Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 349

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

"…!!"

Uma cidade saída de um sonho.

Banhada por uma luz dourada, um vasto céu azul — ou melhor, ondas de luz da aurora fluíam pelo vazio acima.

Não, não era o céu. Era o oceano.

Debaixo do mar cintilante e ondulante havia canos dourados e casas de tijolos de marfim alinhadas em ruas elegantes, parecendo um conto de fadas.

Recifes de coral brilhantes, serpentinas coloridas e decorações. Alto-falantes dourados, trabalhos em metal com flores e padrões de ondas brilhavam em cada poste de luz.

E lá no alto, um palácio magnífico adornado com pérolas e ouro em tons vibrantes de azul.

"Ah…!"

De alguma forma, eu não estava mais caindo.

Eu flutuava, descendo suavemente como se estivesse voando dentro de um sonho, em direção à deslumbrante cidade dourada abaixo.

Flutuando.

As duas crianças que vieram comigo flutuavam ao meu lado.

Enquanto descíamos, a fonte branca no centro da cidade apareceu, e um banner ondulava acima dela, em dourado, azul e vermelho.

Para Nossos Novos Filhos que Estão Se Mudando

Bem-vindos ao

Palácio do Oceano Brilhante!

E então.

"Um novo amigo!"

"Uau, mais chegaram!"

Mais de vinte crianças desceram correndo pela linda avenida sob o banner.

Todos com sorrisos de orelha a orelha.

Cabelos limpos, roupas bonitas. Vestidas como príncipes e princesas de conto de fadas, como as estrelas de uma festa de aniversário.

"Três deles vieram?"

"Eu gostei desse!"

"…!"

Quando uma criança agarrou o braço do Agente Bronze, ele se assustou, mas a criança apenas riu alegremente.

Risos e uma euforia cintilante enchiam o ar.

"Onde… é este lugar?"

"Isto é o Palácio do Oceano Brilhante! É tão divertido! É realmente incrível!"

A criança que falava comigo sorria radiante e começou a nos guiar.

Como se não tivessem nenhuma preocupação no mundo.

Como se seus pais os tivessem mandado para um acampamento maravilhoso, e eles estivessem fazendo novos amigos no paraíso.

Mas…

"……"

Essas crianças.

São todas desaparecidas.

Todas as entidades vivas confirmadas dentro do alcance deste desastre sobrenatural são presumidas como crianças desaparecidas.

A faixa etária verificada vai de 5 a 11 anos. A maioria apresenta expressões de profunda euforia e contentamento.

"Ahahaha!"

As crianças explodiram em risadas enquanto nos guiavam, correndo pela grande avenida, tentando nos levar ao palácio de uma vez só.

Ainda assim, como crianças, se distraíam facilmente, olhando para tudo ao redor.

"Olha isso, olha!"

Ao longo da rua, havia bonecas decorativas com engrenagens internas que se moviam ligeiramente.

Placas douradas pendiam de cima.

Crianças,

Por favor, peguem seu mel!

Havia uma fonte embutida na barriga de um soldadinho colorido com uma expressão engraçada.

Quando a torneira era aberta, realmente saía mel.

"Se você encher uma garrafa com cuidado e deixar na frente da Princesa Sereia, ela vai te dar um presente!"

Na frente da estátua branca de marfim da Princesa Sereia nos portões do palácio, as crianças colocavam seu mel. A base da estátua se abria e despejava coisas como brinquedos incríveis, roupas ou livros de contos de fadas — coisas que sempre desejaram.

Waah!

As risadas e os gritos de alegria das crianças ecoavam.

"Aqui, para você."

"…Obrigado."

Uma criança mais nova, vestida com um vestido azul, me entregou um par de sapatos muito bons.

Existe uma teoria de que esse desastre sobrenatural é uma manifestação de uma crença popular, que veio de histórias sobre crianças lamentáveis que desapareciam perto do mar, supostamente indo para o Palácio do Oceano.

"……"

Segurei deliberadamente a mão da criança e falei baixinho, com um tom preocupado.

