
Capítulo 665
Advento das Três Calamidades
Todos pararam o que estavam fazendo.
Com todos os olhos fixos no ovo nas mãos de Lazarus, o ambiente ficou silencioso. O ovo... era algo que ele quase tinha esquecido, mas lembrava-se de ter recebido como uma espécie de recompensa.
"Hm."
Lazarus começou a direcionar sua atenção para uma criatura distante que havia morto.
Após pensar por um instante, ele ergueu a mão, e o corpo da criatura se moveu em direção a ele.
Era uma criatura enorme, parecida com um polvo — seu corpo atingia várias vezes o tamanho de Lazarus, que olhou de relance para Pedra de canto.
"Pedra."
"…Sim."
Sem perder tempo, o gato pressionou a pata contra a superfície da água, e o polvo encolheu-se até ficar uma bolinha do tamanho de um punho. Lazarus colocou o ovo bem abaixo do polvo, enquanto um líquido preto começava a escorrer do corpo encolhido do polvo, pingando sobre o ovo.
Pedra e Lazarus aguardaram com expectativa, os olhos fixos no ovo, esperando algo acontecer.
E então…
Chisss~ Chisss~
Um som de chiado suave ecoou no ar enquanto o ovo começava a pulsar.
"….!"
O rosto de Pedra mudou sutilmente, assim como o de Lazarus, enquanto os dois se olhavam.
Ninguém precisou dizer uma palavra.
Eles entenderam exatamente o que precisavam fazer.
"A concentração está um pouco baixa, mas se coletarmos o suficiente deles, talvez consigamos desencadear uma reação. Juntando com o espelho, e…"
Lazarus fez uma pausa.
Ele não queria chegar a conclusões precipitadas, mas ao olhar para o ovo e sentir o pulsar sutil de vida vindo dele, tinha consciência de que estava no caminho certo.
Pedra também, com os olhos afiados.
Com um único olhar, Lazarus percebia o quanto o gato estava ansioso para conquistar seu próprio corpo.
Depois de ajudá-lo por tanto tempo, Lazarus achou que era o mínimo que podia fazer pelo gato.
'Ainda assim, não posso perder de vista meu objetivo. Preciso continuar procurando pistas. Tenho certeza de que encontrarei o que preciso se procurar bastante.'
E assim, a busca recomeçou mais uma vez.
Não houve mudanças reais em suas ações, além do fato de que, sempre que Lazarus matava um monstro, usava o sangue e o deixava pingar sobre o ovo. A cada monstro morto, o ovo pulsava mais forte, ganhando vida.
Também encontraram todo tipo de monstro. Principalmente monstros de Rank Terror.
Os Ranks Destruidor, por outro lado, não apareceram, principalmente porque pareciam estar cientes da força de Lazarus, além da pressão vinda de Águia-Poderosa e Wobbles. Os dois já eram força suficiente para desencorajar a maioria dos monstros mais fortes.
Isto incomodava Lazarus, pois sentia que o ovo progrediria mais rápido com o sangue de um monstro de Rank Destruidor, mas sabia que isso era apenas orgulho de sua parte.
Monstros de Rank Destruidor não eram tipos que pudesse simplesmente lutar e cortar como um legume.
Eles eram extremamente fortes e astutos.
Era só wishful thinking da parte dele.
"Encontrei algo."
Naquele momento, Lazarus foi despertado de seus pensamentos ao ouvir a voz calma de Águia-Poderosa. Voltando sua atenção para a majestosa ave, cujos olhos brilhavam ao longe, Lazarus se aproximou e olhou para baixo, vendo outro fragmento que detalhava a luta entre Noel e o Ser Exterior.
'Mais uma vez, não consigo enxergar a figura do Ser Exterior.'
Era como se toda sua presença fosse proibida de ser vista. Como se o mundo tivesse apagado completamente sua existência. Até mesmo sua sombra estava borrada.
O cenho de Lazarus se abriu ao olhar o fragmento.
Este era diferente dos outros dois. A luta parecia estar chegando ao fim, com ambos os lados visivelmente cansados e machucados.
Não só isso, mas o cenário também parecia diferente. Ele podia ver um buraco gigante no lugar onde antes havia o mar carmesim.
O corpo de Noel estava completamente coberto de sangue, mas parecia estar se curando lentamente, enquanto a Deusa parecia fraca e frágil, quase sem forças, ainda se segurando na esperança.
Mas então…
Algo aconteceu.
….!
Do nada, a sombra apareceu bem abaixo do corpo da Deusa, que toda se iluminou com uma luz intensa. Mas, antes que pudesse reagir, já era tarde demais, sangue jorrava de seus olhos.
Embora ele não pudesse ouvir nada, sentia-se quase como se ela estivesse gritando através do fragmento.
Seu corpo se iluminou ainda mais, uma luz explodiu em todas as direções, fazendo o Ser Exterior recuar. Nesse momento, Noel se moveu, desaparecendo de onde estava e reaparecendo atrás da sombra.
Olhando fixamente para Noel, Lazarus o viu estender a mão em direção ao ar.
Parecia que ele estava acertando no vazio, mas, no meio do movimento, sua mão começou a escurecer e um líquido negro espesso começou a escorrer por ela.
