
Capítulo 752
Advento das Três Calamidades
O sol branco ardia no céu.
Um segundo sol surgiu, igualmente pálido, com seu brilho superando o do verdadeiro enquanto o ar ao redor ficava mais quente e pesado.
"O que está acontecendo?"
"....Tá tão quente."
"É quase tão forte quanto a Ombre Crimson."
"Ui! Meus olhos!"
Noel estreitou os olhos enquanto olhava para o segundo sol. Uma simples olhada já era suficiente para cegar, mas para Noel isso não era problema. Seus olhos se recuperavam tão rápido quanto derretiam.
Ele também podia sentir sua força aumentando agora que estava na dimensão espelho.
Dentro do sol branco, uma figura se apresentava.
Ele olhava para o mundo abaixo.
Embora Noel não estivesse conectado ao seu coração, parecia quase como se ele pudesse sentir seu próprio coração batendo forte em sua mente.
Pá... BATE! Pá... BATE!
Isso não era mais o mundo exterior.
Era a dimensão espelho.
E dentro da dimensão espelho... Darren era uma entidade completamente diferente.
Ele era como o sol.
Radiante e incansável.
"Droga..."
Noel murmurou silenciosamente enquanto desviava o olhar. Precisa fugir rápido!
Mas, mesmo sabendo disso, era tarde demais. Estava ferido demais. Sua energia já tinha acabado.
O sol brilhava intensamente.
Um brilho radiante desceu de cima, atingindo exatamente o lugar onde Noel estava.
Seu corpo desapareceu completamente.
Cada traço de sua presença evaporou. Quase como se ele nunca tivesse existido.
"....!?"
"...!"
Foi tudo tão rápido que ninguém teve tempo nem de reagir. Nem palavras. Nem gritos. Silêncio absoluto.
Mas então—
Swoosh!
Também começaram a desaparecer sob o brilho do sol de cima.
Tudo sob seu 'olhar' sumiu completamente. Em um só suspiro, uma pequena parte da estação segura foi totalmente destruída.
O sol era intenso.
Era quente.
E implacável.
"E aí eu fiquei, tipo, o que diabos está acontecendo?"
"Hahaha."
"Haahahaahaha."
A multidão explodiu de risadas.
Alguns batiam as mãos nas coxas, outros na mesa, e alguns até derrubaram suas bebidas. Pareciam estar realmente se divertindo com o show.
No cômodo pouco iluminado, onde um homem estava num palco pequeno, risadas ecoavam por toda parte.
"....."
'Que porcaria é essa?'
Não achei graça nenhuma.
Na verdade, era até entediante. O sujeito contava histórias do passado dele. A maioria provavelmente era mentira também. Só que seus cenários eram tão absurdos e suas expressões tão exageradas que chegava a parecer engraçado.
Mas não tinha graça nenhuma.
"Hehe."
Até o Leon estava rindo. Eu apertei os olhos.
'Que decepção ver isso. Sempre soube que ele tem um humor terrível. Isso só confirma.'
"...E não é só isso. Sabe o que ela me disse depois que me despedi dela?"
A risada sumiu de repente e toda atenção se voltou para o homem no palco.
E então—
"Na verdade, vou ficar um pouco mais. Como se ela não tivesse ficado na minha casa nos últimos dois dias. Acho que fui tão bom assim, né?"
"Hahahaha."
"Hahahahahaha!"
"Meu Deus!"
"Haaaaarrr!"
"....."
Atuação paga!
Todo mundo ali devia ser ator pago.
Como é que tanta besteira consegue ser engraçada?
Olhei para Loen e Linus. Ambos lutando para segurar a risada.
Como se percebendo que eu os observava, ambos se contorceram na minha direção. Leon cobriu a boca enquanto tentava segurar o riso. Linus, após me olhar, simplesmente perdeu a vontade de rir.
Dei uma olhada neles antes de voltar ao espetáculo.
'Competição, minha bunda... Eles não estão no meu nível.'
De braços cruzados, reclinei na cadeira e esperei o show acabar. Que descanso… me senti mais estressado só de estar ali. Tinha muito mais vontade de treinar.
'...Não devia ter confiado no Leon. Pensei que ele tinha tido uma ideia realmente boa.'
Que decepção.
Que droga—
"Ei, você aí."
De repente, o lugar ficou quieto. Quando levantei a cabeça, vi o apresentador olhando diretamente para mim. Piscquei algumas vezes antes de olhar ao meu redor. Ele tava falando comigo?
Apontando para mim.
"Sim, você."
"S-sim...?"
Algo errado?
O homem se inclinou um pouco, semicerrando os olhos para me enxergar melhor na luz fraca do local.
"Tenho notado há algum tempo, mas você não está satisfeito com minha performance?"
"Ah."
Fui tão óbvio assim?
Não sabia muito bem como responder. Não queria parecer rude. No final, eu ia responder algo do tipo: 'Não estou me sentindo bem hoje', quando o apresentador voltou a falar.
"Você não vai me dizer que não está se sentindo bem hoje, né?"
"Huh?"
O homem sorriu.
"...É isso que todo mundo que reage assim diz. Não pense que é especial."
"Hahaha."
"Hahahaha!"
A multidão riu enquanto o apresentador olhava para eles, apontando para mim.
"Olhem só pra esse cara. Ele acha que eu não tenho experiência nesse tipo de coisa? Já conheci muita gente como ele. São todos iguais. É como se fosse o mesmo sujeito trocando de roupa. Como manequins numa loja de roupas. Mesma expressão, camisa diferente."
A platéia explodiu em gargalhadas novamente.
Até o Leon estava rindo. Provavelmente mais por eu estar sendo alvo do que por achar graça.
Linus também não ficava pra trás.
