
Capítulo 19
O Mundo Depois do Final Ruim
[Tradutor - Night]
[Revisor - Gun]
Capítulo 19: Dez Segundos
Os fragmentos da espada estilhaçada brilhavam em várias cores sob as luzes do auditório.
Eu joguei Arco Borboleta Flamejante inúmeras vezes.
Nele, Ban sempre foi uma figura importante como amigo de Lucas, estando ao lado dele.
Será que eu, alguém assim, poderia realmente não ter conhecimento da existência de Ban?
Claro que não.
Antes da batalha simulada, eu estudei incessantemente.
Embora parte disso fosse para acompanhar o currículo da academia, o foco principal era aprender como enfrentar meus futuros oponentes.
Eu não sou nenhum gênio.
Mas eu conheço os hábitos, comportamentos, traços únicos, pontos fortes e fracos até mesmo dos personagens secundários.
Eu me lembro de tudo claramente.
Arco Borboleta Flamejante era o meu favorito, o que eu mais amava.
Até mesmo os personagens secundários são inesquecíveis para mim.
É por isso que, acima de tudo, eu quero ver o final feliz.
Eu desejo que este jogo que amo tanto sempre termine feliz.
Entre os fragmentos estilhaçados da espada, minha mão avançou.
Tomando a forma de uma espada, minha mão se tornou uma espada graças à minha pele de aço.
Uma bioarma viva.
Eu, a espada, avancei em direção a Ban.
Swish!
A borda da minha mão roçou o pescoço de Ban por pouco.
Que tipo de reflexos esse cara tem?
Mesmo assustado com a quebra de sua espada, Ban reagiu a tempo.
‘Tch.’
Mesmo parecendo assim, eu costumava ser um atleta antes de me machucar.
Mas meus esforços passados significam pouco para aqueles que já transcenderam os limites humanos.
Ainda assim, está tudo bem.
‘Se eu falhar uma vez...’
Eu seguirei com uma segunda tentativa.
‘Ele está vindo.’
Meus olhos encontraram os de Ban.
Ban estava olhando para mim com uma expressão vazia.
Mas em seus olhos, eu podia ver uma chama silenciosa se elevando.
Essa situação sem precedentes onde sua espada se estilhaçou—
Para Ban, era a primeira vez que sua espada era quebrada.
‘Você deve estar fora de si.’
E isso despertou um fogo chamado vontade de vencer.
Ban sempre possuiu as chamas de um desejo por vitória.
Mas por alguma razão, essas chamas haviam se extinguido uma vez antes.
No entanto, houve um momento em que essa chama reacendeu.
Foi quando ele enfrentou Lucas, a faísca ardente de determinação.
Originalmente, esse fogo deveria ter queimado intensamente ao lado de Lucas.
Mas quando Lucas morreu, as chamas de Ban também se apagaram.
E agora,
suas chamas de vitória, antes dormentes,
tinham sido reacendidas pela leve faísca da minha própria.
Ban cerrou a mão.
Apenas um cabo vazio permaneceu em seu aperto.
Mas Ban era um gênio.
Crackle! Crackle!
Faíscas de luz azul irromperam.
O cabelo cinza-claro de Ban se espalhou com a aura.
O ar ao redor vibrou, e um rugido silencioso ecoou em meus ouvidos.
Minha pele de aço formigou.
Cada fibra do meu ser gritava o mesmo aviso:
‘Isso é perigoso.’
Na espada vazia,
mesmo sem uma borda física, uma espada azul de aura se materializou, mostrando os dentes com um rugido selvagem.
Grrr, grrrr-
Dizem que quando alguém encontra um mestre espadachim capaz de brandir aura de espada, os rosnados de uma besta podem ser ouvidos.
Este fenômeno, causado pelo encontro da aura da espada com o ar, permanece inexplicado.
Mas cimenta uma verdade inegável:
O mestre espadachim à sua frente é mais perigoso do que qualquer besta.
A forma da espada formada inteiramente de aura de espada se revelou da espada de Ban.
Os alunos assistindo soltaram suspiros de choque e admiração.
Mesmo aqueles capazes de brandir aura de espada são raros neste mundo.
Mas alcançar o nível de manifestar uma espada puramente de aura—
Essa é uma habilidade digna de ser recrutada pelos ilustres cavaleiros reais do Império Hysirion.
Um gênio.
Ban estava demonstrando exatamente o que isso significava neste exato momento.
A forma da brilhante aura da espada azul brilhava com um brilho quase assustador.
