Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 252

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

—“A porta do Vagão 1 abriu, é isso que você disse?”

—“Sim!”

Imediatamente me dirigi, junto com os outros, para o Vagão 2. Baek Saheon saiu correndo, com um sorriso triunfante no rosto.

—“Fiz o possível para convencer os passageiros do Vagão 1 a abrir a porta. Claro, foi um esforço coletivo de todo mundo, venerável Pathfinder.”

—“Entendo. Vocês se empenharam bastante.”

Parecia que a cada reinício do ciclo, ele vinha batendo na porta do Vagão 1, gritando que havia uma solução e pedindo para que eles saíssem.

—E provavelmente, ele deve ter contado com entusiasmo aquelas grandes histórias das suas conquistas, senhor Cervo!

—Ah, eu queria ter ouvido aquelas histórias fascinantes… Mas não se preocupe! Um bom amigo sempre escolhe ficar ao lado do amigo!

Sim. Obrigado, lendário anfitrião…

De qualquer forma, parecer que compartilhar de forma eficaz as informações sobre a situação lá fora realmente fez diferença no Vagão 1.

Eu me lembrei exatamente de como tudo havia sido descrito na wiki.

Tudo se repetia dezenas de vezes.

Sangue e loucura dominavam todos os ciclos.

Aquelas duas frases estavam cristalinas na minha memória.

“A porta do Vagão 1 só abre depois de todos esses ciclos.”

Para ser sincero, eu tinha planejado arrombar a porta lá pelo vigésimo ciclo.

“Mas 14 ciclos? Isso já é bastante bom.”

Não é à toa que Baek Saheon ganhou o apelido de ‘Víbora’ da Equipe de Exploração de Campo na wiki. Assenti, reconhecendo seus esforços.

—“Então, vamos falar com eles—”

—“Espere!”

Baek Saheon me deteve apressado.

De jeito nenhum…

—“A porta fechou de novo.”

—“……”

—“Tecnicamente, fizemos contato. Olhe isso!”

Baek Saheon me entregou, aflito, algo amassado e imundo.

Um pedaço de papel sujo e amassado.

Rabiscado em letras grandes...

AGUENTE MAIS SETE VEZES

...eram palavras irregulares, marcadas com força no papel, cercadas por manchas escuras, avermelhadas e negras de alguma substância viscosa e repugnante.

—“Argh.”

—“E-Esse negócio... parece a podridão que vimos no túnel.”

Um murmúrio de inquietação se espalhou pela multidão.

—“E-E se o Vagão 1 virou uma espécie de inferno amaldiçoado? Igual ao túnel!”

—“Verdade! Eles se fecharam e ignoraram a orientação do Pathfinder, e agora vê como estão—sofrendo terrivelmente!”

Por favor, mantenham a calma.

Balancei a cabeça rapidamente, tentando acalmar a multidão prestes a entrar em pânico coletivo parecido com uma seita.

—“Isso é improvável. Parece que eles estão sentindo muita dor, sim. Mas me deem um momento.”

Fui direto até a conexão entre os Vagões 2 e 1.

Então, bati firme na porta fechada do Vagão 1.

Toque, toque.

—“Tem alguém aí?”

—“É inútil. Já tentei várias vezes—”

—“Olá. Sou aquele a quem chamam de ‘Pathfinder’. Podemos conversar?”

Continuei chamando.

—“Atrás de mim estão mais de 300 passageiros. Podemos ajudar vocês.”

—“Alô?”

—“Viemos oferecer auxílio!”

—“Já disse que é inútil—”

Cliques.

—“...!”

A trava se soltou.

Ignorando a expressão atônita de Baek Saheon, me voltei calmamente para a multidão.

—“...vou entrar sozinho.”

—“E-Espere, você não pode!”

—“Venerável Pathfinder, e se algo acontecer?”

Sorri para tranquilizá-los.

—“Se muitas pessoas entrarem de uma vez, pode assustar os passageiros do Vagão 1. E se algo acontecer, voltamos ao começo do ciclo, certo? Eu vou ficar bem.”

—“M-Mas pelo menos leve algo para se defender—”

Obrigado. Eu estava esperando que alguém dissesse isso.

—“Nesse caso, vou contar com meus colegas.”

Olhei para os dois superiores da equipe de elite e para meu colega de turma.

Os três, já informados, assentiram imediatamente. Assim, formou-se a frente unida dos funcionários da Daydream Inc. que entrariam no Vagão 1.

‘Perfeito.’

Foi um alívio, principalmente porque eu já podia ver sinais claros da paciência de Jin Nasol se esgotando.

—“Cuidado, venerável Pathfinder!”

Pedi aos passageiros que permanecessem no Vagão 2 até serem chamados, e apesar da preocupação, eles obedeceram relutantes.

