Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 133

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

‘O medo de talvez morrer.’

Talvez essa seja a essência das histórias de fantasmas.

Recentemente, até vivi uma Situação de Desastre gerenciada pelo governo, onde alguém precisava morrer para que o cenário fosse teoricamente liberado.

Então, me acostumei bastante com a ideia de que “geralmente as pessoas morrem em histórias de fantasmas”. Cheguei até a ficar meio dessensibilizado em relação a isso.

Afinal, consegui passar pelo buraco da agulha e sobreviver.

– Vamos descobrir uma rota de fuga primeiro, por mais impossível que pareça.

Esse virou meu pensamento padrão nos últimos meses.

Mas agora…

“No começo, todos desapareciam. Apenas um cadáver decapitado conseguia voltar.”

“……”

“Mas depois de algumas repetições, alguém com sorte conseguiu sobreviver e retornar. Com base no depoimento dessa pessoa, montamos o manual.”

Esse era o processo padrão para concluir um manual de exploração de alta complexidade.

“Mas havia uma coisa que nunca conseguimos mudar.”

Era…

“Alguém sempre morre.”

“……”

“O mecanismo de quem é escolhido? Não existe. Não há lógica, nem padrão. É totalmente aleatório. Isso já aconteceu 37 vezes, e não importa qual equipamento ou item seja levado, nada muda.”

“……”

“E como a designação acontece no momento da entrada, não há tempo para se preparar ou reagir.”

Essa situação era absurda.

Literalmente um jogo de azar, onde eu tinha uma chance em 12 de morte instantânea.

Incluindo o restante da equipe, as chances eram de 1 em 3 — completamente ridículo.

Alguém simplesmente… morria.

“Você pode pensar: ‘Por que não mandam alguém descartável em vez de uma pessoa competente como eu...’”

“Eu pensei, senhora.”

“Sério? Porque eu pensei.”

“……”

“Mas não temos escolha. Essa maldita lenda urbana exige um desafiante com uma mente afiada para permitir uma resolução clara do cenário.”

Ou seja, não podíamos simplesmente sacrificar um peão descartável.

O Assistente Eun Haje sorriu levemente.

“Uma taxa de mortes de 8,3% num Escuridão Classe B é na verdade bastante razoável.”

“……”

Era verdade.

Pense nas histórias de fantasmas de exposições. Aquelas nem tinham manual, o que era muito pior. Mesmo quando os manuais estavam completos, fatalidades não eram incomuns.

Mas ainda assim…

“A ideia de ficar preso nessa probabilidade — parece errado. Tão injusto.”

“……”

Não era incomum sentir isso.

A diferença entre morrer sem chance de reagir e morrer depois de pelo menos tentar é enorme.

O primeiro parece um massacre. O segundo, um desafio.

“...Dar três dias para a gente significa que é para ajudar a nos preparar mentalmente?”

“Muito provavelmente.”

Depois de três dias, a mente esfria e você começa a pensar de forma racional e otimista.

‘Com certeza eu não vou ser o um em doze?’ Esse tipo de pensamento...

“Roe, deve ser sua primeira vez encarando um Escuridão assim, certo?”

“...Sim.”

“Vai pegar um café. Pega um pra mim também.”

Entendendo o recado de que podia ir com calma, aceitei o cartão do Assistente Eun Haje e saí.

A desculpa do café era provavelmente um pretexto para cuidar da saúde mental.

‘Isso está me deixando louco.’

Agora eu estava recostado no sofá de um café, com um Americano na minha frente.

Medo? Não diria que era isso. Eu não deixei de sentir medo desde que cheguei aqui, então não era novidade.

O que eu sentia era inquietação.

‘Informação não importa nessa situação.’

Talvez fosse porque percebi o quanto depoisei nas condições mais claras do que a maioria dos funcionários. Isso me deixou com um estranho sentimento de autopiedade.

E um sentido esmagador de perigo.

“……”

‘Será que eu devia desistir?’

Não seria melhor sair agora e encontrar outro caminho?

Investigar histórias de fantasmas por conta própria, usando os <Registros de Exploração das Trevas> como guia...

– Ah, amigo!

– Por que não pensa em uma carreira no show business?

