
Capítulo 438
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
– Uma espiã. Ah, sim. Um papel clássico e atraente, aquele que faz o coração do público disparar em qualquer época.
– A catarse da reviravolta, revelando a identidade misteriosa e poderosa de alguém que era tudo, menos comum!
– Não seria essa a profissão perfeita para você, minha talentosa amiga?
Hoho.
No caminho para o trabalho, ouvi o comentário animado do Braun enquanto eu entrava na Delegacia de Gestão de Desastres.
‘Graças a Deus que a jaqueta da Delegacia de Gestão de Desastres tem um bolso frontal.’
As orelhas da boneca de pelúcia estavam cobertas pela aba do bolso superior, então, à primeira vista, ninguém perceberia.
Saudei os agentes com naturalidade enquanto atravessava o saguão principal da delegacia.
– Um método especial de entrada por uma passagem oculta. É o clichê clássico de um agente especial. Eles parecem ser um grupo que aprecia um pouco de romantismo.
Foi um bom começo. Braun deu uma nota razoável para a entrada secreta da Delegacia de Gestão de Desastres e, também, uma nota aceitável para o que havia lá dentro.
‘Que bom que você gostou.’
Respondendo de forma adequada, peguei o elevador, caminhei pelo corredor e abri a porta.
Foi assim que apareceu a sala de espera do Time 1 da Tartaruga Negra.
E então…
– ……
‘Braun?’
– Ah, acho que decoraram bem esse espaço temporário e improvisado para parecer uma sala de descanso.
– Haha. Sr. Cervo, é engraçado ver que você aprendeu a relaxar desde a última vez que o vi! Vai aproveitar um intervalo secreto aqui antes de ir para o seu verdadeiro local de trabalho?
‘É isso aí.’
– Hmm?
‘Este é o meu local de trabalho.’
Não houve resposta do meu Bom Amigo.
– Você atrai as pessoas para cá e extrai informações delas? Que truque impressionante, usar uma sala de descanso extraoficial…
Não.
‘Esse é realmente o meu local oficial de trabalho.’
– Amigo, o que exatamente você faz aqui?
‘Eu sento no sofá.’
Ainda nenhuma resposta do meu Bom Amigo. Parecia que ele tivesse acabado de morrer…
– Oh. Pensei que você fosse me pregar uma peça.
Aaaagh!
‘Aí, quando somos chamados, saímos para as missões. Para resgatar pessoas em todo tipo de situação incomum de desastre.’
– Ahá.
‘Esta é só a sala de espera.’
– Hahaha. Então o trabalho verdadeiro nem sequer começou ainda.
– Ah, você me pegou! Foi muito engraçado, Amigo!
‘Verdade? Hahahaha…’
Suor frio escorria pela minha nuca. É, é sempre assim quando saio com o Braun… huu.
Naquele instante, minha mão direita, que eu mantinha no bolso, se moveu discretamente.
Deu um joinha… e depois apontou firme para baixo.
"……"
É. Eu entendi.
– Muito bem. Nesse caso, parece que este lugar não é o pior para descansar sozinho!
‘Mas é uma sala de espera para todo o time.’
– ……
‘Tudo bem. Todo mundo aqui é gente boa. São pessoas legais.’
Braun parecia meio chocado, mas eu não podia fazer nada. Ele provavelmente estava comparando com o escritório particular que eu tinha na grande farmacêutica em que trabalhei…
– …Muito bem. Quantas pessoas trabalham com você, Sr. Cervo?
‘Ah, no momento, somos três… mas geralmente só duas vêm para a sala de espera.’
Olhei para o quadro branco da sala de espera.
Ele ainda tinha anotações deixadas por quem passou pelo Time 1 da Tartaruga Negra.
‘…Originalmente, cerca de sete pessoas trabalhavam aqui.’
Isso era só o que eu sabia.
Nos Registros das Explorações Sombras[1], a Unidade de Despacho e Resgate da Delegacia de Gestão de Desastres Paranormais, especialmente a principal, a Unidade Tartaruga Negra, chegou a ser expandida para até sete times em certo ponto.
Mas depois de alguns incidentes, cerca da metade foi morta ou desapareceu, e reduziram para três times.
‘Realmente foi um creepypasta de gelar os ossos.’
De qualquer forma, houve um tempo em que estavam recrutando ativamente… e agora parecia ser essa a época.
– Ainda bem. Ufa, imagina sete pessoas naquela sala meio caindo aos pedaços. O que somos, comediantes fracassados que não conseguem trabalho?
"……Hum."
Ri amargamente.
Depois de pensar, peguei um marcador do quadro branco e deixei uma frase eu mesmo.