Mais um suspiro de alívio.

‘Ufa.’

…Está ficando cada vez mais difícil administrar todo mundo.

‘Mais cedo ou mais tarde, as coisas vão começar a sair do controle.’

—“A única razão pela qual conseguimos manter o clima relativamente calmo até agora é porque as pessoas vêm me ouvindo.”

Eu ainda sentia o peso do pequeno distintivo no bolso do paletó.

O poder do Coração de Prata era assustador — indiscutivelmente.

Respirei fundo.

—“Então, vou abrir a porta agora.”

Foi quando o senti.

O olhar frio de Jin Nasol, me observando em silêncio.

—“Não acha que está demorando demais?”

—“……”

—“Será que devia ter chegado ao 14º ciclo?”

—“Sim.”

Respondi calmamente.

—“Uma evacuação segura é importante. Minimizo variáveis, reúno experiência dos altares e confirmo o método de fuga.”

Agora, só precisávamos executar.

—“Por isso, esta viagem será a nossa última.”

—“……”

Jin Nasol cruzou os braços e, silenciosamente, me concedeu um último aval.

Tomara que seja mesmo o último.

—“Então, se estamos prontos como dizem, vamos em frente.”

—“Sim.”

Enquanto Baek Saheon corria atrás de nós, sem autoridade para reclamar, o Supervisor Dolphin abriu a porta.

Clack.

No instante em que se abriu, um cheiro forte e metálico atingiu nossas narinas.

—“……”

Aquele era o mesmo odor dos altares.

E então—

—“Estou com medo! Estou com medo! Estou com medo! Estou com medo!”

—“Argh! Gruuuh, uuurk!”

—“Hiiic, hiiicc…”

Vozes chorosas.

—“Entrem.”

Fiquei parado, momentaneamente atordoado com a cena diante de mim.

O Vagão 1 estava completamente contaminado.

Mais de 50 pessoas dentro se debatiam, rindo histericamente, rolando no chão e chorando desesperadamente.

O chão era uma bagunça de vômito, sangue e pedaços de carne rasgados.

Uma pequena faixa, encharcada de sujeira e sangue, jazia amassada no corredor.

[Clube de Fotografia Azul – Viagem Anual de 17º Ano]

Isso mesmo.

Os passageiros do Vagão 1 eram membros de um grande grupo de reserva — um grupo turístico de agência.

Eram pessoas que já se conheciam bem, conectadas, amigáveis.

E agora, haviam acabado assim…

—“Essas pessoas... elas revezavam jogando umas às outras pela janela, não era? Ou será que faziam isso em um rodízio?”

—“O quê? Mas 53 pessoas estão completamente fora de si. Mesmo jogando alguém fora a cada vez, só foram 14 ciclos.”

—“Tem razão. O que significa que... como a Supervisora Kim supôs, tem uma ‘pessoa de interesse’ entre eles.”

Exato.

A não ser que cada pessoa tivesse sido jogada para fora, só havia uma possibilidade. Alguém dentro do grupo contaminado tinha influência esmagadora — forte o bastante para influenciar e liderar os outros.

E essa pessoa, dentro desse grupo muito próximo, provavelmente usava um equipamento capaz de desencadear persuasão extrema e pensamento coletivo.

—“Funcionário Baek.”

—“…!”

—“A coisa que pedi.”

Baek Saheon estremeceu, antes de baixar apressado seu tapa-olho e olhar o ambiente. Seu olho violeta olhava em disparada até congelar subitamente.

Prendeu a respiração e apontou.

—“Ali.”

Bem atrás de mim.

Virei devagar para olhar a pessoa que Baek Saheon indicava.

—“……”

Um homem de meia-idade estava caído, segurando a maçaneta da porta que liga ao Vagão 2, antes de perder a consciência.

Se eu o encontrasse na rua, acharia que era apenas um homem comum, com aparência gentil.

Ou, pelo menos, seria isso se seu corpo não estivesse convulsionando, torcido grotescamente no chão.

—“N-Nós podemoos...”

Um líquido vermelho escuro escorria de sua boca enquanto as veias em suas têmporas se destacavam. Todo o seu corpo estava coberto por arranhões autoinfligidos, fruto de quando ele arrancava sua própria pele.

—“É possível, é possível...”

—“S-Sete vezes, mais sete vezes...”

Me aproximei devagar do homem enquanto ele murmurava para o ar.

A camisa estava um pouco levantada pelos movimentos, revelando a ponta do cinto.

Lá estava — brilhando discretamente em prata.

Um pequeno distintivo reluzente.

—“É essa a pessoa de interesse?”

—“...Sim.”

A figura crucial por trás do Desastre do Expresso Tamra —

O Possuidor do Coração de Prata.

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