
Capítulo 15
Terramar: O Mar Encoberto
"Obrigado, visitarei quando tiver um tempo", respondeu Charles. No entanto, assim que terminou de falar, sua expressão se fechou. Não tinha relação com Elizabeth, mas sim, as alucinações auditivas em seus ouvidos começaram a apitar novamente.
A face de Charles contorceu-se enquanto ele começava a bater a testa com o pulso. Cada golpe parecia mais pesado que o anterior.
Elizabeth percebeu imediatamente o sofrimento de Charles e seus olhos se arregalaram de surpresa. "Meu querido Adônis, quanto tempo faz que você não descansa?"
Ela colocou a mão no peito e puxou uma substância gelatinosa verde, entregando-a a ele. "Coma isso rápido; pode aliviar."
Charles hesitou por um momento, olhando nos olhos dela. Por fim, aceitou a oferta e engoliu tudo de uma só vez.
Uma sensação fresca deslizou pela garganta dele, e embora os sussurros em seus ouvidos permanecessem, a irritação começou a dissipar-se.
"Obrigado, o que é isso?" Charles olhou para Elizabeth com uma expressão muito mais amigável.
Elizabeth soltou uma risada breve. "De nada. Não sei exatamente o que é, mas sei que pode aliviar os sussurros do deus Fhtagn. Se precisar de mais, pode pegar alguns na Ilha Redwood. Só não consuma demais, você pode ficar viciado."
[1] - Nome de um deus fictício em obras de horror.
Redwood Island... — Charles anotou silenciosamente o novo local em sua mente.
O homem musculoso e forte de antes apareceu atrás deles de surpresa. Ele bateu no ombro direito de Charles e disse: "Recém-chegado, se os sussurros do deus Fhtagn já estão te afetando tanto, é melhor descansar bastante."Grande parte da guarda de Charles agora havia desaparecido. Ainda que não soubesse exatamente por que, ele percebia uma boa vontade vindo dessas pessoas. Fazia tempo que não sentia uma gentileza tão óbvia.Elizabeth lançou um olhar para o funcionário, que ainda estava ocupado com a maquinaria. Depois, puxou Charles e os levou até um sofá próximo. "Venha comigo; vou te contar umas coisas que a maioria das pessoas não sabe."
Charles foi quase hesitante em recusar, mas o homem corpulento colocou o braço ao redor de seu ombro e o guiou para frente.
"Não tenha vergonha. Como diz o ditado, se quiser sobreviver no mar, precisa fazer mais amigos," o homem gargalhou.
Antes que Charles pudesse reagir, ele se viu sendo encostado no sofá. Estava cercado por sete ou oito capitães de aparência excêntrica, que o observavam atentamente. Seus olhares expressavam curiosidade e ceticismo, mas sem hostilidade.
Elizabeth se jogou ao lado de Charles e se inclinou para ele, suas curvas sensuais pressionando contra seu braço.
"Você acha que somos muito amigáveis? Hehe, o mar já é escuro o suficiente. Quando estamos em terra, devemos ser mais gentis," Elizabeth falou com um sorriso.
"É surpreendente. Não é bem o que eu pesquisei no museu," comentou Charles de modo descontraído.
Ao ouvir isso, um homem rechonchudo abriu bem os olhos e atirou: "O que aqueles livros dizem sobre nós? Piratas legais? Loucos que só se preocupam com dinheiro e não com a vida? Quem fala assim deve ser jogado no mar para alimentar os peixes!! Se eu for governador no futuro, quem falar essas coisas terá a língua arrancada!!"
Elizabeth lançou um olhar ardente para o homem rechonchudo e depois virou-se para Charles com um sorriso, dizendo: "Este é o local de encontro dos Exploradores do Arquipélago de Coral. A partir de agora, você pode participar da troca de informações aqui."
Charles entendeu. Era o lugar de reunião dos capitães de navios de exploração.
"Que tipo de informações são trocadas aqui? Inteligência sobre ilhas?" perguntou Charles.
"Todo tipo de informação. Ilhas, rotas, relíquias—qualquer dado útil pode ser compartilhado. Você pode encontrar algo que não consegue resolver, mas outros podem ter a solução. Se tiver dúvidas, pode perguntar à vontade. Daremos uma resposta."
