
Capítulo 715
Advento das Três Calamidades
"O Imperador está morto! Repito! O Imperador está morto!"
A voz rasgou o salão como um alarme quebrado, assustando todos presentes. O barulho ao redor do salão desapareceu completamente naquele momento, enquanto todos os olhares se fixaram na figura desalinhada que, de repente, tinha entrado na sala.
"...Ele morreu! Ele morreu."
O silêncio persistiu.
Todos os olhos permaneciam fixos nele.
E então—
Boom!
Todo o local explodiu em caos.
"O Imperador morreu? Que besteira é essa?"
"Isso é uma brincadeira? O Imperador é extremamente poderoso! Como ele pôde morrer assim?"
"...Não faz sentido algum."
"É uma piada? Se for, é de péssimo gosto."
"Isso é traição!"
Havia muitos que já tinham saído do local, mas havia tantos outros permanecendo. O barulho causado pela notícia repentina abalou tudo, enquanto os rostos de todos ficavam pálidos.
Alguns não conseguiam acreditar no que havia acontecido, outros estavam com raiva.
Mas então...
"É verdade! Acabei de receber confirmação da família Megrail! O Imperador está morto, e também o primeiro príncipe!"
"O—!!"
"Como isso é possível!?"
Eu não fiquei realmente surpreso com a primeira notícia. Eu já tinha previsto essa situação há tempos. Parecia que Noel tinha conseguido com seus planos. Mas, ao mesmo tempo, não esperava a segunda notícia.
O príncipe está morto?
'Não é o irmão da Aoife? Como isso é possível?'
"Isso..."
Os rostos de Kiera e Evelyn ficaram ambos sérios enquanto olhavam um para o outro. O clima casual de sempre havia desaparecido completamente, e, no lugar, pude ver preocupação em seus olhos.
Eu soube instantaneamente o porquê.
Aoife...
Pensando em como ela estava se sentindo naquele momento, meu coração afundou.
Isso não fazia parte do plano...
Por que o irmão dela também tinha morrido?
Eu poderia explicar a situação com o pai dela, já que ele não era exatamente quem dizia ser. Mas o irmão dela...?
Todos sabiam o quanto ela admirava ele.
Se ela descobrisse que quem possivelmente o matou foi meu próprio irmão...
'Oh Deus.'
Senti quase uma dor de cabeça começar a se formar.
'Vou precisar pensar em como lidar com a situação se ela descobrir.'
Será que eu precisaria contar a verdade...? Ou inventar alguma desculpa? Naquele momento, não tinha certeza, mas isso não importava por enquanto.
Nunca planejei que ela soubesse da minha participação.
Esse era apenas o pior cenário possível.
"O que agora?"
"O que vai acontecer a partir de agora, já que o Imperador morreu?"
Após o caos, um breve silêncio se instaurou na sala. O Imperador estava morto, e a incerteza se espalhava pela multidão enquanto as pessoas começavam a questionar o que viria a seguir. Mas, nesse silêncio, percebi uma mudança sutil, mas evidente.
Algo no ar havia mudado.
Era pequeno, mas perceptível.
...E parecia extremamente sinistro.
Foi aí que lembrei da expressão no rosto deles... e percebi exatamente o que era aquela sensação estranha no ar.
'Ganância.'
Uma ganância sem fim.
"Com licença. Preciso sair para a minha casa. Agora que o Imperador morreu, preciso encontrar algo para prestar minhas homenagens."
"Eu também."
"...Eu também vou embora."
Um peso pesado se instalou no meu peito enquanto observava todos que estavam indo embora.
Naquele momento, não era preciso ser um gênio para entender o que estava acontecendo.
Agora que o Imperador morreu, e o primeiro na linha de sucessão também foi eliminado, o trono estava vago.
Havia ainda vários candidatos prontos para assumir o poder, e com muitas casas nobres se alinhando a eles, já podia sentir o cheiro de pólvora no ar.
Essa situação.
