
Capítulo 755
Advento das Três Calamidades
"....."
Pousei em silêncio por um momento, sentindo os olhares de muitas pessoas se voltarem na nossa direção.
—O que? Tem alguém...?
—O que está acontecendo?
A confusão era evidente. Mas não tão clara quanto a minha, enquanto eu encarava o velho, que desviou o olhar de mim e entrou na pequena casa à sua frente.
'Como ele conseguiu perceber minha ilusão? Isso não faz sentido algum.'
Não era como se eu pensasse que minha ilusão fosse onipotente. Houve momentos em que outros a detectaram, mas ao olhar para as costas dele ao se afastar, percebi que ele era bem mais fraco do que eu.
'...Um artefato, talvez?'
Essa parecia a conclusão mais plausível.
No fim das contas, ele era um dos ferreiros mais "famosos" que existiam. Isso só fazia sentido.
Isso também acelerou meu coração.
'Parece que essa viagem não foi em vão.'
Mantendo a ilusão, segui o velho até a casa. Linus e Leon também vieram atrás.
Nós ainda não queríamos nos mostrar. Não por desrespeito, mas porque nossa aparição repentina causaria alvoroço.
...E também estávamos em território inimigo. Mesmo com Caius presente, algo nele parecia estranho. Não queria me mostrar até compreender completamente a situação.
Clank! Clank—!
O som alto do metal se chocando veio aos meus ouvidos no instante em que entrei na casa. O ruído foi seguido por um calor desconfortável, que me parou de surpresa, fazendo-me ficar imóvel e perceber que estava em um pequeno hall de recepção.
Meu olhar virou para o lado, onde uma escada estreita se elevava. De lá, o som ecoava incessantemente, e com ele vinham ondas pesadas de calor que pareciam penetrar pelas paredes.
Na frente da recepção, o velho estava parado, olhou para trás.
Suas sobrancelhas desgrenhadas franziram-se de forma clara de irritação.
"Eu normalmente não gosto de re—"
"Sei."
Eu tirei a ilusão e mostrei-me. Leon e Linus apareceram logo depois, enquanto levantava ambas as mãos.
"Só não quis causar confusão lá fora. É só isso."
"....."
O homem simplesmente me encarou, examinando-me de cima a baixo antes de bufar.
"Ainda não és muito sincero, hein?"
"Eh...?"
Que estranho velho—
"Usar uma ilusão e esconder sua aparência. Você acha que eu não consigo perceber truques tão baratos?"
Meu coração pulou novamente.
Ele descobriu essa parte também...?
Que tipo de monstro era esse?
Tossindo levemente, abaixei as mãos.
"Há circunstâncias em que não posso mostrar minha verdadeira aparência. Talvez quando não houver mais ninguém por perto."
"...."
O ferreiro deu-me um olhar semelhante ao de antes. No final, colocando seu dedinho mindinho no ouvido, murmurou: "Faça o que quiser", antes de voltar sua atenção para a recepção, onde logo apareceu um jovem com olhar afiado.
"Você tem os itens?"
"...Tenho. Já estão colocados na sua bancada."
"Deveria ter falado isso antes."
Bateu na bancada, o velho virou-se do lado da recepção e seguiu em direção às escadas que levavam ao barulho. Olhei para o velho, sem saber exatamente o que fazer, mas no final, o acompanhei de trás.
"Com licença."
A atendente tentou me impedir imediatamente, mas o ferreiro levantou sua grande mão e o deteve.
"Deixa. Pode seguir ele."
"Mas—"
"Falei que pode."
A atendente recuou. Oscilando meu olhar entre os dois, não consegui esconder minha surpresa. Ele realmente me deixou seguir?
Isso foi bastante surpreendente, mas não perdi a oportunidade.
Clank! Clank—!
O calor aumentava a cada passo na escada, e o som dos martelos batendo nos metais retumbava ainda mais forte nos meus ouvidos. Quando atingi o último degrau, o ar parecia vibrar junto com tudo aquilo.
Na hora em que levantei a cabeça, faíscas estouraram na minha visão, espalhando-se em todas as direções, e uma onda de calor escaldante invadiu meu rosto, obrigando-me a cerrar os olhos contra a intensidade.
"Humm."
Protegendo o rosto do calor abrasante, consegui apenas um vislumbre rápido do velho enquanto ele caminhava com facilidade para dentro da sala.
Dentro, uma multidão de homens de ombros largos trabalhava em harmonia, seus martelos enormes subindo e descendo em um ritmo constante, golpeando chapas de metal incandescentes, a cada impacto faíscas explodindo no ar.
Era a primeira vez que via um lugar assim, e naturalmente me sentia desconfortável.
"...Nada mal."
Ele a jogou de volta na forja e caminhou até o lado, onde estava uma mesa grande. Sobre ela, uma mochila grande.
Um sorriso satisfeito apareceu no rosto do velho ao olhar para a mochila.
'Deve ser aquilo que ele falou com o atendente.'
Fiquei bem atrás dele, esperando que terminasse para falar.
Ele colocou a mochila na bancada de trabalho e a abriu, despejando o conteúdo em uma pilha dispersa.
