
Capítulo 16
Terramar: O Mar Encoberto
— O que você disse?!... Você já foi naquela ilha de Nível de Perigo 4?!— A voz do homem encorpado tremeu de surpresa, e sua expressão era de对 ver.
Os outros capitães ficaram igualmente surpresos. Poucos momentos atrás, eles o tinham alertado contra ir à ilha e ter um destino fatal, e agora ele afirmava já tê-la explorado?
— Por que a ilha só está marcada com o nível de perigo e não há valor de recompensa?— perguntou Charles.
— Não mude de assunto! Quando você foi naquela ilha? O que tem lá?— questionou o outro.
Charles recostou-se levemente, com as sobrancelhas franzidas. Ele quase evitou a saliva que espirrava do homem fofinho.— O Pacto Fhtagn pediu para eu recuperar alguma coisa daquela ilha. Qual o problema? Não é assim que todos exploram uma ilha?
Até Elizabeth, que até então havia se mantido composta, demonstrou sinais de inquietação. Uma leve cor avermelhada tingiu sua face clara.
— Charles, como novato, talvez você não conheça bem as etapas para explorar uma ilha. As tarefas dos exploradores se dividem em várias fases. Primeiro, é preciso explorar a rota marítima; depois, avaliar o grau de perigo dos nativos; e, por fim, conquistar a ilha. Na Associação, as recompensas variam conforme a etapa.
— E, como novato, você já completou várias etapas anteriores. Agora, só falta a etapa final: a conquista da ilha! Toda ela será sua! Você será o próximo sortudo, o próximo governador de destaque!—
Então é assim que funciona. Não é de se espantar que não haja recompensa listada nas ilhas no mapa marítimo.— Charles anotou silenciosamente em sua mente as etapas complexas de explorar uma ilha.
— Chega de papo. Newco... Charles, tem recursos naquela ilha? É perigoso?—
Depois de refletir por alguns segundos, Charles concluiu que a ilha não tinha valor significativo e passou a compartilhar as informações sobre ela com os outros.
Ao ouvirem que a ilha não tinha comida nem água doce, e que abrigava criaturas capazes de manipular memórias humanas, um sentimento de decepção apareceu no rosto de todos.
— Infelizmente, outra ilha morta. Eu esperava presenciar a história e ver com meus próprios olhos a ascensão do homem mais rápido até hoje a se tornar governador— lamentou um capitão.
— Se aquela ilha tivesse um pouco de recursos, poderíamos montar uma frota de conquista para o próximo passo— concordou outro.
Enquanto os demais discutiam sobre o assunto, Charles apontou para a ilha de Nível 5, na parte mais ao norte do mapa. Disse à funcionária ao seu lado:— Meu navio partirá em meia semana, preciso explorar aquela ilha.
Elizabeth abriu a boca, parecendo querer dar algum conselho, mas acabou permanecendo em silêncio. A força daquele sujeito diante dela era realmente insondável. Não era um novato comum.
Quando a equipe terminou de registrar a missão, Charles passou a varrer a sala dos capitães, que já haviam caído em silêncio.— Com licença, alguém conhece algum canal para adquirir armas?—
A expedição anterior tinha ensinado uma lição a Charles. Ele precisava melhorar as capacidades de combate de toda a tripulação; confiar somente num revólver não era suficiente.
— Se for armas comuns, é só pedir, — apontou o homem musculoso para o pessoal atrás do balcão. — A Associação também facilita o comércio de armas. Se o preço estiver bom, eles conseguem qualquer coisa para você.
A equipe atenciosa acrescentou:— Espere um momento. Vou trazer a lista de inventário de armas.
Charles de repente pensou que os fundadores da Associação eram verdadeiros gênios dos negócios. As palavras deles sobre trabalhar pelo bem da humanidade eram fachada; a verdadeira verdade estava nos lucros explosivos do comércio de armas lucrativo.
Em pouco tempo, várias brochuras de apresentação foram colocadas diante de Charles. Os preços das balas também estavam indicados abaixo de cada modelo de arma de fogo. O nível tecnológico do Mar Subterrâneo era um pouco defasado. A maioria das armas era de relíquias da Primeira Guerra Mundial. Charles não tinha certeza se armas mais avançadas não estavam disponíveis ou se simplesmente não estavam listadas.
— Charles, essas coisas parecem boas, mas não são muito úteis. Além disso, muitas coisas nas ilhas não podem ser derrubadas com balas— falou o homem musculoso, trazendo Charles de volta a um estado de calma. As palavras dele estavam certas. Diante das diversas anomalias das ilhas, a violência direta tinha eficácia limitada.