Tudo…
Estava se desenrolando exatamente como Noel tinha previsto.
E ao mesmo tempo—
O Império Nurs Ancifa,
Um império que há tempos se orgulhava da sua unidade e da ausência de conflitos internos,
estava agora vivendo sua primeira verdadeira luta interna.
***
'...Eu—nunca deveria ter ouvido a minha própria cabeça.'
Aoife ficou rígida, encarando os cadáveres à sua frente.
Ela permaneceu ali em silêncio.
Queria fazer algum som, mas nada saia da sua boca.
O mundo ao seu redor parecia estar completamente desacelerado. As pessoas se moviam ao seu lado, correndo em direção aos corpos, tentando fazer algo, mas Aoife sabia.
Ela sabia que não havia salvação para eles.
"....."
Ficando imóvel ao olhar para a cabeça de seu pai, e depois para o corpo perfurado de seu irmão, ela congelou no lugar.
'Deveria ter me ouvido. Deveria ter sido uma intrometida. Deveria ter ido com eles. Eu—deveria...'
Seus pensamentos pararam.
Aoife percebeu com clareza que, mesmo que tivesse ido, nada teria mudado.
Na verdade, ela provavelmente teria morrido junto com seu pai e seu irmão. As duas pessoas que ela mais amava na vida.
As duas que não a julgavam como todos os outros.
...Aquelas duas que estiveram com ela nos momentos mais difíceis. As duas que ela podia chamar de família.
"H-ha."
Foi essa percepção que fez tudo finalmente se encaixar, enquanto o mundo parecia repentinamente retomar seu ritmo.
"Rápido! Chamem os médicos!"
"...Comecem a trabalhar logo!"
Aoife lentamente levou a mão ao peito.
E, pela primeira vez, sentiu.
A dor que vinha dessa realização.
"H-ha."
Ela não chorou.
Não conseguiu chorar.
A dor era simplesmente demais para suportar.
Deixando-a sem fôlego.
Ela sugou toda a energia que tinha.
"H-ha."
Sintindo a dor ainda mais intensa, o corpo de Aoife tremeu enquanto fechava os olhos, deixando a escuridão tomar conta da sua mente.
'Se isso é um pesadelo... Por favor, que pare.'
Isto...
Aquilo...
"Hakk."
Um soluço finalmente escapou de seus lábios, e ao sair, Aoife cambaleou para trás, com a angústia e a dor destruindo as paredes do seu peito.
Foi então que ela deixou escapar.
Seu grito dilacerante de dor.
"Haaa—!"
Alguém...
Pare com isso.
Apesar do caos que se desenrolava lá fora, dentro dos muros de uma certa catedral, tudo permanecia completamente silencioso.
Era como se o barulho do mundo exterior tivesse sido completamente selado.
Naquele silêncio pesado, um som sutil, porém distinto, rompeu—
Twist!
Uma figura solitária sentada no chão de mármore polido, seu olhar assustadoramente calmo, enquanto seu corpo se contorcia a intervalos irregulares. Veias azuis serpenteavam pela sua pele, que começava a derreter e mudar, desprendendo-se apenas para se reformar lentamente.
Twist! Twist!
Seu corpo continuava a se contorcer, derretendo rapidamente em várias ocasiões.
Mas, mesmo assim, a figura permanecia imóvel.
Ele acolhia o silêncio.
Ignorava a dor.
Ele...
"....."
Gradualmente, abrindo os olhos, o olhar de Toren caiu sobre a figura que ficava não muito longe dele. Observando-o.
O olhando.
".....Ainda estás aqui, Emmet?"
"Só estou pensando."
Respondeu Emmet, seu olhar baixando para Toren.
Ele o encarou com pena.
"Você vai falhar."
"...Sei."
"Desista."
"Não vou."
"Ainda teimoso."
"...Não sou eu que sou teimoso." Toren sorriu, seu corpo contorcendo-se mais uma vez enquanto o vapor começava a subir de sua pele. "Se for para medir obstinação, então você é o mais implacável de todos. Depois de tudo que fiz, você ainda persiste. Por que simplesmente não morre?"
