Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 457

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

……

“Entendo.”

Assenti com a cabeça.

Baek Saheon murmurou.

“Então agora que você é um deles, posso falar sobre isso? Haha... Eu costumava achar idiota quem começasse a falar sobre essas coisas primeiro, mas isso... é essa a sensação, né?”

A sensação de estar numa situação que ninguém mais conhece, tendo que engolir informações que não pode compartilhar.

É quase cômico, mas acho que entendo melhor do que ninguém como Baek Saheon se sente agora.

‘……’

Honestamente, eu deveria estar com raiva ou ansioso agora.

Deveria estar com raiva, desgostoso, ansioso e desesperado para achar uma saída.

Seria o natural.

Mas, estranhamente, não estou.

Em vez disso, há uma estranha... sensação de paz.

A sensação de que o amanhã complicado e o futuro próximo ficaram um pouco mais nebulosos.

‘Agora que estou preso aqui, não preciso pensar em mais nada.’

Sem mais pedidos de favor, sem mais preocupações com a ligação do Diretor Ho, sem mais correria atrás de informações em um mês, sem pensar no que fazer com um agente depois que minha identidade foi descoberta.

‘Isso é só escapismo?’

É quase risível, até absurdo, que a ameaça da morte me deixe tranquilo.

Mas é verdade.

Então consegui falar com calma.

Sem simpatia ou raiva.

“Entendi. Compreendo.”

“Compreende?”

A vigilância voltou aos olhos de Baek Saheon.

“Vai dizer ‘Sinto muito por você, entendo’ e depois me pedir para liberar você, dizendo que isso não está certo?”

“Talvez. Mas... eu sei como é viver dia após dia com medo constante, sem conseguir relaxar, sempre sentindo que posso morrer a qualquer momento.”

“……”

Ele me olhou com uma expressão contida.

“Ainda assim, foi sortudo na escolha dos dois agentes.”

“Por quê? Quer morrer?”

……

“Um pouco?”

Não tenho certeza agora.

“Você nunca quis morrer? Nem uma vez?”

“……”

“Então você já quis.”

“Isso não é verdade.”

Baek Saheon respondeu de repente.

“Eu não quero morrer. Se você quer, tudo bem. Pode ficar aí então.”

“……”

Estranho.

Não havia sinal de que ele estivesse zombando de mim, nem de que sentisse prazer por eu ter caído em seu truque. Mesmo podendo debochar facilmente, isso não parecia divertir muito.

Tudo que eu percebia era um desespero egoísta pela sobrevivência.

Também não parecia sentir culpa. Bem pelo contrário, parecia que não havia mais espaço para culpa dentro dele.

‘Pensando bem, sempre foi assim.’

Ele sempre se agarrou desesperadamente a qualquer coisa que o beneficiasse, que o mantivesse vivo.

Mas, pelo menos, se ele não sente prazer ao ver os outros sofrerem por sua causa, ou acha divertido atormentar as pessoas... pode haver uma abordagem diferente.

Eu poderia usar isso a meu favor.

‘...Ainda assim, não vou simplesmente fugir para a realidade até morrer assim.’

No fim, decidi falar.

“Sr. Saheon. Se houvesse uma forma de nós dois sobrevivermos, você ajudaria?”

“...O quê?”

“Você só teria que passar por mais dificuldades do que agora e correr o risco de ser descoberto.”

“Você tá falando sério? Vai se foder.”

Naquele momento.

– Céus, chega! Mesmo na narrativa, tem limite. Como pode alguém ser tão rude?!

– Ah, amigo. Por que tem tanta gente hoje em dia que retribui sua bondade com traição? O coração do Braun também dói.

...O pelúcia começou a falar novamente.

– Deixe que eu ajude você. Primeiro, vamos sair daqui.

– Depois, vamos mostrar para eles o que é o verdadeiro karma. Não seria emocionante e satisfatório?

……

‘Ah. Tá bom.’

O pelúcia ficou em silêncio.

