
Capítulo 137
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
[Gente, que tipo de jogo é o “Forca”?]
[Isso mesmo! É um jogo educativo onde você tenta adivinhar a grafia de uma palavra! Se a letra que você gritar fizer parte da palavra, certinho! Se não, errou!]
[E para facilitar o aprendizado, vamos dar algumas dicas!]
Uma figura pendurada no ar.
Os tons pastéis da TV e sua voz alegre contrastam brutalmente com a cena, cortando meus ouvidos.
[Vamos começar?]
A figura pendurada, Assistente Eun Haje, esboça um sorriso forçado, gotículas de suor frio escorrendo.
“Todo mundo já sabe a resposta, mas a introdução é desnecessariamente longa, não acha?”
Essa história de terror do tipo B se baseava em tensão mental, pressão psicológica sufocante e uma dor atroz que levava a vítima beirando a morte.
...É esse tipo de história de terror.
É verdade que uma vítima escolhida para o Forca estava, na prática, sentenciada à morte.
Mas durante o “jogo” propriamente dito, ela podia segurar a vida temporariamente.
E esta vítima em particular é...
[A palavra de hoje é aquela que melhor representa a Professora Eun Haje! Vamos descobrir que tipo de pessoa é a Professora Eun Haje!]
Exposta sem misericórdia.
Segundo o <Registro de Exploração das Trevas>, toda tentativa de esconder a identidade da vítima falharia durante esse processo.
É como se a vida dela fosse inspecionada e julgada minuciosamente, com cada evento importante escancarado em destaque.
Até o próprio jogo clássico da forca foi modificado para essa finalidade.
[Gente, a palavra tem 8 letras!]
Olhei para os espaços em branco exibidos na tela da TV.
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Se você preenche todos os espaços corretamente, forma uma única palavra.
Normalmente, os participantes tentam adivinhar letras aleatórias em turnos, e os espaços vão sendo completados conforme as letras acertam a palavra.
É assim que a palavra é deduzida.
Mas...
“Aqui, cada letra está diretamente ligada à vítima.”
[Aqui vai uma dica para a 8ª letra!]
[Qual era o trabalho da Professora Eun Haje há quatro anos?]
Assim.
Chutar algo relacionado à história pessoal da vítima facilita.
Para tornar esse processo mais tranquilo...
A cooperação da vítima é necessária.
É preciso persuadir ou ameaçar quem está condenado à morte para falar.
“……”
“……”
Suor frio escorria pelo meu queixo.
‘Então, neste momento...’
O que eu estou fazendo mesmo?
Um bichinho de pelúcia nas mãos, uma TV ultrapassada, a Assistente Eun Haje pendurada no ar...
O que eu posso fazer?
‘Correr.’
Comecei a mexer os pés.
“Roe! Onde você pensa que vai?!”
“Não tenho tempo. Explico depois—”
“Você está indo atrás da forca?”
“……!”
“Mesmo que você a destrua, nada mudará. Você sabe disso, certo? Você leu o manual.”
“A gente só sabe quando tenta.”
Como no programa de perguntas, estou chamando o Chefe de Seção Lee Jaheon para cá.
Ou seja, se eu pedir para ele destruir a forca desta vez também...
É, até ela ser restaurada, teremos algum tempo.
“Espera.”
Não há tempo.
“Sente um pouco. Na verdade... tenho algo que quero tentar no final.”
“……”
“Não estou falando isso levianamente. Então, não faça nada que chame atenção também. Não podemos acumular penalidades desnecessárias.”
Penalidades.
“Você sabe do que estou falando, né?”
Sei.
Essa história de terror se baseava no medo opressor gerado pela sensação de estar completamente preso.
Os movimentos e ações dos 12 ‘novos professores’ eram monitorados em tempo real pelo jardim de infância via câmeras de segurança, e qualquer comportamento considerado impróprio resultava em uma ‘penalidade’.
[Falta um minuto. Professores, levantem a mão e gritem uma letra!]
“Assistente Eun! Assistente Eun!”
Naquele momento, a porta da sala de recreação se escancarou, e um funcionário entrou correndo, com cara de desespero e ansiedade.
Sua expressão denunciava frustração e desespero, como se procurasse freneticamente pela vítima, mas não pudesse correr por causa das regras.
Neste jardim de infância, correr acima de um certo limite de alarme era terminantemente proibido.
Vulgaridade, danos e qualquer coisa contra as regras do jogo — tudo era proibido.
“Putz — Huu. Por que tinha que ser a sala no final do terceiro andar!”
O funcionário reclamou para a Assistente Eun Haje, tentando se conter para não xingar, seguindo as regras.
“Ei! Você... Assistente Eun, o que você fazia há quatro anos atrás?”
Eun Haje sorriu de lado.
Porque...
“Seu verme imundo, como ousa me falar desse jeito?”
“……!”
Neste jogo, o enforcado era exceção a todas as regras.
“Q-Que... por quê, de repente...”
Não importava mais, afinal eles iam morrer mesmo.
“Eu tenho segurado minha língua até agora só para não me enfiar contigo, seu idiota sem salvação. E agora, vou morrer sem nem ter acumulado pontos suficientes. Que confusão.”
“E-Ent...”
“Se toca, seu troll miserável. Você já matou três novatos.”
O rosto do funcionário ficou vermelho de raiva.
“Tá sentindo que foi injustiçado? Frustrado?”
“N-Não...”
“Então aguenta. Você não quer ser julgado como ‘zero contribuição’ depois e levar punição, quer?”
Eun Haje provocou, sorrindo maldosamente.
“Só tem oito espaços. Comporte-se, tá?”
“……”
O funcionário prendeu a boca.
Era a decisão mais lógica.
Nesta história de terror, a ideia de que só uma pessoa morresse era o melhor cenário de acordo com o manual. Na prática, desvios frequentemente levavam à aniquilação total.
Era uma história onde sua sobrevivência dependia de seguir as regras à risca.
‘E se você errar até uma letra sequer nesse jogo da forca, vai enfrentar uma penalidade na avaliação final...’
Foi quando aconteceu.
“Ei, Roe. Venha cá.”
Assistente Eun Haje me chamou.
Quando me aproximei, ela abaixou a voz para que só eu pudesse ouvir.
“Eu era repórter há quatro anos.”
“……”
“Roe, você faz a tentativa. Evite a penalidade de ‘zero contribuição’ desde o começo.”
Isso está me deixando louca.
“Mesmo se você se recusar a tentar, nada vai mudar. Você sabe disso, né?”
“Ajudaria o meu estado mental, senhora.”
“Então comece se preocupando com o estado mental de alguém que está prestes a morrer. Vai fazer isso?”
Eun Haje franziu a testa.
“Imagina como seria horrível se aquele cara achar a resposta antes de você, hein?”
Hah...
Pressionei as têmporas e acabei dando um passo em direção à TV.
O funcionário que havia entrado de repente me encarou incrédulo.
“E-Ei, você...”
“A última letra da palavra é R. É a inicial de ‘Repórter’.”
Dzz zz zz zzzt—
[Correto!]
_ _ _ _ _ _ _ _
A tela emitiu um som alegre ao preencher a letra.
_ _ _ _ _ _ _ R
E então.
[Vamos aplaudir o enforcado~]
“Kuh—”
O corpo de Eun Haje se contorceu.
O pé esquerdo da assistente, suspenso no ar, simplesmente desapareceu.
...Mais um passo rumo à execução.
O ‘Enforcado’ sacrificial sobe ao cadafalso enquanto os outros participantes vão adivinhando palavras relacionadas a ele, culminando na sua execução por enforcamento.
Não há exceções.
É insanidade.