Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 134

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Abri a boca para responder.

— Estou bem.

— H-Hein?

Aquela era uma escolha que eu simplesmente não podia fazer.

'Isso chamaria atenção demais.'

No momento em que eu aceitasse aquela opção, estaria efetivamente tomando partido dentro da empresa.

E numa empresa de histórias de fantasmas, até os executivos provavelmente não eram pessoas comuns. Alinhar-se a alguém de forma "desesperada, só para sobreviver" seria um movimento terrível.

Especialmente porque aquilo era uma questão de vida ou morte.

'No instante em que eu fosse excluído, os boatos se espalhariam feito rastilho de pólvora.'

Será que encarariam bem? De jeito nenhum.

Seria visto como egoísmo.

Em qualquer comunidade, conquistar reconhecimento como membro de verdade exige dividir os fardos. Tentar evitar isso iria…

'Me deixar completamente isolado.'

No time de Exploração de Campo, onde os membros sempre trabalham em grupos de três, ações como tentar se excluir poderiam destruir a dinâmica do ambiente de trabalho.

A menos que um diretor interviesse para me tirar discretamente e depois ficasse com o crédito por me salvar, isso não teria acontecido.

O fato de isso não ter ocorrido significava que eu não era "importante" o suficiente para receber esse tipo de atenção.

Ou talvez…

'Eles acreditem que sorte é uma espécie de habilidade.'

Ou seja, era uma armadilha.

Mesmo doendo, o movimento certo era seguir jogando limpo.

Falei como se fosse um rigoroso defensor das regras.

— Abrir uma exceção para mim seria tratamento privilegiado. A empresa deve ter suas razões para distribuir o trabalho desse jeito, então assumo minha responsabilidade e vou até o fim.

— Uhh…

O chefe de seção Lee Byeongjin gaguejou, mas depois de perguntar várias vezes 'Tem certeza?', finalmente cedeu e saiu.

Honestamente…

Por pouco não agarrei sua calça e gritei: Sim, por favor, me salva!

'Vamos chamar isso de reforço na construção de personagem.'

Pois não havia outro conforto para se encontrar ali.

Assisti ele sair com um sorriso amargo e voltei para minha mesa.

'Vamos revisar o manual novamente.'

Mas, fosse olhando para o manual ou relendo-o, o resultado era o mesmo — não havia brechas.

Não existiam exceções para nenhum dos exploradores.

'Cada um deles foi submetido ao sorteio do morte instantânea 1/12…'

“……”

Espere.

'Isso... poderia ser uma brecha?'

Eu não podia ter certeza.

'É só uma possibilidade.'

Mas, naquela situação, valia a pena tentar qualquer possibilidade, por menor que fosse.

— Senhor Roe Deer, teve alguma ideia divertida?

Não divertida, mas uma ideia, sim.

'Criar uma exceção.'

— Hmm?

Todo explorador que entrava naquela história de fantasmas passava pelo sorteio da morte instantânea 1/12 sem exceção.

Mas e se existisse uma condição comum a todos os exploradores? Algo que nunca permitiu exceções até agora.

— Que condição seria essa?

……

'Ser humano.'

Tanto o manual quanto o sistema mencionavam apenas humanos como exploradores. Não havia relatos de outras criaturas vivas.

Mas, naquele mundo, humanos não eram os únicos seres sencientes.

Se considerarmos animais e plantas, as possibilidades se tornam infinitas.

'E se um ser não humano pudesse escapar do julgamento?'

Com base nos casos irregulares que eu tinha lido no <Registros de Exploração Sombria>, essa parecia a exceção mais plausível no momento.

— Senhor Roe Deer, você quer deixar de ser humano?

— N-Não, não é isso!

Será que ele não podia fazer perguntas tão puras e ao mesmo tempo sinistras?

'Só quero ser tratado como não humano por um tempinho.'

Escolhi as palavras com cuidado.

'Como se eu estivesse me fantasiando para uma apresentação.'

— Hoooh.

'Braun, você conseguiria fazer isso por mim?'

— Ah, com certeza!

A voz de Braun ficou mais vibrante e entusiasmada, como se estivesse se preparando para um show.

— Assumir uma nova identidade é a vocação de um artista. Tenho inúmeras máscaras para oferecer… oh! Tenho uma que posso até te emprestar agora mesmo.

Acertamos na mosca.

'Vamos tentar.'

— Huuu.

Afastei meu olhar do manual e recostei na cadeira.

Naquele instante, o gerente assistente Eun e o supervisor Park voltaram da pausa para fumar, acenando para mim ao entrarem no escritório.

“……”

Ah, droga.

'Braun, sobre essa habilidade da “máscara”… ela funciona para mais de uma pessoa?'

— Para mais de uma pessoa? Você quer dizer, além de você, amigo?

'É, quero dizer, incluindo eu mesmo.'

