Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 258

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

SPLAT—

Meu corpo caiu no corredor carmesim do altar depois de despencar do trem-bala. No instante em que meus sentidos começaram a registrar o ambiente—

“Puta que pariu.”

Aquilo era puro inferno, sem filtros.

Eu não conseguia acreditar que nunca tivesse sido tocado por essa cena antes. Apesar de já ter passado por isso duas vezes, a diferença sem o Happy Maker era avassaladora.

O chão se contorcia com incontáveis pedaços de carne apodrecida, se debatendo feito vermes, enquanto sangue podre e sujeira formavam um mar grotesco.

S-Seriam essas alucinações? Não, eu tenho o anel de prata, então deveria estar… Não, para. Para de pensar.

Respirei fundo, deixando os efeitos protetores do anel ativarem. Pelo menos aquela voz horrenda que ecoava na minha mente tinha sumido.

“Concentre-se… concentre-se…”

E foi então que.

Uma dor lancinante me assolou.

“…!!”

Quase desabei.

Queima.

Queima demais!!

E

S

C

A

L

D

A

I

A

E

N

C

E

Cada letra parecia cera derretida queimando o corpo inteiro.

O desaparecimento da voz não amenizou a agonia. Ao meu redor, quem ainda a escutava se debatia em tormento.

“Loucura! Isso é loucura!”

“Aaaaaaaargh!”

“O que está dizendo…? Pecado? Pecado?!”

Gritos, choros e falas desconexas enchiam o altar. Minha cabeça girava.

Thud.

Alguém próximo caiu no monte de carne. Segurei um grito e puxei a pessoa para fora.

“Grkkk…”

Analgésico.

Eu me concentrei apenas em ampará-la e preparar a injeção do Happy Maker quando—

De repente, a dor diminuiu.

“Não… não é isso!”

Não era que a dor tivesse sumido. Era que onde meu corpo tocava a outra pessoa — nas costas e ombros — a dor simplesmente não aparecia, tornando o restante suportável.

“…Ah!!”

Eu havia percebido algo.

Lá onde havia contato físico, a queimação não se fazia presente. O corpo não estava exposto ao ambiente do altar!

“Galera! Fiquem juntinhos! Isso ajuda na dor!”

Entrelacei meu braço com o de alguém próximo e gritei. A mensagem se espalhou rápido.

“Não deixem a pele exposta! É daí que a voz sai!”

“Pega a mão de alguém!”

Grupos dispersos começaram a se agrupar, abraçando-se apertado.

“Sai de cima de mim, seu desgraçado! Aaaah!”

Claro, nem todo mundo lidava bem. Alguns ainda entravam em pânico, empurrando outros para os montes de carne.

“Filho da puta! Eu não vou deixar barato! Você mentiu! Você mentiiiuuu!”

Aquele homem, que tinha entrado na nossa turma antes com arrogância na esperança de ganhar “poderes especiais”, gritava impropérios antes de afundar na gosma.

Mas mais de vinte pessoas conseguiram se unir, grudadas como pinguins.

“A gente aguenta…”

“Dá pra suportar… Dá pra suportar!”

“Vamos!”

De braços entrelaçados, seguimos empurrando, mantendo a maior proximidade possível. Mãos entrelaçadas seguiam firmes para impedir reações autodestrutivas. Os pés esparramavam a carne em decomposição enquanto corremos.

Gritos e lamentos ecoavam, mas também palavras de incentivo e brados de determinação.

Um sentimento de propósito compartilhado.

“Estamos quase lá!”

A luz se aproximava. Devagar, mas firme.

Só mais um pouco.

Mais um pouco…

E finalmente—!

“Ah…”

As pessoas soltaram gritos desesperados ao se jogarem na luz.

“Uooowww!!”

Eu também fui envolvido pela claridade, minha consciência subindo lentamente para uma euforia distante. Embora a voz já tivesse sumido há tempos…

……

De repente, um pensamento me veio à mente.

Talvez, esse teste que o trem fantasma apresentava nunca tivesse sido realmente resolvido até agora.

E naquele instante, senti como se tivesse vislumbrado a direção da resposta.

“E se, em Tamra…”

E se, fazendo com que todos os passageiros do trem pulassem juntos e passassem por esse processo, pudéssemos alcançar um mundo desconhecido?

* * *

Abri os olhos.

“Huuuhk!”

“Urgh…”

“Ah… O-O que é isso?”

Ao meu redor, ouvi pessoas ofegando e soltando pequenos gemidos.

Movimentos bruscos de pessoas despertando de um pesadelo eram evidentes, com cadeiras tremendo pelo vagão.

Levantei a cabeça imediatamente para conferir a tela do trem.

Havia letras no painel:

Destino Mokpo

Então, mudou.

Partindo

Fweeeeet!

Com um som agudo, o trem-bala começou a deixar a estação…

“Ah, conseguimos voltar sãos e salvos.”

“…Sim.”

Fuga, bem-sucedida.

“Huuuu…”

Soltei o ar, meu corpo afundando totalmente no assento enquanto a tensão se esvaía. Mas no momento em que olhei para o assento à minha frente, fiquei em alerta.

“…Assistente Jin Nasol!”

Ela estava ali, sentada, com os braços cruzados, silenciosamente encarando o teto do trem com uma expressão indecifrável.

Claro, tudo fazia parte de um sonho agora, e já que ela não pulou pela janela no fim, provavelmente não estava tão brava. Mas mesmo assim…

“Tenho que fazer o que precisa ser feito!”

Rebusquei no bolso e tirei algo que restauraria as energias de uma superior obstinada e focada na eficiência como ela.

Era algo que nós três, daquele setor, tínhamos.

“…Assistente.”

“……”

“O Coletor de Essência do Sonho está cheio.”

Um líquido dourado e claro brilhava dentro do coletor enquanto ele se mexia.

Certo.

Como estávamos em uma viagem a trabalho, levamos os Coletores de Essência do Sonho conosco. Limpando essa história fantasma, eles ficaram completos.

“Se tivéssemos acabado com essa história fantasma quando ainda era só o Iksan Express, provavelmente só teríamos um grau F ou D…”

Mas um fenômeno anormal aconteceu, e a rota foi prolongada. Além disso, foram vários loops e muitas pessoas pulando pelos altares dessa vez…

“É um grau C.”

O mesmo grau da Escuridão que deveríamos explorar em Mokpo.

Com os coletores cheios, entrar em uma nova Escuridão não traria benefícios.

A expressão da assistente Jin Nasol finalmente mudou.

“Então não precisamos mais ir a Mokpo. Podemos voltar na próxima estação.”

“Siiim!”

Um alívio me tomou, e soltei um suspiro profundo.

“Graças a Deus.”

Para um trabalhador de empresa, voltar para casa mais cedo é sem dúvida o melhor presente.

Foi quando ouvi um murmúrio vindo dos assentos atrás de mim.

“Ei, tive o sonho mais estranho. O trem tava andando sobre água ou alguma coisa assim.”

“Haha, que? Isso é besteira.”

“Mas foi divertido. Tudo era um caos, e ainda tinha um sujeito quase santo chamado venerável ‘Explorador’ — aquele cara que tá sentado bem na nossa frente.”

“Sério mesmo?”

“…!”

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