Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 259

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Parecia que meu período como líder de seita havia deixado uma marca permanente em algumas pessoas.

‘Preciso sair daqui.’

Rápido, pedi licença aos meus superiores e me dirigi discretamente ao banheiro.

Click.

"Huu."

Certo, vou me esconder aqui por alguns minutos até que os detalhes do sonho comecem a desaparecer das memórias deles.

— Você parece uma celebridade fugindo de fãs extremos…

Era embaraçosamente certeiro.

Mas não era um desfecho ruim.

‘Não, na verdade, é um ótimo final.’

Uma leve sensação de orgulho se espalhou pelo meu peito.

…… Um sentimento de paz que os passageiros originais do Tamra Express jamais conheceram.

‘Porque naquela época, o final era muito mais horrível.’

A lembrança estava gravada na minha mente, mesmo sem precisar consultar a wiki.

Em um ponto dos loops infinitos, as mentes dos passageiros simplesmente tinham quebrado de vez. Eles mergulharam numa loucura coletiva, tornando-se algo que já não podia ser reconhecido como humano.

Naquele momento, os vagões tinham se transformado em pesadelos vivos, onde sequer passava pela cabeça a ideia de pular pelas janelas entre tanto sofrimento.

‘Mas, se você repete o processo o bastante, sempre existe a chance de alguém encontrar a resposta certa…’

Após inúmeras reinicializações e um tempo sem fim, eles finalmente reuniram o número correto de sacrifícios para o nono altar e escaparam dessa anomalia.

Mas, de certa forma, nunca escaparam de verdade.

Mesmo os que haviam passado pela oferenda uma vez ainda carregavam o trauma por vários minutos depois, como se acordassem de um pesadelo terrível.

Então e aqueles que suportaram isso centenas ou milhares de vezes?

‘…Eles jamais conseguiram sair do pesadelo.’

Presumivelmente, os passageiros não percebiam que o fenômeno sobrenatural havia acabado e que haviam retornado à realidade.

Eram convencidos de que ainda estavam presos no loop…

Aliás, à medida que a força mental deles se recuperava parcialmente ao voltar à realidade, o desespero aumentava, levando-os a agir de forma ainda mais irracional e violenta.

Assim, mesmo no mundo real, o inferno desceu.

A maioria dos passageiros matou e dilacerou uns aos outros ali mesmo — em seus assentos, nos corredores e perto das janelas.

Depois daquele caos e loucura horríveis, o trem descarrilhou…

E explodiu.

Foi assim que o ‘Desastre do Tamra Express’ teve seu fim terrível.

Sobreviventes: 7

Vítimas: 404

…Felizmente, esse cenário não se tornou realidade.

Soltei um suspiro profundo de alívio.

Hum, agora que tudo tinha acabado, finalmente tive tempo para questionar um mistério que ainda persistia.

Supervisor ■■■

O único funcionário conhecido da Daydream Inc. que sobreviveu a esse incidente no cenário original.

O mesmo que provavelmente possuía o anel de prata que eu usava — que havia trocado por três civis em Death Lane.

Onde exatamente essa pessoa esteve?

‘Ou melhor… será que ela esteve aqui?’

Eu não sabia.

O único funcionário da empresa que eu confirmara diretamente a bordo do trem havia sido Baek Saheon.

E, como não queria causar problemas desnecessários ou chamar atenção vasculhando todos os funcionários, deixei pra lá.

‘Bem, de qualquer forma, deu tudo certo.’

Se eles estavam no trem, deveriam ter sobrevivido, já que o incidente acabou em paz.

O que importava era que a tragédia originalmente ligada a esse trem havia sido evitada.

Bang, bang, bang!

Ah—

‘É hora de sair.’

Alguém, impaciente, batia na porta do banheiro.

Anotei rapidamente algumas notas no app de memorandos do meu celular para conservar as lembranças que ainda fugiam das últimas 14 repetições, joguei água fria no rosto e saí do banheiro do trem.

Click.

A pessoa que esperava do lado de fora entrou assim que a porta se abriu.

‘Deve ter pressa.’

Ignorei e fui direto para o meu lugar.

Fwick—!

"Seu filho da puta."

Instintivamente, abaixei o olhar.

Um estilete.

A lâmina raspou rente ao meu peito.

"…!!"

Puta merda!

Recuei imediatamente, agarrando o antebraço do atacante e torcendo com força.

Clang!

A lâmina do estilete caiu no chão com um estrondo enquanto eu empurrava o agressor para baixo e o imobilizava no chão.

Foi quando vi seu rosto.

"Seu desgraçado—ah, ahhh!!"

Esse louco.

Suor frio escorria pela minha nuca.

‘O aspirante a líder de seita!’

"Droga! Puta que pariu, isso dói!!"

Era a mesma pessoa abandonada no nono altar!

‘Esse idiota insano…’

"Você mentiu pra mim?! Então morra, seu filho da puta, seu pedaço de—"

Joguei ele com força contra o chão mais uma vez.

Thud!

Um impacto curto e surdo ecoou.

E ele desmaiou.

"Hahh…"

Minhas mãos estavam encharcadas de suor.

‘Será que ele pirou depois que o deixamos para trás?’

Considerando sua personalidade já deturpada, provavelmente sofreu ainda mais durante a oferenda, afundado na culpa.

Mesmo que fosse um pesadelo, devia ter sido especialmente severo para ele.

Que temperamento descontrolado.

‘Não é de se espantar que ele tenha acabado assim.’

Enxuguei o suor do rosto.

Pelo menos a lâmina não havia cortado meu peito nem me causado dor.

Por quê?

‘…Ainda bem que me envolvi em uma proteção antes.’

Nem imaginei que fossemos nos envolver em outra história de terror durante a viagem, mas me preparei para essa possibilidade cobrindo minha pele com um item protetor antes de partir.

O item “Wrapper 12B357나” era algo que eu havia comprado numa loja alienígena.

Dada a previsão de morte que recebi, foi uma precaução sensata.

‘Ainda assim, não achava que ia estar desviando da morte por causa de um maníaco com faca, em vez de uma história de fantasmas…’

Será que essa era a previsão de morte de que me avisaram? Tive sorte de escapar?

‘O que acha, Braun?’

……

……

Sem resposta.

"…Braun."

Uma sensação estranha desceu pela minha espinha.

Eu havia acabado de levar um corte no peito.

Embora a proteção tenha preservado minha pele, a camada externa do meu terno — especificamente o bolso esquerdo do peito — estava danificada.

E naquele bolso estava…

"…Braun?"

Mesmo assim.

Não havia resposta.

Com o coração acelerado, apressei a mão no bolso do terno.

Meus dedos trêmulos puxaram o pelúcia fofinha do animal que estava ali dentro…

Plip, plip, plip.

Algodão caiu no chão.

O tecido rosa pendia rasgado e desfiado, enquanto o chaveiro pelúcia quebrado balançava na minha mão.

"……"

Fiquei paralisado, encarando o boneco de pelúcia, agora partido em dois.

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