Pinguei os dentes.
'Parece que o povo aqui vive demais no conforto. Está na hora de aumentar os impostos.'
"Hahaha. Brincadeira. Espero que não leve a sério."
Na verdade, levei.
"De qualquer forma, quer me dizer o que você não gostou no show? As piadas?"
"...Sim."
Dessa vez, não segurei.
"Não achei muito engraçado."
"Huh?"
O apresentador olhou para a plateia e fez uma expressão exagerada, murmurando para eles: 'Ele não acha graça em mim. Que droga. Ainda bem que o dinheiro que eu dei pra vocês riem de mim'.
Seus murmúrios foram seguidos de risadas contidas.
"Ehm."
Gargalhando suavemente, ele olhou de volta para mim.
Fez um gesto com a mão.
"Nesse caso, se você acha que eu não daria risada, que tal subir aqui e tentar você mesmo?"
Clink!
A mesa tremeu um pouco. Quando olhei para o lado, vi Leon olhando pra mim com olhos bem abertos e cara pálida. Ele imediatamente balançou a cabeça, parecendo assustado.
"Não, não faça isso."
Ignorei e levantei-me.
"Não, Julien..."
Desesperado, Leon tentou pegar minha camisa, mas eu o afastei.
"Deixa eu em paz."
"Não, não faz isso..."
Leon começou a tremer. Ignorei e subi ao palco. As luzes eram fortes, dificultando ver o rosto de todo mundo direito.
Isso não me incomodava.
Não precisava ver os rostos. Tudo que queria era ouvir as risadas.
"Preparado?"
Ao meu lado, o apresentador me entregou um dispositivo que parecia pequeno, preso na minha camiseta.
"Isso vai amplificar sua voz para que todos possam ouvir."
"Ah."
Assenti antes de voltar a olhar para a plateia. Antes que eu começasse, o apresentador falou: "Hahaha. Bem, senhor, ali! Não precisa sair ainda! Essa parte vai ser curta. E quem sabe, você pode se divertir um pouco."
Enquanto dizia isso, toda atenção se virou para a porta, onde um personagem permanecia imóvel, rígido.
Com uma face séria, Leon se virou de volta.
"Ah, bem... Não é que eu não queira—"
"Só umas piadas. Não é nada demais."
Falei suavemente, olhando para Leon. Mas claro, não era exatamente isso que eu queria dizer.
'Senta ou nunca mais voas com o dragão.'
O rosto de Leon ficou complicado. No final, com os ombros caídos e passos lentos e vacilantes, ele se sentou de volta na cadeira, cobrindo o rosto. Linus se aproximou para garantir que ele estava bem.
"Você tá se sentindo mal? Aconteceu alguma coisa?"
Deixei de prestar atenção nele e olhei para a multidão.
Treinei minha voz com alguns sons e comecei meu show.
"Vou contar uma piada de construção. Querem ouvir?"
A plateia permaneceu em silêncio.
Não me importei e continuei.
"Ninguém responde? Então... Ainda estou trabalhando nela."
Engraçado pra caramba!
"...."
"...."
De repente, o lugar ficou quieto. Não me importei e continuei.
"Deixa eu contar uma coisa engraçada da minha vida. Uma vez eu odiava pelos faciais."
Passei a mão pelo rosto, acariciando-o.
"Mas então, acabei me acostumando."
Bati na minha coxa.
Que piada genial!
"...."
"...."
E, por alguma razão que eu próprio não conseguia entender, o lugar ficou completamente quieto.
Parei e franzi a testa.
'Por que ninguém tá rindo? Isso não faz sentido.'
Minha entrega também estava excelente. O problema não era eu.
Risquei os olhos novamente para o Leon. Ele tava pálido, com o rosto contorcido. Linus, por outro lado, cobrira o rosto com as mãos. Ao contrário do Leon, ele tava vermelho.
Os ombros também pareciam tremer.
'Como esperado. O problema é o Leon. Linus, com certeza, acha isso engraçado.'
Senti um alívio ao ver o Linus.
Ainda assim, vendo como a plateia parecia morta, decidi enganar um pouco. Usei o nível cinco e escaneei a sala.
"....!?"
Quase gritei de surpresa ao ver a quantidade de orbes vermelhos presentes.
Que diabos...?
"Quem é esse cara?"
"....Que piadas horríveis!"
"Tira ele daqui!"
Logo começaram a vaiar. Olhei com olhos arregalados. Vaiar...? Eu?
"Meus ouvidos estão sangrando, meu Deus."
"Isso faz parte do show? Que ridículo."
"Hahaha, galera."
Vendo a situação ficar tensa, o apresentador tentou intervir, mas eu o segurei.
Olhei ao redor, cerrando os dentes.
"Por que o espantalho ganhou um prêmio?"
O silêncio voltou a dominar. Os orbes vermelhos começaram a crescer. Apertei a mão. Os orbes vermelhos se dissiparam. Em seu lugar, surgiram orbes verdes.
"Porque ele era excelente na sua área."
"Hahaha."
Todos explodiram em gargalhadas.
Eu cocei o lado do rosto.
"Obrigado, obrigado."
Continuei.
"Por que os esqueletos não lutam entre si?"
Puxei minha mão mais para cima. Os orbes verdes aumentaram.
"Porque não têm coragem."
"Hahahaha!"
A risada maior ainda. Eles estavam chorando de tanto rir.
Olhei com um sorriso para a cena.
'É assim que tem que ser mesmo.'
Mais uma vez, acenei para mim mesmo antes de contar outra piada.
A multidão voltou a rir, e eu sorri feliz.
Deixa pra lá, Leon.
De fato, esse foi um descanso mais do que merecido.
"Alguém me salva!"
"...Socorro!"