Advento das Três Calamidades

Capítulo 712

Advento das Três Calamidades

Logo após o término da reunião.

Saindo do salão, Orson andava calmamente à frente, enquanto Delilah o seguia de trás.

Nenhum deles falou uma palavra durante o caminho.

O silêncio persistia enquanto os dois entravam em um escritório tranquilo e vazio. Apesar de não haver mais ninguém, a sala estava decorada com bom gosto. Quadros enfeitavam as paredes, cadeiras e sofás estavam organizados de forma impecável, e no centro havia uma grande mesa de carvalho onde Orson se dirigiu e se sentou.

Ao se acomodar, cruzou as pernas e olhou para sua filha adotiva.

"O que você acha da situação atual?"

"...Não é tão ruim."

Delilah respondeu de forma seca, olhando ao redor antes de se sentar em um dos sofás e tirar uma barra de chocolate do bolso.

Riiiip—

Orson fingiu não perceber a atitude dela e continuou falando.

"Você acha que ele será capaz de conquistar o Rito? Seria um problemão se não conseguir."

Orson já tinha previsto que algo assim poderia acontecer assim que o incidente ocorreu.

Ele sabia que muitas casas nobres em Central estavam há bastante tempo de olho na terra dos Evenus — não apenas por sua mina de ouro, mas também por sua posição geográfica privilegiada. Com o tempo, a Casa Evenus se tornou um prêmio tentador, uma fatia do bolo que fazia muitos nobres salivarem.

Orson tinha alertado os outros para não provocarem membros de Central, mas parecia que suas palavras não foram suficientes para dissuadi-los.

Central não era tão harmoniosa quanto muitos imaginam.

Existiam várias facções dentro de Central, e embora ele pudesse controlá-las em certa medida como Chefe de Central, agora que as eleições para o próximo líder estavam próximas, as casas nobres começaram a mostrar suas garras.

Em especial, o Marquês Wilshire, que na verdade operava sob ordens do Duque Morrison.

'Seria bem complicado se alguém como ele chegasse ao poder.'

Não é que o Duque Morrison fosse um mau líder ou algo assim. Pelo contrário, ele tinha uma mente excepcional e uma força poderosa. Mas o problema era que sua ganância não tinha limites.

Ele... era alguém que desejava muito o trono e, por isso, representava uma pessoa extremamente perigosa.

Apenas lunáticos tentariam disputar o trono contra a Casa Megrail.

O poder deles estava tão enraizado no Império que tentar algo contra eles era simplesmente suicídio.

Alguém assim...

'Não posso deixar alguém como ele se tornar o Chefe de Central.'

Munch. Munch.

Ao sair de seus pensamentos, Orson olhou para Delilah, que fixava o teto enquanto comia sua barra de chocolate de maneira vazia.

A boca do duque se contorceu.

"...Você não vai me responder? O que você acha—"

"Sem problema."

Delilah respondeu, dando mais uma mordida na barra.

O jeito casual dela de comer, com os olhos vagando pelo teto, dava a impressão de que ela não se importava nem um pouco.

Isso deixou o duque com uma expressão de descontentamento.

"Tem certeza disso? Isso é muito importante para o futuro de Central e para as próximas eleições. Se por acaso—"

"Sem problema."

Delilah mais uma vez respondeu com o mesmo tom despreocupado anterior.

Seus olhos permaneciam fixos no teto enquanto ela continuava a comer.

"É... Deixa pra lá." Orson suspirou, balançando a cabeça em silêncio enquanto murmurava: "O que fazer com ela?"

No fim, decidiu mudar de assunto.

"Deixando isso de lado, você ainda vai continuar com essa história de noiva de mentira? Sabe, recebi várias propostas. Não estou pedindo para você se casar, mas também é pelo meu bem, já que estou sendo constantemente bombardeado com pedidos. Seja nesta Terra, ou em outras..."

Ele deu um instante para olhar ao redor da sua mesa e abriu uma das cartas.

"Desde o momento em que nossas vidas se cruzaram, sua presença nunca saiu dos meus pensamentos. Você ficou na minha cabeça com uma persistência silenciosa, como se tivesse sempre sido para estar aqui—"

O Duque parou após ler as duas primeiras linhas.

Era simplesmente... demais.

O pior de tudo era que ele recebia mais de uma dúzia dessas cartas por dia. Mesmo tentando dizer às pessoas para pararem, elas simplesmente não paravam.

A melhor solução seria prometê-la em casamento.

"Escuta, Del, você já é adulta. Eu sei que, pelo seu poder, você vai viver praticamente mais que todo mundo aqui, mas você ainda está na sua melhor fase. Se você—"

"Estou noiva."

Delilah levantou a mão para mostrar o anel.

Ela apontou para ele.

"Meu anel de noivado."

"Isso..."

Olhar para o anel fez Orson franzir a testa. Aquilo era um anel de noivado? Para ser sincero, parecia apenas um anel preto simples. Aquele que muitos plebeus usam.

O Duque tentou dizer algo, mas no final, baixou a cabeça e suspirou.

"Tudo bem, vamos supor que você esteja noiva. Mas pelo menos me diga quem é seu noivo? Gostaria de conhecê-lo pelo menos uma vez."

"...Claro."

"Se você realmente não estiver mentindo, então o— Eh?"

O Duque hesitou, piscando repetidamente enquanto olhava para sua filha adotiva com choque. Ele não ouviu errado, foi?

"Eu disse—"

"Eu sei. Eu o trarei."

