Advento das Três Calamidades

Capítulo 769

Advento das Três Calamidades

A situação dentro da sala havia parado de evoluir.

A cada música que tocava, uma nova pessoa tentava sua sorte, apenas para ser cruelmente rejeitada por Delilah com um suave "Não, desculpe".

Chegou a um ponto em que ninguém se importava mais e apenas tentava a sorte mesmo assim.

Observando a cena, Aoife começou a se acalmar.

"Certo, não há como ela aceitar meu irmão assim de repente. Claro que ela não iria."

A atitude dela ficou visivelmente mais tranquila enquanto ela pegava uma taça de vinho, tomando pequenos goles. Ela sempre gostou de álcool. Ajudava a relaxar.

Foi justamente nesse momento que ela começou a refletir sobre a situação.

'Agora que penso bem, toda essa situação não faz sentido algum.'

Desde o começo, o objetivo era apresentar seu misterioso noivo. Todos presentes se reuniram para dar uma espiada nele. Mas, quando chegou a hora, em vez de serem apresentados ao homem em si, foram confrontados por esse estranho jogo.

Do jeito que ela tinha rejeitado praticamente todos ali, ficou claro que ela nunca teve intenção de aceitar alguém além do seu noivo.

Nessa hipótese, qual seria o objetivo do Duque?

Por que ele estaria jogando esse jogo?

Deixando o vinho na mão, Aoife olhou para Leon.

"Por que você—"

Suas palavras se dispersaram ao som de uma confusão repentina. Pisando lentamente, ela notou o rosto de Leon ficando rígido antes de virar a cabeça na direção do barulho.

"…Hã?"

Sua boca se abriu, quase derramando vinho ao redor.

Ela não foi a única a reagir assim. Não muito longe dela, Kiera e Evelyn também pararam o que estavam fazendo ao olharem na direção do barulho, suas faces ficando surpresas alguns segundos depois.

"Aquele..."

"...Pftttt!"

Kiera acabou cuspindo o que tinha na boca. Alguns goteram nas roupas de Evelyn, mas ela, tão chocada, parecia nem perceber.

De repente, todos os olhares se voltaram para a figura caminhando na direção de Delilah.

Seus passos eram firmes, a expressão calma. Sob a iluminação do lustre, sua presença chamou a atenção de muitos, rivalizando até com a de Delilah, enquanto seu olhar tranquilo repousava nela.

Com roupas leves, contrastando com o vestido escuro de Delilah, Julien finalmente parou diante dela.

Os dois se encararam, e o ambiente ficou silencioso.

***

'Que jogo você está jogando...?'

Olhei para a mulher à minha frente, observando o delicado sorriso que tinha ao olhar para mim. Era o mesmo sorriso que ela tinha dado a todos os outros que se aproximaram, mas eu sentia claramente que, ao me olhar, carregava algo diferente.

Diversão? Alegria?

Provavelmente poderia descobrir usando minha Magia Emocional, mas preferi não agir.

Em vez disso, sob o olhar atento de todos, comecei a falar.

"Não tenho muito a oferecer a você. Pelo menos, não algo que você ainda não tenha conquistado."

Delilah era uma figura no topo do mundo. Seja em riqueza, fama ou conexões, ela era de um nível acima de mim em tudo.

Não havia muito que eu pudesse oferecer que ela não pudesse obter sozinha.

"Estar comigo provavelmente vai te trazer muitas dores. Eu não posso te fazer feliz, mesmo querendo. Você provavelmente vai acabar me ressentindo bastante no futuro."

O sorriso que ainda permanecia no rosto de Delilah lentamente desapareceu enquanto eu falava.

Sua expressão revelou surpresa, seus olhos parecendo perguntar: 'O que você está fazendo? O que está dizendo? Por que diria isso...?'

Porém, eu continuei.

"Eu sei que não sou a pessoa mais amável. Sou direta, desapareço às vezes, e sou bastante mentiroso."

Meus defeitos...

Estava bastante consciente deles.

Ela também, ao começar a mover as mãos, mas eu a segurei.

"Provavelmente, você vai ser muito infeliz se for ficar comigo."

O povo ao redor murmurou, alguns até rindo, como se eu tivesse aproveitado aquele momento para fazer uma piada e aliviar o clima. Mas eu não estava brincando.

Estava falando a verdade.

Estar comigo significava dor e sofrimento.

Uma teia de mentiras e enganos.

Eu não era um santo, e meu passado começava a me perseguir. Na verdade, ele já tinha me alcançado. Estar comigo significava caminhar por uma estrada difícil, e queria deixar isso claro antes que fosse tarde demais.

Porém, ao mesmo tempo...

"Estar comigo também significa que você terá sempre a minha companhia."

Respirei fundo, sentindo um tremor no peito enquanto baixava a cabeça e estendia a mão.

"Estar comigo significa que você será a única pessoa na qual eu vou pensar e ouvir."

Parei por um momento, esforçando-me para manter a voz firme.

"Estar comigo significa... que você será a única pessoa que eu vou amar."

Assim que as palavras saíram, parecia que o mundo inteiro ficou sem som, todos os olhos se voltando para mim. Sentia o peso do olhar deles, mas nenhum tão forte quanto o de Delilah.

O olhar dela parecia pesar como uma pedra sobre mim.

Uma pedra gigante que pressionava minhas costas a cada segundo que passava. Mas, apesar da pressão, consegui forçar mais algumas palavras finais.