"Porque tenho coisas a fazer."
"Eu também."
Respondeu Toren, seus olhos perdendo a luz.
"Você é egoísta."
"Eu?"
"Você luta pelo seu irmão enquanto eu luto pela liberdade do mundo. Você não entende o quanto o que estou fazendo é vital para este mundo? Para as pessoas que ainda sobrevivem até aqui?"
A voz de Toren ficou levemente rouca enquanto ele falava.
E ela também ficava mais alta a cada palavra.
Twist— Twist!
Ele apertou os dentes.
"...Seu irmão é imortal!"
Sua voz aumentou.
"Ele nunca vai morrer! Por que você está tão obcecado com o que acontece com ele? Estou fazendo tudo isso pelo bem da humanidade! Seu irmão deveria se sentir honrado em me servir. Em servir a humanidade!"
Bateu!
Toren deu um soco contra o chão de mármore, rachaduras se espalhando em todas as direções.
"Por que você não consegue entender isso? Eu achava que você, de todas as pessoas, entenderia o quadro maior. Você—"
"...Você ainda não entende, né?"
A voz fria de Emmet cortou as palavras de Toren.
Ele ficou ereto, seu cabelo preto framing um rosto que, embora não fosse exatamente bonito, era certamente agradável. O que o diferenciava era o olhar. Olhos verde-claro tão profundos e intensos que pareciam penetrar tudo, como se vissem muito além da superfície.
"Sua desesperação te levou a virar as costas para tudo que te tornou humano. Para tudo que—"
"E daí?"
Toren interrompeu a fala de Emmet ao se levantar lentamente, seu corpo todo se contorcendo enquanto as veias sombrias pulsavam ainda mais intensamente.
"Se tenho que abrir mão da minha humanidade, que seja em busca de poder."
Vapor saiu dele.
"Os fracos obedecem às regras. Os fortes moldam a realidade."
Ele lentamente levou as mãos ao rosto, encarando-as com olhos vermelhos.
Seus ombros se encolheram discretamente.
"Eu quebrei a Dimensão Espelho em fragmentos com apenas minhas mãos. Carregando o peso do mundo enquanto ele implorava por mudança. Chamaram de traição. Eu o chamei de destino."
Fechando as mãos em punhos lentamente, dirigiu sua atenção a Emmet.
"Era para eu me ajoelhar? Seguir sua loucura? Você tem medo da minha ambição, do meu poder. Mas foi essa mesma ambição que mostrou ao mundo seu primeiro vislumbre de liberdade! Eu... sou quem quebrou a prisão que nos mantinha selados. Eu... sou o destinado a nos salvar!"
Pressionou o dedo contra a testa.
"Minha mente."
Apontou para os olhos.
"Minha visão."
Levantou a mão à sua frente, fechando-a em punho.
"Minha mão."
O ambiente ficou em silêncio.
"Este mundo é vazio sem eles. Eu... cresci forte o suficiente para enfrentar 'eles'. Para salvar este mundo e nos dar liberdade. Mas, mesmo assim, o poder gera medo."
Toren calmou-se lentamente, seu peito começou a relaxar, e seu olhar virou frio.
"Sinto o medo. Não apenas nas pessoas, mas até nos outros deuses. Eles me chamam de tirano em segredo. Falam da minha loucura, mas o que eles realmente temem não é minha ambição... O que eles temem é minha audácia em usá-la."
Toren fez uma pausa, sua pele lentamente derretendo.
"Meu nome vai sobreviver às coroas. Minha sombra moldará imperadores."
"Jogue minha sangue se precisar—"
"Mas você não pode matar o que já se infiltrou nas profundezas da mente de todos."
Ele mais uma vez colocou o dedo na testa.
"Eu não sou mais um deus."
"...Sou uma ideia."
"Deuses podem ser mortos, mas uma ideia dura enquanto alguém a empunhar."
"Sou imortal."