
Capítulo 202
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
O interior da loja tinha um leve cheiro de poeira, mas era acolhedor.
Tinha aquela atmosfera aconchegante típica de um lugar antigo.
Como se fizesse jus ao nome, a Papelaria Doce Estação carregava um aroma levemente adocicado que parecia quase reconfortante.
A tensão que deixara meus ombros enrijecidos começou a diminuir… Não, isso não podia acontecer!
“Fique alerta.”
Mordi o lado de dentro da boca uma vez e avancei novamente.
Prateleiras estreitas alinhavam as paredes como um labirinto, cada uma lotada de diversos snacks.
Na frente do grande expositor central, estavam os nomes dos produtos mais populares.
Algodão-Doce do Esquecimento
Biscoito Gente Boa
Chips-Chips Sabor do Sol
Você Quer Cenoura? Claro!
Goma de Mascar Bolha ao Contrário
Doce da Nostalgia ESGOTADO!
Caminhei em silêncio, passando os olhos pelos snacks.
Não vi a ‘Barra de Chocolate Bom Menino’, mas reconheci alguns nomes e embalagens familiares.
Alguns eram relativamente seguros e úteis.
“Beleza. Já que estou aqui, vou gastar minhas moedinhas.”
Eram bons itens ou eu poderia revendê-los para conseguir uma graninha extra.
Da última vez que me separei do Agente Bronze, o clima não estava tão ruim. Talvez eu conseguisse retomar minha rota de vendas de snacks de creepypasta por meio deles…
Considerando que eu tinha sido deixado sem nada, até meu último lingote de ouro, precisava de um jeito de ganhar dinheiro.
– Você está escolhendo bastante, Amigo! Cuidado para não estragar seus dentes.
Escolhi alguns snacks rapidamente.
Então, me virei para olhar o lagarto que estava me seguindo em silêncio, dando passos lentos e calculados.
“…Chefe de Seção, tem algum snack que gostaria de escolher? Quero oferecer um como forma de agradecimento.”
“Sim.”
Para minha surpresa, Lee Jaheon não recusou. Depois de dar uma olhada rápida ao redor, pegou um snack.
Goma de Mascar Bolha ao Contrário
Sopre como uma bexiga na boca, e seu corpo crescerá do tamanho de um prédio!
Original certificado pelo Instituto Alegre de Pesquisas
(Cuidado com imitações baratas vendidas em barraquinhas!)
“…Tem certeza desse?”
“Sim.”
Ele… queria se transformar em um lagarto gigante?
Empurrei minha imaginação desnecessária para longe.
“Vamos só pagar.”
Segurando os snacks escolhidos com as duas mãos, fui em direção ao caixa no fundo da loja.
No caminho, escaneei o interior todo de novo, mas a Barra de Chocolate Bom Menino ainda não aparecia…
“Hum.”
Acabei chegando primeiro ao balcão.
“Olá.”
O atendente sentado atrás do balcão de ferro fez um aceno lento com a cabeça.
Provavelmente o dono da loja, usava uma roupa casual e descuidada e um chapéu puxado sobre o rosto.
A primeira impressão era a de um proprietário comum de papelaria, mas… seis braços batiam contra o balcão.
“Nossa.”
Certifiquei-me de nunca olhar para o rosto e coloquei cuidadosamente os snacks escolhidos no balcão.
Então, puxei minhas moedas rapidamente.
“Aqui está.”
Não queria que houvesse mal-entendidos sobre isso ser uma troca.
Lembrei da primeira compra registrada com sucesso nessa loja nos <Registros de Exploração Sombria>.
Item comprado: Você Quer Cenoura? Claro! (1 unidade)
Custo: Memória do segundo dia de uma viagem em família em 1997
Certo.
Essa papelaria trocava memórias em vez de dinheiro.
Desde recordações felizes que faziam sorrir só de pensar, até traumas horríveis que se queria esquecer.
O tipo de memória perdido dependia do snack comprado.
“Por isso os registros de exploração variavam de emocionantes a verdadeiramente assustadores.”
Eu não queria arriscar o que poderia perder. Principalmente neste mundo de creepypastas, onde cada pedacinho do que eu sabia era crucial.
