Advento das Três Calamidades

Capítulo 707

Advento das Três Calamidades

Foi apenas por um breve momento.

No entanto, assim que nossos olhos se cruzaram e percebi o sutil movimento de seus lábios, tive a sensação de que aquele encontro não seria nada fácil para mim.

'O fato de ela saber que eu viria e mesmo assim não ter dito nada torna tudo ainda pior.'

'...Espero que esteja exagerando.'

O barulho do outro lado do corredor foi minimizado enquanto todos os olhares se fixavam nas duas pessoas que acabaram de entrar. Como se uma pressão invisível tivesse encoberto o ambiente, as expressões de todos ficaram tensas.

"Parece que todos estão aqui."

Orson falou, um leve sorriso tocando seus lábios enquanto lançava um olhar caloroso ao redor. Vestia um terno branco impecável, cortado de maneira precisa para realçar seus cabelos brancos e traços marcantes e bem proporcionados. Apesar da idade, não aparentava mais que trinta anos.

Mas, apesar de sua aparência, ele não ficava atrás de Delilah em presença.

Seu olhar sozinho era suficiente para fazer alguém se sentir como se estivesse sendo esmagado por uma rocha gigantesca.

"Sei que muitos de vocês estão ocupados administrando seus próprios territórios, por isso, agradeço de coração a presença de todos hoje. Como sei que estão atarefados, quero ser breve e começar a reunião. Peço que o representante de cada Casa se apresente e venha comigo à sala de reunião. Temos muitas coisas a discutir."

Após suas palavras, Orson gesticulou em direção a uma porta de madeira distante.

"Por favor."

Com mais um sorriso, ele esperou ali enquanto todos se sacudiam do estado de surpresa e finalmente começaram a se mover.

Durante todo o tempo, o local permaneceu silencioso, ninguém proferindo uma palavra enquanto se deslocavam. Era claro que a presença de Delilah e dele deixava muitos desconcertados.

Olhando para trás, em direção a Evelyn e Kiera, percebi que elas também me olhavam.

"... Você vai?"

"Acho que vocês não."

Eu estava aqui como representante da Casa Evenus. Não havia mais ninguém além de mim. Para eles, a situação não era a mesma.

"Não."

"...É uma pena, embora. Eu sei que seu pai causou um bom rebuliço. Gostaria de ter assistido à reunião."

Kiera murmurou, um pouco desapontada. Pensando por um momento, Evelyn também assentiu com a cabeça.

"Agora que você mencionou, isso parece ser interessante."

"....."

Minha nossa, que divertido.

Já começava a me sentir com dor de cabeça só de pensar em como teria que lidar com aqueles nobres arrogantes.

Só de imaginar, dava vontade de vomitar.

No entanto, no final das contas, não tinha muito o que fazer e segui todos até a sala principal. Mas, assim que passei por Orson e Delilah, senti uma mão agarrar meu ombro.

"Hm?"

Curioso, virei a cabeça e vi Orson me encarando.

Ba... Tum!

Meu coração quase saiu pela boca.

'O quê? Droga... Será que ele descobriu algo? Será que a Delilah já contou pra ele? Droga, o que faço agora? Como me apresento pra ele? Posso...'

Vários pensamentos passavam pela minha cabeça naquele momento. Sentindo o olhar de Orson, me senti incapaz de manter a calma.

Apesar de ser um Mago Emotivo, de repente, não conseguia pensar direito.

E, no fim...

"Como posso ajudar, pai—"

"É mesmo você. Fiquei surpreso quando soube que estava vivo, e... Eh?"

Orson fez uma pausa, e meu coração caiu.

'Droga. Droga. Droga. Droga. Droga.'

Fiz uma besteira.

"O que foi que você acabou de dizer?"

Olhando por trás dele, pude ver Delilah me encarando, com a sobrancelha levantada. Quase parecia que ela dizia: 'A ousadia de você.'

Minha face ficou quente, mas não deixei transparecer.

Se havia uma coisa que eu era bom, era em manter a cara de poker.

No final, dei uma respiração breve para me acalmar e respondi calmamente.

"O pai não pode participar da reunião neste momento. Uma situação surgiu, então estou aqui em seu lugar."

"...Claro, isso eu já sei."