Charles não acreditava que trocar seu revólver por outras armas faria uma diferença fundamental ao enfrentar a ilha com a estátua dourada. Armas de fogo não podiam impedir a manipulação de memórias.
— Então, o que vocês usam?— perguntou Charles.
— Vidas humanas— surgiu uma voz rouca ao lado, baixando o entusiasmo da conversa.
O orador era um homem de meia-idade, de pele escura e nariz curvo. Inclinado para frente, fixou seus olhos cinzentos em Charles.
— Sei o que quer perguntar. Você esperava que os exploradores experientes tivessem alguma técnica secreta de exploração, né? Cada um de nós possui habilidades diferentes— disse, levantando uma mão, enquanto uma chama azul tremulava na palma dela.
— Mas mesmo que tenhamos relíquias com poderes peculiares, a taxa de mortalidade entre os exploradores continua alarmantemente alta. Por trás de cada governador bem-sucedido, há milhares de mortes. Você teve sorte na última vez por sair ileso. Mas não me culpe por falar a verdade. A realidade é cruel—
Ao ouvir suas palavras, Charles acabou se sentindo um pouco mais confiante. O Mar Subterrâneo nunca poupou humanos.
Ele se dirigiu aos outros capitães, dizendo:— Todos, podemos conversar outro dia. Preciso preparar os suprimentos para a próxima expedição.
No instante em que Charles saiu, o homem musculoso manifestou sua dúvida:— O que vocês acham que ele vai fazer no norte? Ele realmente vai procurar a Terra da Luz?
Ninguém respondeu. O silêncio tomou conta da sala.
Nos próximos quinze dias, Charles não ficou parado. Além de reunir provisões, dedicou-se ao treinamento físico e ao aprimoramento do seu tiro ao alvo.
O Mar Subterrâneo era implacável, mas ele não abandonaria suas convicções.
Os dias na terra passaram rapidamente, e, antes que percebesse, meia semana havia se passado.
A nave de exploração novinha e elegante repousava silenciosamente no cais. Seu casco aerodinâmico, canhões pretos reluzindo sob a luz oposta, e estrutura robusta encantaram Charles assim que seus olhos pousaram nela.
— Ela é realmente linda, não acha?— disse Charles, com entusiasmo e expectativa na voz.
— Capitão, qual o nome dela? Por favor, não me diga que ainda é S.S. Mouse— perguntou Dipp, acompanhado de quatro marinheiros atrás dele.
Olharando para o enorme canhão de aço de 125mm, Charles pensou por um momento e respondeu:— Narwhale. Vamos chamá-la de Narwhale!
Com o nome do novo navio decidido, Charles virou-se para encarar os rostos desconhecidos. A Narwhale não era como S.S. Mouse, um cargueiro onde não fazia diferença o número de tripulantes a bordo. Como navio de exploração, precisava de uma tripulação completa, e nenhuma vaga sobrava.
Era composta por 13 membros: um contra-mestre, quatro marinheiros, um primeiro oficial, um segundo oficial, um engenheiro-chefe, um segundo engenheiro, um terceiro engenheiro, um cozinheiro, um assistente de cozinha e um capitão.
A turma tinha idades, alturas e origens variadas, mas todos eram homens. Alguns eram nativos, com a característica distintiva de orelhas deformadas.
Enquanto Charles os observava, os tripulantes também olhavam para ele com curiosidade nos olhos.
Estar num navio era diferente de estar na terra. No mar, toda a embarcação se tornava um ambiente fechado, e o capitão era rei a bordo. Ele tinha nas mãos o destino de todos. Se fosse um capitão de confiança duvidosa, poderia trazer a perdição de toda a tripulação.
Quando viram a expressão de Charles, sua preocupação diminuiu um pouco. Embora esse capitão de olhos negros fosse jovem, muitos o reconheciam como experiente.
— Acho que todos sabem por que estamos aqui, não vou enganar ninguém. A taxa de mortalidade de navios de exploração é de uma em cinco. Se alguém quiser desistir, ainda há chance—
Ninguém se mexeu. Nenhum ali era iniciante. Sabiam dos riscos da expedição e também dos benefícios potenciais de explorar uma ilha nova com sucesso.
Se o capitão se tornasse governador de uma ilha nova, até tripulantes humildes como eles poderiam alcançar altos voos. Ir para o mar era um risco à vida, então por que não arriscar mais?