Advento das Três Calamidades

Capítulo 718

Advento das Três Calamidades

"Isso... isso aqui..."

A mão de Aoife tremerami enquanto ela encarava o papel à sua frente. Ela olhou novamente, e ao perceber que não estava enganada, sua expressão começou a mudar.

'Isso não faz sentido. Ele votou em mim? Mas... não foi o Julien que votou? Espera, já que está aqui, então deve significar que ele não enviou.'

Aoife tentou se acalmar após suas dúvidas pararem por ali.

"Sim, faz sentido. Ele tentou enviar, mas decidiu não usar no final."

Ela deu mais uma respirada e virou o papel.

Mas foi aí que ela percebeu.

As palavras escritas no verso.

'Para minha querida irmã.'

'Mesmo que ninguém vote em você, eu votarei.'

'...Mesmo que você nunca descubra, saiba que esse foi o único voto que recebeu.'

A mão dela tremeu, e a expressão começou a se transformar.

"Isso não faz sentido."

Ela tinha certeza de que Julien havia sido quem votou nela.

A menos...

"...Ele mentiu para mim."

Pensando bem, parecia algo que Julien faria.

Ele nunca foi um cara muito gentil no passado.

Era egoísta.

Era indiferente.

Ele era...

'Ele mentiu para mim. Ele deve ter mentido. Mentiu. Mentiu. Mentiu. Mentiu. Mentiu. Mentiu.'

Os pensamentos de Aoife começaram a se enrolar.

De uma forma que ela sentia que não podia controlar.

Talvez por tudo o que tinha acontecido recentemente, sua mente não estava no estado certo para processar a situação adequadamente. Ela precisava de uma saída para desabafar, e encontrou a perfeição nisso.

"...Ele mentiu para mim!"

Sua mão apertou lentamente o voto, amassando-o na palma enquanto seus olhos brilhavam de forma instável.

"Ele—Ukh!"

Mas foi justamente nesse momento que sua cabeça de repente latejou.

Aoife deu um gemido curto, soltando o voto e agarrando a cabeça com as mãos.

'Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu. Ele mentiu.'

A própria voz dela continuava a sussurrar alto em sua mente enquanto os olhos começavam a ficar vermelhos de raiva.

Ela não sabia o que estava acontecendo.

'Q-que... o que está acontecendo?'

Seus olhos ficaram ainda mais vermelhos enquanto seus dedos se cerravam, tentando agarrar o chão de mármore sob os pés.

E justo quando a dor começava a ficar ainda mais intensa do que antes...

sua visão ficou em branco.

O mundo ao seu redor parecia se alterar, pulsando de maneiras estranhas enquanto ela se via pairando diante de uma certa figura.

Ele estava diante dela.

Parecia um pouco mais velho, mas aquele olhar altivo e arrogante dele...

Aoife se lembrava nitidamente.

O peito dela queimava ao vê-lo. Era como se ardesse... com uma coisa semelhante ao ressentimento e à raiva.

'Mate. Preciso matá-lo.'

A mão dela se fechou lentamente enquanto seu olhar convencido caía sobre ela.

Seus olhos se encontraram, e a expressão de Aoife virou uma máscara de dor.

Mas justo quando a tensão atingiu seu ponto máximo, a visão de Aoife se estreitou de repente, como se ela estivesse sendo puxada para fora de um túnel. No próximo instante, ela cambaleou para trás, caindo de costas no chão.

"Eca! Eca...!"

Aoife começou a tossir violentamente, sentindo seu cabelo grudado na testa.

O peito dela subia e descia de forma irregular enquanto ela lutava desesperadamente por ar.

E então—

"Q-que diabos foi isso?"

Aoife lutava para entender a situação. Aquela visão. Aquela enxurrada de emoções...

O que diabos estava acontecendo?

Respirando várias vezes, Aosfue lentamente virou sua atenção para o plano de vidro ao lado da cama de Gael, posicionado em um ângulo.

Ela vislumbrou seu reflexo naquele momento.

Cabelos desgrenhados, rosto sem cor, roupas e cabelo grudados na pele suada.

'Sou eu mesmo?'

Ela já sabia que estava horrível.

Não comera por dias e mal tinha dormido.

Mas não tinha ideia de que estava tão mal assim.

Ela estava quase se levantando quando...

'Você precisa matá-lo.'

Uma voz sussurrou no ar.

"Quem!?"

A cabeça de Aoife se virou rapidamente na direção do som, mas...

Nada.

Não havia mais ninguém no cômodo.

"Quem foi que disse isso? Quem está aí?"

Aoife tentou se levantar, mas sentiu-se completamente exausta.

'...Ele não é alguém que deve ficar vivo. Você precisa matá-lo antes que seja tarde.'

"...!?"

A voz sussurrou novamente, e o corpo de Aoife se tensionou.

"Eu disse... Quem é você? Onde está? Mostre-se!"

A voz dela ficou mais alta enquanto ela olhava ao redor. Mas ainda assim, não via e nem sentia ninguém.

Era justo quando ela ia se levantar para procurar a fonte do som que seu olhar caiu no espelho.

Naquele momento, ela congelou.

"....."

