
Capítulo 253
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
"A-Ajuda…"
Agora só restava confirmar.
"Senhor Ancião."
Ajoelhei diante dele, alinhando meus olhos aos seus. Inclinei-me o suficiente para sussurrar em seu ouvido, garantindo que ninguém atrás de mim pudesse escutar.
"Você leu a diretiva, não leu?"
"……!"
"A diretiva confidencial do governo sobre o ‘Teste Paraíso’."
Os olhos apagados e confusos de antes, de repente, recuperaram uma tênue centelha de consciência.
"C-Cómo você—!"
"Um momento, por favor."
Como eu esperava.
'Então é verdade…'
Após um breve momento de reflexão, tirei uma seringa de Happy Maker do bolso.
– Ah, preparando para mais uma entrevista, é?
'…Sim.'
Eu precisava falar com aquele homem, custasse o que custasse.
Para garantir as informações que precisava — e para, sutilmente, dissipar a suspeita crescente de que eu sabia demais sobre essa situação desde o início.
Injetei o potente analgésico nas costas da mão do dono do Coração Prateado.
Phhk.
"Huuuuhk!"
Com um arfamento alto, seu corpo convulsionante parou imediatamente, caindo no chão com um baque suave.
E então—
"Hiiic! Hiiuuhk! Hiic, hicc…"
Lágrimas escorriam pelo seu rosto enquanto ele babava no chão.
"Que diabos? O que há com ele?"
"…Ele caiu tantas vezes no altar."
Juduzando pela condição dele, devia ter sido jogado para fora pelo menos cinco vezes.
Como o Happy Maker era um analgésico e não um restaurador, sua mente destroçada não iria se recuperar completamente.
Mas, ao menos, ele podia falar agora.
"Eu não consigo… n-não consigo mais…!"
"……Sim."
Aquele homem era a chave.
Felizmente, ele começou a fornecer informações valiosas imediatamente.
O dono do Coração Prateado, com lágrimas escorrendo pelo rosto, agarrou meus ombros assim que nossos olhares se cruzaram. Seu aperto era desesperado.
"Você! Você sabe, não sabe?!"
Seus braços trêmulos apertaram meus ombros.
"Sete! São só sete vezes! N-Nós conseguimos!"
"O que exatamente precisamos resistir?"
"Os altares!!"
Então, num tom suplicante, ele acrescentou,
"Eu sei o que é isso. Isso, isso é. Eu sei. É gerenciado pelo governo! Lá, nós, temos um departamento dedicado a esses tipos de fenômenos — isso faz parte disso. Eu vi com meus próprios olhos!"
"……"
"Eu li! Eu t-trabalhei naquele lugar —"
Atrás de mim, ouvi os membros da equipe de elite comentando baixinho.
"Ah, então ele é um ex-funcionário da Agência de Gerenciamento de Desastres?"
"Hmm… talvez ele tenha algum equipamento útil."
Eles acertaram em cheio.
Continuei com mais perguntas.
"Entendo, senhor. Então, pode me dizer — o que exatamente é esse fenômeno sobrenatural?"
O ex-funcionário de nível inferior da Agência de Gerenciamento de Desastres, ainda meio delirante, começou a revelar pedaços de conhecimento confidencial.
"Uuhh, o negócio é, esse — esse fenômeno sobrenatural. Se, se você sobreviver a sete altares. Só sete altares — acaba. É só um sonho… ah, é tudo só um sonho. E, e por isso o nosso clube de fotografia…"
Ele parou de falar, o olhar turvo girando pelo vagão.
Olhou para os outros membros do Clube de Fotografia Azul, deitados no chão, contorcendo-se em dor e loucura.
Agora eu entendia por que eles tinham acabado assim.
'O dono do Coração Prateado os convenceu…'
Ele os persuadiu de que precisavam apenas se sacrificar uma vez para chegar ao sétimo altar.
Mas nem todos tinham a bondade e a coragem do dono do Coração Prateado.
Alguns resistiram. Outros hesitaram ou entraram em pânico. Alguns tiveram medo demais para pular quando chegou sua vez. No meio do caos e das discussões, o dono do Coração Prateado provavelmente virou exemplo — pulando repetidas vezes pela janela para encorajá-los.
E quanto mais ele caía, mais sua mente se quebrava, e a contaminação do Coração Prateado dele se espalhava pelo vagão todo.
Presa num ciclo de dor e contaminação, todos no Vagão 1 acabaram perdendo a sanidade.
Em algum momento, todos começaram a pular pela janela, com a sanidade completamente despedaçada.
Eventualmente, eles destrancaram a porta e se espalharam pelos outros vagões, causando o caos que se seguiu.
'Foi aí que as coisas ficaram ainda mais sombrias.'
