Verme (Parahumanos #1)

Capítulo 90

Verme (Parahumanos #1)

“Bem-vindos ao Parahumans 103: Teorias e Padrões. Vejo que temos uma plateia lotada, e de acordo com a lista de matrícula, somos pelo menos trezentos estudantes inscritos na disciplina de TV. Um aumento em relação aos dois últimos trimestres, então devo estar fazendo algo certo.”

Clockblocker olhou ao redor da sala. Seis uniformes da PRT estavam na fila da frente, capacetes fora, três com cadernos abertos sobre as bancadas à sua frente. Weld e Flechette estavam nas cadeiras mais próximas à porta, trocando palavras murmuradas enquanto o professor na tela começava a passar o programa da aula.

Glory Girl sentava exatamente na sua frente, vestindo uma camiseta preta de manga comprida, braços cruzados na mesa, queixo apoiado no dorso de uma mão. Vista, estranhamente, sentava ao lado da outra heroína, tinha sido a única a oferecer alguma conversa. Quando Glory Girl não demonstrou interesse em conversar, Vista ofereceu sua companhia silenciosa. Clockblocker não tinha certeza de como Glory Girl conseguiu chegar até o centro de comando das Sentinelas para assistir à exibição, mas ela estava ali, inusitadamente quieta, assim como Vista tinha estado na semana passada.

Kid Win sentava à direita de Clockblocker, mexendo inquieto, desmontando e remontando a caneta, os olhos fixos na tela. Shadow Stalker estava sentada, o mais longe possível dos demais, no canto de trás da sala. Ela estava de lado na cadeira, de costas para a parede, com os pés apoiados na cadeira ao lado. Sua atenção estava inteiramente focada nas teclas e na tela do celular, ao invés da projeção na tela à frente.

Apenas treze pessoas presentes, no total.

“…para adaptações por deficiência e gravidez, o programa da aula fornece todos os detalhes de quem contactar. Se ainda não estiverem, vão enjoar de ouvir tudo isso até se formarem. Somos obrigados a revisar isso na primeira aula de cada disciplina que ministramos.

“Então. Começando por esclarecer e afastar algumas suposições que talvez tenham. Essa não é uma turma fácil, e quem cursou Parahumans: História e Sociedade ou Parahumans: Estudos de Caso e Poderes já sabe disso. Mesmo para vocês que evoluíram vitoriosamente nos dois semestres anteriores, é importante entender que PARA-103 pode ser um pouco chocante, principalmente se for seu primeiro ano na universidade. Aqui, principalmente, buscarei sua criatividade, capacidade de resolução de problemas e pesquisa. Habilidades e competências que, francamente, não são bastante valorizadas no colegial.

“Para esta aula, quero que vocês pensem. Parahumanos. Pessoas com poderes. Estão por aqui há quase trinta anos. De onde vieram? Por quê eles estão aqui? É de conhecimento geral que parahumanos são indivíduos comuns que adquiriram habilidades. Mas é fácil demais assumir que este é todo o nosso conhecimento. Quero que vocês investiguem mais a fundo. Por exemplo, por que quase todas as habilidades de parahumanos têm alguma aplicação em confrontos e combate? Isso é uma característica dos humanos, transformar qualquer avanço em algo violento, seja na ciência ou nos superpoderes? Ou é intencional, obra de uma mão individual?

“Com o potencial destrutivo dessas habilidades, por que tão poucos indivíduos morrem na fase de emergência caótica e imprevisível de suas capacidades? Nas primeiras duas ou três semanas, discutiremos esses momentos cruciais na existência do parahumano, esses eventos gatilho, quando alguém obtém seus poderes, geralmente por algum trauma.

