
Capítulo 458
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
O festival da Vila Jisan continuou a noite toda.
Os forasteiros podiam dormir em qualquer uma das casas abertas da vila, aproveitando bebidas e carne de graça até o amanhecer. No fim das contas, muitos preferiram ficar do que ir embora.
— O que está acontecendo?
— Ah, parece que vai rolar um grande evento no último dia. Tipo… um ritual, acho que é isso?
— Como assim?
— Não sei. Mas eu vou filmar e postar nos Shorts.
Os forasteiros conversavam distraídos, ficando acordados a noite toda ou caindo de bêbados em qualquer quarto aleatório.
E então, sob o sol forte no último dia.
— Oh.
[A fortuna de Jisan chega~]
Finalmente, o ritual começou.
Dum, dum, dum—
A banda tradicional batia os tambores com força, e os moradores se alinhavam dos dois lados, formando um corredor longo.
Da casa com telhado de telhas.
Até o santuário da vila.
E da casa central de telhas, no começo desse caminho, algo finalmente apareceu.
[O Escolhido nos entregou a bênção de Jisan das incontáveis montanhas]
Era uma enorme liteira humana.
Quatro pessoas, com penas de galo presas no peito e a cabeça coberta por um tecido simples, carregavam alguém em cima dela.
— Oh.
— Ei, ei, isso é real mesmo.
Os forasteiros comentavam apenas pelo espetáculo, mas entre eles havia alguns cujos olhos brilhavam, observando em segredo.
‘Isso é um problemão.’
A assistente Eun Haje.
Aquela que Kim Soleum chamava assim observava a pessoa sobre a liteira e os movimentos dos moradores.
Do jeito que estava, parecia que sua missão ali em nome da equipe do projeto seguiria sem problemas.
Seu olhar afiado se voltou para as periferias.
Para o poço na beira da vila, rodeado por casas abandonadas.
‘O poço.’
Esse era o objetivo da sua missão.
Os agentes do Escritório de Gestão de Desastres ainda não entendiam por que os moradores a deixavam sozinha perto do poço, ou por que aquele lugar era relativamente seguro. Eles chegaram a checar fora da época do festival, encontrando apenas um poço bloqueado comum.
Mas essa ‘repórter’ sabia exatamente o motivo e o que precisava investigar.
Aquele poço já foi um caminho, uma passagem conectada a algum outro lugar.
E durante esse estranho festival, a vila inteira se transformava em uma zona avançada de Escuridão, e às vezes, a passagem acordava para a vida de novo.
Por isso, ela precisava começar a investigação agora.
Porém…
“……”
Depois de dar uma olhada rápida em Kim Soleum, que estava montada sobre a liteira humana, a repórter começou a se mover silenciosamente. Não em direção ao poço entre as casas abandonadas, mas para outra direção.
[O Escolhido nos entregou a bênção de Jisan das incontáveis montanhas]
Enquanto isso, a procissão da liteira continuava.
A banda tradicional abria caminho, e, conforme a liteira passava, os moradores se curvavam em reverência. Alguns a seguiam de forma febril, quase devotos.
Mas sempre mantinham uma certa distância, como se se aproximar demais não fosse permitido.
O problema era que havia quem não ligasse para essa regra.
— Uau! Olha só, é a primeira vez em décadas que eles fazem esse evento!
Alguns forasteiros, segurando seus smartphones, chegaram bem perto.
Os bêbados ou os que haviam perdido o juízo não respeitaram a distância, alguns até tocaram nas pessoas de cabeça coberta que carregavam a liteira.
Aqueles tinham vindo só pela comida e bebida grátis do festival.
Mas os moradores não os impediram.
Eles apenas observavam com um sorriso no rosto, olhos ansiosos para que a liteira seguisse em segurança.
— Nossa, nem parece festa de interior.
— Eles são profissionais. Profissionais de verdade.
Os moradores não se irritavam.
Simplesmente assistiam atentos, para garantir que a liteira chegasse ao destino sem problemas.
“……”
Finalmente, a liteira humana chegou ao santuário da vila sem incidentes e parou.
Os que a carregavam cuidadosamente abaixaram o ‘sortudo’ que havia estado sobre seus ombros. Dois deles se aproximaram do santuário.
Então, cortaram a corda dourada ao redor do santuário.
Clac.
A corda dourada caiu no chão. Os dois restantes desamarraram a corda dourada dos pés daquele que tinha sido carregado na liteira e a penduraram novamente no santuário.
Em seguida, as portas do santuário se abriram.
Dentro havia…
— As portas estão abrindo! Uau! Olhem só! Ouro!
Um galo dourado.
A estátua de galo dourado que era o ‘prêmio especial’ estava guardada dentro do santuário da vila. E seu tamanho era enorme.
— Não é só uma camada dourada?
— Inacreditável.
Ele repousava sobre um pedestal redondo de madeira, bem no centro do santuário onde ficaria o altar. Era, literalmente, do tamanho de uma pessoa.
Além do respeito, o interesse brilhava nos olhos dos forasteiros.
Quase nenhum deles percebeu que, por trás daquele ouro, o poste original do santuário estava cravado de cabeça para baixo, igual aos paus na caixa de sorteio.
[O Escolhido nos entregou a bênção de Jisan das incontáveis montanhas]
Quem estava sobre a liteira finalmente começou a se mover.
Enquanto a figura de branco se posicionava em frente ao santuário, os moradores avançaram um a um, cobrindo a roupa branca com folhas de papel.
Os papéis estavam densamente escritos em Hangul e Hanja.
Eram os nomes dos moradores.
E então, depois de três reverências profundas, eles derramaram uma garrafa de bebida alcoólica por cima.
Jrrrrrk.
À medida que o líquido sagrado escorria, a tinta dos papéis começou a borrar e a escrita desapareceu, parecendo se infiltrar no tecido da roupa.
“Que possamos ser livres da verdade do mundo / Da fortuna de Jisan / O Escolhido.”
“Que possamos ser livres da verdade do mundo / Da fortuna de Jisan / O Escolhido.”
“Que possamos ser livres da verdade do mundo / Da fortuna de Jisan / O Escolhido.”
Os moradores se curvaram, rezaram, choraram, levantaram as mãos e clamaram para o céu, despejando um terror antigo, profundo e uma desesperança antiga.