— …Se eu puder recuperar um pouco do meu antigo prestígio, deve ser possível. No auge da minha carreira, eu conseguia transformar toda uma plateia de estúdio — não, centenas de pessoas — em novos personagens!

Perfeito.

'Braun.'

— Ah, meu amigo me chama de novo!

Bati respeitosamente no meu bolso.

'Vamos te dar um banho.'

— ……?!

* * *

— Senhor Roe Deer, agradeço a intenção, mas não sou uma celebridade obcecada pelo oculto que gosta de se banhar no sangue dos amigos.

— Eu sei.

Mesmo sendo um apresentador de quiz conhecido por 'fazer os participantes explodirem a cabeça', Braun, como meu 'bom amigo', era alguém em quem eu podia confiar.

Mas não havia outra saída.

Mesmo que eu conseguisse pegar bolsas de sangue no hospital, a frescura se perderia e a eficácia cairia. Não podia usar sangue de outra pessoa, e trazer uma criatura daquela história de fantasmas como da última vez não era opção.

'O ginseng velho também não serviria, já que o que o tornou senciente já se dissipou.'

Sobrava a escolha óbvia.

Meu próprio sangue.

Fitei a pequena e elegante banheira quadriculada. Estava impecável e cheirava bem, do jeito que eu a tinha comprado na Loja Alienígena.

Agora, eu teria que derramar meu sangue nela.

— Acho que não posso doar muito. Talvez meia xícara.

Isso seriam cerca de 180 ml.

— Meia xícara! Um pouco apertado, mas para esse corpinho pequeno e recheado de algodão que eu habito, deve ser o suficiente como aditivo para o banho. Diluído, é claro… Não, não, isso não está certo. Você tem certeza disso?

Está tudo bem.

'Eu posso fazer isso.'

Respirei fundo e peguei a faca de cozinha.

Ao meu lado havia um frasco de poção cicatrizante que eu trouxe do setor médico da empresa.

— Huu.

Furei a pele do meu braço com a parte de cima da faca.

— Santo Deus!

O sangue começou a correr, um fluxo constante indicando que eu havia atingido uma artéria.

'Lembre-se, tenho medo de situações assustadoras, não do sangue em si…'

Isso não é assustador…!

Repiti a frase como um mantra para me acalmar. Aos poucos, a quantidade prometida de sangue — meia xícara — pingou na banheira.

'Isso deve ser suficiente.'

Mas eu não parei o sangramento ainda.

— Senhor Roe Deer?

Mais um pouco.

— Parece suficiente, amigo!

Só mais um pouquinho.

— Amigo?

Ok, já deu.

'Pronto.'

Usei rapidamente a poção cicatrizante da empresa para estancar o sangramento. O efeito mágico selou perfeitamente o ferimento arterial.

Embora eu sentisse um pouco de tontura por causa da perda de sangue, nada grave.

'Uma poção de recuperação resolve isso também.'

Quando eu entrasse na história de fantasmas dali a alguns dias, estaria recuperado.

O que importava agora era o aroma agradável vindo da banheira.

— Huu…

Inclinei-me para cheirar o banho, inalando profundamente enquanto o perfume agradável me acariciava o nariz.

Parecia que meu sangue fez o trabalho direitinho.

'Deve ter dado uns 500 ml.'

A mistura tinha se transformado numa solução de banho adequada.

'…Cheira madeira?'

O cheiro me lembrava de forma desconfortável aquela história maldita da floresta fantasma, mas, pelo menos, não era desagradável nem estranha.

Acertei um sorriso satisfeito e me voltei para Braun.

— Pode entrar agora. Que tal o cheiro?

— Ah, está delicioso. Bem único, como suas decisões imprevisivelmente caprichosas, senhor Roe Deer!

Sorri de canto.

— Foi sarcasmo? Porque eu sangrei mais do que planejei?

— Sarcasmo é uma característica fundamental de qualquer apresentador de talk show de sucesso! Mas não o uso indiscriminadamente.

— Obrigado pela preocupação.

— ……

— Vou cuidar da minha recuperação. Pode ficar tranquilo. Mas não vou fazer isso de novo.

— Essa é uma declaração sensata, amigo.

Será?

Para ser sincero, fiz aquilo de propósito.

Dar um susto no meu 'bom amigo' foi minha maneira de garantir que ele ficasse relutante em usar meu sangue para banhos no futuro.

E parecia ter funcionado.

'Se eu tivesse revelado a quantidade real antes, ele provavelmente teria aceitado sem pensar.'

E isso não podia acontecer.

'Tem que ser uma coisa única.'

Peguei Braun para colocá-lo na banheira, mas ele recusou novamente.

— Vou entrar orgulhosamente com meus próprios pés.

Ah, tá bom então.

Me afastei da banheira e logo ouvi o som de passos e água espirrando.

O banho havia começado.

Então, depois de um tempinho…

— Roe Deer, essa solução que você criou para o banho…

— Hmm, é meio estranha, viu!

Como?

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