‘Eu faço isso sozinho. Não seria mais divertido pra você?’

– Bom... Acho que o melhor é deixar as coisas fluírem com o apoio certo!

‘Tá bom.’

Terminei de falar com o pelúcia e olhei para Baek Saheon de novo.

Como não esperava nada dele desde o começo, falei com total indiferença.

“Mas, Sr. Saheon, vou morrer por sua causa.”

“……”

“Sou só um cara que veio aqui para resgatar você, mas não conseguiu porque não tinha jeito. Estou morrendo porque você me empurrou para essa situação.”

“Como isso é minha culpa?”

O rosto de Baek Saheon se torceu.

“Eu mandei alguém matar se ganhasse o prêmio especial? Joguei alguém no santuário para ser morto? Alguém mata! Então quer que eu morra no lugar? Isso...”

Rancor e palavrões trazem má sorte.

“……!!”

No mesmo instante, tanto Baek Saheon quanto eu nos viramos para a porta de correr.

Um murmúrio podia ser ouvido.

Rancor e palavrões trazem má sorte. Rancor e palavrões trazem má sorte. Rancor e palavrões trazem má sorte. Aqueles que esquecem desaparecem. Aqueles que esquecem desaparecem. Aqueles que esquecem desaparecem. O Escolhido nos concedeu a benção de Ji dos incontáveis picos. O Escolhido nos concedeu a benção de Ji dos incontáveis picos. O Escolhido nos concedeu a benção de Ji dos incontáveis picos.

Um som de campainha.

Baek Saheon encarava a porta com o rosto pálido.

Claramente não havia nada ali, mas o som da banda tradicional do lado de fora ficava cada vez mais alto…

“Sr. Baek Saheon.”

“Não.”

Ele foi para o lado oposto da porta, agachou-se e cobriu a cabeça.

Era difícil acreditar que aquele era o mesmo homem que normalmente causava problemas sem hesitar. Estava completamente à mercê.

‘Será uma resposta traumática?’

Talvez isso funcione.

Depois de uma breve hesitação, abri a boca e falei em direção à porta de correr.

“Desculpe. Fiquei tão nervoso que xinguei.”

O murmúrio parou.

“Não foi apropriado para o festival. Tentarei falar com mais educação a partir de agora.”

A porta de correr ficou completamente parada.

E então...

Heeyaaaaaah!

O som da banda tradicional recomeçou, afastando-se aos poucos.

Até sumir completamente no ruído do festival.

“……”

“……”

“Sr. Baek Saheon.”

Ele se levantou do canto junto à porta de correr, ensopado em suor frio, e me olhou com expressão confusa.

“Acabei de te ajudar a não morrer, de novo.”

“……”

“Não sente nem um pouco de gratidão?”

“...Então você quer dizer que, se eu tivesse gratidão, deveria morrer no lugar?”

“Você faz parecer que agradecer custaria um preço insuportável.”

Baek Saheon me olhou como quem diz: ‘O que você está falando?’

É mesmo.

“Faça o que quiser. Parece que sua vida é muito preciosa para você.”

Então olhei para meus próprios pés.

“Mas minha vida também é preciosa para mim. Mesmo que eu às vezes pense em querer morrer.”

“……”

“……”

Depois de um longo silêncio, Baek Saheon finalmente falou.

“Então qual exatamente seria essa forma para nós dois vivermos?”

“……”

“Responda.”

Enfiei a mão livre que ainda estava solta no bolso e fiquei girando um broche de prata entre os dedos.

Coração de Prata.

“É simples.”

Pois, há pouco, ouvindo as palavras de Baek Saheon, percebi que tipo de história de fantasma essa é.

Vou plantar a dúvida na fé deles.

Construção de deus, libertação da verdade do mundo, rituais compartilhados apenas por alguns, ressurreição dos mortos, bodes expiatórios...

Tudo apontava para uma coisa só.

Esta é uma história de fantasma dentro da Igreja do Luminoso Desconhecido.

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