Poder das Runas

Capítulo 13

Poder das Runas

O mundo ao redor de Ash contorcia-se, sua visão embaçava enquanto o próprio espaço parecia se estender e se dobrar.

Essa teletransporte foi diferente—mais lento, mais pesado. Não era apenas uma pulo de curta distância. Estavam sendo deslocados por uma grande distância.

Do coração de um continente… para uma ilha deserta.

No instante em que as cores retornaram ao seu entorno, Ash abriu os olhos.

Uma densa floresta se erguia ao seu redor, com árvores altíssimas balançando suavemente sob uma brisa invisível. O cheiro de terra úmida preenchia o ar, e o zumbido ritmado de insetos ecoava à distância, criando uma quietude quase assustadora.

Seu estômago deu uma reviravolta leve.

'Ainda não me acostumei a essa maldita doença de teletransporte…'

Uma expressão de irritação se insinuou no rosto dele enquanto pressionava uma mão contra uma árvore para se equilibrar.

Com cuidado treinado, ele percorreu com o olhar ao redor, procurando qualquer perigo imediato.

Nada.

Sem figuras escondidas por perto.

Sem sinais de hostilidade.

Somente a imensidão não interrompida de árvores que se estendia até o infinito em todas as direções.

Apenas então, ele soltou um suspiro silencioso e sentou-se.

Nesse momento, percebeu,

'Minha mochila… ela desapareceu.'

Ele tinha preparado tudo—comida, água, e suprimentos para sobreviver nas próximas 24 horas. Mas agora—

"Sumiu… Quando foi que eles a pegaram?" murmurou.

Por mais que tentasse, não conseguia se lembrar de um momento em que alguém lhe pedira para depositar seus pertences.

Ele expirou lentamente, tentando suprimir a irritação que lhe roía.

'Não importa. Ficar parado não vai adiantar nada.'

Quanto mais tempo permanecesse parado, maior a chance de alguém encontrá-lo. E, em um teste como esse, cada encontro poderia ser uma ameaça.

Justo quando tentou se levantar, uma voz estalou pelo comunicador preso no seu peito.

"Alô~ Estou ouvindo bem? Bem, não que vocês possam responder, né?~"

Uma risadinha leve, brincalhona—mas carregando uma ponta de diversão que soava um pouco demais focada.

Ash não reagiu externamente, mas seus olhos se estreitaram um pouco.

"Olha aqui, deixa eu te falar uma coisa. Aquele pessoal que tentou entrar com suprimentos extras? Todo o seu 'preparo' foi confiscado. Se passarem na prova, devolvemos."

"E por que... Bem, não queremos que ninguém tenha vantagem injusta, certo?~"

A voz de Elva praticamente escorria diversão, como uma gata brincando com sua presa.

"Ah, e antes que eu esqueça—há alguns artefatos escondidos pela ilha. Se encontrar um, fica com ele. Mas cuidado… também podem te roubar."

Um momento de silêncio.

"Boa sorte!!!~"

E, de repente, sua voz desapareceu.

Ash passou a mão pelo rosto, inspirando profundamente.

"Haaah… O romance nunca mencionou que não se podia levar os pertences."

A irritação foi momentânea, mas a compreensão que veio depois não.

'As coisas já estão mudando.'

Era só uma pequena diferença—pequenas alterações no diálogo ou nas interações dos personagens.

O futuro que ele conhecia não estava escrito em pedra.

'No momento em que transmigre, os acontecimentos do romance deixam de seguir um roteiro.'

Uma sensação de inquietação encheu seu peito, mas ele a empurrou para fora.

Se fosse por si, isso só reforçava o que ele já sabia—não podia se dar ao luxo de depender do que era 'esperado' que acontecesse.

Adaptação era o único caminho.

Mesmo assim, a perda de seus suprimentos foi um golpe. Mesmo que colocasse todos na mesma situação inicial, sobreviver não era apenas questão de justiça—era questão de estratégia.

Sua mirada se fixou no horizonte, onde a silhueta de uma montanha se erguia ao longe, seu pico altas demais acima da densa floresta.

'Aquela montanha…'

Um sorriso lento surgiu em seu rosto.

'Se minha memória não falha, é lá que o Ray encontrou aquela runa.'

