
Capítulo 789
Advento das Três Calamidades
“Diz pra que a gente veio pra cá? Já faz um tempo que estamos viajando. Você não tem um dragão? Por que não podemos usar seu dragão? Tenho certeza de que chegaríamos bem mais rápido.”
Reclame, reclame, reclame. Reclamou.
Era tudo o que eu ouvia durante toda a jornada até o Sul do Remanescente. Uma enxurrada de insistências vindo de Leon, Aoife, Kiera e Evelyn. Os quatro só ficavam reclamando o tempo inteiro.
Chegou a um ponto em que eu só tive vontade de deixá-los pra trás e fugir.
Graças a eles, eu tinha a paciência de um santo.
Só sorri e ignorei todos eles.
'Não acredito que me seguiram.'
A que mais me surpreendeu foi Aoife. Ela era para ser a princesa de um Império. A disputa pelo trono também estava no auge. Não achei que ela tivesse tomado a melhor decisão de vir comigo.
Mesmo assim, ela insistiu em acompanhar, dizendo coisas como: “Minha presença não é necessária por enquanto. A maior parte do meu povo consegue lidar com a maioria das coisas enquanto eu estiver fora. Se acontecer alguma coisa, posso sempre receber mensagens deles. O que acha da Família Real? Não achas que temos meios de comunicar a distâncias tão grandes?”
Ah...
Apenas aceitei a explicação dela e não quis saber mais. No final das contas, considerando a força atual dela, acreditava que ela poderia ajudar.
“Primeira coisa: preciso encontrar o An’as.”
O objetivo era estabelecer contato com Panthea. Eu sabia que não seria tão fácil quanto da última vez.
Tentei ir até a igreja, mas as portas estavam fechadas, e todos que tentaram entrar foram expulsos logo em seguida.
No final, o melhor método era simplesmente me comunicar com o An’as...
Graças a [Sentido de Mana], consegui rastreá-lo com bastante facilidade.
“Deve ser neste lugar.”
Parecia um bar decadente, e ao empurrar a porta, imediatamente recebi olhares atentos — todos eles nada amistosos.
Não dei a menor atenção a eles, percorrendo com o olhar toda a sala até fixar minha atenção em algumas figuras.
No instante em que as avistei, um sorriso se formou no meu rosto.
‘Faz tempo que não vejo vocês.’
Infelizmente, parecia que eu era o único feliz por vê-los. Assim que Anne me avistou, toda a expressão dela mudou, ela se levantou tensa, uma certa pressão começou a se formar em seu corpo.
‘Droga…’
Percebi quase que imediatamente que ela estava extremamente desconfiada de mim.
Pensando bem, minha aparência era completamente diferente do passado. Eu não parecia nem Julien nem Lazarus.
Fiz isso porque Lazarus tinha algum reconhecimento, mas claramente estava me prejudicando, já que Anne não demorou um segundo e imediatamente sacou seu chicote, mirando na minha direção.
Kacha!
O ar tremeu.
Olhei para o ataque em movimento, mas não entrei em pânico.
Em vez disso, uma figura saiu de trás de mim, levando a mão à frente.
BANG!
O chicote bateu na braço do Leon, causando uma leve expressão de dor em seu rosto. Contudo, ele resistiu ao ataque, agarrando o chicote.
Antes que a situação escorregasse ainda mais, falei.
“Calma. Não somos seus inimigos. Na verdade...”
Dirigi meu olhar para An’as, de repente sorrindo.
Como se percebesse algo, os olhos de An’as se arregalaram, e eu toquei meu rosto, transformando-o em uma face envelhecida que eu tinha.
“...!?”
“...!!”
Finalmente, An’as e Anne reagiram à minha aparência, seus olhos se arregalando de choque.
“Sei que meu rosto mudou um pouco em relação ao passado, mas estou surpreso que nenhum de vocês tenha me reconhecido na hora. A gente passou alguns meses junto, afinal.”
Estendi ambas as mãos, esperando que eles corresse se ajoelhassem e me abraçassem.
Porém—
“Nossa, você realmente voltou.”
“...Demorou, hein.”
Nem um deles se aproximou, permanecendo onde estavam.
Virei meu olhar entre os dois antes de abaixar as mãos.
Isso…
Que reação foi essa? Cadê o ‘Senti sua falta! Onde você esteve?’
Por que a reação deles foi tão morna?
'Ninguém gosta de você.' Uma voz sussurrou ao meu lado logo em seguida, fazendo minha cabeça se virar. Mas tudo o que encontrei foi Leon, com uma expressão stoica, encarando à frente, sem expressão alguma.
“O que foi que você disse?”
“Hã?”
Leon olhou para mim, inclinando a cabeça inocentemente.
“O que foi? Por que está me encarando assim?”
“Você não acabou de—”
“Devem estar imaginando coisas.”
“Não, não estou.”
“Está sim.”
“Não.”
“Sim.”
Rangei os dentes, maldizendo Leon de todas as formas possíveis. Mesmo assim, decidi deixar isso de lado por hora e novamente focar minha atenção em An’as e Anne.
Olhei ao redor e vi como todo mundo na sala nos encarava de forma desconfiada, então apontei para a porta do local.
“Vamos sair? Preciso pedir um favor a vocês dois.”
“.....”
“.....”
An’as e Anne não disseram nada, apenas trocaram olhares. Mas, no final, ambos assentiram e saíram comigo.
“Conheço um lugar onde podemos conversar.”
Antes que eu pudesse sair, entretanto, parei e olhei de volta para eles.
“Tô curioso para saber uma coisa...”
“Hm?”
“...Sim?”
“Como é que vocês reconheceram que era eu? E se eu estiver me passando pelo Lazarus?”
“Ah.”
“Então essa é sua pergunta?”
Os dois me olharam como se eu fosse bobo. Ainda assim, não conseguia entender a reação deles de jeito nenhum.
No final, quem sorriu foi Anne, enquanto olhava pra mim.
“É segredo de roda.”
“Pois é, segredo mesmo.”
An’as concordou, saindo junto com ela.
“Huh? Mas o que isso quer dizer...? Ei!”
Corri atrás deles rapidamente.
Assim que saímos, An’as começou a me conduzir para uma área diferente. Tentei fazer com que respondessem, mas os dois não falaram nada, apenas disseram coisas como, ‘Sabemos, talvez um dia’.
Isso estava me irritando de verdade, mas logo desisti.
'Seja como for, vou conseguir minha resposta mais cedo ou mais tarde.'
Virei minha atenção para Leon, que reagiu do mesmo jeito, e cruzei meus braços.
Ele fez o mesmo.
Que coisa constrangedora era essa?
Quero que isso pare!