Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 330

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Eu não esperava que existisse um lunático capaz de reconhecer alguém só pelas veias entre a luva e a manga.

‘Agente Choi.’

E muito menos que eu seria a pessoa pega por isso.

‘Isso está me tirando do sério.’

Uma situação que ia além do desconcertante, a ponto de congelar qualquer um.

Mas eu não podia me dar ao luxo de congelar.

Só precisava aparentar um pouco de confusão. Qualquer coisa além disso seria suspeito.

Então…

“Desculpa?”

Melhor virar a suspeita contra ele.

Fingindo nervosismo, engoli em seco de forma audível enquanto o encarava.

Depois, como alguém encurralado por um cultista de rua, comecei a recuar.

“Eu, eu s, desculpa, mas… estou aqui com alguém.”

“Hã??”

“Eu já vou.”

Ou seja, finji não reconhecer o agente Choi.

‘Um agente novato, mentalmente abalado depois de perder um braço, pode muito bem não reconhecer um sunbae que visitou uma vez no hospital só pelo olhar…!’

Principalmente se esse novato havia reunido sua última dose de coragem para entrar num lugar assustador como este reino de histórias de fantasmas.

‘Dessa forma, ele pode ficar desconcertado também e começar a dar explicações…’

“Aigoo, beleza então. Se cuida~ Nos vemos no trabalho.”

“……”

Caramba, droga.

‘Não tem como escapar dessa.’

No fim das contas, abri a boca.

Como se falasse numa dúvida vaga ao ouvir a palavra ‘trabalho’.

“…Hum, você é… o, hum. O superior que conheci no hospital…”

“Oh~ Agora você me reconhece. Que bom.”

O agente Choi bateu de leve no meu ombro e tentou casualmente me guiar para a borda da praça. Espera, peraí…!

“Hum, desculpa, mas eu ia comprar aquilo…”

“Eyy, eu já te disse, aquilo está ali encostado, encalhado, há cinco anos, né? Vamos conversar. Feliz só de te ver aqui… Por que um novato que deveria estar no hospital aparece num lugar como este?”

“……”

De propósito, alcancei por baixo do casaco e toquei no braço direito falso.

Eu senti o olhar do agente Choi.

“…Neste lugar, hum, ouvi que pode ter algo aqui que sirva temporariamente para substituir um braço.”

“Aha~ E quem te contou isso? Jaekwan?”

“Não posso dizer, senhor.”

É uma armadilha!

Soltar um nome assim do nada gritava ‘estou mentindo para sair dessa situação’.

Tampouco combinava com a persona que eu tinha construído no escritório. Teria sido patético.

“Leal, hein.”

Como esperado, agente Choi riu e bateu de novo no meu ombro.

Então essa abordagem estava funcionando afinal…

“Ou talvez você achou que eu perceberia na hora que era um nome inventado.”

“……”

“Não é? Uhahaha!”

Argh!!

“Tudo bem. Que agente não tem segredos? Talvez tenha um motivo para você não poder contar.”

“……”

“Vamos ver… você estava tentando comprar aquilo, certo? Posso dar uma olhada?”

O agente Choi voltou a atenção para o braço com o qual eu estava prestes a fazer negócio.

Uma mão faltando o dedo mindinho, segurando um pedaço de papel amassado e manchado de sangue.

“Mas isso aí nem parece um item relacionado ao próprio braço.”

“……”

“Por que você queria comprar isso? Não entendo.”

Putz.

Nesse caso!

“…Porque, hum.”

“Ohh?”

Baixei a cabeça.

“…Parece desesperado.”

“……”

“Está segurando aquele papel com tanta força, e tem sangue ali, então… pensei que talvez o dono da mão estivesse segurando algum tipo de mensagem de desespero.”

É a verdade.

Não agora, mas essa era minha teoria quando li pela primeira vez a entrada sobre esse braço no <Registros da Exploração Sombria>.

De qualquer forma, o agente Choi ficou em silêncio por um tempo.

Agora é minha chance. Hora de explicar…!

“Eu não sabia que ele estava aqui há cinco anos, no entanto…”

“Hoobae-nim[1], vamos pensar um pouco.”

O agente Choi colocou uma mão no meu ombro e me virou gentilmente.

Da frente, a parede da praça apareceu, coberta por braços ondulantes e grotescos.

“Será que esse é mesmo o tipo de lugar onde alguém mandaria um sinal de socorro?”

“……”

“Todo mundo aqui entrou voluntariamente nesse espaço bizarro para vender coisas. Não parece um cenário provável para alguém precisando ser resgatado, né?”

Isso é…

“Parece que podemos deixar pra lá, então, certo?”

…não é algo que o agente Choi normalmente diria.

Quero dizer, não o agente Choi que eu conhecia dos Registros da Exploração Sombria.

‘Ele era do tipo que faria qualquer coisa pra salvar pelo menos mais uma pessoa.’

O agente Choi era um personagem nomeado da era inicial do wiki.

E nos primeiros dias do <Registros da Exploração Sombria>, quando só existia o Departamento de Gestão de Desastres Sobrenaturais, os registros enfatizavam a missão principal da agência governamental—salvar civis.

Para aumentar a imersão e a coesão da narrativa, foram adicionadas configurações extras para consistência de tom e facilitar o andamento da história.

O Departamento de Gestão de Desastres Sobrenaturais prioriza a vida dos seus agentes acima de tudo em todas as operações.

Além disso, dava mais importância em acabar com a história de fantasmas do que em resgatar civis. Por isso, vítimas civis ocasionais eram um risco aceitável.

Mas o agente Choi foi um personagem nomeado antes que esses detalhes de construção do mundo fossem acrescentados.

Naturalmente, isso significava que ele era o tipo de agente que se esforçava ao máximo para salvar todos os civis.

No processo, usava táticas ardilosas, conquistava habilidades e itens… mas sua essência nunca mudou.

Pelo menos até ser dado como morto após desaparecer durante o incidente do Looky Mart.

“……”

Como esperado.

Parece que posso seguir com isso.

“Mesmo assim, gostaria de tentar, senhor.”

“…?!”

De repente, saquei o item que tinha preparado e estendi a mão—

Na direção da mão sem o dedo mindinho.

“Esse braço nem faz negócios—”

Chicote—

O braço investiu agressivamente.

“…!”

E então veio um som de esmagamento, como se a mão sem o mindinho tivesse engolido o item que eu ofereci.

Em troca, o pedaço de papel amassado e manchado de sangue que ela segurava caiu no chão sujo, e eu consegui pegar quase por um triz.

[1] - Forma respeitosa de se referir a um colega mais jovem ou júnior, comum em contextos coreanos.

Comentários