Mas eu sabia disso:
Ban não conseguiria manter a forma de sua aura de espada sem uma espada adequada por muito tempo.
Na melhor das hipóteses, duraria apenas dez segundos.
O olhar de Ban mudou pela primeira vez hoje, inflamando-se com determinação.
Seria sua perda sem uma espada se ele não conseguisse terminar a luta em dez segundos.
E Ban entendia isso melhor do que ninguém.
Ainda assim, se for Ban...
‘Ele definitivamente vai tentar vencer em dez segundos.’
Esse é o tipo de pessoa que esse gênio preguiçoso é.
De repente, Ban desapareceu de na minha frente.
Meu corpo instintivamente se tencionou.
Usar técnicas com minha pele de aço não era mais uma opção.
Se eu fosse atingido, mesmo que uma vez, tudo acabaria.
Os próximos dez segundos.
Eu tinha que evitar tudo.
“Ban!”
O instrutor, percebendo tarde demais que Ban havia feito um movimento perigosamente arriscado, gritou para ele.
Mas Ban, com sua espada de aura pura, não podia ser parado.
Em seu estado de hiperfoco, nada poderia alcançá-lo.
A única coisa preenchendo sua visão era eu.
‘Sim, esse é o tipo de cara que você é.’
Eu olhei para Ban e soltei um sorriso sombrio.
Embora Ban seja um gênio, ele é preguiçoso.
Mas isso não significa que ele não tenha o desejo de vencer.
Se alguma coisa, seu desejo de vencer é excessivo.
É precisamente por causa dessa fome avassaladora por vitória que Ban estragou inúmeras vezes.
Mesmo com sua própria família.
O talento de Ban era incomparável, e seu desejo de vencer era implacável.
Como resultado, seu irmão mais velho, que amava espadas mais do que ninguém, foi completamente derrotado pela espada de Ban.
Depois disso, seu irmão se trancou em seu quarto.
Ele abandonou a espada que uma vez amou e evitou Ban.
Ban ficou arrasado.
Ele ficou enojado com seu próprio desejo de vencer.
Essa fome insaciável por vitória—era insuportável.
Então ele escolheu deixar para lá.
Em sua juventude, Ban decidiu se tornar preguiçoso, desgastado pela amargura de seu próprio talento.
[Tradutor - Night]
[Revisor - Gun]
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Mas agora, pela primeira vez em anos, seu desejo de vencer havia reacendido, provocado por Lucas.
O desejo que ele havia mantido enterrado no fundo.
Esse desejo engoliu Ban em um instante.
‘O primeiro ataque será direcionado à cabeça.’
Eu estava bem familiarizado com os hábitos de Ban.
E esses hábitos não haviam mudado.
Quando a espada, inicialmente mirando na minha cintura, mudou abruptamente para mirar na minha cabeça,
Eu me inclinei para trás bruscamente, comprometendo minha postura no processo.
A aura da espada errou meu nariz por pouco, cortando a ponte dele.
Sangue espirrou, mas não foi um ferimento fatal.
Um segundo.
A espada agora mais leve, desimpedida por uma lâmina de espada, redirecionou-se flexivelmente e afundou no meu ombro.
Um pedaço de carne perto da minha axila foi arrancado, mas também não foi um ferimento crítico.
Dois segundos.
A espada, tendo se retorcido, moveu-se para atacar baixo.
Simultaneamente, eu joguei um fragmento de uma espada quebrada que eu estava segurando secretamente.
Ban desviou do fragmento voando direto para o rosto dele.
Aquele momento de esquiva me deu tempo suficiente para rolar para fora do alcance dele.
Três segundos.
Rolando no chão, eu chutei um escudo meio quebrado.
A espada de Ban cortou para baixo, dividindo o escudo em mais duas peças.
Quatro segundos.
Enquanto eu tentava me levantar, a espada implacável de Ban me perseguiu, rasgando o chão da arena.
Minha mão, que estava enfiada em uma junta no piso, virou uma telha para cima.
A espada de Ban cortou a telha.
Cinco segundos.
Entre as rachaduras da telha quebrada, sua espada disparou em minha direção.
Eu tropecei—meu corpo vacilou devido aos ferimentos repetidos e à tensão na minha postura instável.
Eu percebi.
Com meu estado atual, eu não conseguia mais desviar dos golpes de Ban.
Vitória e derrota.
Esses dois resultados colidiram no mesmo momento.
Nossos olhos se encontraram.
