
Capítulo 254
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
– Que surpresa! Chegou o momento da difícil escolha, amigo.
A voz animada de Braun ecoou no meu ouvido.
– Então, Sr. Roe Deer, você tem apenas 10 passes em mãos, mas há 45 candidatos pobres que precisam cair naquele altar horrendo de carne podre para sofrer. Que critério vai usar para escolher os 45 sacrifícios e depois os 10 sortudos que serão poupados?
– Um julgamento? Uma votação? Uma análise? Um sorteio? Ah, tudo isso soa terrivelmente desagradável...
A voz de Braun foi ficando cada vez mais empolgada.
– Mas não é essa tensão, pressão, suspense, alívio, alegria e desespero a essência de um grande espetáculo?
– Este é o momento decisivo. Ah! Olhe ali — um palestrante está falando!
Naquele instante —
"Isso não importa, certo?"
A gerente assistente Jin Nasol falou.
"Gerente assistente?"
"Se há 10 analgésicos ou apenas um, que diferença faz? Só pegue 45 pessoas e jogue fora. É só isso."
O tom dela dava a entender que não entendia por que aquilo sequer estava sendo discutido.
Ela se virou para mim e acrescentou —
"Era para isso que você estava preparando tudo desde o começo, não era?"
Click.
A gerente assistente empurrou levemente a porta do Vagão 1.
"…! Gerente assistente..."
"Olhe."
Pela porta entreaberta, vi os passageiros do Vagão 2, acenando e com sorrisos preocupados.
Centenas de pessoas amigáveis, criando uma atmosfera onde tudo parecia seguir sem atritos.
"Bem, isso saiu melhor do que eu esperava. Achei que tudo isso seria um esforço em vão, mas agora parece que vai facilitar as coisas."
"......"
"Afinal, as pessoas neste trem não entendem direito o que está acontecendo, não é? Elas só vão perceber quando já tiverem caído."
...Era a verdade.
Eu podia pegar qualquer um ali e dizer: 'Você foi escolhido entre os 45, é sua vez de pular.'
E eles nem saberiam que deveriam receber analgésicos antes de cair.
Simplesmente pulariam sem preparação... para o que parecia horas de tortura interminável.
"E, se não acabar no nono altar, podemos continuar fazendo-os pular até que não apareça mais nenhum altar."
"......"
"Então, vamos começar a jogá-los agora—"
"Isso não é possível."
"…!"
Alguém respondeu.
Era a Supervisora Golfinho.
Ela olhou para a gerente assistente Jin Nasol e respondeu firme —
"Isso não é possível."
"Sério?"
A têmpora de Jin Nasol tencionou, mas ela foi habilidosa o suficiente para dar espaço para a outra explicar.
"Então, o que você sugere?"
A Supervisora Golfinho, fiel ao seu jeito, ofereceu uma solução muito no estilo dela.
"Só escolha as piores pessoas e jogue fora."
"Você está louca? Por que complicar as coisas desse jeito?"
Naquele momento —
<marquee behavior="scroll" direction="left" scrollamount="7">Para alcançar Tamra, ofereça um sacrifício.</marquee>
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"É hora."
Jin Nasol caminhou decidida para a saída do Vagão 1.
Os olhos da Supervisora Golfinho brilharam, e a mão dela tremia, pronta para agir… E-Espere um segundo!
"Esperem!"
Eu rapidamente me coloquei à frente da gerente assistente.
"O quê."
...Era como estar à beira de um precipício.
'Mantenha a calma. Seja cauteloso.'
Engoli seco e falei —
"A sugestão da supervisora faz sentido. Não devemos apenas mandar as pessoas pularem às cegas."
"......"
"Quero dizer, existe uma boa razão para fazer assim!"
"Uma razão?"
"Sim."
Respirei fundo.
Mantenha a calma.
Eu precisava adaptar o que sabia da narrativa para meu argumento de forma natural.
"Gerente assistente, quando você saiu pela janela, ouviu a voz no altar cheio de carne podre, não ouviu? Aquela que dizia coisas como ‘Abandonem seus pecados’."
Abandonem seus pecados.
Arranquem o tanto que seus pecados merecem.
A estranha e avassaladora ressonância que nem mesmo o Happy Maker conseguia bloquear.
Sem ela, eu estaria ralando minha própria pele, queimando de dor.
"E?"
"Se a voz tem esse poder, ela deve estar profundamente ligada ao fenômeno. Acho que nessa Escuridão, a palavra-chave é ‘pecado’."
"......"
"A palavra-chave que precisamos para resolver isso."
Jin Nasol parou de andar.
"Continue."
"Sim."
Engoli de novo.
"Não é estranho desde o começo? Por que os sacrificados acordam no trem de novo depois de cair? Se eles foram oferecidos como sacrifício, não deveriam voltar."
"Eles voltam perturbados, no entanto."
"Sim, mas é porque eles seguem a voz que diz para ‘arrancar o tanto que seus pecados merecem’. A dor os enlouquece."
Conectei duas coisas que até então estavam vagas, acumuladas em 14 voltas.
"Então, o sacrifício não é a pessoa em si — é a ‘carne’ que eles oferecem proporcionalmente aos seus pecados, certo?"
"…!"
Isso não aconteceu antes?
Quando a loucura do culto se espalhou, passageiros de todos os vagões mataram uns aos outros, fizeram rituais delirantes e jogaram corpos pela janela.
Se contássemos as pessoas que caíram para a morte, o nono altar já teria sido ultrapassado com facilidade até agora.
E, ainda assim, apesar de centenas de voltas, esse pesadelo nunca acabou.
A razão era simples.
"As pessoas em si não são os sacrifícios. São os pecados delas que estão sendo oferecidos no altar."
"......"
"E as pessoas voltam."
Depois de completar a oferenda, a pessoa sempre atravessa o altar e volta para o ponto inicial do trem.
É assim que o loop se reinicia.