“Só preciso encontrar aquela Barra de Chocolate Bom Menino.”
Pensei em perguntar diretamente ao dono.
Mas, como a embalagem mostrava algo que parecia suspeitosamente comigo, não queria chamar atenção desnecessária para isso…
“Por favor, poderia me dizer onde está a barra de chocolate?”
Chefe de Esquadrão!
Quase peguei meu superior direto pela gola.
Mas o dono da loja apenas apontou para uma prateleira, indiferente, ainda largado na cadeira.
“Ufa.”
Então, a ilustração da embalagem não era parecida o suficiente comigo para reconhecimento imediato.
“Eu me contentaria só com metade do fígado de um lagarto…”
(Nota do tradutor: aqui, fígado = coragem)
Talvez eu devesse ter comprado lá no Açougue de Carne Fresca. Murmurando bobagens, me abaixei para pegar os snacks e o troco…
E então, vi.
“Hein?”
Havia algo atrás do balcão.
Um recorte em tamanho real e papeis decorativos, guardados às pressas.
Uma placa… e uma caixa azul cheia de barras de chocolate.
Colaboração com o Parque Temático – Lançamento de Novo Produto!
Barra de Chocolate Bom Menino (sabor Churros de Canela)
Meu Deus.
“Achei!”
Examinei a embalagem rapidamente.
Ela mostrava meu cabelo, a máscara e o traje com muito mais precisão do que eu esperava.
Tinha sido retirado o material promocional depois do fim do evento?
Não… Parecia mais que tinham corrido para esconder tudo.
“……”
Espere um segundo.
Olhei a embalagem de novo.
E então percebi.
Aquele produto não usava minha imagem como modelo de divulgação, nem decorava a embalagem com um personagem que só por acaso se parecia comigo.
Era…
Por favor, encontre esta boa criança.
Estamos à espera de relatos de testemunhas.
Era um cartaz de pessoa desaparecida.
“……”
Suor frio escorria pelas minhas costas enquanto eu dava um passo para trás.
Isso significa que…
Ding-ling-ling—
……
Virei a cabeça com rigidez em direção ao balcão.
O dono da loja estava segurando o telefone.
O som da campainha parecia estar conectando em algum lugar…
Click.
No momento em que a ligação foi atendida—
Aqui está você!
Me virei, agarrei o chefe de seção Lee Jaheon e saímos correndo.
Aqui está você! Aqui está você! Aqui está você!
Nem tive tempo de xingar. Mal conseguia respirar enquanto corríamos pela loja, colocando o máximo de distância possível entre mim e o balcão.
Corri em direção à porta pela qual tinha entrado—
Hein?
Por que você está aí?
Clack.
A porta trancou.
“……”
Me virei para olhar o dono da loja parado atrás do balcão.
“Estou saindo agora. Por favor, destranque a porta.”
Um breve silêncio.
Está tudo certo.
A voz do dono da loja ecoou nos meus ouvidos…
Do telefone em sua mão, um líquido negro começou a pingar, caindo no chão.
Cada vez mais denso.
Pingos. Pingos.
O fino filete de líquido começou a se juntar, torcendo e distorcendo no ar como argila sendo moldada.
Vim buscar você.
…Tomando a forma de uma fantasia de mascote que eu definitivamente já tinha visto antes, em algum lugar…
“……!!”
Puxei desesperadamente a maçaneta da porta. Mas ela não se moveu.
Puta que pariu, seu desgraçado—
“Solte a maçaneta.”
Ah.
No momento em que soltei a porta, Lee Jaheon bateu com o punho esquerdo nela.
Crac! Tum!
Como mentira, a maçaneta quebrou e caiu no chão.
A porta se abriu com um chute, revelando o beco lá fora.
Sem hesitar, saímos correndo.
Minha porta!!
Um som furioso e estrondoso surgiu atrás de nós. Splash, splash, splash!
O som da água misturada com a voz enfurecida do dono da loja nos perseguia pelo beco. Minha espinha ficou gelada.
“Braun!”
– Parece que você está precisando da minha ajuda, Amigo!
Exatamente!
“Apaga a luz! Para o chefe de seção Lee Jaheon também!”
– Até ele? Muito bem. Considere este meu presente!
Estalo!