
Capítulo 198
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
Um beco sujo e malcheiroso.
Mesmo dentro do barulhento e estranho mercado noturno cheio de entidades não-humanas, aquele lugar escuro e fedido parecia completamente deslocado.
Sob as luzes tremeluzentes dos lampiões a gás, figuras estranhas com uniformes fixavam seus olhos ocos em mim enquanto eu estava na entrada do beco.
– Ora, esse parece aquele tipo de lugar que a gente prefere nem pisar com sapatos brilhantes.
Mas eu tinha que entrar.
E não podia deixar que meus companheiros notassem que fiquei paralisado por um momento ao ver aquilo.
Plash.
Entrei no beco.
Meus colegas me seguiram de perto.
Glop, plash.
Andando entre paredes estreitas sob a luz fraca dos lampiões, passamos por fileiras de portas laterais apertadas umas nas outras.
"……"
Era surreal.
A cena dava a sensação de entrar numa imagem mal costurada, feita para se estender infinitamente com aquelas estranhas portas laterais.
Enquanto andávamos entre as portas, olhos nos encaravam dos dois lados.
'Hah.'
Figuras com uniformes sujos e manchados. Seus corpos negros anormalmente magros ficavam imóveis contra as paredes, com as cabeças virando para nos acompanhar.
– Uma estrela sempre chama atenção! Mas até estrelas precisam de um tempo pra descansar. Como sempre, esse Braun pode aliviar esse fardo pra você...
Queria gritar e implorar para que ele fizesse exatamente isso, mas—
'Não. Tá tudo bem.'
Não podia usar o "Apagar as Luzes" agora.
'Vou guardar para quando realmente precisar.'
– Claro!
É, eu tinha que aguentar aquilo.
'Siga o plano.'
Engoli em seco e continuei andando.
Justamente quando o frio subindo pelo meu pescoço deixou minhas pernas tão rígidas que quase não conseguiam dar um passo—
"…Huh?"
O exclamação de um colega me fez recobrar a atenção.
As portas laterais sem fim, as figuras de uniforme, e então—
Havia apenas uma.
Uma porta, entreaberta.
"……"
A porta estava um pouco aberta.
Da fresta saía uma escuridão profunda como tinta.
'Uau, sério mesmo.'
Parecia cena de filme de terror. Minhas pálpebras tremiam de tensão.
Mas eu tinha que dizer isso:
"Tem uma porta entreaberta ali. Parece um convite. Vamos entrar."
"Sim!"
"Ah… entendi!"
"……"
'E eles não deviam estar questionando essa loucura?!'
Mas eu tinha que fazer o que precisava ser feito.
Dando uma profunda respirada, me aproximei da única porta aberta.
Quanto mais chegava perto, mais forte era a vontade de correr, mas resisti.
Me abaixei para espiar na fresta estreita da porta preta…
E me deparei com um olho avermelhado.
"……!!"
Calma.
Eu já esperava por isso. Sem pânico, sem besteira…
Deslizei cuidadosamente algo que havia preparado pela fresta da porta.
Um maço de cigarros.
"……"
Minha mão tremia.
Parecia que algo gelado roçou meus dedos…
Criiick.
A porta rangeu e se abriu um pouco mais.
'……Ufa.'
Naquele beco, entrar nas lojas geralmente era proibido, mas o uso de itens viciantes como álcool ou cigarros às vezes permitia uma exploração temporária.
Consegui.
Retirando a mão agora vazia, cerrei os dentes.
Caramba, dava vontade de chorar... sério mesmo.
"Abrir a porta de um contato comercial investindo só 5.000 won? Você é demais, Supervisor!"
"Verdade?!"
"……"
Preferia que fosse alguém me convencendo desse jeito, pra eu poder ir tranquilo como eles...
Mas como fui eu quem convenceu, só podia seguir em frente com pesar.
'Aff.'
O olho avermelhado se foi, mas um leve cheiro de cigarro persistia.
'Melhor que antes.'
Suspirei aliviado e entrei.
"……"
Estava completamente escuro, mas dava para distinguir formas. Pilhas de caixas e objetos cobertos com panos pretos formavam um espaço labiríntico.
O ar carregava o cheiro abafado de um depósito.
"Ah, se fosse um depósito de descontos ou de sobra de estoque, poderíamos encontrar muitos itens valiosos..."
Mas não era.
Forçando caminho pelas caixas, finalmente avistei o que procurava.
"……! Senhor Roe Deer, ali..."
"Sim."
Uma segunda porta ficava mais lá dentro.
Era parecida com a que acabáramos de entrar, mas menos desgastada e muito mais limpa.
'……Acho que vou ter que abrir essa também.'
Pelo menos, desta vez eu não estava atrás do grupo.
Avancei, segurei a maçaneta e puxei com força…
Uma luz colorida e ofuscante perfurou meus olhos.
"……!!"
Enquanto minha visão se recuperava do clarão, o espaço diante de mim se tornou nítido.
Uma cena deslumbrante encheu meus olhos.
Elegantes lustres de cristal e latão, estruturas profundas de madeira escura sustentando o interior, e paredes decoradas com molduras douradas e grossas cortinas de veludo verde brilhante.
Mas o que mais chamava a atenção eram os três torsos de marfim alinhados nas paredes. Cada um exibia um terno ou vestido inacabado, com mãos enluvadas e desmembradas medindo e ajustando as roupas meticulosamente entre eles.
Meus colegas ficaram boquiabertos.
"Es-esse lugar...?"
Como uma cena dessas podia surgir tão de repente depois daquele beco assustador, alguém poderia se perguntar.
Para simplificar…
'Aquilo era realmente um beco.'
Seções confirmadas da Death Lane:
38 – Beco dos fundos da boutique
Entramos naquela boutique luxuosa vindo das ruas sujas dos fundos.
Claro que não éramos clientes legítimos.
Éramos apenas ladrões que invadiram um lugar miserável cheio de moradores de rua e trabalhadores desempregados, subornando com um maço de cigarros para entrar.
Mas métodos irregulares em histórias de fantasmas não eram exatamente novidade.
'Se der ruim, a gente corre.'
Se fossemos pegos invadindo, provavelmente cairíamos num destino horrível, mas era aí que eu contaria com o Braun para apagar nossa presença e escapar.
'A saída pelos fundos está pronta, afinal.'
Por isso eu guardei meu pedido para o Braun até agora!
Avancei.
"Uau...!"
Por favor, não fiquem impressionados, pessoal...
Apesar do meu nervosismo, as luvas que cuidavam dos torsos reagiram em uníssono.
Fweeeep!
Num apito leve, as luvas de repente se fixaram no corpo dos manequins vestidos com uniformes sofisticados azul-marinho.
Eram parecidos com as figuras que vimos no beco, mas muito mais limpos, arrumados e detalhados.
Até as cabeças apareceram.
As faces pintadas dos manequins nos encaravam.