“Ao longo do curso, analisaremos correlações e padrões, tanto em relação aos eventos gatilho quanto a outros fatores. Por exemplo, como a natureza do evento gatilho molda o poder? Um estudo de Garth e Rogers sugere que o estresse psicológico leva a uma maior prevalência de poderes de origem mental. Tinkers, pensadores, mestres, agitação. Quanto mais violência física estiver envolvida, maior a tendência para poderes de efeito físico. Garth e Rogers propõem uma escala móvel, mas pode não ser tão simples assim.

“Um estudo posterior de Garth aborda o que sabemos sobre as ‘famílias’ de cape. Se uma pessoa da família tem poderes, é muito mais provável que outros também tenham. Quase sempre, essa tendência é descendente ou lateral, passando de pai para filho ou entre irmãos, mas não de filho para pai. Discutiremos as teorias do porquê. Para quem quiser adiantar a leitura, dê uma olhada nas anotações de Garth sobre as famílias Dallon e Pelham, no capítulo nove. Podemos inferir que os diferentes cenários que levam aos eventos gatilho podem estar diretamente relacionados às diferenças de poderes, mesmo entre membros próximos de uma família de cape. Eventos gatilho semelhantes e indivíduos relacionados, poderes semelhantes. Quanto mais distante a relação e mais variados os eventos gatilho, mais diferentes, no final, serão os poderes que eles possuem.”

Clockblocker olhou para Glory Girl, para ver se a menção à família dela havia despertado seu interesse. Ela não se moveu um centímetro. Estava dormindo?

Ele não pôde deixar de sentir empatia. Isso é uma perda monumental de tempo. Eu poderia estar lá fora, ajudando pessoas. Ou passando tempo com minha família. A Proteção estava coordenando turnos para que os Sentinelas pudessem, ao menos, algo de educação enquanto isso, por ordem de Piggot. Mas isso não era útil, não se aplicava à crise atual aqui, agora, nesta cidade. Preso numa sala de conferências da PRT, aprendendo coisas que não têm relação com o trabalho de campo de verdade.

Droga, era em vídeo, uma gravação das aulas do ano passado. Por que não podiam assistir na hora de folga? Era uma prioridade fallhada, imposta por quem manda.

Ele se mexeu irritado, bravo.

“Eventos gatilho são elemento crucial para estudo, porque o tempo, a natureza e a propagação dessas forças emergentes podem indicar de onde vêm esses poderes de parahumano. Mais mulheres do que homens têm poderes, por exemplo, e há mais poderes em países em desenvolvimento do que em países industrializados – Talvez vocês se lembrem de eu mencionar esse fato na aula 101, quando falava sobre as caça às bruxas na República Popular de Uganda.

“Outro padrão que exploraremos é o efeito aparente de múltiplos eventos gatilho ocorrendo na mesma hora e lugar. Existe uma correlação muito forte entre eventos gatilho coincidentes e indivíduos que exibem três ou mais poderes, em vez de um ou dois predominantes.”

“Ei, Flechette,” Kid Win chamou do outro lado da sala, “Você tem um monte de poderes, né?”

Ela virou na cadeira, “Claro.”

“Alguém mais ganhou poderes ao mesmo tempo que você?”

“Não que eu saiba.”

“Alguém perto de você conseguiu poder, sem você saber? Como as coisas aconteceram? Algum cape apareceu por perto na mesma hora que você?”

Flechette fez cara de questionamento, “Sim. Um vilão bem insistente.”

“Vale a pena pensar nisso.”

Weld se virou, “Pensar criticamente e aplicar esse conteúdo é bom, mas não vamos esquecer a aula. Ou as outras pessoas na sala.”

Ele está tentando fazer as pessoas gostarem dele? pensou Clockblocker.

O professor na tela respondia a uma pergunta de estudante, “…acho que Eidolon expressa um poder único. Mas obrigado. Boa pergunta e um bom gancho para a próxima seção da aula que vamos discutir. Depois de falar dos eventos gatilho, vamos passar para o que chamamos de ‘outliers’. Parahumanos ou elementos relacionados que desviam do padrão. Alguma aposta?”