Quase risível. Uma runa antiga—algo poderoso o suficiente para mudar o curso do destino de uma pessoa—escondida em uma ilha destinada a um exame.

Mas o que importava? Ninguém acreditaria nisso.

Mesmo que alguém encontrasse, provavelmente descartariam como um simples artefato, pensou.

Nem todas as runas podiam ser fundidas imediatamente. Algumas exigiam condições ocultas—gatilhos enterrados sob camadas de segredo.

Para quem não sabe, elas eram inúteis.

'Ray tinha a runa em mãos desde o começo… mas não conseguiu fundi-la.'

Demorou demais para descobrir seu segredo—tempo suficiente para a trama se torcer em sua volta, tempo suficiente para ele sofrer.

Porque ele nunca soube como.

O sorriso de Ash se aprofundou.

"Mas eu sei."

Sem olhar para trás, começou a caminhar—com passos calmos, deliberados. Como se toda a ilha pertenceu a ele.

***

Sala de Controle,

A sala de controle vibrava com uma eficiência silenciosa, seus enormes monitores holográficos exibindo centenas de transmissões ao vivo da ilha abaixo.

Cada movimento dos estudantes, cada batalha, cada momento de hesitação—tudo se desenrolava diante de Elva como uma grande apresentação.

Ela estava confortável na sua cadeira, com as pernas cruzadas, girando preguiçosamente um fio de cabelo violeta ao redor do dedo enquanto tomava chá.

O aroma quente preenchia o ar, mas seu verdadeiro prazer era o caos que se desenrolava na tela.

Um dos fiscais ajustou os óculos. "Vice-diretora, os estudantes estão se espalhando. Conflitos iniciais estão surgindo nas Zonas 3, 7 e 12. Devemos—"

"Sem necessidade." Elva acenou com a mão, seu olhar passando pelas telas várias.

"Essa é a parte divertida. Vamos ver quem se afoga e quem nada."

Um sorriso malicioso se formou nos lábios dela ao focar nos monitores principais, onde os principais concorrentes faziam seus movimentos.

Em uma tela, uma jovem com cabelo vermelho se movia pela selva densa, seus olhos vermelhos afiados e fixos.

Melissia Ravencroft.

Filha do Santo Lucan Ravencroft—caçadora classificada como SSS. Uma garota nascida no poder, criada com ele, e totalmente indiferente ao desafio diante dela.

Diferente dos demais que hesitaram na terra desconhecida, Melissia movia-se com a graça de uma predadora, cada passo confiante.

Um grupo de estudantes—três meninos armados com dardos padrão—tomaram a decisão tola de segui-la, achando que era alvo fácil por causa do seu tamanho pequeno.

Elva riu. Ah, coitados.

Melissa nem sequer desacelerou. Fogo ardia ao redor de suas pontas dos dedos, tremulando com uma força contida.

Então, sem um movimento desperdiçado, ela mexeu o pulso.

Uma bola de fogo cortou o ar.

Um instante depois, seus perseguidores caíram, trêmulos no chão, fumaça saindo de seus corpos.

Ela nem olhou para trás.

'Haha. Tão parecida com o pai dela.'

A atenção de Elva se voltou.

Em outra tela, um menino alto e magro manejava uma espada brilhante, seus golpes precisos e calculados.

Ray Dawson.

O menino que tinha perdido tudo para os demônios. O menino que, com o tempo, se tornaria uma força que ninguém poderia ignorar.

Mas, neste momento, ele ainda estava subindo.

Ainda aprimorando suas habilidades.

Sua espada cortava o ar em arcos fluídos e decisivos enquanto defletia um ataque de uma besta. Sua expressão era concentrada, firme, enquanto enfrentava múltiplas bestas ao mesmo tempo, seus movimentos refinados, embora ainda não perfeitos.

Ele está evoluindo.

Ao contrário de Melissia, que dominava por meio de força esmagadora, a força de Ray vinha de seu Talento de Espada Incomparável.

Ele tinha potencial para trilhando seu caminho até o topo—mas ainda não tinha chegado lá.

Não ainda.

Elva inclinou-se um pouco à frente, observando enquanto ele também caminhava em direção às montanhas.

O que significava—

Seus olhos piscavam para outra tela, onde ele apareceu.

Ash Burn.