Todos os pensamentos sumiram de sua mente enquanto ela encarava seu próprio reflexo.

...Ou, mais precisamente, a figura que se agarrava às suas costas, braços presos com força ao redor do seu pescoço, cabeça ao lado do seu ombro, lábios curvados em um sorriso silencioso e perturbador.

'Você precisa matá-lo antes que seja tarde. Tudo é culpa dele. Ele foi quem fez isso. Ele... é o assassino do seu pai e do seu irmão.'

Os lábios de Aoife tremiam.

Não por causa das palavras, mas por causa da figura que apareceu.

Ela parecia mais velha, mas com certeza era ela mesma.

'O que você está esperando?'

A voz sussurrou mais perto de seus ouvidos.

Os lábios de Aoife tremiam ainda mais, e seus olhos estremeciam.

'...Acabe com ele. Acabe com o câncer que está crescendo lentamente ao seu lado.'

O que...?

O que estava acontecendo com ela?

***

"...Tem tanta coisa que eu preciso revisar. Acho que não vou conseguir terminar tudo em um dia, quanto mais em um mês."

A realidade de quantas coisas estavam diante de mim começou a se confirmar após a empolgação inicial se dissipar.

Olhar para a quantidade de arquivos na minha frente me fez perceber que era impossível passam por todos tão rapidamente.

Para piorar, eu realmente queria ler cada parte.

Porém, sabia que tinha que priorizar de acordo com a situação atual.

Então, a primeira coisa que fiz foi acessar a seção "Casa Evenus". Provavelmente era a que menos queria ver, mas considerando tudo o que estava acontecendo, era a mais importante para mim.

"Também não é como se eu não tivesse tempo de conferir as outras depois."

Virei a primeira pasta.

[Financeiro]

Meus olhos se arregalaram.

'...Talvez nem tudo seja interessante.'

Dei um leve lampejo nos lábios e comecei a analisar os dados financeiros.

O layout era bem elaborado. Dividido em seções, desde a receita gerada por impostos, comércio, mineração de ouro, até ganhos com conflitos e outros.

O arquivo tinha tudo, inclusive a soma final ao final, e eu respirei fundo, impressionado.

"Caramba."

O número de zeros me fez girar a cabeça.

'Tanta coisa?'

A receita que o território gerava era simplesmente astronômica. Até colocava todas as minhas economias no chinelo.

'Se eu contar tudo que tenho, incluindo as Solas que guardei na Dimensão Espelho, caso precise voltar lá, tenho cerca de duzentos milhões de Rend.'

Isso era muito dinheiro.

E mesmo assim...

Não chegava aos pés do que a Casa mesmo arrecadava.

"Isso é exclusivo da nossa casa ou as outras também são assim?"

De repente, comecei a entender por que Aoife e os outros pouco se importavam com dinheiro. Isso era simplesmente absurdo.

Pelo menos, até eu ver a lista de despesas.

"Esquece."

...Esse número também era astronômico.

"Acho que administrar um território tão grande não é barato."

Um pontapé forte no peito me assustou ao ver os números. Meu primeiro instinto foi claro... aumentar impostos, cortar gastos. Mas sabia que esse caminho ia provocar uma tempestade de críticas, então segurei o pensamento.

'Acho melhor não mexer nisso. Noel já organizou tudo direito. Ele entende mais disso do que eu.'

Comecei a analisar os outros arquivos.

[Forças da Casa Evenus]

Mais uma vez, respirei fundo de novo.

Concluí que a Casa Evenus tinha uma força considerável sob seu comando.

Era um total de vinte mil soldados. Desses, apenas 200 estavam acima do Tier 5, cada um liderando sua própria unidade.

Havia dois Tier 7 e um Tier 8.

"São mais do que eu esperava."

Isso me fez pensar no Rito que se aproximava.

'...Se possível, talvez consiga usá-los.'

Por outro lado, balancei a cabeça. Muitas dessas forças estavam bem distantes e em segredo. Ainda não era hora de mostrar toda a força da Casa Evenus.

Ainda dava para lidar sem a ajuda deles.

Porém, saber que tinha esse apoio dava mais segurança.

"Mais o quê?"

Comecei a explorar todos os demais arquivos relacionados à Casa Evenus. Mergulhei para aprender todos os detalhes, alianças ocultas, pessoas que precisava ficar de olho, e...

"Espera, essas são nossas terras?"

Descobri que a Casa Evenus era até maior do que pensava. Havia várias terras menores, oficialmente 'Baronias', mas na verdade de propriedade oculta da própria Casa.

O mais assustador era que cada território estava estrategicamente localizado em áreas com 'alvos' de interesse especial.

Olhando para o mapa, com todos os círculos vermelhos, não pude deixar de cobrir a boca.

'Quanto Noel planejou com antecedência, hein?'

Recostei-me na cadeira, refletindo sobre toda a situação.

Mas então...

"Hm?"

Senti uma leve vibração no meu dispositivo de comunicação. Peguei e li a mensagem.

Minha expressão mudou discretamente.

"Droga."

Levantei-me rapidamente e saí da sala.

Precisava ir rápido.

Estava tão imerso nos estudos que perdi completamente a noção do tempo.

Estava quase perdendo o funeral do Imperador!

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