreposto Lucas, que se sacrificou para salvar os outros, comigo.
É por isso que ela evitava meu olhar.
Olhar para mim a lembrava de Lucas.
E lembrar de Lucas a fazia confrontar o que ela quase havia feito a ele.
“Eu era apenas uma mulher egoísta, perdida em minha própria raiva por Lucas estar sendo insultado, e entrei no abismo por causa disso…”
Suas emoções haviam se tornado cada vez mais instáveis.
Então, ela se jogou no treinamento como se estivesse fugindo.
Ela tentou desesperadamente aprender esgrima com Ban, como se para superar seus sentimentos de autoaversão.
Mas, como resultado de seu foco implacável, tudo o que ela ouvia ao seu redor era: "Você está namorando Ban?"
Haviam se passado apenas alguns meses desde que Isabel havia experimentado a morte de Lucas.
[Tradutora - Clara]
[Revisora - Gun]
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O pensamento de que ela, alguém que sofria por um amigo querido, parecia feliz o suficiente para estar namorando alguém enviou Isabel para um abismo ainda mais profundo.
E então, ela atacou seus amigos com raiva.
A espada que ela acreditava brandir por Lucas acabou sendo indigna.
Para os outros, aquela espada, destinada a Lucas, parecia que ela a brandia para sua própria felicidade.
Vendo-a assim—
“O que há de tão errado em ser egoísta?”
Eu perguntei a ela que bobagem ela estava falando.
Isabel lentamente levantou a cabeça.
“As pessoas não podem viver suas vidas inteiras para os outros. É natural para qualquer um viver para si mesmo. Isso me inclui.”
É natural para qualquer um priorizar a si mesmo.
“É da natureza humana, e é uma coisa completamente natural de se fazer.”
Meus olhos se encontraram com os de Isabel enquanto ela começava a ouvir atentamente minhas palavras.
E então—
“Isabel, deixe-me te dizer uma coisa. O que você está fazendo agora é apenas fingir ser gentil.”
“…O quê?”
É aqui que eu a atinjo com a verdade.
“Você disse que queria morrer por seu amigo morto. Então, você disse que está deixando seu amigo ser caluniado porque você não sente que tem o direito de defendê-lo. Que tipo de desculpa absurda e idiota é essa? Decida: você está fingindo ser gentil ou escolhendo ser egoísta? Escolha um!”
Dei um passo mais perto de Isabel, a irritação evidente em meu tom.
O sol escaldante estava diretamente acima, lançando uma sombra sobre mim.
Meus olhos vermelhos brilhavam de dentro da sombra.
“Seu amigo está morto. Os mortos não podem falar. Mesmo que você morra, tudo o que você vai se tornar é outro cadáver silencioso ao lado deles. Isso não vai deixar seu amigo triste — porque os mortos não podem sentir tristeza.”
Isabel estava presa nas correntes do fantasma de Lucas.
Se eu ia salvá-la agora,
eu tinha que usar aquele fantasma, Lucas, como alavanca.
“Por outro lado, se você morresse e Lucas ouvisse alguém falando mal de você, você acha que ele ficaria parado e diria a mesma coisa que você está dizendo?”
Os ombros de Isabel se encolheram.
Nós duas sabíamos a resposta para isso.
Absolutamente não.
Se fosse Lucas, ele não teria deixado ninguém manchar a memória de Isabel, não importa o que acontecesse.
“Você disse que não queria mais que seu amigo fosse insultado.”
Eu declarei friamente,
“Mas o que você está fazendo agora não é o pior insulto ao seu amigo?”
Permanecer de braços cruzados enquanto a memória de seu precioso amigo era manchada, dizendo que ela não tinha o direito de defendê-lo—
Isso, mais do que qualquer coisa, era a maior traição a Lucas.
O olhar de Isabel tremeu violentamente.
“Eu ainda acredito que a morte de Lucas manchou a história da Academia Zerion e deu um mau exemplo para seus alunos.”
Eu reacendi a faísca dentro dela repetindo as palavras que a haviam enfurecido antes.
“Isabel, e você?”
Seu rosto manchado de lágrimas mostrava que ela estava mordendo o lábio com força.
Suas mãos, ensanguentadas por seus punhos cerrados, tremiam enquanto ela olhava para mim novamente.
Em seus olhos antes opacos,
uma faísca fraca, mas inconfundível, de determinação começou a brilhar mais uma vez.
“…Não. Lucas deu tudo de si para salvar os outros. Ninguém tem o direito de minar isso.”
Isabel começou a reconstruir sua determinação,
não sobre as bases instáveis de seu passado,
mas sobre uma base firme de determinação em que ela pudesse se apoiar.
“Eu não vou deixar o que aconteceu com seu amigo acontecer de novo. A morte dele é uma mancha na história da Academia Zerion, e deve ser apagada.”
Isabel firmemente rebateu,
“A morte de Lucas foi um sacrifício nobre. Sua vontade, sacrificada pelos outros, é um exemplo que todos deveriam seguir.”
Nossas visões se chocaram.
Em algum momento, Isabel havia se levantado.
No dia em que conheci Isabel, eu havia tomado uma decisão.
Eu não poderia me tornar o sol que Lucas era para Isabel.
Então, pelo menos, eu decidi me tornar sua lua.
Mesmo que o luar fosse confundido com a luz do sol,
eu me certificaria de que o girassol levantasse a cabeça.
“Isabel, eu não acho que vamos concordar. Você é exatamente o tipo de pessoa que eu não suporto.”
“O sentimento é mútuo. Eu também não gosto de você.”
Assim como no dia em que a conheci,
seus olhos me encararam ferozmente.
Por enquanto, isso era o suficiente.
Com o fantasma de Lucas a prendendo,
Isabel viveria, ainda que apenas para defender sua vontade.
“Tudo bem. Vamos ver cuja visão prevalece no final.”
Eu não estava aqui para consolar Isabel ou para ajudá-la a se levantar.
Em sua história,
meu papel era ser a rival e adversária que ela tinha que superar.
Minha parte estava feita.
De baixo da muralha da fortaleza, eu a vi seus amigos correndo em direção a ela.
Entre eles estava Sharin, sua companheira mais próxima.
Eles ouviriam sua história e a apoiariam.
Eu me virei para ir embora.
“…Hanon Irey, deixe-me te perguntar uma coisa.”
Naquele momento, Isabel me chamou pelo meu nome pela primeira vez enquanto eu me afastava.
“…Você já conheceu Lucas antes?”
Talvez algo em nossa conversa tenha despertado suas suspeitas.
Eu olhei para Isabel brevemente, então desviei o olhar.
“Eu não sei. Talvez tenhamos nos cruzado em algum lugar.”
Era melhor deixá-la com perguntas do que negar diretamente e despertar suspeitas.
Com isso, deixei Isabel para trás.
Mesmo depois que eu tinha ido,
ela simplesmente ficou ali, me observando desaparecer abaixo da muralha da fortaleza.
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