Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 279

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

À medida que o número de punições aumentava, elas se tornavam cada vez mais brutais e aterrorizantes.

Punição 3, Punição 4, Punição 5…

Clang!

Kim Soleum mal escapou de um restaurante gourmet especializado em cozinhar seres sencientes, desviando da faca do chef—ao preço de perder algumas mechas de cabelo.

E então.

Punição 6

O Espantalho Carmesim

Um vasto milharal.

Entre as grossas folhas e talos, uma criatura retorcida, de múltiplos membros, se arrastava perseguindo Kim Soleum como um centopeia.

Nesse ponto, fugir parecia impossível…

Mas quem controlava o corpo de Kim Soleum era um personagem nomeado dos <Registros da Exploração Sombria> — o Funcionário D da Equipe de Exploração de Campo.

Desviando feito um acrobata, ele contra-atacou.

E com um lampejo da faca sugadora de sangue—

Slash! Três ou quatro membros do espantalho foram cortados. A plateia soltou um suspiro extasiado.

No entanto, era só questão de tempo.

Num conto de terror sobre um monstro no milharal, jamais se ganha pela força bruta.

Seu corpo já ferido tinha limites…

‘…Então essa punição foi feita para eu morrer.’

Kim Soleum esperou.

Esperou—

Esperou o momento—

Exatamente quando o espantalho se lançou para atacar…

– AGORA!

Seguindo o conselho de Kim Soleum, Lee Jaheon mudou abruptamente de direção.

E então—disparou em alta velocidade.

Na direção da tela da TV.

"Quê—?!"

"Ele está crescendo!"

E então.

[Oh!]

Ele pulou direto para fora da TV.

O corpo de Kim Soleum rolou pelo chão, enquanto Lee Jaheon aterrissava em uma queda controlada.

WAAAAAAAAAAAH!!!

Louco!!

O público foi à loucura.

[Inacreditável! Meu Deus!]

Por um momento, o próprio apresentador pareceu esquecer sua raiva.

O que importava agora era que o programa havia atingido um novo patamar.

Como se nada mais no mundo importasse, exceto que um bom espetáculo fosse concluído, um emoticon sorridente apareceu na tela da enorme televisão vintage, acompanhado da voz brilhante de um mestre de cerimônias.

[Limpar seis punições! Foi absolutamente eletrizante! Um espetáculo de tirar o fôlego! Ah, verdadeiramente delicioso. E aí, pessoal, gostaram?!]

SIIIM!!!

A plateia explodiu em aplausos.

E então—

O apresentador, falando com voz aveludada de dentro da colossal TV, respondeu.

[Pois bem…]

<p style="font-size: 1.5em; text-align: center; font-weight: bold; font-style: italic;">[Volte para dentro e receba a 7ª punição.]

A tela da TV se aproximou mais uma vez.

[Foi doce ouvir os aplausos da plateia, não foi? Você deve retribuir esse entusiasmo. Ah, não podemos acabar agora—olhe só o quanto eles adoram! Continue. CONTINUE…]

Naquele momento.

Dos escombros, um membro da equipe anônimo e sem rosto conseguiu puxar um caderno de desenhos e o ergueu debaixo do palco.

—ALERTA DE EMERGÊNCIA.

[…Aha!]

A TV parou.

[Olha só o que aconteceu?]

[É hora do intervalo comercial.]

A plateia gemeu desapontada.

[Haha, por mais que eu me lamente, precisamos encerrar este segmento surpresa aqui. Mas não se preocupem—um final extravagante está reservado para todos vocês!]

[E claro, este breve intervalo só vai aumentar a sua expectativa!]

Com um emoticon sorridente na tela, o apresentador da TV fez uma reverência ao seu público.

[Sim. Quando as câmeras forem desligadas, quando os olhos da plateia se fecharem, quando as luzes do palco apagarem…]

O anfitrião se dirigiu à figura agora inútil de Kim Soleum.