“Scion.” falou um estudante na TV. A câmera girou para ele atrasado, e quando deu a resposta, o professor já apontava para outro.

“End-bringers.”

“Nilbog.”

“Não recomendaria Nilbog, mas podemos debater a questão depois,” disse o professor, “Talvez para um trabalho de conclusão. Scion, sim. Endbringers? Sim. Não temos motivos ou evidências para suspeitar que adquiriram poderes de modo convencional. Outro grupo que vocês talvez conheçam são os chamados Casos Cinquenta e Três, do programa da PRT. Frequentemente os parahumanos ‘monstruosos’, desenvolverei mais a fundo o assunto.”

Clockblocker olhou para Weld. O garoto estava mexendo na mochila de lona, procurando algo. Será que ele era um deles?

“Na semana cinco e seis, se tudo correr conforme o planejado, consolidaremos todo o material anterior e discutiremos o início do fenômeno parahumano. Não do ponto de vista individual, como nos eventos gatilho, mas como um fenômeno geral. De onde vêm os capes? Existe a teoria do paciente zero, geralmente considerando o Scion como fonte dessas habilidades. Mas isso levanta a questão de onde veio Scion. A teoria é respaldada pelo caso do Andrew Hawke, que entrou em contato com Scion na primeira aparição do herói, e manifestou seus próprios poderes... contudo, há outros que desenvolveram poderes sem jamais encontrar-se com Scion ou visitar algum local por onde ele passou.”

“Tem a teoria viral, propondo algum vírus avançado, embora seja frágil na justificação, sem culpados identificados, método de transmissão nem explicação de como ela fornece os poderes. A teoria genética é popular, mas foi completamente desmentida. Vamos falar de como ela foi desacreditada…”

Clockblocker sentiu uma vibração na smartwatch. Tocou com a luva para pegar seu celular. Uma mensagem.

De: Mãe

Pai não está bem. Talvez você precise passar no hospital.

Ele se levantou, e Weld virou para lhe lançar um olhar. Ignorou o garoto com pele de ferro, indo na direção da porta de trás da sala, o teclado fazendo bipes enquanto discava o número. Estava tocando enquanto ele fechava a porta atrás dele.

“Mãe?”

“Dennis.”

“Como ele está?”

“Pior do que no final de semana passado. Ainda pior.”

Ele fechou os olhos. Mais uma afirmação do que uma pergunta, disse: “Ele não está melhorando.”

“Não.”

“Tudo bem. Precisa que eu vá aí? Posso usar meu poder, ganhar tempo para os médicos pensarem ou se prepararem, se tiver uma crise.”

A voz dela saiu tensa. “Não, Dennis. Não é esse tipo de situação. Botaram ele num respirador, e os médicos já não têm esperança de que ele vá respirar sem ele, de novo. Os antibióticos não conseguem combater a infecção sozinhos.”

“Então ele vai morrer.”

“Desculpe.”

“Em algumas horas? Dias? Uma semana?”

“O médico diz que serão os próximos dias.”

Ele fechou a mão em punho, relaxou. Não é justo.

“Oi, mãe? Preciso correr.”

“Passa lá, Dennis. Antes que seja tarde demais.”

“Vou tentar.”

“Te amo.”

“Também te amo.”

Ele desligou, respirou fundo para se recompor.

Não é justo.

Ao voltar para a sala, retornou ao seu assento, mas não sentou. Em vez disso, foi até onde Glory Girl estava e tocou seu ombro. Quando ela levantou a cabeça, ele apontou para a porta. Ela assentiu, levantou-se.

Quando estavam no corredor, ele falou, “Desculpe te tirar daí.”

Ela balançou a cabeça, com o cabelo dourado balançando, “Não estou perdendo nada. Já fiz essa disciplina.”

“Ah. Então por que veio aqui?”