Delilah se levantou de sua cadeira e, de forma despreocupada, jogou a embalagem no chão antes de seguir em direção à porta. A cada passo, o clique suave de seus saltos ecoava no ambiente.

Olho fixo na sua silhueta, o duque permaneceu cético.

'Ela não vai usar essa oportunidade para fugir, né?'

Ele o conhecia bem.

Ela certamente era do tipo que faria isso, e ao vê-la abrir a porta e sair, Orson se recostou na cadeira, cruzando os braços.

Vários pensamentos começaram a surgir na sua cabeça.

'Não acredito que ela realmente tenha um noivo. De jeito nenhum. Dúvido que exista alguém capaz de realmente tocar seu coração. Provavelmente ela só aceitou a ideia do noivado por causa da aparência. Se for assim, ela pode ter escolhido alguém ao acaso para fingir de noivo só para me tirar do pé.'

Orson conhecia bem sua filha.

Na cabeça dele, simplesmente não havia como ela estar interessada em algum homem.

Nesse caso, isso provavelmente tudo era apenas algo encenado.

'Mas, qual o problema nisso? Não estou querendo que ela se noive mesmo assim. É só para manter as aparências. Se ela estiver noiva e conseguir alguém para fingir, também está bom...'

O duque relaxou um pouco, seus pensamentos pausaram ali.

Se ela realmente trouxesse alguém para fingir de noivo, tudo estaria bem.

Seria uma cabeça—

Clank!

A porta se abriu de repente, e duas figuras entraram.

Uma era sua filha, e a outra era...

"Hm?"

A expressão do Duque ficou rígida ao ver o homem que a seguia de perto. Ele caminhava com postura firme, seus cabelos negros bem arrumados.

Seus traços eram marcantes.

Bem proporcionados e tão encantadores quanto os da própria filha. Mas o que mais se destacava eram seus olhos. Hazel profundos, tinham um mistério que atraía silenciosamente quem os encontrava.

No instante em que apareceu, o Duque o reconheceu imediatamente.

Como poderia ser diferente, se ele era o principal alvo da conversa pouco tempo atrás?

Mas também porque o reconheceu, a expressão do Duque ficou estranha ao olhar para sua própria filha.

"Sério mesmo?"

Quase caiu na gargalhada.

"...De todas as pessoas que podia ter trazido, trouxe ele?"

O Duque se lembrou vagamente de Julien ter manifestado interesse em se casar com sua filha, mas na época ele tinha descartado a ideia como uma desculpa conveniente.

Uma besteira inventada por Julien para escapar do próprio compromisso.

Além disso, Delilah era também a Chanceler da Academia onde Julien estudava.

"Isto é um absurdo."

Orson balançou a cabeça, despedindo-se de sua filha com um gesto de indiferença.

"Se quer alguém para fingir de noivo, ao menos torne isso mais realista."

"...Realista? Por quê?"

Delilah inclinou a cabeça, seus grandes olhos de obsidiana piscando para o pai.

"O que quer dizer... por quê?"

O Duque massageou a cabeça, sentindo uma dor de cabeça se aproximando.

Ele alternava o olhar entre os dois.

"Vamos deixar de lado o fato de que ele era apenas um dos seus cadetes até recentemente, mas vocês têm uma diferença de idade considerável. Não sei exatamente quanto, mas não é normal."

"E...?"

Delilah piscou, ainda mais confusa.

Ela podia viver por muito mais tempo que uma pessoa normal. A diferença de idade entre eles era insignificante.

Então qual era o problema?

"Isso, haa..."

O Duque suspirou novamente, balançando a cabeça logo depois.

"Escolha outra pessoa para fingir de noivo, Del. Escolha alguém da sua idade. Assim fica mais crível. Se eu anunciar o noivado de vocês, ninguém vai acreditar. Na real, só vai piorar a nossa situação."

As sobrancelhas de Delilah se franziram com força ao ouvir o pai.

"...Mas eu não estou brincando. Ele é meu noivo."

Ela levantou a mão e mostrou o anel novamente.

Ao mesmo tempo, pegou a mão de Julien e mostrou o dele.

Os anéis eram idênticos.

"Isso é só um anel barato. Qualquer um pode usar um assim. Só porque vocês dois usam anéis parecidos não quer dizer que estão realmente noivos de verdade."

As sobrancelhas de Delilah se franziam ainda mais ao ouvir as palavras do Duque.

Ela achava que essa evidência seria suficiente para convencer ele, mas isso só o deixou ainda mais desdenhoso.

"Del, sei que você é teimosa, mas pensa com calma. Eu sei que faz isso só por aparência, mas se for fazer, escolha alguém mais compatível. Ninguém vai acreditar que você realmente gosta dele."

"....."

Delilah ficou em silêncio, ouvindo as palavras do pai sem emitir som algum.

Ela percebia, pelo tom dele, que ele não acreditava nela de forma alguma.

De repente, lembrou-se de uma cena recente e virou a atenção para Julien.

Ele estava ao seu lado com uma expressão perdida no rosto.

Provavelmente procurando as palavras certas para dizer, mas parecia resistente a interromper o Duque. Assim, ele apenas ficava ali, incapaz de falar.

"Como eu disse, Del. O que você precisa fazer é—"

Delilah não se incomodou em dialogar com o pai. Pegou o queixo de Julien, virou sua cabeça na direção dela e pressionou sua cabeça contra a dele, sentindo seus lábios macios tocar os seus.

No instante, o ambiente ficou silencioso.

Todo o barulho cessou.

...Exceto um.

O som do coração dela batendo acelerado.

Ba... Bum! Ba... Bum!

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