Com licença??

– Ah, com certeza. Sempre tem um lugar pra você no meu mundo, meu amigo. Não é pra isso que servem os amigos? Hahaha!

Quase caí do sofá.

‘Nem pensar.’

Isso me despertou.

– Que pena...

Sim, neste mundo, há destinos piores que a morte.

E investigar sozinho? Só um idiota esquece que é um covarde e faz uma escolha tão tola.

Desistir por causa de uma chance em doze de morrer seria burrice.

‘Mas não fazer nada a respeito seria igualmente idiota.’

– Então, vai entrar?

‘Sim.’

Primeiro, eu precisava aprender mais sobre essa história de fantasma.

Voltei para o escritório com os cafés para a equipe e comecei a ler o tablet com atenção.

E...

‘...Hah.’

Era mesmo aleatório.

A história fantasma batia com o que eu já sabia dos <Registros de Exploração das Trevas>, mas o problema era que tudo que eu havia lido já estava documentado no manual.

‘Não há informação nova.’

Eu não sabia nada que os outros não soubessem.

‘Sem brechas para explorar.’

Até nos <Registros de Exploração das Trevas> a descrição afirmava claramente: ‘aleatório no momento da entrada’.

Não havia exceções nem brechas suspeitas. Não era tratado como algo particularmente importante, provavelmente porque mortes em histórias de fantasmas eram comuns e não causavam surpresa.

E então...

“Para esta operação, líderes de esquadrão estão excluídos. Apenas cargos de assistente ou abaixo participarão.”

“……”

O Chefe Lizard não nos acompanharia dessa vez.

Isso era para evitar ‘confusão de prioridade’ entre a equipe caso um líder de esquadrão fosse designado como sacrifício por causa do seu posto mais alto.

“Nenhum membro do Time Round-Off ou dos esquadrões de elite estará incluído também. Da última vez que entraram, causaram uma bagunça enorme.”

Aparentemente, em uma das operações, um membro dos esquadrões A, B ou C foi designado como o sacrifício. As tentativas desesperadas dele para fugir da morte acabaram causando ‘vítimas desnecessárias’, derrubando vários outros funcionários junto.

Eu não me arrependia de não estar no esquadrão A, mas essa empresa era como sempre: consistente.

“Obrigado por me avisar.”

“De nada.”

O Assistente Eun parecia dividido entre resignação e irritação, encontrando consolo no cigarro assim que o Supervisor Park apareceu para juntos fazerem uma pausa para fumar.

“Você viu a lista? Os funcionários que entrarão também...”

“Sim, honestamente, eu não iria nem ao enterro de alguns deles. Selecionaram os mais baixos segundo a personalidade ou o quê?”

“Ei, pelo menos a gente não está incluído!”

Eu ficava comparando com o manual, buscando desesperadamente algo.

Uma brecha para escapar.

Uma pequena falha nas regras.

E então, inesperadamente, naquela tarde, surgiu uma possibilidade de fugir das regras.

Embora de um jeito um pouco diferente.

“Supervisor Kim!”

“Chefe de Seção.”

O Chefe de Seção Lee Byeongjin veio me procurar. Como responsável pela revisão dos manuais, ele não teria vindo até aqui ‘de passagem’.

“Ouvi dizer que você vai entrar naquela história de fantasma roleta russa insana, não é?”

“……”

Eu já tinha pensado isso antes, mas ele realmente tinha um talento para irritar as pessoas.

Mas o Chefe de Seção Lee não estava ali só para fazer barulho.

Depois de baixar a voz e garantir que ninguém mais estava perto, ele se aproximou e falou em tom baixo.

“Por que você não conversa com o Diretor Ho sobre isso?”

“...!”

“Parece que o diretor tem ficado impressionado com o seu desempenho.”

“Está dizendo que...”

Olhei para ele.

“...se eu falar com o diretor, vou ser excluído dessa?”

“Exatamente!”

“……”

“Normalmente essas coisas são decididas sob a falsa justiça, mas eu sou contra isso. Alguém tão talentosa e promissora como você não deveria ter que ir. Você é uma das melhores, afinal!”

Uma rota legítima de escape se apresentou.

Conseguir que um executivo interviesse.

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