
Capítulo 350
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
Uma novata fazendo birra.
Dois supervisores quase chorando.
Os três tinham oito anos.
A situação só piorava de um jeito impressionante.
“Droga!”
Isso não era uma discussão, era só um desabafo de emoção exacerbada…!
Finalmente tentei explicar o motivo do meu “Não! Temos que continuar procurando!”, disposta a me segurar se fosse preciso, mas os dois já estavam totalmente contagiados pelo clima.
As lágrimas se espalhavam rápido entre as crianças…!
“A-ainda temos tempo, e você disse que só faríamos dois dias por causa das regras. Por isso pensei que ainda daria para explorar com segurança e sem correr risco de contaminação…”
“…É verdade.”
“Então eu gostaria de continuar procurando, senhor. Só mais uma criança. Talvez ela esteja aqui e a gente não achou!”
O Agente Mirim Choi fungou.
“E-então só… mais dois dias…”
“Agente!”
O Agente Bronze, com os olhos vermelhos nos cantos, interveio lançando um olhar severo para o Choi antes de se virar para mim com voz firme.
“Não.”
Queria responder: “Por quê?!”
E respondi.
“Por quê?!”
Estou enlouquecendo.
O Agente Bronze gritou de volta.
“Porque é perigoso! A vida de um agente vem sempre em primeiro lugar. Se ultrapassarmos as regras…!”
A voz dele falhou por um instante.
“Já vi agentes morrerem por isso. Muitos sunbaes nunca voltaram.”
“……”
“É por isso que… nunca deveríamos começar algo assim. Seguir as regras é o caminho certo.”
‘……Huu.’
Ele não está errado.
Então o Agente Bronze olhou para o meu braço.
“Não esqueça que seu braço precisa ser recarregado a cada três dias.”
“Eu trouxe um carregador! E-então que tal isso? Só mais uma noite. Só uma única noite.”
Choi levantou um dedo.
“Se até amanhã à tarde não tivermos certeza de que podemos resgatar alguém, a gente vai embora. Pode ser? Atrase a missão meio dia… isso é só uma linha no relatório.”
“……”
Os dois nos olhamos instintivamente, esperando a resposta do Agente Bronze.
“Jaekwan-ah…”
“Agente, é…
Faça o que quiser.”
E aí o Agente Bronze fechou a boca.
Deixando apenas essas palavras.
“Eu nunca concordei.”
Parecia mesmo.
O rosto vermelho, ele não conseguia esconder o incômodo e a amargura.
Ainda assim, era também um sinal silencioso de que não protestaria mais, então o Agente Choi logo encerrou.
“Tudo bem. Então só mais um dia!”
Assim, os três garotos prometeram que, se nada encontrássemos, desistiríamos e iríamos embora na hora.
E cada um voltou para o alojamento infantil da sua área designada.
O Agente Choi ficou perto do palácio, o Agente Bronze na fonte central, e eu… segui para a entrada da cidade.
O incômodo era que nossos caminhos se cruzavam, então acabei andando com o Agente Bronze.
“……”
“……”
“É, desculpa…”
“…Tá tudo bem.”
O Agente Bronze suspirou e falou.
“Comparado a outros casos afetados pelas artimanhas dos dokkaebi[1], esse foi um resultado razoavelmente sensato.”
“S-Sério?”
“Sim. Alguns agentes chegaram a chorar e brigar entre si.”
Ah, entendi.
“É por isso que precisamos de regras. Em situações sobrenaturais como essa, por mais que não faça sentido na hora, seguir o protocolo é importante. Você vai acabar percebendo que foi a atitude certa.”
O Agente Bronze respirou fundo.
“Claro que você não tem culpa, Agente Grapes. Todo novato passa por algo assim pelo menos uma vez. Mas quem estava no comando falhou ao não explicar direito e ficou no meio do caminho, então…!”
“……”
Você realmente sabe como calar a boca do novato que acabou de conseguir negociar mais um dia graças a essa mesma pessoa que está reclamando…
De qualquer forma, embora o Agente Bronze ainda não parecesse completamente feliz, o clima melhorou o suficiente para que ele me desse um conselho na hora de nos separar.
“As crianças todas vão dormir antes da meia-noite de qualquer jeito. Agente Grapes, não gaste energia à toa. Descanse também.”
“…Sim.”
No Palácio Oceano Brilha-Brilha, dia e noite são marcados pelos badalos do relógio da torre da cidade.
Quando a noite cai, uma sonolência adequada ao ciclo de sono das crianças se instala. Todo mundo dorme antes da meia-noite, e uma música alegre toca no nascer do sol para acordá-los.
Era uma estrutura nitidamente sobrenatural, perfeita para uma história de fantasmas.
Atravessei os tons dourados e avermelhados deslumbrantes do distrito do palácio, entrei na parte da cidade iluminada por luzes azul-marinho e brancas suaves e alcancei o alojamento que me fora designado.
Na entrada havia uma placa que dizia:
Camas do Mundo dos Sonhos
para Crianças
Dentro, um quarto enorme decorado de forma lúdica, do jeito que combina com crianças pequenas, com cerca de uma dúzia de camas com dossel bem macias.
…Todas as crianças ali já dormiam profundamente.
Porque eu gastara até o último segundo possível tentando resgatar alguma criança que ainda pudesse ser salva, levei o tempo ao limite.
O sono me dominava também.
“Huu.”
Escolhi uma das camas vazias e me deitei. A roupa de cama absurdamente macia e quente envolvia minha cabeça e corpo com delicadeza.
Então, por um instante, a vergonha que acabei de mostrar me veio à mente… Putz.
Eu fiz birra? Eu?
‘Nem me lembro de ter agido assim nem quando era criança de verdade.’
E pelo jeito deles, o Agente Choi e o Agente Bronze provavelmente também pensaram o mesmo sobre si mesmos.
Talvez porque as artimanhas dos dokkaebi não sejam um verdadeiro rejuvenescimento, mas mais uma ilusão, há essa sensação estranha de que viramos o “conceito” de criança.
Então, o que importa agora é manter a calma e não se deixar levar pelos traços exagerados desse corpo infantil.
O objetivo não mudou, afinal.
Com a mente turva, fiz uma promessa lenta.
‘…Vamos acordar cedo e começar a procurar logo.’
Talvez uma.
Apenas uma… talvez eu consiga resgatar pelo menos uma criança.
……
……
[Grapes.]
(Nota do tradutor: forma carinhosa de falar "Podo" em coreano.)
…Hm?
[Grapes. Acho que você vai ser uma ótima agente. Seu braço também acha.]
Uma voz, calorosa e familiar, chegou até mim.
Não, ouvindo de novo, soava confiável e forte.
O que é isso?
[É seu sonho.]
Faz sentido.
Agora que penso, eu havia adormecido.
Diante dos olhos fechados, uma luz cintilante tremulava como uma chama quente.
[E nos sonhos, pensamentos que não vêm em sua mente na realidade muitas vezes aparecem. Porque você está livre das amarras do mundo real.]
……
Coisas que não conseguimos pensar na realidade.
É verdade. Agora que eu estava numa missão de resgate como criança por causa das exigências de entrada, provavelmente havia coisas que eu tinha negligenciado.
[1] - Dokkaebi: criaturas folclóricas coreanas semelhantes a duendes que pregam peças ou provocam as pessoas.