Por isso não conseguimos abrir a porta do Vagão 1 à força antes.
Se tivéssemos, teríamos desencadeado uma catástrofe completa com o dono do Coração Prateado, meio louco, liderando o ataque.
'Por isso tivemos que esperar.'
A hora certa aparecesse.
Nem mesmo o dono do Coração Prateado era um deus.
Em algum ponto, no meio da loucura, da confusão e do desmoronamento da identidade, aquele passageiro devia ter desejado desesperadamente ajuda dos outros.
Mas, para então, já era tarde demais.
O caos se espalhando pelos outros vagões já tinha alcançado um nível irreversível…
No momento em que desistiram e lutaram para aceitar ajuda dos outros—
Era preciso haver paz fora do Vagão 1, e o surgimento de uma alternativa.
Algo convincente o suficiente para que suas mentes quebradas se estendessem e destrancassem a porta.
…Mas este era o 14º ciclo. O Vagão 1 já era um inferno.
"M-Meu Deus, pesso-pessoal… dói taaaanto… hiiiiiic…"
"……"
Isso é enlouquecedor.
A tragédia esmagadora de ver isso de perto bateu muito mais forte do que qualquer texto que eu já tinha lido na wiki.
'Por isso precisamos escapar rápido.'
Mordi o lábio e fiz a pergunta crítica — aquela que poderia me dar a pista decisiva.
"Senhor Ancião, o trem que você viu na diretiva… qual trem era exatamente? Era este daqui?"
"Hiiic, sim. É este trem, está certo. O trem para Iksan. O trem com destino a Iksan…"
A supervisora Dolphin inclinou a cabeça, confusa.
"Iksan? Que estranho. Este trem está indo para Mokpo."
Baek Saheon respondeu rapidamente.
"Hum, na verdade, passamos pela estação de Iksan, supervisora."
"Ah, é? Então Iksan é só uma parada no caminho?"
"Sim, isso mesmo."
Mas ao invés de confiar na explicação de Baek Saheon, a Dolphin decidiu verificar ela mesma.
Ela caminhou pelo corredor sujo do Vagão 1, ignorando os soluços e o caos ao redor. Finalmente, puxou um folheto do bolso do assento e folheou rapidamente.
Ela assentiu depois de confirmar os detalhes.
"Aha. Sim, está certo!"
"Ok. Então, de acordo com o ex-funcionário da Agência de Gerenciamento de Desastres, só precisamos passar pelos sete altares, certo?"
"Exato. Sete altares… o que significa 28 sacrifícios — ah, espera um pouco."
Ela congelou.
"Sete altares?"
"……"
Ah.
Ela entendeu.
"Hum, Supervisora Roe Deer."
"Sim."
"Você sabia que as rotas dos trens geralmente são estendidas com o tempo?"
"Faz sentido."
"Então, talvez essa rota antes fosse mais curta. Talvez quando a estação Iksan fosse a última parada."
"……"
"É por isso que originalmente chamavam de Expresso Iksan."
Acertou em cheio.
Tecnicalmente, a rota foi estendida em meados dos anos 2010 — de Iksan até Mokpo.
"E tem mais uma coisa."
O dedo de Dolphin parou numa seção específica do guia.
"De Seul a Iksan, se você estiver num trem local, passa por exatamente sete estações."
"……"
"Então, esses altares pelos quais estamos passando — são as estações."
Claro.
"E seguindo essa mesma lógica…"
Ela virou a página com um movimento do pulso.
"Ao contrário da antiga rota até Iksan, o trem atual para Mokpo passa por nove estações."
Ela fechou o folheto com um estalo.
"Ou seja, os altares não acabam no sete — temos que passar por nove altares."
"……"
"E isso significa que precisamos fazer sacrifícios em nove altares, totalizando 45 pessoas."
Foi uma dedução assustadoramente precisa.
'Como era de se esperar de uma funcionária de elite.'
E essa verdade explicava por que os passageiros do Vagão 1 tinham enlouquecido completamente.
■■º Ciclo :
Depois de passar pelo sétimo altar, apareceu um oitavo altar.
A suposta ‘solução’ apresentada pelo dono do Coração Prateado — seu único fio de esperança — foi destruída.
Com essa esperança perdida, o Vagão 1 entrou numa espiral de raiva, medo e pânico, até que todos desabaram mentalmente.
'…Ainda bem que não chegamos a esse ponto.'
Eu não teria sido capaz de suportar.
Enquanto soltava um suspiro silencioso de alívio —
"Mas, supervisora."
Dolphin se virou para mim.
"Você só tem 11 doses de analgésico, certo?"
"……"
"E você já usou uma, então restam 10. Ou seja…"
"Precisamos que 45 pessoas pulem, mas os analgésicos só vão cobrir dez deles, certo?"