Pessoas admiráveis.
Eu estava pensando no Time 1 da Tartaruga Negra nos primeiros dias da wiki.
– Você deixou uma mensagem? Ora, a marca de uma espiã… que interessante. Pode me mostrar de perto para eu ver melhor?
Não era nada especial, na verdade.
"Claro."
Não foi difícil. Tirei a bonequinha de pelúcia do bolso da frente e segurei seu corpo com as duas mãos, aproximando-a do quadro branco…
Ka-chak.
"Grapes, você chegou cedo de novo hoje? Dormiu bem na nui—"
O agente Choi, ao encontrar meu olhar, viu a boneca na minha mão.
E depois viu minhas mãos pressionando a boneca educadamente contra o quadro branco.
A-Ahhh…
"B-Bom dia, agente Choi."
"Oi, bom dia. Uh… você vai doar essa boneca para a nossa sala de espera? Que legal."
"N-Não, não é isso…"
– Hoho?
Encolhi os ombros, apressei para colocar Braun de volta no bolso da frente.
Mas o agente Choi me deteve.
Seus olhos percorriam a frase que eu havia escrito no quadro branco.
"Hm? Não, tudo bem. A molecada hoje em dia tira foto com essas coisas e posta como prova."
Então o agente Choi começou a perguntar se eu postava essas coisas nas redes sociais, e me avisou que não podia publicar fotos internas porque são confidenciais e que eu deveria pensar nesse lugar como o Serviço Nacional de Inteligência… e por aí vai, e eu tentei acompanhar o papo.
"Não, é que, isso aqui, alguém que eu sempre levo comigo, hum, um amigo."
– Prazer! Ah, essa cicatriz no seu pescoço é bem estilosa. Espero que um dia conte a história por trás dela.
"…Amigo?"
"Sim…"
Naquele momento, o agente Bronze também abriu a porta da sala de espera e entrou.
"Olá—"
"Jaekwan-ah, venha cá. Nosso novato trouxe uma boneca!"
"Uma boneca?"
O agente Choi agarrou rapidamente o agente Bronze e o levou até mim.
Isso foi impressionante.
– Meu Deus, não é aquele homem que assumiu o papel do serial killer naquela cabana na montanha?... Aha! Será que você infiltrou fingindo ter caído no papo daquela insistente abordagem?
Não. Ele desconfiou de mim e começou a me vigiar…
– Bem, nada mal. Dois comparsas para te apoiar!
Não. Eles são meus superiores…
Enquanto isso, meus dois chefes olhavam para Braun com curiosidade.
"Se você sempre leva isso, por que nunca vimos antes? Jaekwan-ah, você já viu?"
O rosto do agente Bronze ficou estranho.
Ele devia estar se lembrando das vezes em que viu o Braun pendurado na minha roupa ou saindo do meu bolso…!
‘Mas se ele disser isso, vai parecer que nos conhecemos há um tempo!’
Eu interrompi para aliviar o dilema dele.
"Ah, o amigo que eu tinha antes foi rasgado por engano... então fiz outro recentemente."
"……"
O rosto do agente Bronze ficou ainda mais estranho.
Ele murmurou "amigo" algumas vezes para si mesmo, e logo perguntou,
"Você… fez esse ‘amigo’ durante o intervalo?"
Incrivelmente, era verdade.
"Sim, isso mesmo! Ah, não que eu tenha feito, comprei numa loja..."
"……"
"Grapes, se você chamar uma boneca de amigo, um fantasma vai possuir ela e—"
"Vai pegar os documentos."
"Eek!"
O agente Bronze puxou o agente Choi pelo cós da calça e eles saíram da sala de espera juntos.
Então ele se virou e disse gentilmente para mim,
"A Unidade de Investigação Preliminar convocou você, agente Grapes. Vamos cuidar dos sinais de resgate, então não se preocupe e vá logo."
"Sim? Sim."
E os dois desapareceram num instante.
Baque.
‘Huu.’
Pensei que eles iam investigar mais, mas felizmente não fizeram.
Se eu tivesse parecido mais suspeito, o agente Choi poderia ter tirado seu detector de histórias de fantasmas… Isso podia complicar as coisas.
Apesar do Braun sempre se gabar, ‘Não importa o aparelho que usem, ninguém descobre o que eu realmente sou,’ não custa nada ser cauteloso.
‘Achei melhor mostrar ele de forma natural desde o começo do que arriscar pegar ele escondido depois.’
Mas eu nunca esperava que fosse acontecer desse jeito.
Isso é… bom?
[1] – Registros fictícios de exploração paranormal dentro do universo do texto.