[Quem pode dizer quais coisas maravilhosas podem acontecer com um convidado depois que seu segmento termina?]

"……"

[Voltaremos em breve.]

Click.

As luzes das câmeras se apagaram.

Mas os membros da equipe não subiram para limpar o palco quase destruído.

Na escuridão, com as vozes murmurantes da plateia ainda vívidas…

O apresentador ergueu a mão.

Fixou seu olhar no convidado agora inútil de um segmento encerrado—

No tolo imprudente que ousou destruir seu cenário e quebrar seu querido amigo.

E então, seus dedos gigantes enluvados pressionaram-se lentamente, prestes a estalar….

"Braun."

A mão parou.

"Você incinerou meu 'corpo de boneco'?"

……

[Ah. Voltamos a esse assunto.]

[Veio rastejando pedir ajuda? Que sem-vergonha. Mas, pensando bem, a falta de vergonha é uma virtude no showbiz…]

"Não."

Lee Jaheon, ainda no controle do corpo de Kim Soleum, pronunciou as palavras com calma.

"Só tenho uma pergunta."

O emoticon desapareceu da tela da TV.

‘Eu sabia.’

Kim Soleum tinha certeza.

Braun não conseguia ler seus pensamentos neste momento.

Porque quem falava diretamente com Braun era Lee Jaheon.

Assim como ler um roteiro em voz alta não significa conhecer toda a intenção do dramaturgo, Braun não tinha como decifrar a verdadeira mente por trás das palavras.

E o mesmo valia para Kim Soleum.

‘Porque eu realmente não estou aqui.’

Ele via e ouvia tudo indiretamente.

Na persuasão, o contexto e a atmosfera são cruciais.

Mas agora, toda a informação vinha apenas através de palavras e imagens. Sem a experiência sensorial completa, ele podia resistir à ‘persuasão’ do grande apresentador.

Isso significava que, pela primeira vez, eles poderiam ter uma conversa de verdade.

Uma conversa genuína. Onde nenhuma das partes podia ler a mente da outra—onde precisariam ouvir, interpretar e realmente se engajar.

"Você vai me ouvir? Acho que não estava esperando essa pergunta…"

[Ah. Blefar às vezes pode ser útil no palco.]

[Mas esse tipo de tática só funciona com amadores—não com um verdadeiro entertainer.]

O mestre dessa talk show de terror fixou seu olhar invisível nele.

[Você realmente acredita que recitar roteiros velhos e batidos, histórias comuns de fantasmas ou clichês entediantes será suficiente para me comover?]

Mas.

"Não é isso. É só uma pergunta pessoal."

Sua voz era calma.

['Uma pergunta pessoal'?]

"Sim."

Os lábios de Kim Soleum se moveram.

"Foi frustrante ser um bom amigo?"

[ ]

A tela da TV congelou.

Mas ainda assim—sua voz suave continuou.

[Um artista que se sente sufocado pelo papel designado não merece estar no palco.]

[Nesse sentido, este Braun jamais se sentiu preso por máscaras.]

"Entendo. Porque, quando eu era um boneco de pano, me sentia bastante preso e assustado. Eu só queria saber se você já se sentiu assim também."

[Ah, querendo formar empatia e conexão? Previsível, e que tédio.]

[Pode tentar justificar por que eu não deveria te incinerar aqui e agora com aquele capanga.]

[Antes do intervalo acabar.]

"……"

Kim Soleum pensou.

Ele sabia—se simplesmente fugisse agora, inevitavelmente enfrentaria um fim ainda pior no futuro.

Ainda assim, apostar tudo nessa jogada continuava sendo uma opção.

Mas para Kim Soleum, uma aposta só valia a pena se tivesse uma chance real de vitória.

E ele tinha seus motivos para fazer essa aposta.

Essa era a possibilidade à qual ele se agarrava.

"Então. Ser um bom amigo te fez feliz?"

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