
Capítulo 439
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
– Amigo? Que tipo de lugar é essa Unidade de Investigação Preliminar?
“Ah, então vamos pra lá agora.”
De qualquer forma, como a Unidade de Investigação Preliminar tinha me chamado, decidi sair por um tempo.
Com Braun, atravessei os espaços reais de trabalho do Escritório de Gestão de Desastres, pelos corredores do escritório. E então…
– Nossa, tomara que isso fosse um trecho de esquete de comédia… Pensar que meu amigo caiu numa fraude de emprego.
“……”
Para os olhos de alguém acostumado com histórias de fantasmas da mídia massiva de uma era capitalista reluzente, as instalações do setor público no século 21 deviam parecer completamente decadentes e precárias…
Felizmente, algo logo chamou a atenção do Braun.
Bem na frente da sala da Unidade de Investigação Preliminar estava minha colega espiã.
“Agente Grapes!”
Go Yeongeun, que me cumprimentou com um sorriso aberto e aceno, lançou um olhar curioso ao notar a pelúcia pendurada no meu peito quando me aproximei.
“Você está carregando isso de novo?”
“……Sim.”
Agora que penso bem, Yeongeun-ssi já viu o Braun na forma de Good Friend — aquele “Bom Amigo” — várias vezes.
Até naquela história de fantasmas da exposição, “Mansão dos Cegos”, usei o Braun para solidificar a impressão que Baek Saheon tinha de mim… Acho que ela viu isso algumas vezes de relance também.
Enfim, parece que o Braun tem uma presença maior do que eu imaginava.
‘P-pensei que ele não fosse chamar tanta atenção por ser tão pequeno, mas…’
Nesse mundo maluco da farmacêutica da história de fantasmas, as pessoas carregam desde pés de coelho até bandagens de múmia.
Com todo mundo usando máscaras animais bizarras, achei que um chaveiro de pelúcia era tranquilo.
Humm. Pelo visto, não…
Mesmo assim, Go Yeongeun continuava tão gentil quanto sempre.
“Hum, é fofo! Acho que você escolheu bem.”
– Ah, alguém com bom gosto. Um público que valoriza sempre deixa o artista feliz.
De qualquer jeito, foi um alívio ver que pareciam satisfeitos. Sorri e falei.
“Obrigada. Então, agente Mint, talvez você também—”
“Ah, não, obrigado.”
“……”
Não, eu só ia perguntar se você também tinha um. Um chaveiro de pelúcia…
Comecei a suar frio.
Ah, parece que o coelhinho de pelúcia chama ainda mais atenção do que imaginei.
‘Isso não vai dar certo.’
Depois de pedir licença ao Braun, puxei ainda mais a aba do bolso frontal para esconder o máximo da pelúcia possível.
“Agente Grapes! Por favor, dê seu depoimento — hã? Que fofo. Seu irmão mais novo te deu?”
“Oh, meu, o que é isso? Uma boneca?”
Mas mesmo assim, sempre que eu me mexia, o brinquedo aparecia e virava assunto para conversas paralelas várias vezes…
E o ápice disso aconteceu depois que terminei um depoimento rápido na Unidade de Investigação Preliminar e voltei para a sala de espera do Time Black-Tortoise 1.
Ka-chak.
“Grapes-ie!”
Quando entrei, os dois agentes que tinham chegado antes já se levantaram num pulo.
E o agente Choi exibia um sorriso suspeito no rosto.
……?
“Desculpa. Fui meio duro com seu amigo antes! Chamar de fantasma e tal. Certo?”
– Hum. Agora ele tenta se justificar. Vou relevar.
“N-Não, tudo bem.”
O que está acontecendo?
De qualquer forma, agora que sei que a pelúcia chama mais atenção do que pensei, preciso tomar providências.
Me sentei quieta no sofá e murmurei para mim mesma.
“Hum, vou tentar mantê-lo fora de vista o máximo possível, então mesmo que seja meio desconfortável, espero que entendam…”
“Hahaha, do que você está falando? Claro que o amigo do Grapes pode ficar na sala de espera com a gente.”
De repente, o agente Choi colocou o braço no meu ombro e me mostrou uma coisa.
“Aqui, esse é o lugar do seu amigo.”
No apoio de braço de pelúcia do sofá perto da janela, um lenço azul-marinho dobrado com cuidado — item padrão para agentes — estava estendido…
‘……’
Não.