"Vai... dançar comigo?"

O silêncio que se seguiu foi sufocante, tão pesado que quase esqueci de respirar. Mantive a cabeça abaixada, o coração batendo forte nos ouvidos, as mãos suando, minha respiração acelerando a cada instante.

Senti o peso do momento como nunca antes.

E então—

"Não."

Um claro e retumbante "não" ecoou por toda a sala.

Foi um momento que quase quebrou meu coração. Ainda assim, levantei a cabeça para encarar o olhar dela. Sua expressão era fria, e sua mão pairava próximo à minha, mas sem tocá-la. Perguntei: "Essa é sua resposta?"

"Sim."

Respondeu Delilah, com um olhar indiferente.

Fiquei a observá-la por alguns segundos antes de sorrir.

"Que pena para você, que eu não aceito não como resposta."

Estendendo a mão para ela, puxei-a em direção à área principal onde os outros estavam dançando. Meu movimento repentino assustou muitos, suas expressões mudaram drasticamente, mas, ao perceber que Delilah não resistia, desliguei-me do resto e aproximei-me mais.

"Quando você vai parar de brincar?"

Enquanto a melodia suave da banda tocava, dei um passo para trás, com Delilah seguindo meu ritmo, juntando-se a mim.

"...Quando você também parar."

"Eu?"

Sorri.

"Quando eu estiver brincando?"

"Antes..."

"Mas eu não estava brincando."

O sorriso no meu rosto vacilou um pouco. Percebendo a mudança, a expressão de Delilah ficou tensa também.

Porém, logo recuperei o sorriso.

"Gostaria de conversar mais sobre isso depois. Não parece lugar apropriado para esse papo. Mas quero deixar claro que nada do que eu disse foi mentira."

Ao ouvir minhas palavras, Delilah mordeu os lábios.

Dava para perceber que ela tinha muitas coisas que queria dizer, mas se contenção. Ela acompanhou meus passos, sincronizando seus movimentos aos meus, ao som da música.

Naquele instante, todo o barulho ao redor desapareceu, sobrando apenas a música no ar enquanto nos movíamos ao seu ritmo. Os olhares. As vozes.

Tudo...

Sumiu.

Todo o foco estava na mulher diante de mim.

*Tak*

Quando seu salto tocou o chão, dei um passo atrás, ajustando minha mão enquanto ela se aproximava, seu rosto a poucos centímetros do meu. Por um instante, senti-me completamente perdido em seus olhos, o mundo ao meu redor parando repentinamente.

Porém, logo o momento passou. Delilah recuou, soltando uma de minhas mãos enquanto girava suavemente, voltando a se aproximar de mim em seguida.

Nunca tinha dançado antes na minha vida.

Aprendi algo recentemente, principalmente ao participar de diversos eventos, mas nunca tive a oportunidade de realmente dançar.

Era a primeira vez, e ao guiá-la com cuidado em meus braços, descobri que podia dançar livremente, sem medo ou rigidez.

Senti-me fluido.

Senti… feliz.

Olhar aquela mulher que se movia em perfeita sintonia comigo, como se lesse cada pensamento, fazia meu coração bater cada vez mais rápido.

Quanto mais a olhava, mais ficava mesmerizado.

*Tak*

Nós dançávamos.

Invertíamos o ritmo, até trocávamos olhares e sorrisos.

Naquele momento, quase parecia que o mundo inteiro tinha sumido de nossas mentes.

O que existia ali era só nós dois.

***

Apesar da música ainda soar no ar, e dos casais ao redor dançando, ninguém dizia uma palavra. Todos estavam fixos nos dois, tentando assimilar aquela cena.

"...Não é o menino da família Evenus?"

"Por que ele está dançando com ela?"

"Será que ele é o...?"

Com murmúrios e sussurros, o ambiente se encheu de surpresa. Ninguém conseguiu acreditar no que via. Seja Aoife, Kiera, Evelyn ou até o Príncipe secundário...

Todos estavam atônitos com o que estavam presenciando.

E ainda—

Apesar do ceticismo geral, Delilah e Julien continuaram a dançar. Sob as luzes do salão, pareciam ser os únicos ali presentes.

A cada segundo, seus movimentos ficavam mais fluidos, perfeitamente sincronizados com a música de fundo. De repente, toda a atenção se voltou para o casal, hipnotizada pela presença deles.

Ninguém falou uma palavra.

Todos apenas assistiam enquanto eles cortavam o ar com seus movimentos, sua fluidez algo quase desconhecido, sob a luz que refletia tudo ao redor.

Seja Delilah, seja Julien...

Sua presença era suficiente para cativar todos na sala, e, conforme a música desacelerava, todos repararam nos sorrisos suaves que permaneciam em seus rostos. Foi o momento em que entenderam de verdade.

Julien...

Ele era o noivo o tempo todo.

E, logo, a música chegou ao fim.

Mesmo após o encerramento, a sala permaneceu silenciosa, o casal ainda olhando um para o outro.

Até—

Julien abaixou a cabeça e seus lábios encontraram os dela.

Naquele dia, Julien foi oficialmente reconhecido como o noivo de Delilah.

Naquele dia, o casal compartilhou seu primeiro beijo verdadeiro.

E naquele dia...

∎| Exp. de Amor Nível 2 + 157%

Julien viu uma notificação que já conhecia demais.

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