Ban notou o leve sorriso se espalhando pelo meu rosto.
O fato de eu estar sorrindo nesta situação terrível o assustou.
Ban tinha se esforçado ao máximo por dez segundos.
Mas esse foi o erro dele.
Essa luta não estava destinada a durar tanto tempo.
Cinco segundos.
Esse era o período de tempo que eu havia calculado para minha vitória.
Boom!
Uma intrusão repentina quebrou o fluxo da batalha.
Alguém agarrou Ban e o jogou no chão.
O choque interrompeu o controle de Ban sobre sua aura de espada, e o cabo da espada dele rolou pelo chão.
As mãos de Ban, brilhando em branco incandescente devido ao uso excessivo de sua aura de espada, tremiam.
Quando Ban levantou a cabeça atordoado, ele a viu.
Professora Vega, a instrutora de artes marciais do segundo ano.
Ela olhou para Ban com uma expressão ligeiramente exasperada.
“O quê, você estava planejando matar seu colega de classe com suas próprias mãos? Ban.”
Com a pergunta dela, Ban congelou.
Seu olhar mudou lentamente em minha direção.
Seus olhos examinaram meu estado maltratado.
Seu golpe final.
Aquele golpe claramente tinha como alvo minha vida.
Ban percebeu que seu desejo avassalador por vitória o havia consumido mais uma vez.
“Ah.”
Um suspiro escapou de seus lábios, cheio de auto-reprovação.
Esta foi a primeira vez em muito tempo—desde Lucas—que seu espírito competitivo havia queimado tão intensamente.
Lucas tinha sido um rival digno, alguém forte o suficiente para desafiar Ban livremente para revanches.
Foi por causa de Lucas que Ban conseguiu testar sua determinação repetidas vezes.
Mas eu não era Lucas.
Lucas era o protagonista.
Eu era um vilão de terceira categoria, há muito removido da narrativa.
Eu nunca poderia estar em pé de igualdade com Ban na batalha como Lucas havia estado.
“…Sinto muito.”
Quando Ban se desculpou, Vega o deixou ir sem mais repreensões.
Ela então voltou sua atenção para mim, caído no chão.
“Hannon, este é seu aviso também.”
Claro, era a Professora Vega.
Ela tinha notado desde o início que eu havia previsto a intervenção dela.
“E Ban.”
Vega chamou Ban, que estava se levantando com uma cara carrancuda.
“Olhe atentamente para aquele cara. Mesmo que a batalha simulada tivesse continuado, sua vitória não estava garantida.”
Ban levantou lentamente a cabeça.
“O problema é que você não percebeu que seu oponente havia escondido seu movimento final até o fim. Essa é sua derrota.”
Os olhos de Ban se arregalaram em compreensão.
Ele viu o leve brilho emanando do meu braço, diminuindo lentamente.
Intervenção de Vega.
E o próximo movimento que eu havia preparado caso ela não tivesse intervindo.
Uma gravação mágica.
Ban finalmente entendeu que eu havia considerado ambos os resultados desde o início.
Eu ainda tinha um movimento final e oculto na manga.
Se a luta tivesse continuado,
quem sabe qual resultado aguardava Ban, dada sua incapacidade de perceber isso.
“Não seja arrogante. Eu reconheço sua habilidade com a espada, mas não subestime os pontos fortes daqueles ao seu redor.”
O conselho de Vega atingiu profundamente, deixando Ban atordoado.
“Ha, haha.”
Finalmente, Ban soltou uma risada oca.
Ele olhou para mim brevemente antes de abaixar a cabeça.
“Eu perdi.”
Com as próximas palavras de Ban, eu bufei.
“Afirmando o óbvio, hein?”
Quem ele pensava que tinha vencido?
Ban riu incrédulo.
Observando-o, meu corpo começou a balançar.
Não demorou muito para eu entender o porquê.
Eu tinha sangrado muito enquanto me movia.
O alívio do fim da batalha e o cansaço que se seguiu.
Até mesmo as endorfinas alimentadas pela adrenalina haviam desaparecido.
O resultado ficou claro desde o início.
‘Estou indo para você, cama.’
Através da minha consciência enfraquecendo, eu avistei Isabel me encarando de longe.
Isabel, que estava esperando ansiosamente por uma luta comigo.
Desculpe, Isabel.
Da próxima vez, talvez.
Mais uma vez, eu dei a Isabel um motivo para ficar frustrada.
Thud.
[Tradutor - Night]
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