Que raios é isso, sério?
– Haha, agradeço a boa vontade, mas vou recusar! Eu tenho meu próprio lenço… Espera, cadê? Que estranho, parece que desapareceu!
Vou comprar um novo para você depois, só aguenta aí!
“M-Muito obrigada…”
No fim das contas, incapaz de resistir ao clima da conversa, deixei o Braun no lenço.
O agente Choi, ainda sorrindo, perguntou gentilmente,
“Qual é o nome do nosso amigo?”
“B-Braun.” (Brown)
“…Mas é rosa?”
“Eh?”
“Hahaha, calma, tá tudo bem! Isso é possível. Afinal, o coração é livre~”
“Sim… obrigada.”
Que situação é essa?
Olhei para o agente Bronze pedindo ajuda, mas quando ele encontrou meu olhar, deu um sorriso forçado.
Ele está mesmo tentando parecer caloroso…
‘……??’
Fiquei ainda mais confusa.
“Aqui, pega isso também. É uma fita de diário, se você amarrar na orelha dele vai ficar fofo.”
E assim, Braun ganhou uma almofada perto da janela e conseguiu se integrar na sala de espera do Time Black-Tortoise 1 sem levantar suspeitas…
‘…??’
A causa de tudo isso logo apareceu no grupo do chat.
[Vamos deixar quieto se o novo recruta Destroyer King trouxer um chaveiro de pelúcia, gente. É um amigo precioso.]
[?]
[Então não é fenômeno sobrenatural ou coisa parecida?]
[Parece que não. Segundo outro membro do time, ele anda com isso faz um tempo, usa pra se acalmar. Vamos não cutucar assuntos pessoais.]
[ah…]
[confirmado]
[Já entendi, tá bom]
[Fui eu que perguntei se seu irmão tinha dado a boneca. Se estiver lendo, desculpa, agente. ㅠㅠ]
“……”
Agente Bronze…!!
– Nesse sentido, darei para esse lugar… hum. 39 pontos.
No caminho de volta do trabalho, apressei o passo até o motel, ouvindo a avaliação surpreendentemente generosa do Escritório de Gestão de Desastres, feita pelo Braun.
Exceto por um breve despache de um caso menor sobrenatural à tarde, tinha sido um dia normal, então eu devia estar bem, mas…
‘Estou exausta…’
Tanta coisa aconteceu na mente, e para coroar, uma nova faceta inesperada da minha “personagem” foi acrescentada como grande final…
‘Aff.’
Só quero descansar.
‘…Talvez eu deva dormir em um lugar melhor, só por essa noite.’
Enquanto andava pela rua ao entardecer, procurei outras hospedagens pelo celular…
Bzzzz.
Um popup apareceu junto com uma vibração.
Uma mensagem.
[ J : consegui umas infos ]
[ J : só um pouco ]
“…!”
É o sargento.
Essa era a primeira vez desde que entreguei meu celular.
Mas ele diz que conseguiu umas informações?
[ J : proble ]
[O que quer dizer?]
Respondi rápido.
Mas não houve resposta por vários minutos.
“……”
E então, muito tempo depois.
[ J : vou sair ]
Um calafrio percorreu minha espinha.
Liguei imediatamente. Mas ele não atendeu.
‘Que diabos…’
Definitivamente tinha sinal, então por que não atendia?
[Onde você está, sargento?]
[Você está bem?]
O “1” desapareceu da mensagem, indicando que foi lida.
‘Espera aí. Ele disse… que ia sair, né?’
Apressei a busca de hospedagem para a região perto da Daydream Inc. e peguei um motel aleatório e sem ninguém.
Então mandei pelo chat o endereço, número do quarto e código da porta.
[ Se conseguiu sair, vem aqui (link) ]
Em seguida, corri direto para o metrô,
rumo ao motel vazio perto da empresa.
Pouco tempo depois.
“…?!”
Quando abri a porta do motel, vi uma cena que jamais imaginei.
“Mm!”
Kwak Jaekang estava amarrado, de bruços no chão.
E sentado em cima dele, o segurando firme, estava o sargento.
E…
“R-Roe.”
O Supervisor Park Minseong, suando frio e me encarando, também estava ali, vestido com uniforme da equipe de segurança.
“……”
Q-que encrenca é essa?