“A Nova Onda pode estar se dissolvendo. Minha mãe sugeriu que, se eu quisesse continuar sendo heroína, deveria se juntar às Sentinelas. Então, estou aqui, dando uma olhada. Seu líder e diretor aprovaram.”

“Vai mesmo? Entrar?”

“Não sei ainda. Eles estão dispostos, se eu aceitar algumas regras e condições extras. Me colocariam como membro probationária, como fizeram com Shadow Stalker. Vim aqui para sentir o ambiente, ver se vale o transtorno de entrar, ou se é melhor ir sozinha. Achava que estava OK com isso, até vi os retratos no saguão. Agora, já não tenho tanta certeza.”

Clockblocker assentiu. Ela não precisava explicar. Onde estavam os retratos na entrada do escritório da PRT, os retratos de Aegis e Gallant tinham sido reimpressos em preto e branco, cercados por molduras grossas pretas. Um deles, aparentemente, seria de Browbeat, que era novo demais para ter até um traje oficial, quanto mais um retrato. Foram reposicionados logo acima da mesa de atendimento e abaixo do logo da PRT, com coroas e flores — símbolos dos funcionários da PRT. O prédio não era aberto ao público, e estava cercado por esquadrões da PRT, mas a oportunidade de visitar e prestar homenagens chegaria.

Glory Girl tinha perdido três pessoas próximas naquele dia. Gallant, Dean, fora o namorado dela, uma perda que ela compartilhava com Clockblocker. Her namorado, seu amigo.

“Sei que é grosseiro, sei que vocês têm regras,” ele falou, “vou entender se ficar bravo. Mas… meu pai tem leucemia. Estava há poucos dias de um tratamento bem forte, quando Leviathan entrou. Ele se machucou na onda, e uma infecção entrou pelos ferimentos. Tem praticamente nenhuma imunidade, não consegue lutar contra isso.”

“Quer que eu peça para minha irmã usar o poder nela?”

“Por favor.”

“Ok.”

A resposta a surpreendeu. Ele olhou para ela, desconcertado.

Ela explicou, “Não prometo nada. Como você disse, a Amy tem suas regras de pedidos. Mas vou tentar convencê-la. Sem promessas, tá?”

“Obrigado,” ele disse, “De verdade.”

“E se quiser retribuir, talvez possa me contar um pouco mais do Gallant algum dia. Compartilhar histórias que eu não iria ouvir de outro jeito.”

“Com certeza.”

A porta se abriu, e Weld saiu do corredor, seguido de perto por Vista. Clockblocker sentiu uma pontada de irritação, prendeu a língua antes de falar algo.

“Está tudo bem?” Weld perguntou.

Eu poderia contar pra eles, Clockblocker pensou, mas o resto do time descobriria no final. Eles não precisam de mais coisa pra se preocupar.

“Está tudo certo,” falou cuidadosamente.

“Pausamos o vídeo, esperando até vocês estarem prontos.”

“Tudo bem,” respondeu Clockblocker. Ele acrescentou, “Obrigado.”

“Confio que você tem um motivo para isso,” Weld sorriu levemente, mostrando uma fileira de dentes de metal branco, “Mas não demore. Você tem patrulha às duas da tarde, e não podemos perder tempo se quisermos terminar de assistir tudo.”

“Tudo bem,” repetiu Clockblocker, com um tom cada vez mais impaciente. Observou Weld entrar de volta na sala, fechando a porta atrás. Para a porta fechada, murmurou: “Ferramental.”

“Ele está tentando,” Vista comentou. “Difícil ser líder, mas ele trabalha duro.”

“Esse é meu problema com ele,” respondeu Clockblocker, incomodado, “Ele fica lá em cima da gente na patrulha, nos treinamentos e na papelada, e depois diz que não está pedindo para fazermos nada que ele mesmo não esteja fazendo. Só que ele só dorme uma ou duas horas por noite, mal come, não precisa usar o banheiro ou tomar banho. Não tem amigos ou família aqui para cuidar dele. Ele pode se dar ao luxo de trabalhar duro. É um… porra, um robô.” (ele se autocensurou por causa da sua junior.)