Pedaços pesados de metal tilintaram na superfície, seguidos por paus tortos e outros materiais estranhos, cujo propósito eu mal conseguia adivinhar. A coleção parecia mais uma mistura de relíquias estranhas e sem ordem do que suprimentos.
"Yup. Yup. Boa matéria-prima."
E, no entanto, o velho parecia extremamente satisfeito com o que via.
Olhei para Leon, que me cutucou com a cabeça, como se dissesse: 'Pode ir. Converse com ele. Não perca tempo.'
Alquei a cabeça. Ele tinha razão.
Abri a boca, mas antes que pudesse dizer algo, o velho me interrompeu.
"Você não é do Império Aetheria."
Suas palavras me pararam, fazendo-me fechar os lábios antes de responder rapidamente.
"Não sou."
"...De outro Império?"
"Sim."
"Qual?"
"....."
Parei aqui, sem saber se devia responder ou não.
Porém, ao perceber a mudança na expressão do ferreiro, decidi falar.
"Nurs Ancifa."
"Nurs Ancifa...?'
O ferreiro vacilou, parecendo pensar em alguma coisa, até finalmente se virar para mim.
"Você veio de lá? Seu Império deve estar no caos agora, com a morte do Imperador?"
"Bem, sim..."
Era para estar assim.
Porém, não estava. Na verdade, tudo estava calmo, tão calmo que até parecia estranho. Tentei contato com Aoife a respeito, mas ela estava estranhamente silenciosa. As únicas respostas que recebi dela foram mensagens pequenas dizendo: 'Sem movimentos de ambos os lados. Estamos lentamente fortalecendo nossos poderes. Aproveite o momento para focar nas suas coisas.'
"Humm."
O olhar do ferreiro se estreitou antes de ele virar-se quase como se tivesse perdido o interesse por mim. Meu coração afundou, e meus lábios se abriram.
"Espere, th—"
"Você veio arrumar o anel, certo?"
"....."
As palavras foram sugadas direto da minha boca.
Esse sujeito...
Como ele conseguia perceber quase tudo assim? Era bastante inquietante.
"Notei as rachaduras nele. Aquele anel..." Pegando um dos objetos na mesa, o ferreiro colocou uma monocelha de óculos dourada e olhou cuidadosamente. Enquanto fazia isso, continuou: "...Não parece normal. Parece bem especial."
Havia um significado oculto por trás de suas palavras, que mais uma vez fizeram meu coração afundar.
Não poderia ser isso...
"Você pode ter disfarçado bem, mas isso não escapa aos meus olhos."
Com uma risada suave, o velho jogou o objeto na mão de lado e pegou outro para observar.
"Um artefato como o seu é extremamente raro. Não vou te perguntar como conseguiu, mas estou mais curioso sobre como conseguiu quebrar um artefato tão poderoso. Consigo ver que é uma relíquia extremamente forte. Nenhum ataque comum consegue destruí-la."
"Ha, bem..."
De fato, não foi um ataque comum que causou a quebra assim.
Claro que não contei isso a ele, e ele não insistiu mais.
"Mas, de verdade... Quais as chances?"
Ao deixar cair o próximo objeto, o ferreiro não examinou outro, voltando sua atenção para mim, com as mãos apoiadas na bancada, inclinando-se para trás.
"Esse é o terceiro dos sete artefatos que me trouxeram no último mês. Certamente, isso não é coincidência."
"Huh?"
Olhei confuso para o ferreiro. O que ele acabou de dizer?
"Ah? Parece que você não sabe."
Um sorriso súbito apareceu em seu rosto enquanto ele me olhava.
"Seu anel não é o primeiro dos sete que trouxeram para mim para verificar. É o terceiro."
Suas palavras podiam parecer ambíguas, mas o significado era claro. Linus e Leon entenderam também, enquanto se olhavam.
Outros dois artefatos tinham sido trazidos no mês passado?
E não só quaisquer artefatos, mas dois que faziam parte dos sete artefatos do mal?
Isso...
"Na verdade, você provavelmente viu toda a confusão lá embaixo, certo? Foi o resultado da minha recusa à proposta deles. Eu disse pra eles, e vou dizer agora pra você."
De repente, o rosto do velho ficou extremamente sério ao me olhar.
"Eu não quero tocar nesses itens. Eles não são coisas que pessoas comuns deveriam usar. São relíquias extremamente poderosas, contaminadas por uma substância que não pertence a este mundo. É do seu melhor interesse destruir o anel. Você pode ser corrompido antes que perceba. Não chamam os sete artefatos do mal à toa."
Que...
O que esse cara estava dizendo?
Engoli em silêncio, voltando meu olhar para o anel no dedo. Fainhas rachaduras marcavam sua superfície enquanto pulsava suavemente, absorvendo silenciosamente a mana do meu corpo.
E, ainda assim—
'Há uma razão para serem chamados os sete artefatos do mal? Não, tenho certeza de que o nome vem das pessoas que os usaram. Não por causa—'
"Ha." O ferreiro de repente riu, enquanto me encarava.
"Parece que você não sabia."
Ele apontou para o anel no meu dedo.
"Vou repetir. Desfaça-se disso. Não é algo que uma pessoa deva usar. Antes que perceba, vai corrompê-lo."