Na sombra abaixo, Lazarus viu Noel perfurar a figura borrada com a mão.
Naquele instante, o mundo pareceu parar.
E então…
O corpo do Ser Exterior deslizou pela mão de Noel, cair no buraco gigante abaixo, escurecendo tudo ao redor.
'Parece exatamente igual ao que é agora.'
Proveniente do buraco que desafiava as leis da gravidade, e da escuridão que tudo envolvia.
Pensando bem, a Boca Eclipse realmente parecia um nome apropriado para esse lugar.
'Ainda assim, e o cetro?'
Lazarus voltou sua atenção para a Deusa, que parecia extremamente fraca e desfalecida. Ela parecia à beira de cair, seu corpo pálido.
Lazarus olhou para ela, e depois para o cetro em suas mãos.
Podia ver que estava rachado e quase quebrando. Era exatamente como ouvira falar. Mas então…
Aparecendo ao seu lado, Noel parecia dizer algo.
Embora fosse cega, como se estivesse seguindo a voz dele, ela olhou na direção dele. Sua face ficou um pouco confusa, até que, por fim, ela assentiu com a cabeça, e Noel pegou o cetro e o lançou no Abismo.
Seu rosto parecia frio ao lançar o cetro.
Lazarus assistiu enquanto ele se perdia na escuridão, franzindo a testa.
'Então Noel jogou o cetro no Abismo? Mas, nesse caso… Isso não me ajuda em nada. Ainda não tenho ideia de como encontrá-lo.'
Pelo menos, foi o que Lazarus pensou no começo.
Mas então…
De repente, Lazarus viu Noel recuperar um espelho de nãonuma e virá-lo em direção ao Abismo. Uma luz tênue surgiu e desapareceu logo depois.
A ação foi discreta, e nenhuma mudança concreta aconteceu após isso, mas…
Isso…
Era uma pista enorme.
'Quer dizer que preciso usar o espelho para encontrar o olho?'
Rapidamente, Lazarus pegou o espelho. Ao mesmo tempo, começou a refletir tudo que tinha visto.
De repente, começou a entender por que ninguém conseguia encontrar o cetro. Provavelmente, porque Noel o tinha escondido usando o Espelho. Não só isso, mas também compreendeu por que a Deusa nunca tentou procurá-lo.
Porque ela nunca planejou procurar.
Pelo que ele viu, parecia que os dois tinham feito um acordo sobre isso.
'Acho que isso também explica por que aqueles da igreja não sabem muito sobre a luta e acham que foi entre ela e Noel.'
Provavelmente, foi um rumor que ela mesma espalhou.
Ela queria manter seus próprios membros no escuro sobre a situação, mantendo-os afastados do Abismo.
'Isso também explica por que o Abismo é controlado principalmente por piratas, e não por eles.'
Piratas não se importam com o que há nos fragmentos. Tudo o que querem é coletar ossos e ganhar dinheiro.
O objetivo dela era manter o incidente em segredo, de certa forma, dos Sithrus.
Os dois tinham um acerto para esconder o olho de Sithrus.
'Tudo finalmente faz sentido.'
Olhou ao redor, virou sua atenção para o espelho na mão.
Ao se fixar no próprio reflexo nele, fechou os olhos e suspirou.
'As coisas teriam avançado muito mais rápido se você tivesse me contado que era só isso que eu precisava fazer.'
Pensando no tempo que perdeu procurando pistas sobre o olho, Lazarus soltou um suspiro. Se Noel tivesse contado a situação antes, ele teria economizado muito tempo.
'Talvez haja uma razão para ele não ter querido me contar. Será que queria que eu visse os fragmentos?'
Isso poderia ser, de verdade.
Porém, Lazarus ainda ficava irritado. De qualquer forma, ele iria vê-los, quer Noel tivesse contado ou não. Mas, o que mais poderia fazer?
Enfim, fazendo uma careta, ele virou o espelho, ativou sua mana e fez uma leve luz branca envolver o objeto. Com o espelho refletindo tudo ao seu redor, Lazarus olhava ao redor, atento ao que via nele.
'Nada, nada… Isso é assim mesmo que funciona?'
Enquanto movia o espelho, Lazarus ficava confuso. Ele não conseguia ver nada. Será que estava fazendo certo?
Seu rosto se fechou em expressão de dúvida enquanto observava o reflexo.
Independente de onde apontasse, não via nada. Até tentou infundir mais mana no espelho, mas novamente… nada.
'Será que errei? Fiz errado, ou—'
.....!
A expressão de Lazarus mudou drasticamente ao virar a cabeça para o lado oposto.
Todo seu corpo arrepiou-se, e ele ficou rígido.
"Não, droga... ainda não."
Com o coração apertado contra o peito, seus olhos caíram finalmente na enorme órbita que o encarava de volta.
Um som de estimatione incessante começou a ecoar em sua cabeça, e ele começou a tremer.
Gradualmente, ao piscar lentamente, Lazarus sentiu uma mudança inexplicável acontecer com ele e com seu corpo. Não conseguia explicar bem o que era, mas era como se… sua própria existência estivesse sendo apagada lentamente do mundo.
Seus olhos tremeram.
Essa era a última fase da caça do grande primordial.
Não havia mais escapatória para ele.