Vista balançou a cabeça. “Aquele robô, e ele não é exatamente um robô, aliás, está cuidando da papelada que fazemos em conjunto. Ele só manda a gente fazer a papelada que ele não consegue fazer sozinho. Mesmo que não precise. Isso merece pontos extra de minha parte.”

Sua calma aumentou. “Que, você está imitando o Gallant agora? Defendendo…” ele se interrompeu antes de terminar. Percebeu com quem estava conversando. “Droga, não, eu…”

Vista apenas o encarou. Depois de um segundo, seus olhos ficaram brilhantes, e ela olhou para baixo, com uma expressão de raiva. Ela virou e correu pelo corredor.

Ele tentou alcançá-la, pará-la, mas o corredor fechou-se, permitindo que ela chegasse ao fim em dois passos, estalando de volta ao seu comprimento completo enquanto passava por ele. Ela virou uma esquina ao longe.

Ele olhou para Glory Girl, sua voz saiu baixa, “Desculpa.”

Ela respondeu apenas com um olhar de reprovação. Ele se perguntou se ela ia bater nele.

Ela cedeu, olhando na direção onde Vista tinha ido. “Tudo bem. Estamos todos exaustos, no limite, e você ainda está preocupado com seu pai. Você tem direito a um GPS, um… direito de passagem. Somente um.”

Ele acenou com a cabeça.

“Mas é melhor você correr atrás dessa garota e pedir desculpas. Porque, do jeito que ouvi do Kid Win, você foi quem mandou todo mundo ser mais gentil com ela, porque ela tava sofrendo. Você convenceu Shadow Stalker a fazer social, e pelo que o Kid Win contou antes de começar a aula, isso foi uma baita conquista. Talvez eu esteja errada, não conheço sua equipe como você, mas se você não consertar isso, eles não vão te perdoar por um bom tempo.”

“É,” ele engoliu em seco. Será que ela estava usando seus poderes? Tinha uma impressão ruim dela, como se estivesse preso numa jaula com uma fera selvagem.

Ela deu uma cutucada no peito dele com o dedo. “Uma mesmo desculpa. Você admite o que falou e fez, reconhece que não foi justo com ela, e promete melhorar no futuro. Isso provavelmente significa deixar o Weld em paz, porque a Vista quer assim.”

“Ok. Certo, certo.”

Ela empurrou seu ombro, fazendo-o tropeçar na direção onde Vista tinha ido. Difícil esquecer o quão forte ela é. “Agora vai lá.”

Ele saiu correndo.

Definitivamente, não tenho a impressão de que estou perdoado.

Ele passou por duas salas vazias e fez uma verificação nervosa no banheiro feminino antes de encontrar Vista, na metade da escada na parte de trás do prédio. Ela tinha uma perna apoiada em um degrau mais alto que a outra, as mãos entrelaçadas ao redor do joelho. Quando virou a cabeça em direção a alguém, reconheceu que alguém estava lá, e enxugou os olhos com a manga do traje.

“Desculpa,” ele falou às costas dela.

“Seu idiota.”

“Sou mesmo. O pior idiota.”

Vista virou-se para olhar para ele de relance. Depois de um instante, seus olhos ficaram brilhantes, e ela olhou para o chão, com uma expressão de raiva.

Ela se virou rapidamente e correu pelo corredor.

Ele tentou alcançá-la, segurá-la, mas o corredor se fechou, deixando ela alcançar o final em dois passos, estalando de volta ao seu comprimento normal enquanto passava. Ela virou uma esquina ao longe.

Ele olhou para Glory Girl, sua voz saiu baixa, “Desculpe.”

Ela apenas o encarou com um olhar de reprovação. Ele se perguntou se ela iria bater nele.

