Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 280

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

[Que tipo de pergunta estranha! Se eu estava feliz, você pergunta? Claro que sim! Sou um artista que aproveita cada papel…]

"Então, ser um bom amigo não era particularmente mais gostoso do que qualquer outro papel? Nem um pouco?"

[……]

O corpo controlado por Lee Jaheon permaneceu completamente imóvel.

Então, a enorme tela da TV se acendeu.

[Ah, já entendi o que você quer dizer.]

[Será que você quer que eu vire aquele brinquedo de pelúcia cheio de carinho e volte a ser seu bom amigo? Hahaha!]

[Continuar atuando como o amiguinho feliz?!]

Dentro da enorme tela surgiu um coelho de pelúcia, acenando com a mão — exatamente como naquele momento de um mês atrás.

Mas Kim Soleum permaneceu impassível.

"Até que teria sido bom. Eu sinto falta."

[Oh, senhor Kim Soleum.]

A TV falou num tom exageradamente alegre, quase zombeteiro.

Na tela, o coelho de pelúcia olhava nervoso ao redor antes de se encolher num canto.

[Infelizmente, aquele bom amigo já foi rasgado e reduzido a cinzas! Você nunca mais vai vê-lo!]

"Não, quem é você."

[……!]

"O corpo de pelúcia era só uma aparência externa."

Exato.

No fim das contas, quem aceitou de livre e espontânea vontade as limitações de ser um bom amigo e se moveu dentro daquele corpo de pelúcia… era o apresentador que estava bem na frente dele, aqui e agora.

Mesmo agora, exibindo aquele coelho de pelúcia na tela —

‘Esse é você.’

Ele mesmo falava disso.

"Já ouvi algo parecido."

A voz calma de Kim Soleum preencheu o espaço.

"Quando atores interpretam papéis muito marcantes, mesmo depois da apresentação acabar, às vezes têm dificuldade de se desligar totalmente do personagem."

Porque.

"Se o papel foi divertido ou envolvente o suficiente, ficam vestígios dele mesmo depois que termina."

[……]

Ele se lembrou do que tinha visto antes.

O apresentador, congelado quando o corpo de pelúcia de Kim Soleum foi rasgado.

‘Honestamente, ele deveria saber que eu não morreria só porque a pelúcia foi destruída.’

Aliás, não foi ele mesmo quem me colocou ali dentro?

Indo além, era estranho um apresentador de talk show deixar o silêncio se prolongar só porque um convidado morreu.

Um ser como ele deveria simplesmente mostrar um emoticon chorando na tela, fingir lamentar por um momento, e transformar aquilo em assunto para o próximo quadro.

Mesmo assim, se ele ficou assustado ao ponto de tentar remendar o recheio —

Isso definitivamente era esquisito.

"Fiquei pensando se isso valia pra você também."

[Oh. Você quer dizer que este grande apresentador, que deu vida àquele papel, foi afetado por uma mera máscara que usou por alguns meses… Você acha que meu profissionalismo é tão fraco assim?]

"Não vejo por que isso significaria fraqueza alguma. Até grandes atores têm dificuldade para se desligar dos papéis que interpretam. Significa só que estavam profundamente imersos."

[Isso é…]

"É verdade, não é?"

Lee Jaheon continuou recitando as palavras de Kim Soleum num tom distante.

"E de um jeito um pouco diferente… eu também encontrei muito conforto em você ser meu ‘bom amigo’."

[……]

"Eu agradeço. Sério, obrigado. Nos momentos difíceis, ter você como amigo realmente me ajudou e me acalmou. E… também tivemos muitos momentos divertidos."

A voz de Kim Soleum ressoou.

"Você não sentiu o mesmo?"

[……]

[Nossa.]

A voz do apresentador baixou um pouco.

[Que vergonha, mas acho que tenho que admitir. Sim. Foi uma experiência realmente nova e prazerosa!]

[É raro encontrar alguém com tanto talento natural como criador e intérprete. Acompanhar e interferir na sua jornada foi um prazer totalmente único…]

"Entendo."

Mas.

"É justamente por isso que não quero mais trabalhar neste talk show."

Uma voz tranquila.

"Primeiro, esse talk show me assusta. Não que eu não tenha achado divertido, mas, sinceramente, é difícil trabalhar aqui. Você conhece meu jeito."

Só de pensar em pessoas morrendo, ele sentia calafrios. A ideia de colaborar com isso de alguma forma era horrível.

E Kim Soleum entendeu outra coisa.

‘Mesmo que eu tentasse convencê-lo, será que ele — o apresentador — de repente começaria a ter decisões éticas?’

Nem pensar.

Assim como Kim Soleum, do jeito que era, sempre rejeitaria trabalhar como membro da equipe ali, o apresentador jamais teria um súbito ataque de moralidade.

E a possibilidade ainda mais assustadora, se ele perdesse completamente aquela sensação de repulsa, se deixasse de sentir qualquer aversão por aquele lugar, isso significaria algo muito pior.

Seja lavagem cerebral ou contaminação, isso seria a perda da própria identidade dele.

"Pra ser honesto, mesmo que você me chamasse de parceiro, tudo isso foi unilateral. Eu basicamente fui obrigado a virar um membro da sua equipe. O clima até me fez começar a te chamar de 'senhor apresentador' por hábito."

Uma brincadeira com uma ponta inegável de verdade.

"Nesse estado, não podemos continuar amigos. Eu serei seu subordinado se continuar assim. Não estarei mais agindo por vontade própria."

Kim Soleum olhou além do seu próprio campo de visão.

"E quando isso acontecer, você vai se cansar de mim bem rápido."

[……]

"Então, eu tenho que voltar. …Vai ser muito mais divertido pra você também."

Um brilho estranho passou pela superfície da TV.

Kim Soleum especulou que talvez por isso o apresentador quisesse mantê-lo trabalhando no talk show — mantendo-o o mais intacto possível, sem mudar demais sua forma de pensar.

Como uma garoa constante, molhando devagarinho.

‘Quase deu certo até certo ponto… mas não assim.’

Ele não poderia ficar para sempre naquele lugar assustador.

Mas ainda assim.

"Isso não significa que não podemos ser amigos."

[…!]

"Você lembra do que eu disse antes?"

– Amigos tentam entender as diferenças um do outro, e mesmo quando não conseguem, ainda se importam.

– …Falando abertamente sobre isso.

"Não precisamos trabalhar no mesmo lugar para compartilhar nossas vidas e continuar amigos."

Já que a ponte já havia sido queimada, era hora de reconstruí-la de um jeito diferente com esse ser que ele havia invocado.

Se não dá pra evitar, é melhor encarar.

"Você não precisa ser um bom amigo. Só amigo já basta."

Dentro da TV, o coelho de pelúcia parecia inclinar-se em direção à tela, como se ouvisse atentamente.

Kim Soleum quase quis sorrir.

"Se você topar, que tal tentar isso?"

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