Ao contrário de Ray, cuja jornada era marcada pela luta árdua, ou Melissia, que nasceu para sua força, Ash avançava com uma serenidade silenciosa.

Ele não estava se esforçando para garantir Bandeiras.

Ele até evitava Bestas e Crianças de Outros, indo direto para a montanha.

Interessante…

Será que ele descobriu algo? Ou foi pura sorte?

Seja como for, suas ações o distinguiam dos demais.

E Elva se pegou intrigada.

Seus dedos batiam lentamente contra o apoio da cadeira, num ritmo pensativo.

"Vice-diretora?" perguntou um dos fiscais hesitante.

Ela sorriu, seus olhos violetas brilhando.

"Nada. Só estou gostando do espetáculo."

Seu olhar voltou para Ash e Ray—ambos inconscientemente caminhando em direção ao mesmo destino.

Dois jogadores no tabuleiro.

Dois caminhos destinados a colidir.

E Elva mal podia esperar para ver o que aconteceria a seguir.

E como se o mundo tivesse decidido entretê-la, uma besta apareceu na frente de Ash.

"Vamos ver no que dá agora." ela falou, sorrindo maliciosamente.

***

De volta à floresta…

A besta avançou.

Um borrão de pelos e garras, seus instintos predatórios prontos para atacar.

Ash não se moveu.

Ainda não.

Ele permaneceu imóvel, olhos fixos na investida, músculos tensos, mas relaxados—esperando.

Observou, com olhos afiados, o arco do ataque. Sua mente registrou a distância, a velocidade, o momento do impacto—

Então, ele se abaixou.

Seus instintos, aguçados por anos de jogos e simulações de batalha, guiaram seu corpo antes mesmo do pensamento acontecer.

Uma esfera chispeante de relâmpagos violetas explodiu em sua palma.

Com um golpe rápido, ele a empurrou contra o estômago da fera.

BUM!

O ser semelhante a um lobo uivou ao impacto, escorregando para trás, suas garras arranhando a terra numa tentativa desesperada de se equilibrar. Sangue escorria do ponto de contato, o pelo queimado encolhendo-se com o calor do ataque.

Ash não parou.

Ele avançou, cobrindo rapidamente a distância com um passo calculado. Seus dedos tremiam—mais um relâmpago voou na direção da fera ferida.

O primeiro relâmpago atingiu seu ombro.

O segundo, sua pata.

Na terceira, mal tinha forças para rosnar.

Um arco final de relâmpagos rasgou o ar, atingindo o peito da besta. Seu corpo se contorceu uma última vez—depois caiu, imóvel.

Ash permaneceu ali por um momento, sentindo a campainha de eletricidade zumbindo sob a pele.

Depois, soltou o ar lentamente.

'Tsk. É desconfortável.'

Lutar assim—segurar-se.

Se tivesse usado magia como queria de verdade, a luta não teria durado mais que alguns segundos. Canalizar sua mana nos músculos, mover-se com a precisão e força bruta de um guerreiro—isso era o que parecia natural.

Mas um mago não podia fazer isso.

E, neste momento, ele teria que ser um mago.

'Tudo bem. Treinei para isso.'

Viajando com Melissia, ele não apenas aprimorou sua mana. Empurrou seu corpo diariamente, condicionando sua resistência, fortalecendo seu físico.

Os resultados eram claros.

**

Força- 6 —> 8

Agilidade- 8 —> 10

Vitalidade- 4

Inteligência- 14

Resistência- 10 —> 12

Charme- 6

Mana- 50

**

Ash deu um shrug, sacudindo a carga de eletricidade residual de seu corpo.

A luta foi rápida—dulcíssima para alguém que estivesse assistindo perceber o que ele realmente era.

E, em algum lugar bem longe, numa sala de controle pouco iluminada, dois olhos violeta brilhavam com interesse.

Elva se inclinou para frente, um sorriso lento se formando nos lábios.

"Ora, ora…" ela murmurou, a voz cheia de diversão. "Essa foi uma apresentação e tanto."

Com um movimento de dedos, ela ampliou a transmissão ao vivo de Ash no monitor principal.

Havia muitos competidores fortes nesse teste—a eficiência implacável de Melissia, a lâmina incansável de Ray—e muitos outros, mas

Ash era diferente.

Algo nele o diferenciava.

E Elva queria descobrir o quê....

**

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