Com uma risada, Orson deu uma palmada no meu ombro.

"Não é surpresa ele não ter vindo. Mas o que mais me impressiona é que você ainda esteja vivo. Estava lá na cena. Vi seu corpo. Ainda me fascina pensar que você está vivo. Como conseguiu?"

Embora sua pergunta parecesse descontraída e seu sorriso fosse caloroso, no momento em que seus olhos se encontraram com os meus e ele fez a pergunta, senti uma pressão invisível me esmagando, dificultando minha respiração.

Foi nesse momento que percebi.

Ele não estava apenas perguntando por curiosidade.

Ele... Me interrogava.

"É—"

"Pare."

Uma voz suave de repente ecoou, cortando a pressão e a tensão. Orson levantou as sobrancelhas e se virou de volta.

"Del? O que—"

"Todos estão esperando. Devemos ir."

Interrompendo Orson, Delilah direcionou seu olhar para a porta ao longe. Agora, todos os representantes já tinham entrado, e só restávamos nós três.

Percebendo isso, Orson deu um passo para trás e assentiu.

"Você tem razão."

Arrumando a roupa, Orson se dirigiu à sala de reunião. Enquanto caminhava, lançou um olhar para mim.

"Você também deveria vir. Podemos conversar mais tarde. Estou bastante interessado na sua situação. Isso foi mais um plano do seu pai? Ele tem chamado minha atenção ultimamente."

Pelado pelo tom de voz dele, parecia genuinamente interessado. A única coisa que eu poderia fazer era sorrir e me preparar para segui-lo.

Mas, justo quando dou um passo à frente, uma voz sussurra no meu ouvido.

"... É bom te ver."

Dei uma virada lentamente, vendo Delilah a alguns passos de distância, com o olhar fixo nas costas do pai dela. Pela maneira como ela parecia, quase parecia que não tinha interesse algum em mim.

Porém, ao olhar mais de perto, percebi que ela estava lentamente se aproximando com cada passo.

Essa garota...

Abrindo a boca, acabei sorrindo lentamente e balancei a cabeça.

"Também é bom te ver."

Apesar de já fazer um mês desde nosso último encontro, parecia que tinha se passado uma eternidade.

De fato... era bom vê-la.

Delilah assentiu levemente antes de acelerar o passo.

E, ao fazer isso, murmurou mais uma coisa.

"Não se preocupe com seu sogro. Assim que a reunião terminar, vou segurá-lo. Pode sair como quiser."

"Hã?"

Nesse momento, quase tropecei ao olhar para Delilah.

O que ela acabou de—

Quando olhei pra cima, ela já tinha entrado na sala, deixando-me completamente atordoado.

Parpadeei algumas vezes, sacudindo a cabeça com exasperação.

'Ela está ficando cada vez mais audaciosa.'

Começava a ficar com medo do que ela poderia se transformar.

Porém, no final, não tive muito tempo para pensar nisso. Como tinha sido segurado, fui o último a entrar na sala, e ao cruzar a porta, senti os olhares de todos se voltarem para mim.

Por um momento, quase vacilei. Mas consegui rapidamente me recompor, observando ao redor.

A sala era relativamente pequena.

Pelo menos, bem menor do que o corredor de antes. No centro, havia uma grande mesa oval onde todos estavam sentados, e, olhando ao redor, encontrei uma cadeira vazia ao lado do Visconde Verlice.

Caminhei calmamente até ela e sentei.

"Ótimo, parece que ninguém faltou."

Orson estava na cabeceira da mesa, com um rosto extremamente calmo diante dos vários nobres de alto escalão.

Batendo os dedos na mesa, começou a falar.

"Tenho muitas coisas que gostaria de tratar nesta reunião. Desde os movimentos recentes de alguns Guildas, até a possível promoção de vários membros a títulos nobres mais altos. Pode ser que acabemos tendo uma reunião bastante longa."

Enquanto sua mão parava, Orson fixou o olhar em mim.

"Mas antes de tudo isso, que tal começarmos com o ponto mais importante?"

Os olhos de todos presentes se fixaram na minha direção.

"...Houve um conflito recente entre alguns de nossos membros, incluindo um dos membros mais novos, o Visconde de Evenus. Como deveríamos lidar com esse conflito?"

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