"Hum… preciso ir ver minha mãe agora…"

"Mamãe? Ela vai te buscar! Só brinca aqui e espera, tá bom?"

"……"

"Sabe, minha mãe é muito legal? Ela é uma costureira incrível também, e quando ela chegar, eu vou te mostrar primeiro."

Então, ela riu timidamente outra vez e saiu correndo pela rua.

"……"

…Essa criança provavelmente nunca vai poder mostrar nada para a mãe dela.

– Dá vontade de pegar todas elas e tirar daqui no instante em que as vê, não é? Mas não dá para se deixar levar. Entendeu?

Cerrei os dentes.

– Se tirar a criança errada, ela morre.

No 'Palácio do Oceano Brilhante', ao resgatar uma criança desaparecida há muito tempo (mais de 1.000 dias), ela desaparece como uma bolha assim que volta para a realidade.

É preciso confirmar antes a data do desaparecimento.

Mas dizem que é incrivelmente difícil.

– …Cada vez que vamos, o grupo de crianças que encontramos é diferente. Mas já tivemos casos em que uma criança não vista no ano anterior provava ter ficado aqui por mais de três anos.

O tempo flui de forma caótica aqui.

Crianças que desapareceram ontem no mundo real podem já estar vivendo aqui há cinco anos.

Por outro lado, há crianças de épocas muito antigas ou até de linhas do tempo paralelas em que eventos diferentes aconteceram.

Por isso, é necessário conversar com cada criança, descobrir em que ano elas estavam vivendo e confirmar se são desaparecidas recentes, só então é possível tirá-las daqui.

O único lado bom é que o senso temporal dos agentes não foi distorcido. Provavelmente porque, embora o 'truque do dokkaebi'[1] os faça parecer crianças, por dentro ainda são adultos.

– Mas ainda podemos ser afetados por fenômenos sobrenaturais como as crianças, então ficar muito tempo aqui é perigoso.

O Agente Choi, líder da missão, havia declarado isso.

– Dois dias.

– ……

– Passaremos exatamente dois dias aqui e sairemos no terceiro. Entendido? …Para ser sincero, poderíamos aguentar mais, mas o Escritório diz dois dias, então…

– Agente.

– Pois é! Por isso disse só dois dias.

E assim, a partir de agora, nós três do Time Tartaruga Negra 1 'temos que encontrar uma criança desaparecida no mundo real há menos de três anos'…

…e somente essa criança.

"……"

Não dá. Talvez pelo fato de estar em corpo de criança, fico fácil de me abalar.

"Calma…"

Respirei fundo e comecei o trabalho.

Tive que conversar com o maior número possível de crianças em minha área designada dentro do prazo, para ouvir suas histórias.

E posso dizer com orgulho que me esforcei ao máximo nesses dois dias.

Conversei com cada uma das crianças que nos receberam, e até encontrei os quartos onde as crianças que não vieram nos recepcionar estavam.

Mas…

"…Este é o fim da missão de resgate desta rodada."

"……"

"……"

……Não encontramos uma única criança que se encaixasse nos critérios em dois dias.

Nem uma.

"Vamos voltar."

Baixei a cabeça.

"……"

…Há coisas na vida que simplesmente não dão certo, por mais que tente.

'Eu não conheço essa história de fantasmas.'

Como nunca a tinha visto nos <Registros de Exploração Sombria>, não tinha truques secretos nem métodos especiais.

Era mais seguro — e correto — seguir as regras do Escritório e o plano traçado pelo superior.

'Além do mais, seria perigoso chamar atenção demais agora.'

Então isso era só…

"Não quero!"

……

…?!

Espere.

F-Fui eu quem disse isso agora há pouco?

"Eu não quero! Temos que continuar procurando!"

…Fui eu!

"……I-Isso é."

Para piorar, meus superiores também começaram a parecer preocupados.

…Porque estamos em corpos infantis!

[1] - ‘Dokkaebi’ é um espírito folclórico coreano conhecido por pregar peças e capaz de alterar sua aparência, aqui se refere a um efeito sobrenatural que faz os agentes parecerem crianças.

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