Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 209

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

“Era um dia comum de trabalho.”

[Hum.]

O motorista nunca dizia claramente sobre quais assuntos gostava, apenas fazia perguntas.

Mas o taxímetro falava por ele.

[10.500]

[10.700]

[10.900]

[11.200]

Descontrolado.

– Credo, será que esse motorista não entende o que é papo furado?

Amigo

, se quiser, posso assumir como um apresentador experiente para animar a conversa…

‘Não precisa.’

Era o que eu esperava. Respondi com naturalidade minha próxima frase.

“Mas hoje quase morri no serviço.”

Thunk.

“Quase virei comida fresca enquanto tentava comprar carne no açougue.”

O taxímetro parou.

[11.300]

“Felizmente, o dono do estabelecimento era vegetariano. Troquei alguns legumes e saí de lá. Ainda ganhei na pechincha e recebi um troco.”

[……]

O ritmo dos dedos do motorista batendo no volante diminuiu.

O carro desacelerou.

[E o que aconteceu depois?]

Ufa.

“Segui para a viela dos fundos.”

Funcionou.

O que estou fazendo?

‘Enfiando o maior número possível de palavras-chave certas nas minhas respostas.’

O objetivo era dizer algo capaz de interessar a qualquer um dos quatro motoristas.

Uma tática que chamei de “Você vai gostar pelo menos de um desses assuntos”.

E por sorte, minha situação atual naturalmente me permitia puxar todo tipo de assunto sensacionalista.

‘Os últimos seis meses foram cheios de aventuras absurdas, afinal.’

[Qual será seu trabalho amanhã?]

Os tópicos pareciam não ter fim.

“Pretendo tirar um tempo para refletir sobre tudo que aconteceu. Tem sido bem agitado.”

Continuei guiando a conversa para temas estimulantes e interessantes, independentemente do que o taxista perguntasse.

Fui inserindo pesadelos, comida, sangue, violência, sobrevivência do mais forte, mascotes, culinária, adivinhação, fantasmas...

Tudo misturado de forma natural, como numa conversa casual.

Com o tempo, o carro avançava tão devagar quanto uma bicicleta.

Eu falava sem parar, a ponto de fazer Braun admirar algumas vezes minha capacidade de preencher o silêncio.

Quando minha voz quase ficou rouca...

[...Chegamos.]

O táxi parou.

[Chegamos ao seu destino, ‘Estação de Seul’.]

Click.

O trinco da porta traseira se liberou, e o vidro fumê desceu, revelando uma vista conhecida...

Era a paisagem noturna da Estação de Seul.

‘Hah…!’

Me senti tão aliviado que pensei em chorar.

Embora quisesse sair correndo dali, primeiro precisava pagar a corrida.

Olhei para o taxímetro.

[29.700]

[29.800]

Click.

O motorista parou o taxímetro.

[29.800]

‘Consegui…!’

Pagar menos de 30.000 geralmente era só possível em viagens curtas de 10 minutos.

Esse valor indicava que não teria prejuízo permanente.

[Hora de acertar o pagamento.]

O motorista estendeu a mão para trás.

Na palma havia um cheque.

-29.900 / Código 1

Peguei cuidadosamente aquele cheque antiquado, marcado com um selo de cera em forma de serpente...

No verso do cheque havia a descrição da maldição que o passageiro receberia.

Código da corrida 1: Doença

– Três dias de febre alta, dor de cabeça, hemoptise e calafrios.

Ótimo.

‘Isso é totalmente administrável.’

Bem melhor do que falência total ou a morte das pessoas ao meu redor.

“Obrigado.”

Apertei o cheque e fiz uma reverência profunda antes de finalmente sair do táxi.

‘Ha.’

O ar gelado do inverno parecia incrivelmente revigorante...

Knock, knock.

“……!”

O vidro do lado do motorista baixou pela metade.

[Senhor passageiro.]

Quase desmaiei ali mesmo.

“Sim?”

[Foi uma conversa agradável. Acho que meus colegas também gostariam de ouvir suas histórias...]

Na escuridão, a mão enluvada do motorista batia ritmicamente no volante...

[Vamos nos encontrar de novo depois da aposentadoria. Aí eu te pago uma bebida.]

Engoli em seco.

...Será que ele percebeu?

Os taxistas eram inspirados num motivo conhecido e aterrorizante.

Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse.

Conquista, Guerra, Fome e Morte — agindo como motoristas do fim do mundo nesta história macabra com duplo sentido.

Diante disso, o comentário foi o suficiente para arrepiar minha espinha.

Mesmo assim, assenti com calma.

“Sim.”

Mas os Cavaleiros do Apocalipse só se aposentariam no fim do mundo!

Eu já teria ido embora há muito tempo.

“Ficarei esperando. Boa sorte no turno.”

[Hahaha... Realmente. Trabalho cansativo.]

O vidro do táxi subiu de novo, e o carro preto sumiu em um piscar de olhos da Estação de Seul, deixando apenas o rastro vermelho do letreiro do táxi.

“……”

Olhei para o cheque negativo na minha mão.

Naquele instante, o cheque pegou fogo, e comecei a tossir sangue.

“Keugh—”

A febre alta e a dor de cabeça latejante queimavam meu crânio, mas era suportável.

E lá estava o lagarto me observando.

Ele também tinha sangue escorrendo do focinho.

‘Uuuuugh.’

Não exatamente uma cena agradável, mas não pude deixar de engolir minha saliva manchada de sangue enquanto falava.

“Hum, isso deve passar em três dias. Parece que... é assim que a regra funciona.”

“Sim.”

“E obrigado por não perguntar demais nem encher o saco no táxi. Isso significou muito — tossindo — ”

O lagarto me observava, a expressão inalterada, mesmo tossindo sangue.

“Kim Soleum-ssi.”

“Sim?”

“Tire uma licença médica.”

“...Sim.”

Algum tempo depois.

Depois que a hemoptise diminuiu, chamamos outro táxi para voltar ao alojamento da empresa.

Embora a ideia de mais uma corrida de táxi fosse desconfortável, nada mais aconteceu.

Além das nossas fiebres intensas, tanto o chefe de setor quanto eu chegamos em casa em segurança.

‘Não esperava que o Líder de Equipe Lee Jaheon morasse no mesmo alojamento.’

Nos separamos na frente do prédio.

“Tire uma licença médica.”

“Sim... Obrigado.”

Guardaríamos os detalhes para discutir depois no trabalho.

‘Ufa.’

E assim...

Cheguei em casa em segurança.

‘Até um alojamento de empresa pode parecer um lar.’

Quando abri a porta, o ar quente do ambiente me acolheu como um abraço reconfortante. Quase me senti eufórico.

Me sentindo tão mal, só queria um banho quente e cair na cama, mas...

Tinha uma última coisa a fazer.

‘Hã.’

Percebi um par de sapatos na entrada que não eram meus.

O sapato social de Baek Saheon.

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