Seus dizeres marcaram o momento; Charles tinha uma questão ardendo na cabeça.
Após refletir por alguns segundos, perguntou: "Algum de vocês tem pistas sobre a Terra da Luz ao Norte?"
O peso da pergunta de Charles excedeu suas expectativas. O som de cadeiras arrastando-se no chão ecoou pela sala enquanto todos, instintivamente, se afastavam dele, como se ele carregasse uma peste contagiosa. Até Elizabeth, que estava se grudando nele, rapidamente recuou para o outro lado do sofá. Sua expressão contraída de preocupação. "Você não é seguidor do culto daquele deus sol, é?" ela perguntou.
Soltando uma risada nervosa, Charles respondeu: "Não. Não acredito em deidades."
Elizabeth suspirou aliviada, batendo na própria barriga volumosa. "Que bom. Você não me parece um lunático desses."
O clima de tensão desapareceu imediatamente, e conversas começaram a surgir de todos os cantos da sala.
"Você me assustou. Não quero nada com esses loucos. Por que você está perguntando sobre a Terra da Luz?"
"Se estiver falando daquela música folclórica lendária, já ouvi algo assim. Algo como 'Aninhe-se na ilha do norte~ Uma escada para a luz, brilhando~ Brilho eterno e...' alguma coisa. Hmm, desculpe, esqueci o restante da letra."
"Isso é coisa de lenda. Como poderíamos saber disso se não somos deuses."
"Senhor Recém-chegado, você certamente tem um bom senso de humor."
Uma ponta de decepção cruzou o rosto de Charles. Esperava que esses Exploradores experientes tivessem algumas pistas, mas parecia que os habitantes humanos deste mar subterrâneo estavam separados de sua verdadeira terra natal há muito tempo. Seus próprios começos familiares tinham se transformado em lendas distantes.
Enquanto todos continuavam suas conversas, uma mulher atrás do balcão se aproximou com uma pilha de livros nas mãos.
Com um sorriso, ela disse: "Senhor Charles, agora você é um Explorador qualificado. Por favor, mantenha este certificado como prova. Agora, deixe-me explicar os detalhes da sua missão."
Ela abriu os livros que carregava. Destacavam páginas repletas de textos densos e mapas marítimos intricados.
"Para qualquer tarefa de exploração que você realizar, a Associação irá reembolsá-lo por provisões, combustível e outros suprimentos necessários. As recompensas variam de acordo com o nível de perigo de cada região inexplorada."
Charles aceitou os mapas marítimos e os examinou cuidadosamente. Nas bordas das áreas exploradas, as regiões inexploradas eram divididas em várias seções menores, marcadas com linhas brancas, parecendo fatias de bolo. Cada seção tinha uma recompensa correspondente.
Para surpresa de Charles, vi várias ilhas espalhadas nos mares inexplorados também marcadas, incluindo a ilha com a estátua dourada que ele visitara anteriormente.
Uma mão justa e delicada apontou para o mar, enquanto a voz sedutora e magnética de Elizabeth ressoava em seu ouvido: "Charles, como novato, aconselho que passe alguns anos explorando os mares. Conheça bem o ambiente antes de se arriscar nas ilhas."
Embora seu conselho tivesse alguma verdade, Charles tinha uma perspectiva diferente. Ele apontou para aquela ilha da estátua dourada e perguntou: "O que significa esse número?"
A ilha estava marcada com um número vermelho vibrante: '4'.
O homem rechonchudo ao seu lado acrescentou: "Esse é o nível de perigo. Ilhas recém-descobertas começam com nível 0, mas cada vez que um explorador não volta, esse nível sobe 1. Para uma ilha de nível 4, como essa, o melhor é um novato ficar longe. Passe uns dois anos explorando o mar primeiro."
Elizabeth olhou para ele e sussurrou no ouvido de Charles: "Ignore-o. Acho que você tem grande potencial. Dá para explorar essa ilha em, no máximo, um ano."
"Já estive nesta ilha," comentou Charles de modo despreocupado. A sala silenciou, e todos olharam boquiabertos para o jovem de pé diante deles.