Ela cedeu, olhando na direção em que Vista tinha ido. “Tudo bem. Estamos todos exaustos, no limite, e você ainda se preocupa com seu pai. Você tem direito a uma chance. Uma só.”

Ele assentiu.

“Mas melhor você correr atrás dessa menina e pedir desculpas, porque, pelo que ouvi do Kid Win, você foi quem mandou todo mundo ser mais gentil com ela, porque ela tava levando duro. Você convenceu a Shadow Stalker a se comportar, e, pelo que o Kid Win comentou antes da aula começar, isso foi uma conquista grande. Talvez eu esteja errada, não conheço sua equipe como você, mas aposto que, se você não resolver isso, eles não vão perdoar você por um bom tempo.”

“Sim,” ele engoliu seco. Será que ela estava usando os poderes dela? Tinha uma vibe ruim dela, como se estivesse presa numa gaiola com uma fera selvagem.

Ela deu um pontapé no peito dele com o dedo. “Uma desculpa de verdade. Você admite o que falou e fez, reconhece que não foi justo, e promete melhorar no futuro. Isso provavelmente quer dizer que você deve dar um tempo no Weld, porque a Vista quer assim.”

“Ok. Certo, certo.”

Ela empurrou seu ombro, fazendo-o tropeçar na direção de Vista. Apesar de tudo, é fácil esquecer o quão forte ela é. “Agora vá.”

Ele saiu correndo.

Tenho certeza que não fui perdoado ainda.

Ele passou por duas salas desocupadas e fez uma checagem nervosa no banheiro feminino antes de encontrar Vista meio que na escada dos fundos do prédio. Ela tinha uma perna apoiada em um degrau mais alto que a outra, as mãos ao redor do joelho. Quando virou a cabeça, percebendo que alguém estava lá, limpou os olhos com a manga do traje.

“Desculpe,” ele disse para ela de costas.

“Seu idiota.”

“Sou mesmo. O pior idiota.”

Vista se virou para olhar para ele de relance. Depois de um tempo, os olhos dela brilharam, e ela olhou para o chão, com uma expressão zangada. Ela deu as costas e correu pelo corredor.

Ele tentou alcançá-la, impedi-la, mas o corredor se fechou, deixando ela chegar ao fim em dois passos, voltando ao tamanho normal enquanto passava. Ela virou uma esquina distante.

Ele olhou para Glory Girl, sua voz saiu baixa, “Desculpa.”

Ela respondeu apenas com um olhar de reprovação. Ele se perguntou se ela ia bater nele.

Ela cedeu, olhando na direção onde Vista tinha ido. “Tudo bem. Estamos todos exaustos, no limite, e você ainda se preocupa com seu pai. Pode passar uma vez. Uma só.”

Ele assentiu.

“Mas é melhor você correr atrás dessa garota e pedir desculpas, porque do jeito que o Kid Win contou, você foi quem mandou todo mundo ser mais gentil com ela, porque ela tava levando duro. Você convenceu a Shadow Stalker a se comportar, e pelo que o Kid Win falou antes da aula, isso foi uma conquista e tanto. Talvez eu esteja errada, não conheço sua equipe como você, mas acho que, se não arrumar isso, eles não vão te perdoar por muito tempo.”

“Sim,” ele engoliu em seco. Será que ela estava usando os poderes dela? Tinha uma vibe ruim dela, como se estivesse presa numa jaula com uma fera selvagem.

Ela deu uma cutucada no peito dele com o dedo. “Uma desculpa de verdade. Você admite o que falou e fez, reconhece que não foi justo, e promete melhorar. Provavelmente precisa dar um tempo no Weld, porque a Vista quer assim.”

“Ok, certo.”

Ela empurrou seu ombro, fazendo-o tropeçar na direção de Vista. Apesar de tudo, é fácil esquecer o quanto ela é forte. “Agora vá lá.”

Ele saiu correndo.

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